Os carrinhos Hot Wheels podem alcançar velocidades interessantes em suas pistas, principalmente nas descidas e nos trechos impulsionados por lançadores. Mas existe uma maneira diferente de observar essas corridas: em vez de filmar o carrinho passando pela pista, podemos colocar uma pequena câmera no próprio carrinho.
O resultado é uma filmagem em primeira pessoa, como se estivéssemos sentados dentro do Hot Wheels enquanto ele percorre curvas, descidas e outros obstáculos. Essa era justamente a experiência que eu queria fazer.
Existe até uma solução específica para isso utilizando uma câmera GoPro. Mas e se você não tiver a câmera indicada para esse tipo de montagem?
Foi justamente isso que resolvi experimentar.
O que é uma filmagem com câmera a bordo?
Quando filmamos normalmente um carrinho, posicionamos a câmera fora da pista.
O carrinho passa diante dela e acompanhamos seu movimento como espectadores.
Ao colocar a câmera sobre o próprio carrinho, mudamos completamente a perspectiva.
Agora a câmera se desloca junto com o veículo.
A pista deixa de parecer uma pequena pista de brinquedo vista de cima e passa a ocupar grande parte do campo de visão. Curvas parecem mais rápidas, descidas ficam mais impressionantes e até pequenas irregularidades provocam movimentos perceptíveis na imagem.
É uma maneira muito divertida de experimentar aquilo que no modelismo também conhecemos como câmera onboard.
Existe um Hot Wheels preparado para receber uma GoPro
A própria Hot Wheels possui uma solução para esse tipo de filmagem.
Existe um carrinho desenvolvido para permitir a instalação de uma GoPro Hero 5 Session, uma câmera compacta com formato aproximadamente quadrado.
O formato dessa câmera ajuda bastante.
Ela é pequena, relativamente compacta e pode ser posicionada sobre o carrinho utilizando o suporte correspondente.
O problema é bastante evidente:
e se você não tiver uma GoPro Hero 5 Session?
Isso significa que não poderá fazer filmagens a bordo?
Não.
Podemos adaptar outras câmeras
Essa foi justamente a ideia que explorei.
Em vez de utilizar a câmera prevista originalmente para o carrinho, adaptei uma HD Wing da HobbyKing.
A HD Wing possui uma característica particularmente interessante para esse tipo de experiência: é uma câmera pequena e leve.
E quando estamos colocando alguma coisa sobre um carrinho Hot Wheels, peso e dimensões fazem muita diferença.
Não adianta instalar uma excelente câmera se ela for tão pesada ou tão grande que impeça o carrinho de percorrer normalmente a pista.
Por que o peso da câmera é tão importante?
O Hot Wheels depende de sua própria energia cinética para continuar percorrendo boa parte da pista.
Quando acrescentamos uma câmera, aumentamos a massa do conjunto e, principalmente, modificamos a distribuição desse peso.
Também podemos aumentar a resistência ao movimento dependendo de como a adaptação é feita.
Por isso, uma câmera pequena apresenta uma vantagem evidente.
Mas não é apenas o peso total que importa.
Imagine colocar todo o peso adicional muito alto sobre o carrinho. O centro de massa do conjunto também será alterado.
Em uma curva ou mudança brusca de direção, isso pode facilitar o tombamento.
Portanto, uma boa adaptação deve procurar manter a câmera baixa, centralizada e firmemente presa.
A câmera precisa ficar perfeitamente presa
Esse ponto é fundamental.
Um carrinho percorrendo uma pista pode sofrer impactos, mudanças bruscas de direção e vibrações.
Se a câmera estiver apenas apoiada sobre ele, provavelmente não permanecerá na posição por muito tempo.
A fixação precisa cumprir duas funções:
manter a câmera sobre o carrinho e evitar que ela fique mudando de posição durante a filmagem.
Uma câmera que se movimenta independentemente do carrinho produzirá imagens ainda mais instáveis.
Ao mesmo tempo, precisamos evitar uma estrutura de fixação enorme e pesada.
É um pequeno problema de engenharia: queremos máxima fixação com mínimo peso e volume.
Posso utilizar uma GoPro convencional?
Essa foi outra possibilidade que experimentei.
Mesmo que você tenha uma GoPro de formato tradicional, diferente da Session, ainda é possível pensar em uma adaptação.
A ideia é utilizar uma base que permita fixar a câmera sobre o carrinho, algo que também mostro no vídeo original.
Naturalmente, uma câmera maior introduz desafios adicionais.
O conjunto fica mais pesado e mais alto, e isso pode limitar bastante as pistas nas quais será possível utilizá-lo.
Mas o princípio continua sendo o mesmo:
não precisamos ficar presos ao sistema originalmente previsto pelo fabricante.
Podemos construir nossa própria solução.
Nem toda pista funcionará com uma câmera a bordo
Depois de instalar a câmera, o carrinho deixa de ter exatamente as dimensões originais.
Isso significa que determinados elementos da pista podem se tornar incompatíveis.
Um túnel que possui espaço suficiente para um Hot Wheels convencional talvez não permita a passagem do carrinho com uma câmera sobre ele.
O mesmo vale para alguns loops, curvas muito fechadas e outros acessórios.
Por isso, vale começar os testes com uma pista relativamente simples.
Primeiro verificamos se o carrinho consegue percorrer um trecho reto.
Depois acrescentamos curvas, descidas e outros elementos.
Assim conseguimos descobrir gradualmente os limites da montagem.
A posição da câmera muda completamente o resultado
Outro aspecto interessante é experimentar diferentes posições.
