Quem gosta de modelismo rádio controlado acaba descobrindo que o hobby não precisa ficar limitado aos tradicionais aviões, carros, barcos e helicópteros.
Com criatividade, motor, sistema de rádio e alguma habilidade de construção, podemos criar projetos completamente diferentes.
Foi exatamente o que um amigo meu fez: construiu uma prancha com um pequeno surfista de controle remoto, capaz de navegar rapidamente pela água. Prancha e boneco foram construídos por ele, em vez de simplesmente utilizar um brinquedo industrializado pronto.
E para registrar a experiência, fiz algo igualmente interessante: coloquei uma câmera dentro do meu barco de controle remoto e acompanhei o surfista navegando pelo lago da Cidade das Artes.
Um surfista de controle remoto construído artesanalmente
Existem brinquedos comerciais que reproduzem ideias semelhantes, mas, para quem gosta de modelismo, existe uma diferença enorme entre comprar algo pronto e construir o próprio modelo.
Nesse projeto, meu amigo construiu tanto a prancha quanto o boneco. Depois instalou o sistema de propulsão e o rádio controle necessários para comandar o conjunto.
O resultado é curioso porque, quando vemos o pequeno personagem se deslocando sobre a água, a primeira impressão é quase a de estarmos observando uma pessoa surfando.
Só que em escala reduzida.
Como fazer uma prancha de controle remoto navegar?
Por trás da brincadeira existe um problema interessante de engenharia.
Uma prancha convencional depende da interação entre surfista, onda e gravidade.
Em um modelo rádio controlado que precisa navegar por conta própria, precisamos criar propulsão e direção.
De maneira conceitual, o sistema precisa reunir:
fonte de energia → controle → motor → propulsão
e também alguma forma de controlar a trajetória.
O projeto mostrado no vídeo utiliza um motor e sistema de rádio controle, mas o post original não especifica quais componentes ou qual solução mecânica foram utilizados.
E justamente aí está uma das coisas mais interessantes do modelismo: existem várias maneiras de resolver o mesmo problema.
A prancha precisa flutuar e permanecer equilibrada
Antes mesmo de pensar em velocidade, existe uma questão básica:
o conjunto precisa permanecer estável sobre a água.
A prancha precisa suportar seu próprio peso, o boneco e todos os componentes instalados.
Motor, bateria, receptor e demais elementos acrescentam massa.
Além disso, não basta considerar somente quanto o conjunto pesa. Precisamos observar onde esse peso está localizado.
Se concentrarmos muita massa de um lado, o modelo tende a inclinar.
Se colocarmos peso demais na frente, a proa pode ficar excessivamente baixa.
Se concentrarmos tudo atrás, teremos outro comportamento.
Portanto, a distribuição dos componentes passa a fazer parte do projeto.
O centro de gravidade também importa em um modelo aquático
Estamos acostumados a falar muito sobre centro de gravidade no aeromodelismo, mas a distribuição de massa também é importante em embarcações e outros modelos aquáticos.
Imagine colocar uma bateria relativamente pesada no ponto mais alto do boneco.
Mesmo que o peso total não seja excessivo, estaremos elevando o centro de massa do conjunto.
Isso pode prejudicar sua estabilidade.
Por outro lado, colocar os componentes pesados mais próximos da prancha tende a produzir uma situação diferente.
Essas decisões mostram como o projeto mecânico e o projeto elétrico não podem ser completamente separados.
E onde colocar a bateria?
A bateria normalmente é um dos componentes mais pesados de um pequeno sistema RC.
Por isso, sua posição pode ser aproveitada para ajudar no balanceamento.
Mas também precisamos considerar:
- espaço disponível;
- proteção contra água;
- facilidade para conectar e desconectar;
- ventilação, quando necessária;
- acesso para manutenção.
Não adianta conseguir um equilíbrio perfeito se for necessário desmontar metade do modelo cada vez que quisermos retirar a bateria.
