Barcos e lanchas de controle remoto navegando na Vila do Pan

Uma das partes mais interessantes do nautimodelismo é justamente colocar os barcos na água. Depois de construir, ajustar e testar o modelo na bancada, chega o momento de navegar e descobrir como ele realmente se comporta.

Durante algum tempo, um dos locais onde nos reuníamos para isso no Rio de Janeiro era o lago da Vila do Pan. Em um dia de sol, vários amigos levavam seus barcos e lanchas de controle remoto e aproveitávamos para navegar juntos.

Além da diversão, esses encontros eram uma oportunidade para observar diferentes modelos, trocar experiências e, naturalmente, fazer muitas filmagens.

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Navegar com outros nautimodelistas torna a experiência ainda mais interessante

É perfeitamente possível praticar nautimodelismo sozinho, mas reunir vários modelos no mesmo lago cria uma experiência diferente.

Cada embarcação possui suas próprias características. Algumas são mais rápidas, outras foram construídas pensando no realismo, enquanto determinados barcos apresentam dimensões e comportamentos completamente diferentes.

Quando vários deles estão navegando ao mesmo tempo, podemos observar essas diferenças na prática.

Também é uma oportunidade para conhecer as soluções utilizadas por outras pessoas: sistemas de propulsão, acabamento, disposição dos componentes e diferentes maneiras de construir um barco de rádio controle.

Filmando a navegação a partir do próprio barco

Sempre gostei de registrar essas navegações em vídeo.

Mas, em vez de fazer todas as imagens da margem, existe outra possibilidade muito mais interessante: colocar a câmera dentro do próprio barco.

Nas filmagens realizadas na Vila do Pan utilizei uma pequena câmera chamada HD Wing. Uma de suas grandes vantagens era justamente o baixo peso.

Como ela não possuía uma carenagem convencional protegendo toda a eletrônica, era muito pequena e leve.

Isso permitia utilizá-la em diferentes tipos de modelos.

Uma câmera leve abre muitas possibilidades no modelismo

O peso da câmera pode não representar um grande problema em determinados barcos, principalmente nos modelos maiores.

Em um aeromodelo, entretanto, alguns gramas adicionais podem ser muito mais significativos. Peso extra pode interferir no centro de gravidade e no próprio comportamento durante o voo.

Por isso, uma câmera pequena e leve como a HD Wing era interessante não apenas para nautimodelismo, mas também para outras experiências no rádio controle.

Existe, naturalmente, uma desvantagem.

Como o circuito e principalmente a lente ficam bastante expostos, uma pequena queda pode provocar danos.

É o conhecido compromisso entre peso e proteção: retiramos estrutura para diminuir o peso, mas deixamos os componentes mais vulneráveis.

Onde colocar a câmera no barco?

Nas minhas filmagens, uma posição que gosto bastante é a proa da embarcação.

Colocando a câmera voltada para frente, conseguimos uma perspectiva próxima de uma visão em primeira pessoa da navegação.

O resultado é muito diferente daquele obtido filmando o barco da margem.

Em vez de vermos apenas a embarcação passando pela água, acompanhamos o deslocamento a partir dela.

Mas a proa não é a única possibilidade.

Dependendo do formato do barco, podemos experimentar instalar a câmera em outros pontos e mudar sua orientação.

Uma câmera voltada lateralmente pode registrar os outros barcos navegando próximos. Uma posição mais elevada aumenta a visão ao redor da embarcação. Já uma câmera muito próxima da água produz uma perspectiva completamente diferente.

O interessante é experimentar.

A câmera próxima da água produz um efeito diferente

Uma das coisas que mais gosto nessas imagens é justamente a proximidade da câmera com a superfície da água.

Mesmo que o barco utilizado para fazer a filmagem não seja particularmente rápido, a sensação transmitida pelo vídeo pode ser muito interessante.

Isso acontece porque a perspectiva influencia nossa percepção do movimento.

Quando observamos um barco pequeno a partir da margem, temos referências que deixam evidente sua escala.

Com a câmera instalada praticamente na altura da água, essas referências mudam.

As pequenas ondas parecem maiores, os outros barcos ganham outra dimensão e a sensação de deslocamento aumenta.

É quase como embarcar no modelo.

