Como fazer uma fonte de alimentação variável caseira com voltímetro e amperímetro

Quem começa a montar circuitos eletrônicos rapidamente percebe que existe um equipamento que acaba sendo utilizado praticamente o tempo todo:

a fonte de alimentação.

Pilhas e baterias são úteis, mas nem sempre temos exatamente a tensão que queremos.

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Em um projeto podemos precisar de:

3 V;

em outro:

5 V;

depois:

9 V;

ou talvez:

12 V.

Uma solução muito interessante para a bancada é utilizar uma fonte de alimentação variável, na qual podemos ajustar a tensão de saída conforme a necessidade do circuito.

E ela se torna ainda mais útil quando conseguimos visualizar também:

a tensão e a corrente consumida pelo projeto.

Neste vídeo mostro justamente uma fonte variável caseira com medidor de tensão e corrente.

Para que serve uma fonte variável?

Imagine que você terminou de montar um pequeno circuito.

Ele foi projetado para funcionar com:

6 V.

Se possuímos apenas uma fonte de 12 V, não podemos simplesmente conectá-la ao circuito.

Precisamos fornecer uma tensão adequada.

Uma fonte variável permite ajustar sua saída antes de conectar o projeto.

Podemos então selecionar, por exemplo:

5 V → 6 V → 9 V → 12 V

dependendo daquilo que estamos testando e dos limites da própria fonte.

Isso torna o equipamento extremamente versátil para uma bancada de eletrônica.

Por que não utilizar apenas pilhas?

Podemos.

Para determinadas experiências, pilhas e baterias são excelentes.

O problema é que, quando começamos a experimentar vários circuitos, precisaríamos ter diferentes combinações de baterias para conseguir diferentes tensões.

Além disso, durante os testes podemos querer modificar gradualmente a tensão.

Com uma fonte variável podemos fazer exatamente isso:

ajustar → medir → testar → reajustar.

É uma ferramenta muito mais prática para experimentação.

Veja minha fonte variável caseira

No vídeo abaixo apresento a fonte que montei e mostro seu funcionamento, incluindo a indicação de tensão e corrente.

Fonte de alimentação variável caseira — com medidor de tensão e corrente

Depois de conhecer o projeto, podemos entender melhor por que essas duas medições são tão importantes em uma fonte de bancada.

O voltímetro mostra a tensão

A primeira informação que queremos conhecer é:

qual tensão estou aplicando ao circuito?

A unidade utilizada é o:

volt (V).

Se ajustarmos a fonte para aproximadamente 5 V, por exemplo, o voltímetro permite verificar o valor efetivamente presente na saída.

Isso é muito melhor do que depender apenas da posição de um botão.

Temos uma:

medição real.

O amperímetro mostra o consumo do circuito

A segunda informação é ainda mais interessante:

quanta corrente o circuito está consumindo?

A corrente é medida em:

ampere (A)

ou, para valores menores:

miliampere (mA).

Assim, quando conectamos um projeto à fonte, podemos observar algo como:

5,0 V — 80 mA

ou:

12,0 V — 1,2 A.

Agora não sabemos apenas a tensão aplicada.

Começamos a enxergar também:

como o circuito está se comportando.

Por que conhecer a corrente é tão útil?

Imagine um pequeno circuito que normalmente deveria consumir cerca de:

100 mA.

Você liga o projeto e observa:

900 mA.

Isso imediatamente chama a atenção.

Pode existir:

curto-circuito;

componente conectado incorretamente;

sobrecarga;

motor travado;

componente defeituoso.

Portanto, o amperímetro não serve apenas para satisfazer nossa curiosidade.

Ele pode funcionar como uma importante ferramenta de:

diagnóstico.

Tensão e corrente não são a mesma coisa

Essa diferença é fundamental.

A fonte estabelece uma determinada:

tensão.

A carga conectada determina, de acordo com suas características e com o circuito, a corrente que será solicitada.

Imagine uma fonte ajustada para:

12 V

e capaz de fornecer até:

5 A.

Isso não significa que ela obrigatoriamente empurrará 5 A para qualquer circuito conectado.

Se determinada carga consumir apenas:

200 mA,

serão aproximadamente esses 200 mA que circularão, dentro das condições normais do sistema.

A indicação de 5 A da fonte representa sua capacidade máxima de fornecimento, não uma corrente que necessariamente será aplicada à carga.

A fonte precisa suportar a corrente exigida

Agora imagine o contrário.

Temos um equipamento que precisa de:

12 V e 3 A.

Nossa fonte fornece:

12 V, mas suporta apenas 1 A.

A tensão nominal está correta, mas a fonte não possui capacidade suficiente para alimentar aquela carga adequadamente.

Ela pode:

reduzir sua tensão;

entrar em proteção;

aquecer excessivamente;

ou até ser danificada, dependendo de seu projeto.

Por isso precisamos sempre pensar em:

tensão + corrente.

