Como era o interior de um avião presidencial brasileiro utilizado para transportar presidentes da República e outras autoridades?
No Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro, é possível encontrar preservado um exemplar do Boeing 737-200 VC-96, aeronave utilizada pela Força Aérea Brasileira no transporte presidencial durante décadas.
Tive a oportunidade de conhecer seu interior e registrar alguns dos espaços da aeronave. As fotografias mostram desde a cabine de comando até ambientes destinados ao presidente e à comitiva.
É uma oportunidade interessante de observar por dentro uma aeronave que participou de vários momentos da história brasileira.
O Boeing 737 VC-96 presidencial
A Força Aérea Brasileira operou dois Boeing 737 modificados e designados VC-96.
Diferentemente da configuração comercial convencional do Boeing 737-200, que podia transportar cerca de 130 passageiros, a versão VC-96 foi configurada para seis tripulantes, 40 passageiros e uma cabine VIP destinada ao transporte presidencial.
As aeronaves entraram em operação em 1976 e permaneceram em serviço até 2010.
Ao longo desse período, os VC-96 serviram aos presidentes Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.
Os aviões ficaram popularmente conhecidos como “Sucatinhas”.
Onde está o antigo avião presidencial?
Um dos exemplares está preservado no Museu Aeroespacial — MUSAL, localizado no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.
Museu Aeroespacial
O exemplar atualmente identificado pelo MUSAL como FAB 2116 foi desativado em 2010, depois de acumular 27.105 horas e 55 minutos de voo, e entregue ao museu em novembro de 2011.
O próprio museu realiza em determinadas ocasiões atividades que permitem conhecer o interior de aeronaves históricas.
Como era o avião presidencial por dentro?
Por fora, estamos diante de um Boeing 737. O interior, entretanto, precisava atender a uma finalidade muito diferente daquela encontrada em uma aeronave comercial convencional.
Havia espaços destinados ao presidente, reuniões e transporte da comitiva.
Nas fotografias que fiz durante a visita é possível observar alguns desses ambientes.


A cabine preserva uma configuração característica de uma geração de aeronaves muito anterior aos modernos cockpits digitais.
Para quem gosta de aviação e tecnologia, observar a quantidade de instrumentos, indicadores e comandos disponíveis aos pilotos é uma atração à parte.
Sala de reuniões do avião presidencial
Um dos ambientes que mais chama a atenção é a sala de reuniões.

Isso ajuda a entender que uma aeronave destinada ao transporte presidencial precisava funcionar não apenas como meio de transporte.
Durante uma viagem, o presidente e sua equipe poderiam continuar realizando determinadas atividades e reuniões.
É provavelmente daí que vem a impressão que tive durante a visita: por dentro, algumas áreas lembram uma pequena casa ou escritório voador.
Quarto e banheiro
Outro espaço interessante registrado durante a visita é a área privativa.

É uma configuração bastante diferente daquela que normalmente associamos ao interior de um Boeing 737 de passageiros.
Área destinada à comitiva
Além dos ambientes reservados, naturalmente era necessário transportar assessores e integrantes da comitiva presidencial.

Essa área se aproxima mais daquilo que esperamos encontrar quando pensamos no interior de uma aeronave de transporte.
A combinação desses diferentes ambientes mostra como um avião originalmente desenvolvido para transporte comercial pode ser adaptado para uma missão governamental bastante específica.
O avião presidencial também transportou o Papa João Paulo II
A história desse exemplar vai além do transporte dos presidentes brasileiros.
Um dos episódios mais interessantes ocorreu durante a visita do Papa João Paulo II ao Brasil.
Segundo o próprio Museu Aeroespacial, o FAB 2116 percorreu 11 estados brasileiros transportando João Paulo II. A aeronave também foi utilizada no traslado do corpo do presidente Tancredo Neves.
São fatos que ajudam a transformar o avião preservado em muito mais do que simplesmente uma aeronave antiga.
Ele é também um objeto relacionado à história política e social brasileira.
Do transporte presidencial para o museu
Depois de 34 anos de operação, os Boeing VC-96 foram retirados de serviço em 2010.
Hoje, visitar uma aeronave como essa permite observar de perto uma tecnologia que normalmente seria inacessível ao público e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco da história da aviação presidencial brasileira.
Para mim, a parte mais interessante foi justamente poder entrar no avião e registrar os diferentes ambientes.
Cabine, sala de reuniões, área privativa e espaço para a comitiva contam uma história que dificilmente perceberíamos observando a aeronave apenas pelo lado de fora.
Vale a pena conhecer o MUSAL?
Para quem gosta de aviação, tecnologia e história, o Museu Aeroespacial merece entrar no roteiro de uma visita ao Rio de Janeiro.
Além do VC-96, o MUSAL mantém um amplo acervo relacionado à história da aviação brasileira. A própria FAB informa que a maior parte da coleção de aeronaves fica distribuída pelo prédio principal e cinco hangares adjacentes.