Como fazer uma boa filmagem aérea usando um aeromodelo

 Instalar uma câmera em um aeromodelo parece uma tarefa simples: basta encontrar algum lugar no avião, prender a câmera e começar a voar.

Na prática, não é tão fácil.

A posição da câmera interfere diretamente no resultado da filmagem. Dependendo do local escolhido, podemos acabar registrando grande parte da hélice, da asa, da fuselagem ou simplesmente filmando horizonte demais e pouco da paisagem que realmente gostaríamos de mostrar.

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Foi justamente esse problema que procurei resolver neste projeto. Eu queria fazer uma filmagem aérea com o aeromodelo sem deixar evidente que a câmera estava instalada em um avião.

Depois de experimentar diferentes posições, encontrei uma solução simples: instalar a câmera na parte inferior do aeromodelo, utilizando uma pequena cunha construída em madeira balsa para direcionar a lente um pouco mais para baixo.

O resultado ficou muito melhor.

Por que a posição da câmera é tão importante?

Quando fazemos uma filmagem convencional, podemos segurar a câmera, alterar sua posição e corrigir o enquadramento a qualquer momento.

Em um aeromodelo isso não acontece.

Depois da decolagem, a câmera permanecerá praticamente na posição em que foi instalada.

Se o ângulo estiver errado, podemos fazer um voo inteiro e descobrir somente depois que gravamos:

céu demais;

horizonte demais;

parte da asa;

hélice;

trem de pouso;

ou uma imagem pouco interessante do terreno.

Por isso, alguns minutos gastos pensando no enquadramento antes do voo podem melhorar muito o resultado.

Minha primeira tentativa: câmera sobre a asa

Uma posição bastante óbvia é instalar a câmera sobre a asa.

Eu mesmo fiz várias filmagens dessa maneira.

Existe bastante espaço, a instalação é relativamente simples e conseguimos uma perspectiva interessante do voo.

Mas aparece um problema.

Se o aeromodelo possui configuração convencional com motor e hélice na parte dianteira, a câmera instalada sobre a asa pode registrar a hélice durante praticamente toda a filmagem.

Foi exatamente o que observei nas minhas experiências.

Dependendo do objetivo, isso pode até ficar bonito.

A hélice girando ajuda a transmitir a sensação de que estamos realmente dentro de uma aeronave.

Mas não era esse o efeito que eu procurava.

Eu queria que o avião desaparecesse da filmagem

Minha intenção era outra.

Queria utilizar o aeromodelo como uma plataforma aérea para transportar a câmera, mas sem que ele se tornasse protagonista das imagens.

Idealmente, alguém assistindo ao vídeo deveria enxergar principalmente:

paisagem + terreno + movimento

e não:

asa + hélice + fuselagem + paisagem.

Isso amplia bastante as possibilidades de utilização das imagens.

Em vez de termos necessariamente um “vídeo de aeromodelismo”, podemos produzir uma verdadeira tomada aérea.

Outro problema da câmera sobre a asa: o ângulo

Além da hélice, percebi outro inconveniente.

Com a câmera sobre a asa, acabava registrando muito horizonte e menos da área sobre a qual o aeromodelo estava voando.

Isso acontece porque a câmera acompanha aproximadamente a atitude longitudinal do avião.

Se queremos mostrar aquilo que está abaixo do modelo, precisamos modificar o ângulo da lente.

E foi justamente daí que surgiu minha solução.

A solução: colocar a câmera embaixo do aeromodelo

Depois de testar outras possibilidades, encontrei uma posição que produziu um resultado melhor:

a parte inferior do avião.

Mas simplesmente prender a câmera horizontalmente sob a fuselagem ainda não produziria exatamente o enquadramento desejado.

Eu queria apontar a lente um pouco para baixo.

Então construí uma pequena cunha de madeira.

Essa base altera o ângulo da câmera em relação à fuselagem e faz com que a lente fique direcionada mais para o terreno.

É uma solução extremamente simples, mas que muda bastante o resultado.

Por que construir uma cunha?

Imagine a câmera presa diretamente na parte inferior do avião.

A lente ficaria aproximadamente paralela à linha longitudinal da fuselagem.

Agora colocamos uma pequena peça inclinada entre a câmera e o avião.

Temos:

fuselagem → cunha inclinada → câmera

A câmera passa a olhar um pouco mais para baixo.

Não precisamos de nenhum mecanismo eletrônico.

Não precisamos movimentar a câmera durante o voo.

A própria geometria do suporte determina o enquadramento.

