P-47 Thunderbolt: o “Trator Voador” utilizado pelo Brasil na Segunda Guerra Mundial

Talvez você nunca tenha ouvido falar muito desse avião. Mas, quando falamos sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, existe uma aeronave que merece atenção especial:

o Republic P-47 Thunderbolt.

O P-47 foi o caça utilizado pelos pilotos brasileiros durante a campanha na Itália. Grande, robusto, extremamente potente e com um som característico, ganhou entre os brasileiros um apelido bastante apropriado:

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“Trator Voador”.

E existe uma oportunidade muito interessante de conhecer essa história de perto: um exemplar está preservado no Museu Aeroespacial (MUSAL), no Rio de Janeiro.

O Brasil participou da Segunda Guerra Mundial?

Sim.

O Brasil participou diretamente do conflito ao lado dos Aliados e enviou forças para a campanha da Itália.

No caso da aviação, a participação brasileira ficou marcada principalmente pela atuação do 1º Grupo de Aviação de Caça, equipado com o P-47 Thunderbolt.

É justamente essa relação entre o Brasil e o P-47 que torna essa aeronave muito mais do que simplesmente um avião antigo interessante.

Ela faz parte da nossa história.

O P-47 Thunderbolt

O P-47 Thunderbolt foi desenvolvido nos Estados Unidos e tornou-se um dos caças mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial.

Uma de suas características mais impressionantes é seu tamanho.

Quando pensamos em um caça, talvez imaginemos uma aeronave pequena e extremamente leve.

O Thunderbolt seguia outra filosofia.

Era:

grande;

pesado;

potente;

fortemente armado;

robusto.

Essa robustez combinava muito bem com as missões realizadas durante a guerra.

Por que “Trator Voador”?

No meu post original destaquei duas características relacionadas ao apelido utilizado pelos pilotos brasileiros:

sua força e seu grande barulho.

Quando observamos o P-47, o apelido começa a fazer bastante sentido.

Ele não possui exatamente a aparência delicada de uma aeronave.

O enorme motor radial domina a região frontal.

A fuselagem é volumosa.

E o conjunto transmite uma sensação de força.

Trator Voador é uma descrição bastante interessante.

Um enorme motor radial de 18 cilindros

Um dos números que ajuda a entender essa aeronave é seu motor.

O P-47 utilizado pela FAB possuía um motor radial de 18 cilindros, capaz de desenvolver aproximadamente 2.300 cavalos de potência.

Pense nisso por um instante:

18 cilindros.

2.300 hp.

E estamos falando de uma aeronave desenvolvida durante a década de 1940.

O que é um motor radial?

Quando olhamos a frente de algumas aeronaves antigas, percebemos que os cilindros não estão organizados em linha como ocorre em muitos motores automotivos.

Eles são distribuídos ao redor do eixo.

Vistos frontalmente, parecem irradiar a partir do centro.

Daí o nome:

motor radial.

Essa configuração foi extremamente importante na aviação durante a primeira metade do século XX.

O nosso trator Brasileiro - O caça da segunda Guerra Mundial
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Oito metralhadoras calibre .50

Potência não faltava também no armamento.

Os P-47 operados pela FAB eram equipados com oito metralhadoras calibre .50.

Eram quatro de cada lado, instaladas nas asas.

Isso significa que, quando o piloto disparava, havia uma concentração considerável de poder de fogo à frente da aeronave.

Por que tantas metralhadoras?

É importante lembrar que o P-47 não era utilizado apenas para combater outras aeronaves.

Sua robustez e capacidade de armamento também o tornavam adequado para missões contra alvos terrestres.

Na campanha italiana, os pilotos brasileiros realizaram missões de ataque contra diferentes alvos inimigos.

Essa utilização ajudou a tornar o Thunderbolt particularmente importante para a participação brasileira no conflito.

O Brasil operou 117 P-47

O envolvimento brasileiro com o Thunderbolt não terminou imediatamente depois da guerra.

Ao todo, a Força Aérea Brasileira operou 117 aeronaves P-47 entre 1944 e 1958.

Portanto, estamos falando de aproximadamente 14 anos de utilização da aeronave pela FAB.

Isso ajuda a entender sua importância para a história da aviação militar brasileira.

O P-47 brasileiro na Itália

Durante a Segunda Guerra Mundial, os aviadores brasileiros foram enviados para a Itália.

Ali, o P-47 tornou-se a principal aeronave de combate utilizada pelo grupo brasileiro.

Os pilotos precisavam realizar missões em um ambiente completamente diferente daquele encontrado no Brasil.

Havia:

combate real;

artilharia antiaérea;

condições meteorológicas adversas;

terreno desconhecido;

missões sucessivas.

