Quem trabalha com aeromodelismo, automodelismo ou nautimodelismo elétrico provavelmente já encontrou pequenos conectores metálicos entre o motor e o ESC. Eles são conhecidos como conectores bullet.
O nome vem do formato do conector macho, que lembra uma pequena bala (bullet, em inglês). O conjunto é formado por conectores macho e fêmea que permitem fazer e desfazer rapidamente uma conexão elétrica.
No modelismo, eles são muito utilizados principalmente para conectar motores brushless ao ESC.
Além de facilitar a montagem, esses conectores tornam muito mais simples substituir componentes ou até inverter o sentido de rotação de um motor.
Mas existe um detalhe importante: para obter uma conexão elétrica confiável, precisamos soldar corretamente os fios nos conectores bullet e depois fazer um bom isolamento.
Por que utilizar conectores bullet?
Poderíamos simplesmente soldar os fios do motor diretamente aos fios do ESC.
Eletricamente, isso pode funcionar. O problema aparece quando precisamos fazer alguma alteração.
Imagine que o ESC apresente um defeito e precise ser substituído. Se tudo estiver soldado diretamente, teremos que dessoldar ou cortar os fios.
Com os conectores bullet, basta desconectá-los.
O mesmo acontece se quisermos trocar o motor.
Portanto, uma das principais vantagens é criar uma conexão elétrica que pode ser facilmente desconectada e reconectada.
O bullet facilita a inversão do sentido do motor brushless
Essa facilidade se torna ainda mais interessante nos motores brushless.
Um motor brushless normalmente possui três fios conectados ao ESC. Se, depois da montagem, percebermos que o motor está girando no sentido contrário ao desejado, existe uma solução bastante simples.
Podemos trocar entre si dois dos três fios entre o motor e o ESC.
O sentido de rotação será invertido.
Com conectores bullet, fazemos essa troca rapidamente.
Sem eles, se motor e ESC estivessem soldados diretamente, seria necessário refazer as conexões.
Por que nem sempre utilizamos bullet?
Apesar das vantagens, não significa que todo modelo precise utilizar esses conectores.
Em determinadas aplicações, peso e espaço são críticos.
Quando montei um drone QAV 250, por exemplo, preferi cortar os fios no comprimento necessário e fazer as conexões diretamente com solda, sem utilizar bullet.
Em um pequeno drone, alguns gramas e alguns centímetros de fio podem fazer diferença.
Existe, entretanto, uma contrapartida: se posteriormente for necessário substituir um motor ou ESC, será preciso utilizar novamente o ferro de soldar.
É sempre uma escolha entre facilidade de manutenção, peso, espaço e características do projeto.
Como soldar o conector bullet?
O bullet é pequeno e completamente metálico. Por isso, uma das dificuldades é conseguir mantê-lo imóvel durante a soldagem.
Tentar segurá-lo com os dedos não é uma boa ideia.
Além de dificultar o trabalho, o metal conduz muito bem o calor produzido pelo ferro de soldar.
O ideal é prender o conector em um suporte sobre a bancada, deixando a região que receberá o fio em uma posição confortável para trabalhar. No procedimento que utilizo, deixo o bullet na vertical para conseguir colocar solda em seu interior.
Coloque o termo retrátil no fio antes de soldar
Antes de iniciar a soldagem, existe uma etapa que é muito fácil esquecer.
Corte um pedaço de espaguete termo retrátil e passe-o pelo fio.
Depois deslize-o para longe da extremidade que será aquecida.
Se você terminar toda a soldagem e somente depois perceber que esqueceu o termo retrátil, poderá descobrir que não consegue mais colocá-lo no lugar sem desfazer a conexão.
Portanto:
primeiro o termo retrátil; depois a soldagem.
Prepare a ponta do fio
Retire somente a quantidade necessária do isolamento do fio.
Evite deixar uma grande região de cobre exposta.
Depois, torça suavemente os filamentos para mantê-los organizados e faça a estanhagem da extremidade.
Aqueça o condutor com o ferro de soldar e aplique a solda de maneira que ela se distribua pelos filamentos.
Não precisamos formar uma grande esfera de solda. Queremos apenas preparar adequadamente o fio para a conexão.
Coloque solda dentro do bullet
Agora vamos preparar o próprio conector.
Com o bullet preso no suporte, aqueça a região destinada a receber o fio.
Adicione solda ao interior do terminal.
Como o conector possui uma massa metálica maior que um pequeno fio, ele pode retirar calor rapidamente da ponta do ferro. Por isso, é importante utilizar um ferro capaz de aquecer adequadamente a peça.
O objetivo não é simplesmente derreter solda sobre a ponta do ferro e derramá-la dentro do conector.
Queremos aquecer o próprio bullet suficientemente para que a solda funda e molhe corretamente sua superfície metálica.
Insira o fio enquanto a solda estiver líquida
Com a solda existente no interior do bullet aquecida e líquida, introduza a extremidade previamente estanhada do fio.
Mantenha o fio corretamente posicionado.
Retire o ferro e não movimente a conexão enquanto a solda estiver solidificando.
Esse é justamente o procedimento mostrado no artigo original: manter o bullet na vertical, depositar a solda em seu interior e inserir o fio enquanto ela ainda está fundida.
Espere o conjunto esfriar antes de retirar o conector do suporte.