Usei madeira balsa para manter o peso baixo

A pequena cunha foi construída em madeira balsa.

A escolha faz bastante sentido para aeromodelismo.

A balsa é extremamente leve e fácil de trabalhar.

Podemos cortar.

Lixar.

Dar o ângulo desejado.

Fazer ajustes.

E tudo isso acrescentando muito pouco peso ao modelo.

Nesse tipo de aplicação, alguns gramas podem parecer insignificantes, mas devemos sempre lembrar que estamos colocando massa adicional em uma aeronave.

O peso da câmera importa

Quanto maior e mais pesada for a câmera, maior será a atenção necessária.

Não estamos apenas acrescentando peso ao aeromodelo.

Estamos colocando esse peso em uma determinada posição.

Isso significa que podemos alterar o centro de gravidade, conhecido no modelismo simplesmente como CG.

E alterar demais o CG pode modificar significativamente as características de voo do modelo.

O que é o centro de gravidade?

De maneira simplificada, podemos imaginar o CG como o ponto em torno do qual a massa do aeromodelo está equilibrada.

O projeto da aeronave possui uma faixa adequada para essa posição.

Quando acrescentamos uma câmera, estamos alterando a distribuição de massa.

Se a câmera for muito leve e estiver próxima do CG, a mudança pode ser pequena.

Se for pesada e instalada longe dele, o efeito pode ser muito maior.

Por isso, depois de instalar qualquer equipamento adicional em um aeromodelo, vale verificar novamente o equilíbrio.

Uma câmera pesada pode deslocar o CG

No artigo original eu já fazia justamente esse alerta: se for utilizada uma câmera mais pesada, é importante verificar se houve alteração no centro de gravidade.

Se acrescentarmos peso atrás do CG, por exemplo, o centro de gravidade pode se deslocar para trás.

Isso pode deixar o avião mais sensível e, dependendo da intensidade da alteração, comprometer sua estabilidade.

É por isso que não devemos pensar apenas:

“a câmera cabe aqui?”

Precisamos pensar também:

“o avião continua corretamente balanceado com a câmera aqui?”

Cuidado ao usar lastro para compensar

Uma possibilidade é reposicionar componentes que já estão no avião, especialmente a bateria, quando o projeto permite.

Em algumas situações também podemos utilizar lastro para corrigir o balanceamento.

No artigo original mencionei a possibilidade de colocar peso na dianteira para compensar uma câmera que alterasse o CG.

Mas existe uma consequência:

lastro é peso que não produz nenhuma função além do balanceamento.

Se adicionamos uma câmera pesada atrás e depois precisamos adicionar mais peso na frente, aumentamos bastante a massa total do avião.

Sempre que possível, é melhor pensar primeiro na posição dos componentes.

Não basta equilibrar: precisamos considerar a massa total

Mesmo que o CG permaneça correto, um avião mais pesado não se comporta exatamente como antes.

O aumento da massa pode influenciar:

velocidade de estol;

decolagem;

pouso;

aceleração;

autonomia;

resposta aos comandos.

Portanto, existe uma diferença entre:

CG correto

e

aeromodelo adequado para voar com aquele peso adicional.

As duas coisas precisam ser consideradas.

Como prendi a câmera?

Essa é uma questão extremamente importante.

No meu suporte utilizei velcro entre a câmera e a base.

Isso facilita bastante a instalação e a retirada.

Mas eu não quis depender apenas dele.

Acrescentei também duas abraçadeiras de velcro para aumentar a segurança da fixação.

A lógica era simples:

uma forma de fixação + uma segurança adicional.

Em um equipamento que estará voando, redundância é uma excelente ideia.

Não confie apenas na aderência do velcro

Velcro é muito prático, mas precisamos pensar nas condições reais de voo.

Existe vibração.

Existe aceleração.

Existem manobras.

Pode existir turbulência.

E um pouso mais forte pode produzir esforços consideráveis.

Se a câmera se desprender durante o voo, além de perdermos o equipamento, podemos alterar repentinamente o balanceamento do avião.

Por isso, uma retenção mecânica secundária é altamente recomendável.

No meu caso, foram justamente as duas abraçadeiras adicionais.

Faça um teste no solo

Antes de decolar, segure o aeromodelo com segurança e verifique a montagem.

A câmera se movimenta?

A base está firme?

As abraçadeiras estão bem posicionadas?

Existe alguma possibilidade de a câmera escorregar?

Algum cabo pode alcançar a hélice ou os comandos?