O “Trator Voador” precisava aguentar tudo isso.

Robustez era uma característica importante

Uma aeronave militar não precisa apenas ser rápida.

Ela precisa conseguir cumprir sua missão e, quando possível, trazer seu piloto de volta.

O P-47 ficou conhecido por sua construção robusta e pela capacidade de suportar danos consideráveis.

Em missões de ataque ao solo isso era particularmente importante, porque a aeronave operava em condições nas quais poderia ficar exposta ao fogo inimigo.

O 1º Grupo de Aviação de Caça

A participação brasileira na guerra está fortemente ligada ao 1º Grupo de Aviação de Caça.

É dele uma das expressões mais conhecidas da história militar brasileira:

“Senta a Púa!”

O grupo brasileiro operou na Itália integrado ao esforço aéreo dos Aliados.

E o avião que aparece inevitavelmente quando contamos essa história é justamente o:

P-47 Thunderbolt.

O símbolo do grupo brasileiro

Outro elemento marcante é o emblema associado ao grupo, com a figura de uma avestruz.

Ele se tornou uma das imagens mais reconhecidas relacionadas à participação da aviação brasileira na Segunda Guerra.

Isso significa que o P-47 brasileiro não representa apenas tecnologia aeronáutica.

Representa também:

pilotos;

mecânicos;

equipes de apoio;

missões;

histórias pessoais.

Existe um P-47 brasileiro preservado no Rio de Janeiro

E aqui chegamos à razão original do meu post.

No acervo do Museu Aeroespacial — MUSAL, no Rio de Janeiro, existe um exemplar do P-47 Thunderbolt relacionado diretamente a essa história.

O avião preservado foi fabricado nos Estados Unidos em 1944.

Mas a parte mais impressionante vem a seguir.

Esse avião participou de 93 missões de combate

O exemplar preservado no MUSAL foi utilizado em 93 missões de combate na Itália entre 1944 e 1945.

Isso muda completamente a maneira de olhar para ele.

Não estamos diante simplesmente de:

“um P-47 igual aos utilizados na guerra”.

Estamos diante de uma aeronave que efetivamente possui uma história operacional ligada ao conflito.

Quando vemos suas asas, fuselagem, cabine e enorme motor, estamos observando uma máquina que participou daquele período histórico.

93 missões

Vale repetir esse número:

93 missões de combate.

Uma aeronave preservada em um museu pode parecer apenas uma peça estática.

Mas imagine cada uma dessas missões individualmente:

preparação da aeronave → piloto embarcando → motor funcionando → decolagem → voo até a área de operação → missão → retorno → pouso → manutenção.

Depois tudo novamente.

E novamente.

Essa perspectiva ajuda a transformar um objeto de museu em um testemunho histórico.

O avião foi nossa principal arma aérea de combate na Itália

No artigo original descrevi o P-47 como nossa principal arma de combate na Itália.

Isso explica por que essa aeronave ocupa um lugar tão importante na história da FAB.

Quando falamos da presença brasileira nos céus da Itália durante a Segunda Guerra, estamos inevitavelmente falando também do Thunderbolt.

O Brasil continuou utilizando o avião depois da guerra

Como vimos, a utilização brasileira do P-47 ocorreu entre 1944 e 1958.

Isso significa que sua história no Brasil não terminou em 1945.

Depois do conflito, o modelo continuou fazendo parte da aviação militar brasileira.

Nesse período, naturalmente, a tecnologia aeronáutica estava evoluindo rapidamente.

A aviação a jato começaria a transformar completamente aquilo que entendíamos como um caça moderno.

De motores a pistão aos jatos

O P-47 representa praticamente o auge de uma determinada geração tecnológica.

Temos:

enorme motor a pistão;

hélice;

grande potência;

armamento nas asas.

Poucos anos depois, a aviação militar entraria definitivamente na era dos motores a reação.

Por isso, observar o P-47 também é observar um momento muito específico da evolução tecnológica da aviação.

A Base Aérea de Santa Cruz

Depois da guerra, a história do grupo brasileiro também ficou ligada à Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. No meu texto original destaquei Santa Cruz como a unidade do Primeiro Grupo de Caça brasileiro.

Assim, existem diferentes pontos no Rio de Janeiro relacionados à história dessa aeronave e da aviação militar brasileira.

E um dos lugares mais interessantes para quem gosta de aviões certamente é o MUSAL.

O Museu Aeroespacial

O Museu Aeroespacial fica no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.

Seu acervo permite acompanhar diferentes períodos da história da aviação brasileira.

Para quem gosta de:

aviões;

história;

mecânica;

aeromodelismo;

tecnologia,

é o tipo de lugar no qual podemos passar bastante tempo observando detalhes.

E o P-47 é justamente uma das aeronaves que merece uma parada mais demorada.

