Aeromodelo de asa alta: por que é uma ótima escolha para quem está começando

Quando comecei a aprender aeromodelismo, recebi uma recomendação bastante simples:

“Compre um avião de asa alta.”

Segui o conselho e comprei um Cessna 182 de depron, com aproximadamente 800 gramas já equipado com uma bateria LiPo 3S de 2200 mAh. Depois de muitas horas de voo — e também de algumas quedas — entendi melhor por que esse tipo de aeromodelo costuma ser uma escolha interessante para quem está dando os primeiros passos no hobby.

Monte seu Próprio Rádio Controle
Monte seu Próprio Rádio Controle
Aprenda eletrônica na prática montando um rádio controle funcional do zero.
CONHEÇA O CURSO →

O avião continua comigo. Está colado, remendado e carrega as marcas do aprendizado, mas continua voando perfeitamente.

O que significa um aeromodelo de asa alta?

A classificação é bastante intuitiva.

Em um avião de asa alta, a asa está posicionada na região superior da fuselagem.

Em um modelo de asa baixa, acontece o contrário: a asa fica posicionada mais abaixo.

Essa diferença não é apenas estética. A configuração da aeronave influencia seu comportamento em voo e, dependendo do projeto, modelos de asa alta podem apresentar características bastante amigáveis para quem está aprendendo.

Foi exatamente isso que percebi com meu Cessna.

Por que comecei com um modelo de asa alta?

O principal motivo era ter um avião dócil e capaz de voar lentamente.

Quando estamos começando, velocidade excessiva não ajuda.

O iniciante ainda está desenvolvendo a capacidade de perceber a atitude do avião, antecipar seus movimentos e realizar pequenas correções nos comandos.

Quanto mais rápido o aeromodelo estiver, menos tempo existe para pensar.

Um modelo que aceita voar mais lentamente proporciona ao piloto iniciante mais tempo para observar o que está acontecendo e reagir.

Essa foi uma das características que mais gostei no meu primeiro aeromodelo.

Voar devagar ajuda muito no aprendizado

Imagine que o aeromodelo comece a inclinar para um lado.

O piloto precisa perceber o movimento, identificar o comando necessário e fazer a correção.

Tudo isso acontece em poucos segundos.

Em alta velocidade, uma pequena demora pode fazer com que o modelo percorra uma distância considerável antes da correção.

Em um voo mais lento e previsível, existe mais tempo para desenvolver essa coordenação.

É por isso que, para aprender, eu prefiro um avião cujo comportamento permita ao piloto acompanhar mentalmente aquilo que está acontecendo.

O pouso também fica mais amigável

Existe outro momento que costuma preocupar bastante quem começa no aeromodelismo:

o pouso.

Decolar é relativamente fácil.

Depois que o avião está no ar, temos espaço para fazer correções.

No pouso, porém, precisamos aproximar o modelo do solo, controlar sua trajetória, reduzir a velocidade e tocar a pista de maneira adequada.

Um modelo que consegue trabalhar bem em velocidades menores tende a tornar essa etapa mais administrável para o iniciante. Essa facilidade no pouso foi justamente uma das vantagens que observei no modelo de asa alta quando comecei.

Meu primeiro avião foi um Cessna 182 de depron

Seguindo aquela recomendação, escolhi um Cessna 182 construído em depron.

O conjunto completo pesava no máximo cerca de 800 gramas com uma bateria LiPo 3S de 2200 mAh.

Talvez alguém que esteja começando olhe para um avião de espuma e pense:

“Não seria melhor comprar logo um aeromodelo de madeira balsa?”

Para aprender, minha experiência foi exatamente o contrário.

O depron acabou sendo uma das melhores características daquele avião.

Por que depron é tão interessante para um iniciante?

Existe uma razão muito prática:

ele pode ser reparado com relativa facilidade.

Durante o aprendizado, acidentes acontecem.

Uma aproximação errada.

Um comando invertido.

Uma perda de orientação.

Uma rajada de vento.

Um pouso mais forte.

O modelo pode sofrer danos.

No meu caso, isso aconteceu várias vezes. E consegui consertar o avião e voltar a voar. Se estivesse trabalhando com uma estrutura de balsa mais complexa, determinados reparos poderiam exigir muito mais trabalho.

Sim, meu avião caiu várias vezes

Existe uma fotografia mental engraçada que podemos criar sobre o aeromodelismo: compramos o avião, aprendemos alguns comandos e começamos imediatamente a fazer voos perfeitos.

Minha experiência não foi assim.

Eu caí várias vezes enquanto estava aprendendo.

E isso acabou fazendo parte do processo.

O importante era conseguir entender o que havia acontecido, reparar o modelo e voltar para mais uma tentativa.

Com o tempo, os comandos deixam de exigir tanto raciocínio consciente e começam a ficar mais naturais.

