Quem começa a utilizar pedais de efeito normalmente não demora a perceber um problema: o primeiro pedal é fácil de organizar. Depois vem o segundo, o terceiro, a fonte de alimentação, vários cabos e, quando percebemos, existe uma pequena confusão no chão.
Uma solução bastante prática é construir um pedalboard, uma base onde os pedais podem permanecer organizados, conectados e prontos para utilização.
Neste projeto mostro justamente como montei meu próprio pedalboard para organizar os efeitos de guitarra. Além da organização, a construção permite pensar em aspectos importantes como posição dos pedais, alimentação, cabos e ordem dos efeitos.
O que é um pedalboard?
O pedalboard é basicamente uma estrutura utilizada para acomodar e organizar os pedais de efeito.
Em vez de termos:
pedal pedal
cabo
pedal fonte
pedal
cabos espalhados...
podemos organizar tudo em uma única estrutura:
┌──────────────────────────────────┐
│ │
│ PEDAL → PEDAL → PEDAL │
│ │
│ PEDAL → PEDAL │
│ │
└──────────────────────────────────┘
PEDALBOARD
O objetivo não é apenas estético. Um pedalboard bem planejado facilita a montagem do equipamento, o transporte e o acesso aos efeitos durante a utilização.
Por que construir seu próprio pedalboard?
Existem excelentes pedalboards comerciais, mas construir o nosso permite adaptar as dimensões exatamente aos equipamentos que já possuímos.
Antes de começar, podemos colocar os pedais sobre uma mesa e experimentar diferentes disposições.
Precisamos considerar:
largura dos pedais, profundidade, posição dos jacks, espaço para os plugs, fonte de alimentação e possibilidade de acrescentar outros efeitos posteriormente.
Um erro fácil é medir somente o corpo dos pedais.
Os conectores também ocupam espaço.
Primeiro organize os pedais antes de construir
Uma boa estratégia é montar provisoriamente o conjunto:
┌───────────────────────────────┐
│ [PEDAL] [PEDAL] [PEDAL] │
│ │
│ [PEDAL] [PEDAL] [PEDAL] │
└───────────────────────────────┘
Depois conectamos os patch cables.
Só então conseguimos descobrir o espaço realmente necessário.
Também precisamos pensar na ergonomia. Um pedal que será acionado frequentemente precisa estar em uma posição de fácil acesso.
O caminho do sinal
Os pedais não estão apenas fisicamente colocados lado a lado.
Eles formam uma cadeia de sinal.
De maneira simplificada:
GUITARRA
↓
PEDAL 1
↓
PEDAL 2
↓
PEDAL 3
↓
AMPLIFICADOR
A saída de um efeito alimenta a entrada do seguinte.
Por isso, quando organizamos fisicamente o pedalboard, também estamos organizando o caminho percorrido pelo sinal da guitarra.
A ordem dos pedais altera o som
Esse é um ponto muito interessante.
Imagine um pedal de distorção e um delay.
Podemos fazer:
GUITARRA
↓
DISTORÇÃO
↓
DELAY
↓
AMPLIFICADOR
Nesse caso, o delay recebe o som que já foi distorcido.
Mas podemos inverter:
GUITARRA
↓
DELAY
↓
DISTORÇÃO
↓
AMPLIFICADOR
Agora a distorção recebe tanto o sinal original quanto suas repetições.
O resultado pode ser bastante diferente.
É por isso que não existe apenas uma questão física na organização do pedalboard: existe também uma questão sonora. Cada efeito processa aquilo que recebe dos pedais anteriores.
Existe uma ordem correta para os pedais?
Não existe uma lei que obrigue o guitarrista a utilizar determinada sequência.
Experimentar faz parte da criação do timbre.
Entretanto, existe uma ordem convencional que pode funcionar como excelente ponto de partida:
GUITARRA
↓
AFINADOR
↓
WAH / FILTROS
↓
COMPRESSOR
↓
OVERDRIVE / DISTORÇÃO
↓
MODULAÇÃO
↓
DELAY
↓
REVERB
↓
AMPLIFICADOR
Guias de fabricantes como a BOSS seguem uma lógica semelhante, mas ressaltam que a ordem pode ser modificada de acordo com o resultado desejado.