Uma câmera instalada mais à frente pode produzir uma imagem em que quase não vemos o próprio carrinho.
Isso aumenta a sensação de estarmos “dentro” dele.
Colocando a câmera um pouco mais atrás, talvez consigamos mostrar uma parte da carroceria e criar outra referência visual.
Também podemos experimentar diferentes inclinações.
Se a câmera estiver apontando excessivamente para baixo, veremos principalmente a pista.
Se estiver apontando muito para cima, perderemos boa parte da sensação de velocidade.
Não existe necessariamente uma única posição correta.
Parte da diversão está justamente em fazer alguns testes e descobrir qual perspectiva produz o resultado mais interessante.
Por que a sensação de velocidade aumenta?
Um carrinho Hot Wheels é pequeno.
Quando o observamos de fora, nosso cérebro possui várias referências para perceber sua escala: a mesa, a pista, os objetos ao redor e até nossas próprias mãos.
Na filmagem onboard, muitas dessas referências desaparecem.
A câmera fica muito próxima da pista e tudo passa rapidamente diante dela.
O resultado pode transmitir uma sensação de velocidade muito maior do que aquela percebida quando observamos o mesmo carrinho de fora.
É o mesmo princípio que torna interessantes as câmeras instaladas próximas ao chão em automóveis, drones e outros modelos.
A perspectiva modifica nossa percepção do movimento.
As vibrações também fazem parte da experiência
Não espere necessariamente a estabilidade que conseguiríamos com uma câmera instalada em um tripé.
A câmera está sobre um carrinho minúsculo, percorrendo uma pista de plástico.
Junções entre partes da pista, pequenas imperfeições e impactos serão transmitidos diretamente para a câmera.
Isso pode produzir bastante vibração.
Mas, nesse tipo de experiência, parte desse movimento também ajuda a criar a sensação de estar a bordo.
Se a imagem ficar excessivamente instável, podemos experimentar melhorar a fixação ou introduzir algum pequeno elemento de amortecimento, desde que isso não deixe a câmera solta ou aumente excessivamente o peso da montagem.
Proteja a câmera durante os primeiros testes
Existe outro detalhe que não devemos esquecer: o carrinho pode sair da pista.
E agora existe uma câmera sobre ele.
Por isso, nos primeiros testes, é interessante montar a pista em um local onde uma saída não resulte em uma queda grande.
Uma coisa é um Hot Wheels cair da mesa.
Outra é um Hot Wheels carregando sua câmera cair da mesa.
Comece com velocidades menores e percursos simples. Depois que verificar que o conjunto está estável, aumente gradualmente a dificuldade da pista.
Podemos utilizar outras câmeras pequenas?
Sim. E essa é provavelmente a parte mais interessante da experiência.
O vídeo original mostra minha adaptação utilizando a HD Wing da HobbyKing, além da possibilidade de adaptar outros formatos de câmera.
Mas a ideia não depende especificamente daquele modelo.
Se você possui uma câmera pequena, pode estudar uma maneira de fixá-la.
Antes disso, observe quatro características:
- peso;
- dimensões;
- forma de fixação;
- resistência a impactos.
Depois é uma questão de experimentar.
É justamente aí que uma brincadeira com Hot Wheels pode se transformar também em um pequeno projeto.
Você também pode construir sua própria base
Talvez sua câmera não encaixe em nenhum suporte existente.
Nesse caso, podemos criar uma base.
Ela pode ser feita utilizando materiais leves disponíveis na bancada ou até projetada especificamente para a câmera.
O importante é que a base não interfira nas rodas e permaneça suficientemente firme durante o movimento.
Também vale pensar em uma montagem que permita retirar a câmera facilmente.
Não precisamos transformar permanentemente um carrinho em suporte de câmera.
Uma boa adaptação pode permitir instalar o equipamento para fazer as filmagens e depois devolver o carrinho à configuração normal.
O interessante é experimentar
O que gosto nessa ideia é que ela começa com uma pergunta muito simples:
“Como seria enxergar a pista a partir do próprio Hot Wheels?”
A partir daí aparecem vários pequenos problemas para resolver.
Qual câmera usar?
Como prender?
Onde posicionar?
Quanto peso podemos adicionar?
O carrinho continuará passando pelas curvas?
A câmera vai bater nos obstáculos?
A imagem ficará apontada para o lugar correto?
E então começamos a testar.
Esse processo de imaginar, construir, testar, observar e modificar é exatamente o que torna projetos simples tão interessantes.
Veja no vídeo como adaptei a câmera no Hot Wheels
No vídeo abaixo mostro como fiz a adaptação da HD Wing da HobbyKing no carrinho e também apresento uma ideia para utilizar outros tipos de câmera, inclusive uma GoPro convencional.
Quer aprender a criar suas próprias adaptações no modelismo?
Colocar uma câmera em um Hot Wheels parece apenas uma brincadeira — e pode perfeitamente ser. Mas existe algo interessante por trás dela: você encontrou uma limitação, analisou aquilo que tinha disponível e criou uma solução em vez de ficar preso ao acessório originalmente previsto pelo fabricante.
Essa maneira de pensar também aparece o tempo todo no rádio controle.
Adaptamos componentes, fazemos conexões, modificamos sistemas e criamos soluções para que nossos projetos façam exatamente aquilo que imaginamos.
É essa autonomia que procuro desenvolver no Método 7H RC, unindo modelismo, elétrica, eletrônica e prática de bancada.
Se você gosta de construir, adaptar e entender como as coisas funcionam, conheça o Método 7H RC e veja como transformar suas ideias em projetos que realmente funcionam.