E podemos calcular a potência

Conhecendo tensão e corrente, podemos calcular aproximadamente a potência elétrica em uma carga DC:

P = V × I

onde:

P = potência em watts
V = tensão em volts
I = corrente em amperes

Imagine que o mostrador indique:

12 V

e:

1,5 A.

Teremos:

P = 12 × 1,5

P = 18 W.

Portanto, naquele ponto estamos fornecendo aproximadamente:

18 watts.

Por que uma fonte de bancada é tão útil para testes?

Uma das grandes vantagens é poder observar o circuito enquanto alteramos suas condições de alimentação.

Imagine um projeto que deve trabalhar entre:

6 V e 12 V.

Podemos começar com uma tensão menor e aumentá-la gradualmente, sempre respeitando as especificações do circuito.

Enquanto fazemos isso, podemos observar:

tensão;

corrente;

aquecimento;

funcionamento.

Isso fornece muito mais informação do que simplesmente conectar uma bateria e verificar:

“funcionou ou não funcionou”.

Podemos encontrar problemas observando a corrente

Suponha que estamos testando um pequeno motor.

Sem carga, observamos:

300 mA.

Aplicamos uma carga mecânica e encontramos:

700 mA.

Aumentamos ainda mais a carga:

1,2 A.

Estamos observando eletricamente aquilo que está acontecendo mecanicamente.

Quanto maior o esforço exigido do motor, maior pode ser sua corrente.

Se impedirmos completamente seu eixo de girar, a corrente pode atingir um valor muito elevado.

É a chamada:

corrente de rotor bloqueado, ou stall current.

Isso mostra por que uma fonte com indicação de corrente é tão útil.

O limite de corrente é outro recurso importante

Fontes de bancada mais completas podem permitir não apenas ajustar a tensão, mas também estabelecer um:

limite de corrente.

Imagine que estamos ligando pela primeira vez um circuito que deveria consumir aproximadamente:

100 mA.

Podemos estabelecer um limite relativamente baixo e energizar o circuito com maior controle.

Se houver algum problema e o circuito tentar consumir uma corrente muito elevada, a fonte pode limitar a corrente.

Esse recurso é conhecido como:

current limiting, ou limitação de corrente.

Tensão constante e corrente constante

Em fontes com controle de corrente, encontramos frequentemente dois modos de operação:

CV — Constant Voltage

e:

CC — Constant Current.

No modo CV, a fonte procura manter a:

tensão ajustada.

No modo CC, quando a carga tenta exigir uma corrente acima do limite estabelecido, a fonte reduz sua tensão conforme necessário para manter aproximadamente:

a corrente limitada.

Esse é um recurso muito útil em uma fonte de bancada.

É importante, porém, não confundir CC de Constant Current com CC de corrente contínua em português; o contexto indica qual significado está sendo usado.

Uma fonte caseira precisa ter limites bem definidos

Construir nossa própria fonte é uma excelente experiência.

Mas precisamos conhecer as limitações do circuito utilizado.

Uma fonte possui limites de:

tensão;

corrente;

potência;

temperatura.

Se o circuito regulador consegue fornecer determinada corrente máxima, não podemos simplesmente colocar um mostrador de 10 A e concluir que nossa fonte passou a fornecer:

10 A.

O medidor apenas:

mede.

Quem determina a capacidade da fonte é o circuito de potência.

O transformador também possui limites

Em fontes que utilizam transformador de rede, o transformador possui especificações próprias.

Ele não pode fornecer potência ilimitada.

Se temos determinado valor de tensão e determinada capacidade de corrente, temos também uma capacidade aproximada de:

potência.

Além disso, depois do transformador ainda podem existir:

retificação;

filtragem;

regulação.

Cada estágio precisa ser dimensionado adequadamente.

Da corrente alternada para a corrente contínua

Em uma fonte linear tradicional alimentada pela rede, podemos encontrar uma cadeia semelhante a:

rede elétrica

transformador

tensão alternada reduzida

retificador

corrente contínua pulsante

capacitor de filtragem

tensão contínua

regulador

saída ajustável.

Cada etapa possui uma função específica.

É isso que transforma a energia disponível na rede em uma tensão adequada para nossos pequenos circuitos eletrônicos.

Para que servem os diodos retificadores?

Depois de reduzir a tensão alternada, precisamos transformá-la em uma tensão unidirecional.

Podemos utilizar:

diodos.

Uma configuração muito conhecida é a:

ponte retificadora.

Ela utiliza diodos para produzir na saída uma corrente com polaridade definida a partir da tensão alternada aplicada na entrada.

Mas essa saída ainda não é uma tensão contínua perfeitamente lisa.

O capacitor ajuda na filtragem

Depois da retificação, normalmente utilizamos um:

capacitor de filtro.

Ele armazena energia quando a tensão sobe e fornece parte dessa energia quando a tensão retificada diminui.