Lembre-se de que o bullet é metálico e pode permanecer bastante quente mesmo depois de o ferro ter sido afastado.
Como verificar se a soldagem ficou boa?
Depois que tudo estiver completamente frio, observe a conexão.
O fio deve estar firmemente preso ao bullet.
Faça uma leve verificação mecânica, sem exagerar na força, para confirmar que o condutor não está solto.
Também observe se não existem filamentos de cobre fora da região soldada.
Uma conexão aparentemente presa, mas mal soldada, pode apresentar resistência elétrica indesejada e aquecimento quando submetida às correntes relativamente elevadas encontradas nos sistemas de propulsão.
Por isso, a qualidade da soldagem é importante tanto mecanicamente quanto eletricamente.
Por que é obrigatório isolar o bullet?
Terminamos a soldagem, mas o trabalho ainda não acabou.
O bullet é completamente metálico e, portanto, eletricamente condutor.
Agora imagine os três conectores de um motor brushless instalados lado a lado.
Se dois deles entrarem em contato enquanto o sistema estiver energizado, teremos uma conexão elétrica onde ela não deveria existir.
Isso pode provocar uma corrente elevada e danificar o ESC ou outros componentes.
Por isso, os conectores precisam ser adequadamente isolados.
Use espaguete termo retrátil
É aqui que entra o pedaço de termo retrátil que colocamos anteriormente no fio.
Depois que a soldagem estiver completamente fria, deslize o material até cobrir a região metálica que precisa ser protegida.
Em seguida, aqueça-o cuidadosamente.
O termo retrátil se contrai e passa a envolver a conexão.
No artigo original mencionei o soprador térmico como a maneira mais adequada de aquecê-lo.
Evite excesso de temperatura. Queremos apenas contrair o material, e não danificar o isolamento do fio ou outras partes próximas.
Termo retrátil é melhor que fita isolante?
Em uma emergência, uma fita isolante poderia fornecer algum isolamento.
Para uma montagem como essa, entretanto, o termo retrátil produz uma solução muito mais adequada.
Ele fica ajustado ao conector, ocupa pouco espaço e não possui a tendência de se soltar ou deslocar da mesma maneira que uma fita enrolada em uma peça tão pequena.
Em um conjunto com três bullets lado a lado, isso é particularmente importante.
Cada conexão deve permanecer individualmente protegida.
Escolha o tamanho correto do termo retrátil
O termo retrátil precisa ter diâmetro suficiente para passar sobre a região que será coberta antes do aquecimento.
Mas não adianta utilizar um tubo muito maior esperando que ele diminua indefinidamente.
Cada termo retrátil possui uma determinada relação de contração.
Por isso, escolha uma medida que passe pelo conector e, depois de aquecida, consiga se ajustar adequadamente ao conjunto.
Cuidado ao soldar conectores ligados à bateria
Se estiver trabalhando com um bullet que será conectado diretamente aos fios de uma bateria, o cuidado deve ser ainda maior.
Uma bateria de modelismo pode fornecer correntes elevadas.
Nunca deixe as extremidades positiva e negativa desencapadas de maneira que possam se tocar acidentalmente.
Quando for necessário trabalhar diretamente nos cabos de uma bateria, faça um condutor de cada vez, mantendo o outro devidamente isolado.
Também evite deixar ferramentas metálicas próximas aos terminais expostos.
Bullet macho ou fêmea: qual colocar de cada lado?
Mais importante do que simplesmente decorar uma regra é pensar na segurança da montagem.
Um terminal energizado não deve ficar exposto de maneira que possa tocar acidentalmente em uma ferramenta, outro conector ou superfície condutora.
Isso é particularmente importante nas conexões diretamente associadas à bateria.
Além disso, vale estabelecer um padrão para seus modelos. Utilizar sempre a mesma convenção reduz a possibilidade de erros quando trocamos motores, ESCs ou outros componentes.
O tamanho do bullet também importa
Existem conectores bullet de diferentes diâmetros.
A escolha deve considerar os fios, conectores dos componentes e principalmente a corrente envolvida no sistema.
Um pequeno motor não possui as mesmas exigências elétricas de um sistema de propulsão de alta potência.
Não devemos escolher o conector apenas porque ele fisicamente encaixa.
O conjunto formado por fio, conector, soldagem e isolamento precisa ser adequado à aplicação.
Uma boa conexão faz parte do sistema elétrico
É comum dedicarmos muita atenção à escolha do motor, ESC e bateria e tratarmos os conectores como um detalhe.
Mas toda a corrente que alimenta o motor precisa passar pelas conexões.
Uma soldagem inadequada, um conector danificado ou um contato elétrico ruim pode introduzir resistência, produzir aquecimento e comprometer o funcionamento do conjunto.
Por isso, aprender a fazer corretamente uma conexão aparentemente simples como essa também faz parte de compreender a elétrica do modelismo.
Veja no vídeo como soldar o bullet
No vídeo abaixo mostro o procedimento de soldagem do conector bullet, incluindo a maneira como posiciono o conector, aplico a solda, insiro o fio e faço o isolamento.
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Saber soldar um bullet resolve uma tarefa específica. Mas, quando começamos a entender como motor, ESC, bateria, conectores e sistema de rádio trabalham juntos, fica muito mais fácil montar um modelo, escolher os componentes corretos e descobrir o que está errado quando alguma coisa não funciona.
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