A instalação interfere no trem de pouso?

Esse pequeno teste pode evitar um problema durante o voo.

Verifique os comandos depois de instalar a câmera

Qualquer modificação no avião deve ser seguida por uma inspeção.

Movimente:

ailerons;

profundor;

leme;

flaps, se existirem.

Observe se a câmera, suporte ou abraçadeiras interferem em alguma haste ou superfície móvel.

Pode parecer improvável, mas uma abraçadeira colocada em uma posição inadequada pode criar problemas.

O sistema de filmagem não pode comprometer o sistema de controle da aeronave.

E o trem de pouso?

Na configuração que utilizei, aparecia apenas uma pequena parte da ponta do trem de pouso dianteiro na imagem.

Isso já era uma enorme melhoria em comparação com filmar continuamente a hélice.

Além disso, uma pequena região fixa no canto da imagem pode ser eliminada posteriormente durante a edição.

Podemos fazer um pequeno recorte no vídeo e praticamente fazer o aeromodelo desaparecer completamente da tomada.

Grave mais aberto pensando na edição

Se sabemos que uma pequena parte do avião aparecerá na imagem, podemos planejar o enquadramento já pensando em um futuro corte.

Isso significa deixar alguma margem.

Depois, no editor de vídeo, podemos ampliar ligeiramente a imagem ou fazer um crop.

Assim removemos:

ponta do trem de pouso;

pequena parte da fuselagem;

alguma borda do suporte.

É muito melhor perder alguns pixels na edição do que comprometer todo o vídeo tentando obter um enquadramento perfeito durante o voo.

A inclinação da câmera muda o tipo de imagem

Uma câmera quase horizontal produz uma tomada muito diferente de uma câmera inclinada para baixo.

Mais horizontal:

mais céu + mais horizonte + sensação de voo

Mais inclinada:

mais terreno + visão aérea + sensação de observação

Nenhuma das duas está necessariamente errada.

Depende do objetivo.

No meu caso, eu queria mostrar mais aquilo que estava abaixo do avião.

Por isso construí a cunha inclinada.

Não exagere no ângulo

Também existe um limite.

Se apontarmos a câmera praticamente na vertical, podemos perder completamente o horizonte.

Isso produz outro tipo de filmagem, semelhante a uma visão cartográfica.

Pode ser interessante para determinadas aplicações, mas reduz a sensação de deslocamento horizontal.

Um ângulo intermediário costuma produzir uma combinação interessante:

vemos o terreno;

percebemos o movimento;

e ainda temos alguma referência de profundidade.

A vibração pode estragar uma ótima posição de câmera

Você encontrou o ângulo perfeito.

A câmera está bem presa.

O CG está correto.

Decola.

Depois assiste ao vídeo e percebe que a imagem está vibrando o tempo inteiro.

Esse é outro problema comum em filmagens embarcadas.

O aeromodelo possui várias fontes potenciais de vibração:

motor;

hélice;

spinner;

estrutura;

fluxo de ar.

Uma câmera presa rigidamente em uma região que recebe muita vibração pode registrar tudo isso.

Verifique primeiro a hélice

Se existe vibração excessiva, não tente resolver tudo simplesmente colocando espuma sob a câmera.

Primeiro investigue a causa.

Uma hélice desbalanceada pode produzir vibrações significativas.

O mesmo vale para um spinner inadequado ou algum problema no conjunto do motor.

Além de prejudicar a filmagem, vibração excessiva pode afetar outras partes do modelo.

Portanto, uma imagem ruim às vezes funciona como um aviso de que existe algo mecânico a ser verificado.

O suporte precisa ser leve, mas também rígido

Existe um equilíbrio interessante.

Queremos utilizar pouco material para não aumentar o peso.

Mas uma base extremamente flexível pode começar a oscilar durante o voo.

Nesse caso, criamos um pequeno trampolim para a câmera.

A madeira balsa funciona bem porque podemos construir uma geometria suficientemente rígida utilizando muito pouca massa.

A forma do suporte pode ser tão importante quanto a quantidade de material.

Pense também na resistência aerodinâmica

Qualquer objeto colocado externamente em um avião interfere no fluxo de ar.

Uma pequena câmera representa uma área frontal adicional.

Em modelos grandes e lentos, o efeito pode ser relativamente pequeno.

Em outros casos, pode ser mais significativo.

Uma montagem muito volumosa também pode produzir turbulência e vibração.

Por isso, além de pensar no enquadramento, tente manter a instalação compacta e limpa.

