Depois de muitas horas de construção, montagem, acabamento e ajustes, chega um dos momentos mais interessantes de qualquer projeto de modelismo naval: colocar o modelo na água e vê-lo navegar.
No vídeo deste artigo mostro o rebocador Yarra já finalizado, navegando na piscina da Escola Naval.
É justamente nessa etapa que aquilo que foi construído na bancada deixa de ser apenas uma maquete e passa a se comportar como uma verdadeira embarcação radiocontrolada.
O Yarra é um rebocador muito conhecido no modelismo naval
O Yarra aparece há décadas entre os projetos destinados ao modelismo naval radiocontrolado.
Há registros do plano de Vic Smeed, publicado em 1982, para um Yarra elétrico e radiocontrolado. O catálogo histórico de projetos de Smeed identifica o Yarra como um rebocador australiano em escala 1:48, originalmente apresentado com aproximadamente 22 polegadas de comprimento.
Também existem kits comerciais do Yarra em escala 1:48. Uma versão da Deans Marine possui casco de fibra de vidro e aproximadamente 580 mm de comprimento por 185 mm de boca.
Ou seja, não estamos falando apenas de uma embarcação interessante visualmente. O Yarra acabou se tornando também um modelo bastante conhecido entre os praticantes de modelismo naval.
O que caracteriza um rebocador?
Um rebocador não foi projetado prioritariamente para atingir grandes velocidades.
Sua função está associada à capacidade de:
empurrar, puxar e auxiliar outras embarcações em manobras.
Isso influencia diretamente sua aparência.
Normalmente encontramos um casco relativamente largo em relação ao comprimento, estruturas robustas e sistemas de propulsão destinados a produzir bastante empuxo.
No caso do Yarra que serviu de referência para kits de modelismo, trata-se de um projeto australiano de rebocador portuário com dois hélices, desenvolvido para auxiliar operações de atracação de grandes navios.
E essas características aparecem no modelo
No modelismo naval, uma das coisas interessantes é tentar reproduzir não apenas a aparência da embarcação, mas também parte do seu comportamento.
Um rebocador em escala navegando de maneira extremamente rápida pode perder parte do realismo.
Queremos algo mais próximo de:
aceleração progressiva
↓
deslocamento do casco
↓
curvas controladas
↓
manobras em baixa velocidade
Por isso o teste na água é tão importante.
Na bancada podemos verificar motor, rádio e servos.
Na água descobrimos como todo o conjunto realmente se comporta.
O primeiro ponto é a flutuação
Antes mesmo de acelerar, podemos observar:
o modelo está corretamente nivelado?
Se houver muito peso na proa:
PROA ↓
────────────
POPA ↑
ou excesso de peso na popa:
PROA ↑
────────────
POPA ↓
já temos uma indicação de que a distribuição interna precisa ser revista.
Bateria, motor, receptor, ESC e outros componentes não devem ser posicionados considerando apenas onde existe espaço.
Eles também influenciam o equilíbrio da embarcação.
O peso lateral também importa
Podemos ter o modelo aproximadamente correto longitudinalmente, mas inclinado para um dos lados:
/
~~~~~~/~~~~~~
Nesse caso precisamos observar como os componentes estão distribuídos entre bombordo e boreste.
Uma bateria relativamente pesada colocada fora da linha central pode produzir uma inclinação perceptível em um modelo pequeno.
Depois vem o teste de propulsão
Com o modelo na água podemos começar com pouca potência.
Isso permite verificar:
motor
↓
eixo
↓
hélice
↓
empuxo
↓
movimento do casco
Também conseguimos perceber ruídos e vibrações que talvez não fossem tão evidentes na bancada.
Um eixo desalinhado, por exemplo, pode produzir vibração, perda de eficiência e desgaste.
Rebocadores combinam muito bem com dois motores
O projeto Yarra é particularmente interessante porque a embarcação original representada pelo modelo é do tipo twin screw, ou seja, utiliza duas linhas de propulsão.
Em um modelo RC, isso abre possibilidades interessantes.
Podemos ter:
MOTOR ESQUERDO → HÉLICE ESQUERDA
MOTOR DIREITO → HÉLICE DIREITA
Dependendo da instalação e do sistema de controle, as duas linhas de propulsão podem contribuir para uma excelente capacidade de manobra.
O leme também aparece de maneira muito mais clara na água
Na bancada podemos observar:
stick do rádio
↓
servo
↓
leme
e concluir que tudo está funcionando.
Mas é somente navegando que descobrimos se a autoridade do leme é suficiente para aquele casco.
Podemos testar:
curvas abertas, curvas fechadas, baixa velocidade e mudança de direção.
Esse comportamento depende de vários fatores, incluindo velocidade, área do leme, fluxo produzido pela hélice e geometria do casco.
Um rebocador é especialmente interessante em baixa velocidade
Em um aeromodelo, muitas vezes nossa preocupação é manter velocidade suficiente para gerar sustentação.
No modelismo naval podemos explorar outro tipo de comportamento.