Portanto, eu utilizaria essa sequência como referência, não como regra absoluta.
Onde colocar o pedal de distorção?
Nos projetos anteriores construímos diferentes circuitos de distorção, incluindo o Joe Easy Driver.
Em uma configuração convencional, pedais de overdrive e distorção costumam aparecer relativamente no início da cadeia, antes de efeitos como chorus, delay e reverb.
Poderíamos ter:
GUITARRA
↓
JOE EASY DRIVER
↓
CHORUS
↓
DELAY
↓
AMPLIFICADOR
Mas nada impede experimentar outras posições.
Aliás, montar um pedalboard facilita justamente esse tipo de experiência.
Os pequenos cabos entre os pedais
Para conectar os efeitos utilizamos normalmente pequenos cabos, conhecidos como patch cables.
Quanto mais pedais adicionamos, mais conexões aparecem:
GUITARRA ─→ [1]─→[2]─→[3]─→[4]─→[5] ─→ AMPLIFICADOR
↑ ↑ ↑ ↑
cabos entre pedais
É importante utilizar conectores confiáveis.
Um único cabo com mau contato pode interromper todo o sinal.
Quando temos muitos pedais, organizar e prender os cabos também ajuda a evitar que sejam puxados acidentalmente.
O pedalboard ajuda a encontrar defeitos
Imagine que temos oito pedais conectados e o som desapareça.
Precisamos descobrir onde o sinal foi interrompido.
Podemos verificar progressivamente:
GUITARRA → PEDAL 1 ✓
PEDAL 1 → PEDAL 2 ✓
PEDAL 2 → PEDAL 3 ✕
↑
problema aqui?
Pode ser o pedal, o patch cable, a alimentação ou um conector.
Uma montagem organizada torna esse diagnóstico muito mais fácil.
Alimentar vários pedais é outro desafio
Além dos cabos de áudio, temos os cabos de alimentação.
Um pedalboard com vários efeitos pode rapidamente virar isto:
FONTE
/ | | \
/ | | \
P1 P2 P3 P4
Existem diferentes soluções, incluindo fontes individuais, cabos de distribuição e fontes com várias saídas.
Mas aqui existe uma regra muito importante:
não devemos conectar um pedal a uma fonte apenas porque o plugue encaixa.
Confira tensão, polaridade e corrente
Antes de alimentar qualquer pedal, precisamos verificar pelo menos:
tensão — polaridade — corrente necessária.
Por exemplo:
Pedal:
9 V CC
centro negativo
20 mA
A fonte precisa fornecer a tensão e polaridade corretas e possuir capacidade de corrente suficiente.
Ao alimentar vários pedais, precisamos considerar o consumo total. A própria BOSS recomenda somar as correntes exigidas pelos equipamentos para verificar se a fonte consegue alimentar o conjunto.
Uma fonte de maior corrente não força essa corrente nos pedais
Suponha que tenhamos cinco pedais que consumam:
Pedal A = 20 mA
Pedal B = 30 mA
Pedal C = 50 mA
Pedal D = 40 mA
Pedal E = 60 mA
O consumo total seria:
Uma fonte corretamente especificada de 9 V / 1 A, por exemplo, possui capacidade suficiente para essa corrente.
Isso não significa que ela obrigará os pedais a consumir 1 A.
O problema seria o contrário: tentar alimentar equipamentos que exigem mais corrente do que a fonte consegue fornecer.
Cuidado com a polaridade
Nos pedais de guitarra encontramos frequentemente alimentação de 9 V com centro negativo, especialmente em equipamentos compatíveis com o padrão popularizado por fabricantes como a BOSS. A própria BOSS especifica 9 V CC, centro negativo, em suas fontes PSA.
Mas isso não deve ser tratado como regra universal.
Existem equipamentos com outras:
tensões, polaridades e formas de alimentação.
Por isso sempre devemos verificar a especificação de cada pedal.
Fontes isoladas podem ajudar a combater ruído
Quando o pedalboard cresce, problemas de alimentação podem começar a aparecer como:
hum, buzz e outros ruídos.
