Deu Cupim no Meu Home Studio: o Trabalho de Desmontar e Montar Tudo de Novo

Quem monta um home studio aos poucos sabe o trabalho que existe por trás de cada detalhe. Não são apenas os equipamentos de áudio. Existem bancada, prateleiras, móveis, tratamento acústico, cabos, instrumentos, computadores, monitores e uma infinidade de pequenas coisas que vão encontrando seu lugar ao longo dos anos.

Até que aparece um problema completamente inesperado:

cupim.

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Foi o que aconteceu em uma parte do meu home studio.

E quando o problema aparece em uma estrutura cercada de equipamentos, não basta simplesmente mexer na madeira atacada. Foi necessário desmontar uma parte considerável do estúdio, retirar equipamentos, verificar a área, tratar o problema e depois montar tudo novamente.

Um daqueles trabalhos que parecem pequenos até começarmos.

O primeiro sinal de que havia algo errado

O cupim pode permanecer escondido durante bastante tempo.

Dependendo da espécie, boa parte da atividade acontece no interior da madeira ou em áreas pouco visíveis. No caso das térmitas subterrâneas, por exemplo, a colônia pode estar no solo e alcançar a construção através de caminhos protegidos e até pelo interior de paredes.

Por isso, quando percebemos externamente algum dano, vale olhar além daquele ponto específico.

O pedaço de madeira visivelmente afetado pode não representar toda a extensão do problema.

E por que isso é particularmente complicado em um home studio?

Porque um home studio costuma concentrar muita coisa em pouco espaço.

Podemos ter:

computador
interfaces de áudio
amplificadores
monitores
instrumentos
fontes
cabos
pedais
prateleiras
bancadas
móveis
tratamento acústico

Muitas dessas coisas ficam próximas das paredes ou sobre móveis de madeira.

Assim, antes de conseguir avaliar adequadamente uma área atacada, frequentemente é necessário tirar tudo da frente.

E começa a desmontagem.

Desmontar um home studio não é simplesmente retirar alguns aparelhos

Depois de algum tempo, os cabos de um estúdio parecem desenvolver vida própria.

Você começa retirando um equipamento e descobre que existe um cabo de áudio passando atrás da mesa. Esse cabo cruza com a alimentação de outro equipamento, que passa atrás de uma prateleira, onde está presa uma extensão que alimenta alguma coisa que você já nem lembrava que estava ligada ali.

É quase uma escavação arqueológica da instalação.

E existe um agravante: depois será necessário saber onde tudo estava conectado.

Uma boa prática nesses casos é fotografar a instalação antes da desmontagem.

Também podemos identificar cabos com pequenas etiquetas:

Interface → Monitor L
Interface → Monitor R
PC → Interface
Fonte → Pedalboard
USB → Controlador

Alguns minutos fazendo isso antes podem economizar bastante tempo na remontagem.

Encontrar cupim não significa apenas trocar a madeira danificada

Existe uma diferença importante entre reparar o dano e eliminar a infestação.

Uma peça pode ser substituída e o problema continuar existindo em outra área.

Por isso, a inspeção é uma etapa fundamental. O tipo de tratamento depende inclusive da espécie e da forma de infestação. Cupins de madeira seca e cupins subterrâneos, por exemplo, podem exigir estratégias diferentes.

Em uma infestação significativa ou quando não conseguimos determinar sua extensão, o mais prudente é recorrer a uma empresa especializada.

Cupim de madeira seca e cupim subterrâneo não são a mesma coisa

Essa distinção é importante.

No cupim de madeira seca, a colônia pode estar instalada na própria peça de madeira atacada. Nesses casos, existem tratamentos direcionados às galerias da madeira.

Já as térmitas subterrâneas vivem normalmente associadas ao solo e podem chegar à madeira da construção por caminhos pouco aparentes. Nesse caso, tratar apenas a peça visivelmente atacada pode não resolver a origem da infestação.

Portanto, não é uma boa ideia simplesmente encontrar um furo, aplicar qualquer produto e concluir:

“Resolvido.”

Pode estar resolvido. Pode não estar.

A umidade também merece atenção

Durante a inspeção vale verificar se existe infiltração, condensação ou alguma fonte de umidade próxima.

Isso não significa que todo cupim encontrado em madeira seja consequência direta da umidade. Entretanto, no caso das térmitas subterrâneas, condições de umidade e materiais celulósicos podem favorecer o ataque, e eliminar zonas de umidade faz parte das medidas preventivas recomendadas.

Em um home studio existe ainda outra razão para observar isso.