O problema de pilotar quando o avião vem em nossa direção

Um dos desafios interessantes para quem começa aparece quando o avião muda sua orientação em relação ao piloto.

Quando ele está se afastando, esquerda e direita parecem intuitivas.

Quando o modelo está vindo em nossa direção, a percepção muda.

O iniciante pode se confundir e comandar justamente para o lado errado.

Essa capacidade de manter a orientação espacial precisa ser desenvolvida com prática.

Por isso, um avião mais previsível ajuda tanto: ele oferece mais tempo para reconhecer o que está acontecendo antes de fazer uma correção brusca.

Não tente corrigir tudo com movimentos enormes

Outro comportamento comum de quem começa é exagerar nos comandos.

O avião inclina um pouco.

O piloto movimenta muito o stick.

O avião responde demais.

Então ele tenta corrigir para o outro lado — novamente com um comando excessivo.

Começa uma sequência de:

erro → correção exagerada → novo erro → nova correção exagerada.

Aprender a pilotar também significa perceber que muitas situações exigem pequenas correções, e não movimentos extremos.

Um aeromodelo dócil facilita bastante esse aprendizado.

O vento muda completamente a experiência

Outra questão importante para os primeiros voos é o vento.

Um aeromodelo relativamente leve, como meu Cessna de aproximadamente 800 gramas, pode responder bastante às condições atmosféricas.

Por isso, o iniciante tende a aprender melhor quando começa em condições mais tranquilas.

Com experiência, passamos a interpretar melhor as rajadas e antecipar as correções.

No início, entretanto, já temos bastante coisa para controlar sem adicionar dificuldades desnecessárias.

O centro de gravidade precisa estar correto

Um aeromodelo considerado adequado para iniciantes pode se transformar em um avião difícil de controlar se estiver montado ou balanceado incorretamente.

Um dos pontos fundamentais é o centro de gravidade (CG).

Motor, bateria, ESC, receptor e servos possuem massa, e a posição desses componentes interfere no equilíbrio do avião.

A bateria merece atenção especial porque normalmente representa uma parcela importante do peso do conjunto e pode ser deslocada para ajudar no balanceamento.

Portanto, antes do primeiro voo, não basta verificar se motor e servos funcionam.

Precisamos também conferir se o avião está balanceado conforme a indicação adequada ao modelo.

A bateria LiPo 3S de 2200 mAh

No meu Cessna utilizei uma LiPo 3S de 2200 mAh.

Esses números trazem informações importantes.

3S significa que a bateria possui três células conectadas em série.

Uma célula LiPo possui tensão nominal de aproximadamente 3,7 V. Portanto:

3 × 3,7 V = 11,1 V nominais.

Já os 2200 mAh, ou 2,2 Ah, indicam a capacidade nominal da bateria.

Mas isso não significa que qualquer LiPo 3S de 2200 mAh possa ser colocada em qualquer avião.

Motor, ESC, hélice e bateria formam um sistema

Essa é uma das coisas mais importantes para entender no aeromodelismo elétrico.

Não devemos pensar:

“Meu avião usa bateria 3S, então basta comprar uma 3S.”

A bateria faz parte de um sistema.

Temos:

bateria → ESC → motor → hélice

A hélice representa uma carga para o motor.

O motor exige corrente do sistema.

O ESC precisa suportar essa corrente.

E a bateria precisa conseguir fornecê-la.

Alterar a hélice, por exemplo, pode modificar significativamente a corrente consumida pelo motor.

É por isso que compreender elétrica e eletrônica ajuda tanto no aeromodelismo.

O que faz o ESC?

ESC significa Electronic Speed Controller, ou controlador eletrônico de velocidade.

Ele fica eletricamente entre a bateria e o motor e recebe o comando proveniente do sistema de rádio.

Quando movimentamos o stick do acelerador, o receptor fornece o sinal correspondente ao ESC e este controla o motor.

De forma simplificada:

transmissor → receptor → ESC → motor

e, na parte de potência:

bateria → ESC → motor

Quando entendemos essa lógica, fica muito mais fácil montar um modelo ou diagnosticar um problema.

E os servos?

O motor produz a propulsão, mas precisamos controlar a trajetória do avião.

É aí que entram os servos.

Eles transformam os comandos elétricos recebidos do receptor em movimento mecânico.

Dependendo do aeromodelo, teremos servos associados aos ailerons, profundor e leme.

Quando movimentamos um stick no rádio, acontece uma sequência:

transmissor → receptor → servo → superfície de controle.

O piloto movimenta alguns milímetros no transmissor e uma superfície localizada no avião responde a dezenas ou centenas de metros de distância.

Essa é uma das coisas fascinantes do rádio controle.

Faça sempre um teste antes da decolagem

Antes de lançar ou decolar um aeromodelo, vale fazer uma verificação básica.

O motor está girando corretamente?

O profundor responde para o lado esperado?

Os ailerons estão funcionando corretamente?

O leme responde?

A bateria está presa?

