Como usar o multímetro analógico e digital: medições e escalas

O multímetro é um dos instrumentos mais importantes para quem trabalha ou está começando a aprender eletrônica e eletricidade. Com ele podemos realizar diversas medições, como tensão, corrente e resistência, além de fazer verificações importantes durante a montagem e manutenção de circuitos.

Entretanto, não basta conectar as pontas de prova e observar o valor apresentado. É necessário entender o que queremos medir, qual escala utilizar e principalmente como o multímetro deve ser conectado ao circuito.

Um erro na escolha da escala ou na forma de conexão pode resultar em uma leitura incorreta e, em algumas situações, até danificar o multímetro.

Neste artigo, vamos entender os principais cuidados ao realizar medições utilizando multímetros analógicos e digitais e suas diferentes escalas.

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O que é um multímetro?

O multímetro é um instrumento que reúne diferentes funções de medição em um único equipamento.

Entre as três grandezas fundamentais que normalmente conseguimos medir estão:

  • tensão elétrica (volts – V);
  • corrente elétrica (ampères – A);
  • resistência elétrica (ohms – Ω).

Dependendo do modelo, o multímetro também pode apresentar recursos adicionais, como teste de continuidade, teste de diodos, medição de capacitância, frequência e temperatura.

Por isso, antes de realizar qualquer medição, é importante conhecer as funções disponíveis no equipamento que está sendo utilizado.

Multímetro analógico e multímetro digital

Os dois tipos realizam muitas medições semelhantes, mas apresentam os resultados de maneiras diferentes.

No multímetro analógico, a leitura é feita através do deslocamento de um ponteiro sobre uma escala graduada. É necessário observar qual escala foi selecionada e interpretar corretamente a posição do ponteiro.

No multímetro digital, o resultado aparece numericamente no display, tornando a leitura mais direta.

Isso não significa, porém, que podemos ignorar a seleção da função e da faixa de medição. Mesmo em um multímetro digital, é fundamental selecionar corretamente o que será medido.

Alguns modelos possuem autoranging, selecionando automaticamente a faixa mais adequada. Outros exigem que essa escolha seja feita manualmente.

Antes de medir: observe onde estão as pontas de prova

Um cuidado fundamental é verificar as conexões das pontas de prova.

Normalmente, a ponta preta é conectada ao terminal identificado como:

COM

A ponta vermelha pode mudar de posição dependendo da grandeza que será medida.

Para medições de tensão, resistência, continuidade e outras funções de baixa corrente, geralmente utilizamos a entrada identificada com V/Ω e outros símbolos correspondentes.

Para medir correntes maiores, alguns multímetros possuem uma entrada específica, frequentemente identificada como 10 A ou semelhante.

Essa diferença é extremamente importante.

Se você terminar uma medição de corrente deixando a ponta vermelha na entrada de corrente e depois tentar medir uma tensão como faria normalmente, poderá provocar um curto-circuito através do instrumento.

Portanto, crie o hábito de verificar a posição das pontas de prova antes de cada medição.

Como medir tensão com o multímetro

Para medir tensão, o multímetro deve ser conectado em paralelo com os dois pontos entre os quais queremos conhecer a diferença de potencial.

Se estivermos medindo uma bateria, por exemplo, colocamos uma ponta de prova em cada terminal.

Antes disso, precisamos identificar se estamos trabalhando com:

tensão contínua (DC) ou tensão alternada (AC).

Pilhas, baterias e muitas fontes eletrônicas fornecem tensão contínua.

Já a rede elétrica utiliza tensão alternada.

Por isso, selecionar V DC quando queremos medir uma tensão AC — ou o contrário — não corresponde à configuração correta da medição.

Qual escala de tensão escolher?

Se o multímetro não possuir seleção automática de faixa e você não souber aproximadamente qual tensão encontrará, uma prática segura é começar por uma escala superior ao valor esperado.

Depois podemos reduzir a escala para obter uma leitura mais adequada.

Imagine, por exemplo, que queremos medir uma bateria de aproximadamente 9 V e o multímetro possui escalas de 2 V, 20 V e 200 V.

A escala de 20 V seria adequada.

A de 2 V seria insuficiente para o valor esperado, enquanto a de 200 V permitiria a medição, mas normalmente com menor resolução.

Como medir corrente com o multímetro

A medição de corrente exige um procedimento diferente.

Enquanto a tensão é medida em paralelo, para medir corrente precisamos fazer com que a corrente do circuito passe pelo multímetro.

Portanto, o instrumento é conectado em série com o circuito.