Com um rebocador podemos fazer:
AVANÇAR LENTAMENTE
PARAR
CORRIGIR DIREÇÃO
FAZER CURVA FECHADA
DAR RÉ
APROXIMAR DO CAIS
É justamente aí que a navegação se torna divertida.
Não se trata simplesmente de acelerar de um lado para o outro da piscina.
Podemos tentar pilotar como se estivéssemos realmente manobrando uma embarcação.
A piscina é um ótimo ambiente para os primeiros testes
Para um modelo recém-finalizado, uma piscina apresenta algumas vantagens.
Temos um ambiente relativamente controlado, boa visibilidade e acesso fácil às margens.
Isso facilita observar:
FLUTUAÇÃO
+
ESTABILIDADE
+
PROPULSÃO
+
DIREÇÃO
+
VEDAÇÃO
↓
COMPORTAMENTO DO MODELO
Principalmente nos primeiros testes, é interessante manter o modelo inicialmente próximo da borda.
Se alguma coisa falhar, recuperá-lo será muito mais simples.
Verifique se está entrando água
Este talvez seja um dos testes mais importantes depois da primeira navegação.
Retire o modelo da água e abra o acesso ao interior.
Procure por:
gotas, umidade ou água acumulada no fundo do casco.
Uma pequena infiltração pode ocorrer em pontos como:
eixo da hélice
↓
leme
↓
uniões do casco
↓
aberturas no convés
Descobrir isso em um teste curto é muito melhor do que depois de uma navegação prolongada.
A eletrônica precisa permanecer protegida
Dentro do modelo temos componentes que não combinam bem com água:
receptor, ESC, bateria, servos e conexões elétricas.
Portanto, além de evitar infiltrações, é interessante organizar a instalação de maneira que pequenas quantidades de água eventualmente presentes no fundo não atinjam imediatamente a eletrônica.
Podemos pensar em:
CONVÉS
───────────────
ELETRÔNICA
───────────────
↑
elevada
~~~~~~~~~~~~~~~
FUNDO DO CASCO
Essa organização pode evitar problemas.
A autonomia também começa a ser conhecida na prática
Na bancada podemos estimar a autonomia utilizando:
capacidade da bateria e corrente consumida.
Mas a navegação real oferece uma informação muito melhor.
O consumo varia conforme:
velocidade, hélices, motores, peso e maneira de pilotar.
Por isso é interessante começar com sessões curtas e verificar quanto da bateria foi utilizado.
Não precisamos navegar sempre em potência máxima
Principalmente em um modelo de rebocador, potência máxima não significa necessariamente melhor navegação.
Se exagerarmos:
POTÊNCIA DEMAIS
↓
velocidade exagerada
↓
onda desproporcional
↓
perda de realismo
Em modelismo de escala, a maneira como o modelo se desloca também faz parte da experiência.
Às vezes uma navegação lenta e controlada produz uma aparência muito mais convincente.
Os detalhes ganham outra dimensão quando o barco está na água
Na bancada observamos individualmente:
cabine, guarda-corpos, mastros, defensas, convés, pintura e demais detalhes.
Na água tudo passa a formar um conjunto.
É nesse momento que entendemos por que vale a pena dedicar tempo ao acabamento.
Uma embarcação bem detalhada navegando lentamente produz uma impressão completamente diferente de uma maquete observada apenas sobre uma bancada.
Modelismo naval reúne várias áreas
Um projeto como o Yarra é interessante porque reúne conhecimentos muito diferentes:
MARCENARIA / MODELAGEM
+
MECÂNICA
+
ELETRÔNICA
+
RÁDIO CONTROLE
+
PINTURA
+
ACABAMENTO
↓
MODELO NAVEGÁVEL
É exatamente esse caráter multidisciplinar que torna o modelismo tão interessante.
Primeiro construímos.
Depois instalamos a mecânica.
Depois a eletrônica.
Finalmente fazemos aquilo para o qual todo o conjunto foi criado:
navegar.
Veja o rebocador Yarra navegando
No vídeo abaixo mostro o rebocador Yarra depois de pronto, navegando na piscina da Escola Naval.
Depois de acompanhar a construção, ver o modelo efetivamente navegando é a melhor maneira de avaliar o resultado do projeto.
E também começa uma nova etapa.
A partir dos primeiros testes podemos identificar pequenos ajustes de:
peso, direção, propulsão, vedação e acabamento.
É assim que um projeto deixa de ser apenas uma construção e passa a se tornar uma embarcação RC realmente funcional.
Do projeto à água
Existe uma satisfação especial em observar um modelo construído por nós navegando pela primeira vez.
Tudo começa com peças separadas:
CASCO
+
MOTOR
+
EIXO
+
HÉLICE
+
RÁDIO
+
ELETRÔNICA
+
DETALHES
Depois de muitas etapas:
↓
REBOCADOR YARRA
↓
ÁGUA
↓
NAVEGAÇÃO
É justamente esse momento que registro no vídeo.
Mais do que mostrar o modelo pronto, o teste na piscina fecha o ciclo da construção: planejar, construir, ajustar e finalmente colocar o rebocador para navegar.