Um bom projeto precisa considerar também como será utilizado e mantido.
Água e eletrônica: um desafio inevitável
Esse talvez seja um dos principais problemas de qualquer projeto rádio controlado que navegue.
Temos água ao redor de:
motor, receptor, controlador, bateria, fios e conectores.
Dependendo da construção, alguns componentes podem tolerar contato com água, enquanto outros precisam permanecer protegidos.
A eletrônica instalada dentro da prancha ou do boneco precisa, portanto, considerar a possibilidade de respingos e até de uma eventual virada do modelo.
Em um projeto experimental, vale sempre pensar:
“O que acontece com minha eletrônica se o modelo virar?”
Essa pergunta pode evitar uma surpresa bastante desagradável.
O motor precisa ser adequado ao projeto
No texto original eu destacava que meu amigo colocou um motor no modelo e que o pequeno surfista conseguia navegar muito rápido.
Mas escolher um motor para uma construção desse tipo não significa simplesmente procurar o motor mais potente disponível.
Precisamos considerar o conjunto.
Um motor maior pode fornecer mais potência, mas também pode:
aumentar o peso, exigir mais corrente, necessitar de uma bateria maior e exigir um controlador mais robusto.
A bateria maior, por sua vez, aumenta novamente o peso.
Rapidamente entramos em um ciclo no qual cada escolha interfere nas demais.
Motor, controlador e bateria precisam combinar
Em qualquer modelo elétrico rádio controlado, é importante pensar no sistema de propulsão como um conjunto.
Temos algo como:
bateria → controlador → motor → sistema de propulsão
A bateria precisa fornecer a tensão e corrente adequadas.
O controlador precisa suportar as características elétricas do motor.
E o motor precisa conseguir produzir o desempenho necessário sem trabalhar continuamente em condições inadequadas.
Essa lógica vale para uma lancha, um automodelo, um aeromodelo ou para uma criação pouco convencional como um surfista rádio controlado.
Como controlar a direção?
Além de fazer o modelo avançar, precisamos conseguir escolher para onde ele vai.
Em uma embarcação convencional, uma solução muito comum é utilizar:
receptor → servo → leme
O servo movimenta o leme de acordo com os comandos enviados pelo transmissor.
Em outros tipos de construção, podem existir soluções diferentes.
O importante é perceber que propulsão e direção são problemas distintos.
Um motor pode fazer o modelo avançar perfeitamente e ainda assim termos uma construção praticamente incontrolável se não existir uma solução adequada para mudar sua trajetória.
O rádio transforma a construção em um modelo controlável
É justamente o sistema de rádio que permite comandar o projeto à distância.
Quando movimentamos um controle no transmissor, o sinal chega ao receptor instalado no modelo.
A partir dele podemos comandar diferentes funções.
Em uma configuração típica, um canal pode estar associado ao controle da propulsão e outro à direção.
Em projetos mais elaborados, canais adicionais podem controlar iluminação, movimentos do personagem ou outras funções.
Essa modularidade é uma das razões pelas quais sistemas de rádio controle permitem tanta criatividade.
O personagem também interfere na aerodinâmica e no equilíbrio
Nesse projeto existe ainda um elemento que normalmente não encontramos em uma lancha:
um boneco em pé sobre a prancha.
Ele é fundamental para produzir o efeito visual de um surfista.
Mas, do ponto de vista físico, ele também representa peso e área exposta.
O vento pode exercer força sobre o boneco.
Seu peso interfere na estabilidade.
Sua posição altera a distribuição de massa.
Portanto, uma característica colocada inicialmente por razões estéticas também passa a fazer parte do comportamento do modelo.
Essa combinação entre aparência e funcionamento é um desafio frequente no modelismo em escala.
O mais interessante é construir
Poderíamos simplesmente comprar um brinquedo semelhante.
Mas foi justamente isso que destaquei quando publiquei originalmente este vídeo: o interessante foi construir com as próprias mãos.
