Durante o voo, o sistema de propulsão de um aeromodelo gera calor. O motor normalmente recebe naturalmente uma boa circulação de ar produzida pela hélice e pelo próprio deslocamento do modelo.
Mas existe outro componente que também merece atenção: o ESC (Electronic Speed Controller), ou controlador eletrônico de velocidade.
Diferentemente do motor, o ESC costuma ficar instalado dentro da fuselagem, muitas vezes próximo à bateria e em um compartimento com pouca circulação de ar. Por isso, pensar na ventilação desse espaço pode ajudar no controle da temperatura durante o funcionamento.
Por que o ESC do aeromodelo aquece?
O ESC controla a energia fornecida pela bateria ao motor elétrico. Durante seu funcionamento, seus componentes eletrônicos conduzem e chaveiam correntes relativamente elevadas, o que provoca dissipação de energia na forma de calor.
A temperatura atingida depende de vários fatores, como a corrente exigida pelo conjunto, características do ESC, motor, hélice, bateria, duração do voo e condições de ventilação.
Por isso, simplesmente instalar o ESC em um compartimento totalmente fechado nem sempre é a melhor solução.
Como melhorar a ventilação do ESC
No meu aeromodelo Cessna, o ESC e a bateria ficam em um compartimento localizado na parte inferior da fuselagem, acessado por uma pequena tampa.
A solução que experimentei foi bastante simples: criar entradas e saídas para permitir a circulação do ar pelo compartimento.
Na tampa de acesso instalei pequenas aletas feitas de depron. A função delas é captar parte do fluxo de ar durante o voo e direcioná-lo para dentro do compartimento.
Na parte posterior fiz dois pequenos furos para permitir a saída do ar.
Dessa maneira, em vez de simplesmente fazer uma abertura na fuselagem, tentei criar um caminho:
entrada de ar → passagem pelo compartimento → saída de ar
Esse detalhe é importante. Para haver circulação, não basta pensar apenas em como o ar entra; também é necessário permitir que ele saia.
Fazendo as entradas de ar com depron
Para construir as pequenas aletas utilizei depron de bandejas de alimentos, como aquelas usadas para queijo e presunto.
Esse material é fino, leve e fácil de trabalhar, características interessantes para uma pequena adaptação em um aeromodelo.
As peças foram fixadas utilizando cola epóxi de dois componentes.
Já os dois furos para a saída do ar foram feitos utilizando um objeto cilíndrico aquecido, permitindo criar aberturas regulares no material.
No meu modelo, essa modificação não provocou alteração perceptível nas características de voo.
A ventilação serve apenas para o ESC?
No meu projeto, a principal preocupação era o ESC, embora a bateria também estivesse localizada no mesmo compartimento.
Uma circulação de ar adequada pode ser interessante para o conjunto, mas é importante lembrar que aquecimento excessivo não deve ser tratado apenas adicionando ventilação.
Se um ESC estiver trabalhando excessivamente quente, também vale verificar se o conjunto elétrico está corretamente dimensionado. Motor, hélice, ESC e bateria precisam trabalhar de maneira compatível.
A ventilação ajuda na dissipação térmica, mas não corrige um sistema elétrico inadequadamente dimensionado.
Entrada e saída de ar fazem diferença
Um erro fácil de cometer é criar apenas uma abertura para entrada de ar.
Para que exista um fluxo contínuo pelo compartimento, precisamos pensar também em uma rota de saída. É justamente por isso que, na minha experiência, utilizei as aletas dianteiras para entrada e os dois furos posteriores para saída.
Essa é uma solução simples que pode ser adaptada tanto a aeromodelos construídos em depron quanto a outros tipos de construção, desde que qualquer alteração seja feita sem comprometer a estrutura do modelo.
Veja no vídeo como fiz a adaptação
No vídeo abaixo mostro a modificação realizada no aeromodelo e como ficaram as entradas e saídas de ar.
Além de resolver pequenos problemas práticos do aeromodelismo, entender o funcionamento do conjunto elétrico ajuda a tomar decisões melhores sobre motor, ESC, bateria e demais componentes.
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