Umidade excessiva também não combina com equipamentos eletrônicos, instrumentos e madeira.

Cuidado redobrado com produtos químicos perto dos equipamentos

Aqui existe uma particularidade importante do estúdio.

Se for necessário realizar algum tratamento químico na madeira, não faz sentido deixar interfaces, amplificadores, computadores, microfones e outros equipamentos expostos no local durante uma aplicação sem conhecer as recomendações do produto e do profissional responsável.

Além disso, diferentes tratamentos possuem procedimentos específicos. Há produtos destinados à aplicação superficial e outros utilizados por injeção nas galerias da madeira. O tratamento adequado depende da situação.

Isso reforça uma conclusão:

desmontar tudo pode ser trabalhoso, mas às vezes é justamente o que permite tratar corretamente a área.

E lá fui eu desmontar parte do estúdio…

No vídeo abaixo mostro justamente essa situação.

Não é um projeto eletrônico desta vez. É uma daquelas coisas que acontecem no espaço onde fazemos nossos projetos e que acabam exigindo um trabalho enorme.

Depois que começamos a retirar os equipamentos e móveis, conseguimos ter uma visão muito melhor da área.

E essa é uma das poucas vantagens de uma desmontagem forçada: podemos aproveitar para rever toda a organização do estúdio.

Já que desmontou, aproveite para reorganizar os cabos

Na remontagem, temos a oportunidade de corrigir coisas que fomos deixando para depois.

Cabos de sinal e alimentação podem ser reorganizados. Fontes podem ganhar posições melhores. Extensões podem ser fixadas adequadamente. Cabos que não são mais utilizados podem finalmente sair dali.

É também uma boa oportunidade para verificar:

  • cabos com isolamento danificado;
  • conectores frouxos;
  • extensões sobrecarregadas;
  • fontes desnecessariamente energizadas;
  • acúmulo de poeira;
  • ventilação dos equipamentos;
  • acesso às tomadas.

A remontagem pode deixar o estúdio melhor do que estava antes.

Aproveitei também para rever a disposição dos equipamentos

Um home studio está sempre mudando.

Entra um equipamento novo.

Outro deixa de ser usado.

Surge um amplificador.

Chega outro instrumento.

Precisamos de mais uma tomada.

Colocamos mais um cabo.

Quando percebemos, a disposição original já não corresponde à maneira como realmente usamos o espaço.

Desmontar tudo por causa do cupim não estava nos planos, mas a remontagem acaba oferecendo a possibilidade de perguntar:

se eu estivesse montando meu home studio hoje, colocaria tudo exatamente nos mesmos lugares?

Nem sempre a resposta é sim.

Organização também faz parte do trabalho com eletrônica e áudio

É comum pensarmos no home studio apenas pelos equipamentos.

Qual interface utilizar?

Qual monitor?

Qual microfone?

Qual amplificador?

Mas existe toda uma infraestrutura que sustenta isso.

HOME STUDIO
│
├── equipamentos
├── acústica
├── energia
├── cabeamento
├── mobiliário
├── ventilação
└── organização

Um problema em qualquer um desses elementos pode afetar todo o ambiente.

Nesse caso, foram os cupins que obrigaram uma grande intervenção.

Depois de montar tudo novamente

A última etapa parece simples: colocar tudo de volta.

Só que é justamente aí que descobrimos se organizamos bem a desmontagem.

Equipamentos retornam para seus lugares, cabos são reconectados e finalmente chega o momento de ligar o sistema.

Eu prefiro fazer isso progressivamente.

Primeiro alimentação e computador.

Depois interface.

Depois monitores e periféricos.

Em seguida os demais equipamentos.

Assim, se aparecer algum problema, fica muito mais fácil descobrir em qual etapa ele surgiu do que ligar tudo simultaneamente e tentar encontrar depois a origem de um ruído, cabo desconectado ou equipamento que não está funcionando.

Um problema desagradável que acabou virando manutenção do estúdio

Encontrar cupim certamente não era o projeto que eu pretendia fazer no home studio.

Mas a situação trouxe uma boa lembrança: o espaço onde trabalhamos também precisa de manutenção.

Não basta cuidar dos circuitos, instrumentos e equipamentos.

Vale periodicamente olhar atrás dos móveis, verificar paredes e madeiras, observar sinais de umidade, limpar áreas normalmente inacessíveis e inspecionar a infraestrutura.

Porque às vezes o maior trabalho do home studio não está dentro de um amplificador ou de um circuito.

Está atrás da bancada.

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