Uma fonte com saídas eletricamente isoladas pode ajudar em determinadas situações, porque reduz a possibilidade de caminhos de terra indesejados entre diferentes pedais.
Isso não significa que toda fonte compartilhada produzirá ruído.
O ponto importante é compreender que alimentação e aterramento também fazem parte do projeto do pedalboard.
Como prender os pedais?
Existem várias possibilidades.
Uma solução bastante comum é utilizar fita de gancho e laço, popularmente conhecida pelo nome comercial Velcro.
Uma parte fica na estrutura e outra no pedal:
PEDAL
┌─────────┐
│ │
└─────────┘
███████████ ← fixação
════════════════ ← pedalboard
Isso permite retirar ou reposicionar os equipamentos posteriormente.
Outras soluções utilizam abraçadeiras, suportes ou sistemas próprios de fixação. Pedalboards comerciais e artesanais empregam várias dessas estratégias.
Não esconda o acesso à bateria
Se algum pedal utiliza bateria, pense nisso antes de fixá-lo definitivamente.
Talvez seja necessário remover o pedal para trocar a bateria.
Isso também vale para:
parafusos, chaves, jacks e outros controles.
Uma montagem bonita que precisa ser completamente desmontada para trocar uma bateria não é muito prática.
Deixe espaço para os pés
Outro erro é tentar aproveitar cada centímetro disponível.
Os pedais podem caber perfeitamente:
[P1][P2][P3][P4][P5]
mas será que conseguimos pisar no P3 sem acionar o P2 ou P4?
Precisamos considerar o tamanho do nosso próprio pé e a forma como o pedalboard será utilizado.
Organização visual e ergonomia precisam andar juntas.
E se o pedalboard tiver duas fileiras?
Uma possibilidade é organizar os efeitos em duas linhas:
┌──────────────────────────────┐
│ [P4] [P5] [P6] │
│ │
│ [P1] [P2] [P3] │
└──────────────────────────────┘
Os pedais utilizados com maior frequência podem ficar na frente.
Os menos acionados podem ficar atrás.
Uma pequena inclinação do pedalboard também pode facilitar o acesso à fileira superior.
O pedalboard pode ser feito de diferentes materiais
Não existe obrigação de utilizar um material específico.
Podemos construir a estrutura com:
madeira, compensado, MDF, perfis metálicos ou outros materiais adequados.
O importante é encontrar equilíbrio entre:
resistência + peso + facilidade de construção.
Um pedalboard extremamente robusto, mas pesado demais para transportar, pode acabar se tornando inconveniente.
Planeje também o transporte
Se o pedalboard sair de casa, vale pensar desde o início em como ele será transportado.
Uma tampa ou case pode proteger:
pedais, potenciômetros, jacks e cabos.
A grande vantagem é chegar ao local e não precisar montar cada pedal individualmente.
Em vez de:
tirar pedal
↓
ligar fonte
↓
ligar patch
↓
pegar outro pedal
↓
repetir...
temos:
PEDALBOARD
↓
conectar guitarra
↓
conectar amplificador
↓
alimentar
↓
TOCAR
Essa rapidez de montagem é uma das principais razões práticas para utilizar um pedalboard.
Veja como montei meu pedalboard
No vídeo abaixo mostro a construção do meu pedalboard para organizar os pedais de guitarra.
Além de resolver a bagunça dos cabos e pedais espalhados, o projeto cria uma base que podemos modificar conforme nosso conjunto de efeitos evolui.
Começamos com poucos pedais.
Depois construímos outro efeito.
Acrescentamos uma distorção.
Um delay.
Talvez um chorus.
E o pedalboard vai se transformando junto com o nosso equipamento.
Construir os pedais e construir o pedalboard
Para mim, existe uma ligação especialmente interessante entre este projeto e os outros experimentos de eletrônica aplicada ao áudio.
Podemos construir:
o pedal de distorção → o amplificador → a fonte → e agora o próprio pedalboard.
Ou seja, deixamos de estudar apenas um circuito isolado e começamos a pensar no sistema completo utilizado pelo músico.
E é justamente aí que eletrônica, música e construção prática começam a se encontrar.