O resultado é uma redução da:

ondulação — ripple.

Temos então uma tensão muito mais adequada para ser posteriormente regulada.

E finalmente ajustamos a tensão

Depois da retificação e filtragem, podemos utilizar um circuito regulador para obter a tensão desejada.

Dependendo do projeto, isso pode ser realizado com:

reguladores lineares;

transistores;

conversores chaveados;

ou outras topologias.

Cada solução apresenta vantagens e limitações.

Uma fonte linear, por exemplo, pode ser bastante interessante para determinadas aplicações, mas pode dissipar bastante calor quando existe uma grande diferença entre a tensão de entrada e a tensão de saída.

Por que o regulador pode esquentar?

Imagine um regulador linear recebendo:

15 V

e fornecendo:

5 V a 1 A.

Temos aproximadamente:

10 V

sobre o regulador.

A potência dissipada será aproximadamente:

P = (15 − 5) × 1

portanto:

10 W.

Isso é bastante calor.

Por isso encontramos frequentemente:

dissipadores de calor

em fontes lineares.

O dissipador não é apenas um pedaço de metal

Sua função é facilitar a transferência de calor do componente para o ambiente.

Podemos pensar:

semicondutor

encapsulamento

dissipador

ar.

Isso cria uma ligação muito interessante entre este projeto e o estudo de:

potência e temperatura.

Uma fonte de alimentação não é apenas um projeto elétrico.

Ela também possui aspectos:

térmicos.

O gabinete também é importante

Quando construímos uma fonte caseira, precisamos pensar além do circuito.

Existe também a:

construção física.

Precisamos organizar:

conectores;

medidores;

botão de ajuste;

interruptor;

cabos;

ventilação.

Uma montagem organizada torna a fonte muito mais agradável e segura para utilização na bancada.

Atenção especial à rede elétrica

Aqui existe uma diferença importante em relação a muitos projetos de baixa tensão.

Se a fonte for alimentada diretamente pela rede elétrica, existem pontos internos que podem trabalhar com:

tensões perigosas.

Isso exige cuidados adequados com:

isolamento;

fusível;

cabos;

conexões;

gabinete;

aterramento, quando aplicável.

Não devemos tratar o lado ligado à rede da mesma maneira que tratamos um pequeno circuito alimentado por pilhas.

Para quem está começando, uma alternativa mais segura para experiências é trabalhar com uma fonte DC externa isolada e construir apenas o estágio de regulação de baixa tensão.

Uma fonte muda a maneira como trabalhamos na bancada

Antes de ter uma fonte variável, muitas experiências acabam começando assim:

“onde está aquela bateria de 9 V?”

ou:

“será que tenho uma fonte de 6 V por aqui?”

Com uma fonte de bancada, a lógica muda:

ajusto a tensão

conecto o circuito

observo a corrente

faço o teste

altero as condições se necessário.

Ela passa a ser um instrumento utilizado em praticamente todos os outros projetos.

O mostrador transforma a fonte em instrumento de diagnóstico

Esse talvez seja o aspecto mais interessante da fonte apresentada no vídeo.

Não temos apenas:

energia saindo.

Temos também:

informação voltando para nós.

O voltímetro informa:

o que a fonte está entregando.

O amperímetro ajuda a informar:

como a carga está respondendo.

Isso permite utilizar a fonte não apenas para alimentar circuitos, mas também para:

compreendê-los.

Uma ferramenta fundamental para aprender eletrônica

Construir uma fonte variável é um daqueles projetos que continuam úteis depois que a experiência termina.

Você constrói uma vez e passa a utilizá-la para testar:

LEDs;

motores;

amplificadores;

circuitos com transistores;

Arduino;

módulos eletrônicos;

projetos de áudio.

E, a cada novo circuito conectado, os mostradores de tensão e corrente ajudam a responder duas perguntas fundamentais:

qual tensão estou fornecendo?

e:

quanta corrente meu circuito está consumindo?

Quando começamos a responder essas perguntas com medições em vez de suposições, nossa bancada deixa de ser apenas um lugar onde montamos circuitos.

Ela se transforma em um lugar onde conseguimos:

experimentar, medir, diagnosticar e aprender eletrônica.

Quer aprender mais sobre eletrônica na prática?

Uma fonte de bancada está diretamente relacionada a muitos dos conceitos fundamentais da eletrônica:

tensão;

corrente;

potência;

diodos;

retificação;

capacitores;

filtragem;

regulação;

dissipação de calor.

Esses mesmos conceitos aparecem constantemente quando construímos e analisamos circuitos de áudio.

No meu Curso de Eletrônica Aplicada ao Áudio, trabalho justamente esses fundamentos de maneira prática, para que você não fique limitado a copiar esquemas: a ideia é compreender o que está acontecendo em cada parte do circuito e saber utilizar medições para encontrar problemas.https://www.alexbaroni.com.br/pv_1h_linear/pv_audio_elet/

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