E quando existem vários barcos navegando?

Foi justamente isso que tornou as filmagens realizadas na Vila do Pan especialmente interessantes.

Como vários colegas estavam navegando ao mesmo tempo, minha câmera não registrava apenas o percurso do meu próprio barco.

Durante a navegação, outros barcos e lanchas apareciam nas imagens, criando cenas que seriam difíceis de planejar antecipadamente.

Às vezes outro modelo cruza a frente da câmera. Em outros momentos navegamos lado a lado.

A filmagem deixa então de ser apenas o registro de um único barco e passa a mostrar um pouco do próprio encontro de nautimodelistas.

Cuidado ao instalar uma câmera em um barco

Colocar uma câmera a bordo também exige alguns cuidados.

O primeiro é a fixação.

Ela precisa estar suficientemente presa para não cair durante uma aceleração, curva ou pequeno impacto.

No caso de uma câmera com eletrônica exposta, como a que utilizei, existe ainda uma preocupação evidente: água e circuito eletrônico não combinam.

Por isso, a posição escolhida deve reduzir a possibilidade de contato com respingos.

Em outros tipos de câmera podemos utilizar caixas de proteção ou soluções específicas contra água, embora isso normalmente acrescente peso e volume ao conjunto.

Observe também o equilíbrio da embarcação

Outro ponto é o peso da câmera e sua posição.

Em um barco relativamente grande, uma câmera pequena provavelmente terá pouca influência. Em modelos menores, porém, deslocar peso para a proa, popa ou uma das laterais pode alterar o equilíbrio.

Por isso, depois de instalar qualquer equipamento adicional, vale observar como o barco fica parado na água antes de começar a navegar.

Se ele passou a ficar excessivamente inclinado para algum lado, talvez seja necessário mudar a posição da câmera.

Esse mesmo raciocínio vale para bateria, motor e demais componentes instalados no interior do casco: a distribuição de peso também faz parte do projeto de uma embarcação de controle remoto.

Navegar também faz parte do desenvolvimento do modelo

Um encontro como esse não serve apenas para diversão.

É na água que conseguimos observar coisas que nem sempre aparecem durante os testes realizados na bancada.

Podemos verificar o comportamento do leme, a resposta da embarcação às acelerações, a estabilidade nas curvas e o desempenho do conjunto formado por motor, eixo, hélice, ESC e bateria.

Depois da navegação, também é interessante abrir o modelo e verificar se houve entrada de água e se algum componente apresentou aquecimento excessivo.

Muitas vezes, a primeira navegação revela pequenos ajustes que precisam ser feitos.

Por isso, construir um barco de controle remoto é um processo que não termina quando colocamos a última peça no casco.

Existe um ciclo:

construir → testar → navegar → observar → ajustar → navegar novamente.

O nautimodelismo também é um espaço para experimentação

A câmera a bordo é um bom exemplo disso.

Ela não é necessária para fazer o barco navegar. Mas acrescentá-la cria uma nova experiência e nos faz pensar em outros problemas: onde instalar, como prender, como proteger da água e como evitar que seu peso interfira no modelo.

É justamente essa liberdade para experimentar que considero uma das partes mais interessantes do modelismo.

Um barco de controle remoto reúne mecânica, elétrica, eletrônica e construção, mas nada impede que acrescentemos câmeras, iluminação, efeitos sonoros ou outros recursos.

Quanto mais entendemos como o modelo funciona, mais possibilidades aparecem.

Veja os barcos navegando na Vila do Pan

No vídeo abaixo você pode acompanhar um desses encontros na Vila do Pan, com vários barcos e lanchas de controle remoto navegando pelo lago e imagens registradas a partir da câmera instalada a bordo da embarcação.

Quer construir e entender seus próprios modelos de rádio controle?

Assistir a vários barcos navegando é divertido, mas uma parte ainda mais interessante do hobby acontece antes de eles chegarem à água: escolher os componentes, fazer as ligações, instalar motor, ESC, bateria e rádio e finalmente ver aquilo que você montou funcionando.

É essa autonomia que procuro desenvolver no Método 7H RC. A proposta é ajudar você a compreender a elétrica e a eletrônica utilizadas no rádio controle para não ficar limitado a simplesmente copiar montagens prontas.

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