A câmera não precisa ser enorme para produzir boas imagens

Uma das vantagens atuais é a disponibilidade de câmeras muito pequenas.

Para aeromodelismo, tamanho e peso podem ser tão importantes quanto a qualidade absoluta da imagem.

Uma câmera excelente que pesa demais pode não ser adequada ao modelo.

Uma câmera um pouco mais simples, mas extremamente leve, pode produzir um resultado muito melhor porque conseguimos posicioná-la adequadamente sem comprometer o voo.

A escolha precisa considerar o conjunto.

Faça um voo curto primeiro

Depois de modificar o avião, não faria imediatamente um voo longo dedicado à filmagem.

Primeiro faria um voo de teste.

Decole.

Ganhe altura.

Observe o comportamento.

Faça algumas curvas.

Verifique se o avião continua respondendo normalmente.

Pouse.

Confira a câmera e o suporte.

E assista rapidamente a um trecho da gravação.

Isso permite verificar duas coisas ao mesmo tempo:

comportamento do aeromodelo + qualidade do enquadramento.

Às vezes poucos graus fazem muita diferença

Se a imagem ainda mostra céu demais, não é necessário reconstruir todo o suporte.

Uma pequena alteração no ângulo da cunha pode resolver.

Essa é uma das vantagens de uma solução simples em madeira balsa.

Podemos lixar.

Acrescentar uma pequena peça.

Modificar o ângulo.

Testar novamente.

É quase um processo experimental:

montar → voar → assistir → ajustar → voar novamente.

Planeje a trajetória pensando na câmera

Uma boa filmagem aérea não depende apenas de onde a câmera está.

Depende também de como o avião é pilotado.

Curvas muito bruscas produzem grandes alterações no horizonte.

Subidas e descidas agressivas mudam rapidamente o enquadramento.

Se o objetivo é produzir imagens suaves da paisagem, movimentos progressivos costumam funcionar melhor.

Isso significa pilotar não apenas pensando em controlar o avião, mas também pensando na imagem que está sendo registrada.

Voe de maneira suave

Para determinadas tomadas, tente:

manter velocidade relativamente constante;

fazer curvas amplas;

evitar correções bruscas;

manter altitude estável;

planejar antecipadamente a passagem sobre o ponto que deseja filmar.

O resultado tende a parecer muito mais natural.

A câmera não possui um operador independente corrigindo o enquadramento.

O próprio piloto é também o operador da câmera através da trajetória do avião.

Sol e direção do voo também fazem diferença

Uma bela paisagem pode produzir uma filmagem ruim se a câmera permanecer apontada diretamente para uma fonte de luz intensa.

Antes da decolagem, observe a posição do sol.

Pense em quais trajetórias produzirão melhor iluminação sobre aquilo que deseja registrar.

Dependendo do horário, mudar a direção de uma passagem pode alterar completamente o resultado.

Isso não é uma questão específica do aeromodelismo.

É fotografia aplicada a uma plataforma aérea.

Segurança vem antes da filmagem

Uma câmera não transforma um aeromodelo em uma aeronave diferente do ponto de vista da responsabilidade de operação.

Não vale a pena fazer uma passagem arriscada apenas para conseguir uma imagem mais impressionante.

Mantenha distância adequada de pessoas, construções, veículos e áreas onde um problema possa causar danos.

A prioridade continua sendo:

voar o aeromodelo com segurança.

A filmagem vem depois.

Veja no vídeo como instalei a câmera

No vídeo original deste artigo mostro a solução que utilizei para instalar a câmera na parte inferior do aeromodelo, incluindo a pequena cunha de madeira balsa utilizada para alterar o ângulo da filmagem e o sistema de fixação com velcro e abraçadeiras.

 Uma solução simples pode melhorar muito a filmagem

O interessante deste projeto é que não precisei de um suporte sofisticado.

O problema era:

a câmera estava filmando coisas que eu não queria.

A solução foi:

mudar sua posição e seu ângulo.

Uma pequena peça de balsa resolveu boa parte do problema.

Com a câmera instalada embaixo do avião e ligeiramente inclinada para o terreno, consegui reduzir bastante a presença do próprio aeromodelo na imagem. O pouco que ainda aparecia — basicamente uma ponta do trem de pouso — poderia ser facilmente eliminado durante a edição.

É uma ótima demonstração de algo muito presente no modelismo: nem sempre precisamos de uma solução complicada. Muitas vezes, entender corretamente o problema permite construir uma solução simples, leve e funcional.

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