Olhe o tamanho do motor

Se você tiver a oportunidade de observar um P-47 pessoalmente, uma das primeiras coisas que recomendo é prestar atenção à proporção da região dianteira.

Depois lembre:

18 cilindros.

aproximadamente 2.300 hp.

Quando vemos somente esses números escritos, eles parecem abstratos.

Diante do avião, começamos a entender fisicamente o que significam.

Depois observe as asas

Lembre também do armamento:

oito metralhadoras calibre .50.

Quatro em cada asa.

Isso ajuda a perceber que cada parte da aeronave foi projetada considerando não apenas aerodinâmica, mas também:

armamento;

combustível;

estrutura;

trem de pouso;

equipamentos;

sobrevivência em combate.

E finalmente observe a cabine

Depois imagine o piloto dentro daquele espaço.

Hoje observamos a aeronave parada e em segurança.

Durante a guerra, entretanto, aquele cockpit era o ambiente de trabalho de um piloto realizando missões reais de combate.

Essa é uma das coisas que considero mais interessantes nos museus de aviação:

a tecnologia deixa de ser apenas tecnologia quando conhecemos as pessoas e as histórias relacionadas a ela.

O P-47 também é fascinante para o aeromodelista

Para quem pratica aeromodelismo, aeronaves históricas como o Thunderbolt possuem um interesse adicional.

Suas formas são imediatamente reconhecíveis.

Temos:

grande capô do motor;

asas características;

fuselagem robusta;

trem de pouso;

pinturas militares.

Não é por acaso que existem tantos aeromodelos inspirados no P-47.

Um warbird

No aeromodelismo, réplicas de aeronaves militares históricas são frequentemente chamadas de warbirds.

O P-47 é um excelente exemplo.

Um aeromodelo escala do Thunderbolt pode reproduzir elementos como:

pintura;

insígnias;

trem retrátil;

flaps;

detalhes da cabine.

Em modelos mais sofisticados, até o som e a aparência do motor podem ser elementos importantes da experiência.

Mas um P-47 escala não é necessariamente um treinador

É importante fazer essa distinção.

O fato de gostarmos de determinada aeronave não significa que sua versão em aeromodelo seja a melhor escolha para aprender a voar.

Warbirds podem apresentar características de voo menos tolerantes do que um treinador projetado especificamente para iniciantes.

Para começar, estabilidade e previsibilidade normalmente são mais importantes do que fidelidade histórica.

Depois existe muito tempo para chegar aos modelos escala.

Uma ponte interessante entre história e modelismo

É justamente aqui que considero este post interessante dentro de um site que possui tanto conteúdo de modelismo.

Podemos começar interessados em:

um aeromodelo P-47.

Depois queremos saber:

qual avião real ele representa?

Descobrimos o Thunderbolt.

Depois descobrimos:

o 1º Grupo de Aviação de Caça;

a campanha na Itália;

o “Senta a Púa!”;

o uso brasileiro do P-47.

O hobby acaba abrindo uma porta para a história.

E o caminho inverso também acontece

Alguém pode começar interessado na Segunda Guerra Mundial.

Conhece o P-47.

Descobre que o Brasil utilizou a aeronave.

Visita o MUSAL.

Depois encontra um aeromodelo do Thunderbolt.

E começa a se interessar pelo modelismo.

Esse encontro entre:

história + tecnologia + aviação + modelismo

é justamente o que torna aeronaves como essa tão interessantes.

Veja o P-47 em ação

Na página original publiquei um vídeo gravado durante a Semana do Museu, realizada no MUSAL, no Campo dos Afonsos.

É uma oportunidade de observar essa máquina e perceber que aqueles números impressionantes — 18 cilindros, milhares de cavalos de potência e oito metralhadoras — pertenciam a uma aeronave real que teve papel importante na história brasileira.

Um avião que vale a pena conhecer

Meu post original começava praticamente com um convite:

talvez você nunca tenha ouvido falar desse avião, mas vale a pena.

Continuo achando que essa é a melhor maneira de apresentar o P-47.

Ele foi utilizado pela FAB durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se conhecido pelos pilotos brasileiros como “Trator Voador”, carregava oito metralhadoras calibre .50 e era impulsionado por um enorme motor radial de 18 cilindros e cerca de 2.300 hp. Ao todo, a FAB operou 117 P-47 entre 1944 e 1958.

E temos a sorte de possuir no Brasil um exemplar histórico preservado que realizou 93 missões de combate na Itália entre 1944 e 1945.

Para quem gosta de aviação, história ou modelismo, é difícil olhar para esse avião e enxergar apenas uma máquina antiga.

O P-47 Thunderbolt é também uma parte da história da aviação brasileira.

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