O centro de gravidade está adequado?

As superfícies estão firmes?

É muito melhor descobrir um servo invertido enquanto o avião ainda está no chão.

E quando o depron quebra?

Aqui aparece uma das maiores vantagens que encontrei durante meu aprendizado.

Consertamos.

No post original, inclusive, recomendo alguns materiais que sempre foram úteis para mim:

  • cola epóxi de dois componentes;
  • fita filamentada;
  • palitos de dente;
  • palitos de sorvete.

Pode parecer uma combinação estranha, mas esses materiais conseguem resolver muitos problemas em aeromodelos de espuma.

Palito de sorvete em um aeromodelo?

Sim.

No modelismo, nem sempre precisamos de uma peça sofisticada para resolver um problema.

Um pequeno pedaço de madeira pode servir como reforço em determinada região.

Palitos podem ajudar a reconstruir ou reforçar partes danificadas.

A fita filamentada também é extremamente útil porque possui fibras que aumentam sua resistência.

E o epóxi permite realizar diversas uniões e reparos.

O importante é analisar cada dano e pensar em uma solução que recupere a estrutura sem adicionar peso desnecessário.

Cuidado para não transformar cada reparo em peso adicional

Depois de algumas quedas, existe uma tentação:

“Vou colocar bastante cola para nunca mais quebrar.”

Mas cola pesa.

Fita pesa.

Reforços pesam.

Se repetirmos isso em cada reparo, pouco a pouco um aeromodelo originalmente leve pode ganhar uma quantidade considerável de massa.

Portanto, reparar também é encontrar um equilíbrio entre resistência e peso.

Meu Cessna está bastante remendado, mas continua voando bem.

Um avião de treinamento não precisa ser bonito para sempre

Existe algo de que gosto particularmente nesse meu Cessna.

As marcas que ele carrega contam sua história.

Cada reparo lembra alguma etapa do aprendizado.

E o mais importante é que, mesmo depois das quedas, o avião ainda está comigo e continua voando.

Para um primeiro aeromodelo, considero isso muito mais importante do que manter uma aparência impecável.

O primeiro avião precisa ajudar você a aprender.

Simulador também pode ajudar antes do primeiro voo

Hoje, quem está começando pode combinar um modelo treinador com horas de prática em simulador.

O simulador não reproduz perfeitamente todas as condições de um voo real, mas ajuda a desenvolver a coordenação dos comandos e, principalmente, a orientação quando o avião está vindo em direção ao piloto.

E existe uma grande vantagem:

no simulador, apertamos um botão depois da queda.

No campo, precisamos pegar cola.

Por isso, praticar previamente algumas situações pode reduzir bastante a quantidade de reparos durante os primeiros voos.

Então um asa alta é sempre melhor para iniciantes?

Não devemos transformar “asa alta” em uma regra absoluta.

O comportamento de um aeromodelo depende de todo o projeto: perfil da asa, carga alar, diedro, peso, dimensões, potência, comandos e várias outras características.

Existem modelos de asa alta que não foram projetados como treinadores.

Da mesma maneira, existem outros projetos que podem apresentar características adequadas ao aprendizado.

Portanto, eu usaria a asa alta como uma característica muito comum e interessante em modelos treinadores, e não como o único critério para escolher o primeiro avião.

No meu caso, a recomendação funcionou muito bem.

Veja meu Cessna 182 no vídeo

No vídeo deste artigo mostro justamente o Cessna 182 de depron que utilizei durante meu aprendizado no aeromodelismo — um avião leve, de asa alta, equipado com LiPo 3S de 2200 mAh e que sobreviveu a várias quedas e reparos.

O primeiro aeromodelo também pode ser sua primeira bancada de aprendizado

Depois de algum tempo, comecei a perceber que pilotar era apenas uma parte do aeromodelismo.

Quando o avião quebra, precisamos consertá-lo.

Quando o motor não funciona, precisamos descobrir por quê.

Quando queremos trocar uma hélice, precisamos entender o efeito daquela mudança.

Quando substituímos uma bateria, precisamos saber se ela é adequada.

E dentro daquele pequeno Cessna existe um sistema completo formado por bateria, ESC, motor, receptor, servos, conectores e fiação.

Quanto mais entendemos esse sistema, menos dependemos de tentativa e erro.

Quer entender a elétrica e a eletrônica do seu aeromodelo?

Aprender a pilotar é uma parte fantástica do hobby. Mas existe outra liberdade quando você também consegue entender o que existe dentro do avião, fazer as ligações corretamente, escolher componentes e identificar problemas.

Essa é a proposta do Método 7H RC: ensinar a elétrica e a eletrônica aplicadas ao rádio controle de forma prática, relacionando os conceitos aos componentes realmente utilizados no aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.

Se você está começando no aeromodelismo — ou já voa, mas ainda fica inseguro quando precisa mexer na parte elétrica do modelo — conheça o Método 7H RC.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *