Como fazer acabamento em um rebocador de nautimodelismo usando uma caneta BIC

Quando estamos construindo um nautimodelo de escala, chega um momento em que o casco, o motor e o sistema de rádio controle já não são suficientes.

São os pequenos detalhes que começam a dar personalidade ao modelo.

Corrimãos, mastros, tubos, chaminés, suportes, antenas e outros elementos fazem com que aquilo que inicialmente parecia apenas um barco de madeira comece realmente a se parecer com uma embarcação.

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O problema é que nem sempre encontramos essas peças prontas em uma loja de modelismo.

Na construção do meu rebocador Yarra, encontrei várias situações desse tipo. A solução foi uma prática que utilizo bastante no modelismo:

olhar para objetos comuns e imaginar uma utilização completamente diferente para eles.

Foi assim que uma simples caneta esferográfica do tipo BIC, juntamente com um palito de churrasco e um palito de picolé, acabou se transformando em material para fazer detalhes do rebocador.

Nem tudo o que aparece na planta existe para comprar

Quando construímos um modelo a partir de uma planta, podemos encontrar detalhes muito específicos.

A planta mostra determinada peça.

Sabemos aproximadamente suas dimensões.

Sabemos onde ela precisa ficar.

Mas procuramos nas lojas e simplesmente não encontramos nada parecido.

Isso acontece especialmente quando construímos um modelo artesanalmente, em vez de montar um kit.

Nesse momento temos basicamente duas alternativas:

eliminar o detalhe;

ou construir nós mesmos.

Eu prefiro a segunda.

Construir também significa improvisar

Improvisar no modelismo não significa fazer de qualquer maneira.

Na realidade, existe bastante criatividade envolvida em encontrar um material que possua exatamente a geometria necessária para reproduzir determinada peça.

Às vezes precisamos de:

um pequeno tubo;

uma haste;

uma curva;

uma superfície plana;

um cone;

um cilindro.

E talvez esse formato já exista em algum objeto que temos em casa.

No caso do Yarra, encontrei uma solução em uma caneta BIC.

Por que uma caneta esferográfica?

Observe uma caneta não como instrumento de escrita, mas como matéria-prima.

Ela possui um corpo plástico longo.

Possui uma tampa.

Possui uma pequena peça na extremidade superior.

Possui formas cilíndricas.

Possui plástico relativamente fácil de cortar.

De repente, aquilo que era apenas uma caneta começa a parecer um pequeno conjunto de peças para modelismo.

Foi justamente a forma particular da caneta que me interessou para o acabamento do rebocador. No projeto original, utilizei a caneta completa, principalmente a pequena tampa existente em sua parte superior. A carga de tinta interna não era necessária.

Uma caneta pode fornecer várias peças

Essa é uma maneira interessante de trabalhar com sucata.

Não precisamos necessariamente utilizar o objeto inteiro.

Podemos desmontá-lo e perguntar:

“Qual dessas partes possui uma forma que eu poderia aproveitar?”

Em uma caneta podemos encontrar diferentes diâmetros e formatos.

Dependendo do modelo que estamos construindo, um pequeno pedaço pode servir como:

tubo;

acabamento;

suporte;

chaminé;

carcaça;

espaçador;

detalhe estrutural.

A função original deixa de importar.

Passamos a olhar apenas para material, tamanho e geometria.

No Yarra utilizei também palito de churrasco

Outro material extremamente simples utilizado nesse acabamento foi o palito de churrasco.

Para quem trabalha com modelismo, ele é uma matéria-prima bastante versátil.

É leve.

É barato.

É fácil de encontrar.

Pode ser cortado.

Pode ser lixado.

Pode receber acabamento e pintura.

E já possui o formato de uma pequena haste.

Em determinados modelos, isso evita ter que produzir uma peça cilíndrica do zero.

E também utilizei palito de picolé

O terceiro material empregado foi um palito de picolé.

Novamente temos algo extremamente simples.

Mas observe suas características:

madeira fina;

espessura relativamente uniforme;

superfície plana;

fácil de cortar;

fácil de lixar;

fácil de colar.

Com alguns cortes podemos produzir pequenas chapas, suportes e peças de acabamento.

Portanto, naquele pequeno detalhe do rebocador eu tinha:

caneta BIC + palito de churrasco + palito de picolé.

Materiais absolutamente comuns transformados em componentes de um nautimodelo.

O segredo está em enxergar formas

Esse talvez seja um dos maiores aprendizados da construção artesanal.

Imagine que você precise construir uma pequena peça cilíndrica.

Em vez de pensar imediatamente:

“Onde compro essa peça?”

podemos perguntar:

“Que objeto já possui aproximadamente esse diâmetro?”

Caneta?

Tubo de plástico?

Canudo?

Peça de brinquedo?

Haste?

Embalagem?

O mesmo raciocínio vale para peças planas, curvas ou cônicas.

Depois que começamos a desenvolver esse olhar, uma quantidade enorme de objetos passa a ser vista como matéria-prima potencial.

Isso é particularmente útil no nautimodelismo de escala

Um barco possui uma quantidade enorme de pequenos detalhes.

Olhe atentamente para um rebocador real e você encontrará:

tubulações;

guarda-corpos;

escadas;

mastros;

antenas;

chaminés;

guinchos;

ventiladores;

caixas;

suportes;

cabos;

aberturas.

Reproduzir tudo utilizando apenas componentes comerciais pode ser caro e, em muitos casos, impossível.

Por isso, construir esses elementos faz parte do próprio hobby.

A escala muda completamente nossa percepção dos objetos

Uma caneta é enorme quando pensamos nela como uma caneta.

Mas corte apenas um pequeno segmento.

Agora compare esse segmento com um rebocador em escala.

A percepção muda.

Aquilo pode se parecer com uma tubulação.

Uma tampa pode se transformar em acabamento.

Um pedaço de palito pode virar uma coluna.

Esse exercício de proporção é extremamente importante.

Antes de cortar, compare com o modelo

Uma boa prática é posicionar o material próximo da região onde será instalado.

Ainda sem colar.

Observe de diferentes ângulos.

O diâmetro parece adequado?

A altura está proporcional?

A peça parece exageradamente grossa?

Parece pequena demais?

Se estivermos seguindo uma planta, podemos também comparar as dimensões com aquilo que foi especificado.

Essa etapa evita muito retrabalho.

Faça primeiro uma peça experimental

Se você possui material suficiente, não comece imediatamente pela peça definitiva.

Corte um pequeno pedaço.

Experimente.

Veja como o plástico reage.

Lixe.

Cole em uma sobra de madeira.

Pinte.

Isso permite descobrir problemas antes de trabalhar diretamente sobre o modelo.

É especialmente útil quando estamos utilizando um material que originalmente não foi produzido para modelismo.

Como cortar o palito de churrasco

Realizar os cortes utilizando uma serra para obter um acabamento mais limpo.

É uma diferença aparentemente pequena, mas importante.

Dependendo de como cortamos uma pequena peça de madeira, podemos esmagar ou lascar as fibras.

Uma serra fina permite controlar melhor o corte.

Um corte limpo reduz o trabalho posterior

Imagine cortar uma pequena haste e deixar sua extremidade completamente irregular.

Agora precisamos:

lixar;

corrigir;

reduzir;

tentar novamente.

Quanto melhor for o corte inicial, menos trabalho teremos posteriormente.

Isso se torna ainda mais importante em peças pequenas porque qualquer irregularidade representa uma parcela significativa de sua dimensão total.

Um erro de 2 mm é quase irrelevante em uma peça de um metro.

Em uma peça de 10 mm, é enorme.

O palito de picolé também merece cuidado

O palito de picolé é fino e pode lascar.

Por isso, faça o corte de maneira controlada.

Se precisar produzir uma pequena peça retangular, marque primeiro as dimensões.

Depois faça o corte.

Finalmente utilize lixa para chegar ao formato definitivo.

É muito mais fácil retirar um pouco de material com lixa do que tentar acrescentar madeira depois de cortar demais.

Podemos usar lixa para ajustar as dimensões

A lixa é uma das ferramentas mais úteis para esse tipo de acabamento.

Podemos cortar a peça ligeiramente maior e depois aproximá-la gradualmente da dimensão desejada.

Isso permite ajustar:

largura;

comprimento;

ângulos;

arredondamentos;

encaixes.

Em peças pequenas, vale trabalhar devagar.

Algumas passadas de lixa podem retirar muito mais material do que imaginamos.

E a caneta também pode ser cortada

O corpo plástico da caneta pode ser dividido conforme a parte que desejamos aproveitar.

Mas existe uma diferença em relação à madeira.

Dependendo da ferramenta utilizada, o plástico pode:

deformar;

rachar;

criar rebarbas;

aquecer.

Por isso, novamente, faça testes.

Depois do corte, as bordas podem receber acabamento cuidadoso.

Não descarte imediatamente as pequenas peças da caneta

Quando desmontar uma caneta para modelismo, coloque os componentes sobre a bancada.

Corpo.

Tampa.

Peça superior.

Carga.

Outros pequenos elementos, dependendo do modelo.

Mesmo que você precise de apenas uma parte para o projeto atual, talvez outra peça possa ser aproveitada posteriormente.

É justamente assim que começa aquela famosa caixa de sucata que praticamente todo modelista acaba possuindo.

A carga de tinta não é necessária neste projeto

No caso específico do acabamento do Yarra, a carga interna da caneta não era utilizada.

Isso também mostra que reaproveitamento não significa obrigatoriamente utilizar 100% de um objeto.

Aproveitamos aquilo que possui utilidade para o projeto.

O importante é identificar quais partes fornecem as formas e materiais necessários.

Faça uma montagem a seco

Antes de aplicar cola, monte todas as peças temporariamente.

Posicione:

caneta;

palito de churrasco;

palito de picolé.

Veja como ficam juntas.

Observe o alinhamento.

Confira as proporções.

Esse procedimento é conhecido informalmente como uma montagem a seco.

Ele permite identificar erros enquanto ainda é fácil corrigi-los.

Pense na sequência de montagem

Outro detalhe importante é decidir a ordem em que as peças serão unidas.

Às vezes é melhor montar todo o pequeno conjunto fora do barco e depois instalá-lo.

Em outras situações, uma peça precisa ser fixada primeiro no modelo para que as demais sejam posicionadas corretamente.

Antes de colar qualquer coisa, imagine:

qual será a próxima etapa?

Isso evita criar uma montagem que depois impede o acesso a outra região.

Escolha a cola de acordo com os materiais

Aqui temos um pequeno desafio porque estamos combinando materiais diferentes:

plástico + madeira.

Nem todo adesivo apresenta o mesmo desempenho em todos os tipos de plástico.

Além disso, canetas podem ser produzidas com diferentes materiais.

Portanto, se você não conhece a compatibilidade do adesivo, faça um teste em uma sobra.

Cole.

Espere a cura completa.

Depois tente separar.

Esse pequeno experimento pode evitar que um detalhe se desprenda depois que o modelo estiver pronto.

A preparação da superfície ajuda

Superfícies muito lisas podem dificultar a aderência de determinados adesivos.

Dependendo do material e da cola escolhida, uma preparação superficial leve pode melhorar a união.

Mas faça isso apenas na região que ficará escondida.

Não queremos riscar desnecessariamente uma parte que ficará visível.

Também remova poeira e resíduos antes da colagem.

Use pouca cola

Em peças pequenas, excesso de adesivo pode prejudicar muito o acabamento.

A cola escorre.

Forma volumes.

Preenche detalhes.

Depois precisamos tentar removê-la sem danificar a montagem.

O ideal é aplicar apenas a quantidade necessária para produzir uma união adequada.

No modelismo de escala, uma pequena gota pode ser enorme.

O acabamento faz materiais diferentes parecerem uma única peça

Essa é a parte mais interessante.

Inicialmente enxergamos claramente:

uma caneta + dois palitos.

Depois de cortar, ajustar, colar, preparar e pintar, nossa percepção muda.

Já não identificamos facilmente a origem dos materiais.

Passamos a enxergar:

uma peça do rebocador.

É justamente aí que o acabamento cumpre seu papel.

A pintura ajuda a unificar o conjunto

Imagine deixar cada material com sua aparência original.

Plástico transparente ou colorido.

Madeira natural.

Outra madeira com tonalidade diferente.

Visualmente fica evidente que o objeto foi montado com sucata.

Depois da preparação e pintura adequada, as diferenças visuais desaparecem.

As peças passam a compartilhar:

cor;

acabamento;

textura visual.

O resultado pode ficar surpreendentemente convincente.

Não pinte antes de verificar tudo

Antes da pintura definitiva, confira:

alinhamento;

proporção;

colagem;

encaixes;

superfície.

A pintura deve ser uma das etapas finais.

Depois que aplicamos acabamento, corrigir uma peça torta pode significar lixar e pintar tudo novamente.

Vale gastar alguns minutos adicionais na inspeção.

Primer pode ajudar dependendo dos materiais

Quando trabalhamos com diferentes superfícies, um primer compatível pode ajudar a preparar o conjunto para pintura.

Mas é importante testar a compatibilidade com o plástico utilizado.

Alguns solventes presentes em determinados produtos podem atacar certos plásticos.

Novamente aparece uma regra extremamente útil para materiais reaproveitados:

teste primeiro em uma sobra.

Reciclagem e modelismo combinam muito bem

No texto original, comentei justamente que o rebocador Yarra estava sendo construído utilizando materiais reciclados e reaproveitados.

Isso não significa construir um modelo de qualidade inferior.

Muito pelo contrário.

O desafio passa a ser transformar materiais comuns em peças que visualmente façam sentido dentro do modelo.

É um exercício de criatividade, construção e solução de problemas.

Também reduz o custo da construção

Modelismo pode se tornar um hobby caro.

Motor.

ESC.

Rádio.

Receptor.

Servo.

Bateria.

Madeira.

Tintas.

Ferramentas.

Ferragens.

Quando conseguimos produzir pequenos detalhes utilizando materiais disponíveis em casa, reduzimos o custo de determinadas etapas.

Uma caneta e alguns palitos custam praticamente nada quando comparados a peças especializadas importadas.

Mas o maior ganho não é financeiro

Para mim, a parte mais interessante é outra.

Quando compramos uma peça pronta, nosso trabalho muitas vezes é simplesmente:

abrir embalagem → instalar.

Quando construímos:

observamos;

imaginamos;

medimos;

cortamos;

erramos;

ajustamos;

colamos;

lixamos;

pintamos.

No final, aquela peça realmente faz parte da construção.

O rebocador Yarra é perfeito para esse tipo de experiência

Rebocadores possuem uma grande quantidade de detalhes aparentes.

Isso faz deles modelos extremamente interessantes para construção artesanal.

Podemos trabalhar durante muito tempo apenas adicionando elementos à superestrutura.

Cada pequeno detalhe acrescenta informação visual.

E como um rebocador normalmente navega em velocidades relativamente baixas, quem observa consegue perceber esses elementos durante a navegação.

Crie uma caixa de materiais para reaproveitamento

Se você gosta de construir, vale separar uma pequena caixa para guardar objetos potencialmente úteis.

Não precisa transformar a oficina em depósito de lixo.

Guarde apenas materiais que realmente possam ter alguma aplicação:

pequenos tubos;

hastes;

engrenagens;

tampas;

molas;

chapas;

parafusos;

pedaços de plástico;

pequenas peças metálicas.

Quando surgir uma necessidade, procure primeiro nessa caixa.

É impressionante quantas soluções aparecem.

Antes de jogar algo fora, observe sua geometria

Essa é uma mudança simples de hábito.

Antes de descartar uma pequena peça, pergunte:

É tubular?

É plana?

Possui uma curva interessante?

É fácil de cortar?

Posso colar?

Posso pintar?

Existe alguma parte que poderia representar algo em escala?

Você não precisa guardar tudo.

Mas começará a identificar materiais que antes passariam despercebidos.

O modelismo artesanal é também solução de problemas

Talvez esse pequeno projeto com uma caneta BIC mostre isso melhor do que muitos projetos eletrônicos complexos.

O problema era simples:

preciso reproduzir um detalhe do Yarra e não tenho a peça pronta.

A solução também foi simples:

vou construir.

E os materiais necessários estavam disponíveis em objetos absolutamente comuns.

Essa capacidade de encontrar soluções é uma das partes mais interessantes do modelismo.

Veja como utilizei a caneta BIC no rebocador Yarra

No vídeo original deste artigo mostro como aproveitei uma caneta esferográfica tipo BIC, um palito de churrasco e um palito de picolé para construir um detalhe de acabamento do rebocador Yarra. Também mostro a importância de realizar cortes limpos nas pequenas peças de madeira.

 

 Uma caneta pode deixar de ser uma caneta

Essa é a ideia principal deste projeto.

Quando estamos construindo um modelo artesanalmente, não precisamos ficar limitados ao catálogo de uma loja de modelismo.

Uma caneta pode fornecer um tubo.

Um palito de churrasco pode fornecer uma haste.

Um palito de picolé pode fornecer uma pequena chapa de madeira.

Depois de cortar, ajustar, montar e pintar, ninguém precisa saber de onde aquela peça veio.

O importante é que ela cumpra sua função e tenha uma aparência coerente com o modelo.

Foi exatamente assim que utilizei esses materiais durante a construção do meu rebocador Yarra.

E essa é uma das coisas de que mais gosto na construção artesanal: muitas vezes, a peça que estamos procurando já existe — apenas foi fabricada originalmente para outra finalidade.

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