Essa diferença é uma das mais importantes no uso do multímetro:

Tensão → multímetro em paralelo

Corrente → multímetro em série

Também é necessário verificar a entrada utilizada pela ponta vermelha e a escala de corrente selecionada.

Nunca tente medir corrente colocando o multímetro configurado como amperímetro diretamente entre os dois terminais de uma fonte da mesma maneira que faria para medir tensão. Isso pode produzir uma corrente muito elevada e queimar o fusível do instrumento ou causar outros danos.

Como medir resistência

Para medir resistência, utilizamos a escala identificada pelo símbolo:

Ω

Diferentemente das medições de tensão e corrente em um circuito energizado, a resistência deve ser medida sem alimentação aplicada ao componente ou circuito.

Se queremos verificar um resistor, por exemplo, podemos selecionar uma escala compatível com seu valor e conectar as pontas de prova aos seus terminais.

Quando o componente está instalado em um circuito, outros caminhos elétricos podem interferir no resultado. Dependendo da situação, pode ser necessário desconectar pelo menos um de seus terminais para obter uma medição mais representativa do componente isolado.

Como utilizar o teste de continuidade

O teste de continuidade é extremamente útil na bancada.

Ele permite verificar rapidamente se existe um caminho elétrico de baixa resistência entre dois pontos.

Podemos utilizá-lo, por exemplo, para verificar:

  • fios;
  • cabos;
  • trilhas de uma placa;
  • fusíveis;
  • chaves;
  • conexões;
  • soldas.

Em muitos multímetros digitais, um sinal sonoro indica a continuidade.

Essa função é especialmente útil para procurar fios interrompidos e problemas de conexão.

Cuidados com o multímetro analógico

No multímetro analógico, além de selecionar corretamente a função e a faixa, precisamos interpretar a escala correspondente.

Um mesmo mostrador pode possuir diferentes escalas impressas.

Portanto, o valor indicado pelo ponteiro deve ser relacionado à faixa selecionada no instrumento.

Nas medições de resistência, o procedimento também merece atenção. Em multímetros analógicos tradicionais, é necessário realizar o ajuste de zero da escala de ohms, encostando as pontas de prova e utilizando o controle correspondente antes da medição.

Além disso, a escala de resistência do instrumento analógico é normalmente apresentada de forma não linear e com orientação que pode inicialmente parecer diferente das escalas de tensão e corrente.

Essas características fazem com que aprender a utilizar um multímetro analógico seja também um excelente exercício para compreender o processo de medição.

Erros comuns ao usar um multímetro

Alguns erros aparecem com frequência quando começamos a trabalhar com esse instrumento:

Selecionar a grandeza errada: tentar medir tensão com o seletor na posição de corrente ou resistência.

Escolher uma faixa muito baixa: o valor a ser medido ultrapassa a faixa selecionada.

Esquecer a ponta vermelha na entrada de corrente: um dos erros que merece maior atenção.

Medir resistência em circuito energizado: além de produzir resultados inadequados, pode representar risco para o instrumento.

Confundir AC e DC: é necessário saber que tipo de sinal está sendo medido.

Medir corrente em paralelo: pode criar praticamente um curto-circuito através do multímetro.

Criar uma rotina de verificação antes de encostar as pontas de prova no circuito reduz bastante a possibilidade desses erros.

Uma sequência simples antes de qualquer medição

Antes de medir, faça mentalmente estas perguntas:

1. O que eu quero medir?
Tensão, corrente, resistência ou outra grandeza?

2. É AC ou DC?
Quando essa distinção se aplicar.

3. Onde está conectada a ponta vermelha?

4. Qual faixa devo selecionar?

5. O multímetro será conectado em série ou em paralelo?

Só depois dessas verificações faça a medição.

Essa pequena rotina ajuda a transformar o uso do multímetro em um procedimento consciente, em vez de simplesmente experimentar posições do seletor até aparecer algum número no display.

Veja na prática como realizar medições com o multímetro

No vídeo abaixo, mostro na prática como as medições devem ser realizadas utilizando multímetros analógicos e digitais em suas diferentes escalas.

Eu recomendo assistir ao vídeo juntamente com este artigo, principalmente para visualizar a utilização das escalas e a forma correta de realizar cada medição.

Aprender eletrônica é também aprender a medir

Saber montar um circuito é importante, mas saber medir e interpretar o que está acontecendo dentro dele é uma habilidade igualmente importante.

Quando aprendemos a utilizar corretamente o multímetro, conseguimos deixar de apenas observar se um circuito “funciona ou não” e começar a investigar por que ele apresenta determinado comportamento.

É isso que permite diagnosticar defeitos, comparar valores teóricos e práticos e compreender melhor os componentes e circuitos eletrônicos.

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