Quando construímos, precisamos resolver problemas.
Como fazer flutuar?
Onde colocar o motor?
Como transmitir a propulsão?
Qual bateria utilizar?
Como fazer a direção?
Onde colocar o receptor?
Como proteger tudo da água?
Como distribuir o peso?
É nessa sequência de pequenos problemas que o hobby acaba se transformando também em aprendizado.
E ainda filmamos tudo a partir de outro barco RC
Para registrar a navegação, utilizei uma câmera instalada dentro do meu próprio barco de controle remoto.
Isso criou uma perspectiva muito mais interessante do que simplesmente posicionar uma câmera na margem.
Tínhamos, portanto, dois modelos na água:
o surfista rádio controlado sendo filmado e o barco rádio controlado funcionando como plataforma de câmera.
A câmera podia acompanhar o surfista pelo lago e registrar a navegação praticamente no mesmo nível da água.
A câmera embarcada muda a sensação de velocidade
Quando filmamos um modelo da margem, conseguimos perceber facilmente sua escala.
Vemos o pequeno objeto dentro de um lago muito maior.
Quando aproximamos a câmera da água, essa referência muda.
As ondulações passam próximas da lente e o outro modelo ocupa uma parcela maior da imagem.
Isso pode aumentar bastante a sensação de movimento e velocidade.
E foi justamente essa perspectiva que utilizei para registrar o surfista navegando.
O enorme lago da Cidade das Artes
A experiência foi realizada no lago ao ar livre da Cidade das Artes, que oferecia um grande espaço para a navegação.
Um espaço amplo é particularmente interessante quando temos modelos rápidos.
Existe mais área para fazer curvas e experimentar diferentes trajetórias sem precisar mudar de direção a todo instante.
E, para quem está filmando a partir de outro barco, também existe espaço para tentar acompanhar o modelo e procurar bons ângulos.
Modelismo também pode ser experimentação
Esse pequeno surfista mostra muito bem algo que aparece em vários dos meus projetos.
Modelismo não precisa significar apenas reproduzir fielmente um veículo existente.
Também podemos experimentar.
Podemos construir um barco solar.
Transformar um brinquedo em automodelo.
Colocar câmeras em modelos.
Criar circuitos.
Adaptar motores.
Ou construir um pequeno surfista capaz de atravessar um lago por rádio controle.
O princípio continua sendo o mesmo:
ter uma ideia, descobrir como fazê-la funcionar, construir, testar e melhorar.
Veja o surfista RC navegando
No vídeo original deste artigo você pode ver o surfista construído artesanalmente navegando rapidamente pelo lago da Cidade das Artes. A filmagem foi realizada a partir da câmera que coloquei dentro do meu barco de controle remoto.
Quando entendemos o sistema, começam a surgir novas ideias
Talvez a parte mais interessante de aprender elétrica e eletrônica no modelismo seja justamente esta.
No começo pensamos:
“Quero montar um barco.”
Depois começamos a entender bateria, motor, controlador, receptor, servo e suas ligações.
E então percebemos que esses mesmos elementos podem ser reorganizados para criar coisas completamente diferentes.
A pergunta deixa de ser apenas:
“Qual modelo posso comprar?”
e passa a ser:
“O que eu conseguiria construir?”
Quer desenvolver seus próprios projetos de rádio controle?
Para transformar uma ideia diferente em um modelo funcional, é importante compreender como baterias, motores, ESCs, BECs, receptores, servos, conectores e circuitos elétricos trabalham juntos.
Essa é a proposta do Método 7H RC: aprender a elétrica e a eletrônica utilizadas no rádio controle de maneira prática, para ganhar autonomia na montagem, manutenção, adaptação e criação de projetos.
Se você quer deixar de apenas utilizar modelos prontos e começar a entender como criar e modificar seus próprios projetos de aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo, conheça o Método 7H RC.