Como usar o paquímetro: aprenda a fazer medições com maior precisão

Em projetos de modelismo, eletrônica e mecânica, medir corretamente uma peça pode fazer uma grande diferença. Muitas vezes uma régua é suficiente, mas existem situações em que precisamos conhecer uma dimensão com uma precisão muito maior.

Qual é o diâmetro de um eixo?

Qual é a espessura de uma chapa?

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Qual é o diâmetro interno de um tubo?

Uma peça possui 5 mm ou 5,5 mm?

Para esse tipo de trabalho, uma das ferramentas mais úteis na bancada é o paquímetro.

No vídeo original deste artigo mostro as principais partes do instrumento e como utilizá-lo para realizar medições. O modelo que utilizo é bastante simples, com corpo de plástico, mas atende muito bem às minhas necessidades.

Para que serve um paquímetro?

O paquímetro é um instrumento utilizado para realizar medições dimensionais com precisão maior do que normalmente conseguimos com uma régua.

Isso se torna especialmente útil quando trabalhamos com peças pequenas.

Imagine que você precise comprar um rolamento para colocar em determinado eixo.

Com uma régua, talvez conclua que o eixo possui aproximadamente 5 mm.

Mas será realmente 5 mm?

Uma pequena diferença pode ser suficiente para impedir o encaixe adequado da peça.

Com o paquímetro conseguimos fazer uma medição muito mais precisa.

No modelismo, encontramos várias situações desse tipo. Foi justamente essa necessidade de realizar medições abaixo da escala de 1 mm que motivou o artigo e o vídeo original.

O que podemos medir com um paquímetro?

Uma das vantagens do paquímetro é que o mesmo instrumento permite realizar diferentes tipos de medição.

Podemos utilizá-lo para medir:

  • dimensões externas;
  • dimensões internas;
  • profundidades;
  • em muitos modelos, diferenças entre superfícies ou degraus.

Isso significa que um único instrumento consegue resolver grande parte das medições necessárias em uma bancada de hobby.

E cada tipo de medição utiliza uma região diferente do paquímetro.

Medindo dimensões externas

Talvez essa seja a utilização mais conhecida.

As mandíbulas maiores do paquímetro são utilizadas para medir dimensões externas.

Podemos medir, por exemplo, a espessura de uma peça, o diâmetro externo de um tubo ou o diâmetro de um eixo.

O procedimento básico é colocar a peça entre as faces de medição e fechar cuidadosamente o paquímetro até que exista contato.

A palavra importante aqui é:

cuidadosamente.

Não precisamos apertar excessivamente a peça.

Queremos medir sua dimensão, não deformá-la.

Isso é especialmente importante quando trabalhamos com materiais macios ou peças muito pequenas.

Medindo o diâmetro de um eixo

Essa aplicação aparece frequentemente no modelismo.

Imagine que você tenha um motor antigo e queira comprar um acoplamento para conectar seu eixo a outro componente.

Antes de escolher o acoplamento, precisamos saber o diâmetro do eixo do motor.

Uma diferença aparentemente pequena pode impedir a montagem.

Colocamos então o eixo entre as mandíbulas externas do paquímetro e realizamos a leitura.

Esse mesmo procedimento pode ser utilizado em eixos de motores, rodas, hélices, engrenagens e diversas outras peças.

Medindo dimensões internas

Na parte superior do paquímetro encontramos normalmente um conjunto de mandíbulas menores.

Elas possuem outra função.

São utilizadas para medições internas.

Imagine um tubo.

Se quisermos conhecer seu diâmetro externo, utilizamos as mandíbulas maiores.

Mas se quisermos conhecer o diâmetro interno, utilizamos as menores.

Introduzimos cuidadosamente as pontas no interior da abertura e afastamos as mandíbulas até que encostem nas superfícies internas.

Então realizamos a leitura.

Essa possibilidade é muito útil para verificar tubos, buchas, rolamentos, furos e diversas peças utilizadas em projetos mecânicos.

Diâmetro interno e externo não são a mesma coisa

Parece evidente, mas essa diferença é muito importante.

Imagine um tubo cujo diâmetro externo seja 8 mm.

Isso não significa que um eixo de 8 mm consiga passar por dentro dele.

Precisamos conhecer também a espessura da parede do tubo e, consequentemente, seu diâmetro interno.

É exatamente aí que o paquímetro se torna muito mais útil do que uma simples régua.

Podemos medir as duas dimensões utilizando o mesmo instrumento.

Como medir profundidade?

Outra função interessante do paquímetro está na extremidade oposta às mandíbulas.

Quando abrimos muitos modelos de paquímetro, uma pequena haste começa a sair pela parte traseira.

Ela é utilizada para medir profundidades.

Imagine um furo em uma peça.

Apoiamos a extremidade do corpo do paquímetro sobre a superfície e deslocamos a haste até que ela alcance o fundo.

A leitura indica a profundidade medida.

Esse recurso pode ser útil em furos, cavidades, alojamentos e diversas outras situações.

Paquímetro analógico, digital ou com relógio?

Existem diferentes tipos de paquímetro.

Um dos mais tradicionais utiliza uma escala principal e um nônio, também chamado de vernier, para permitir uma leitura mais precisa.

Existem também paquímetros com relógio e os modelos digitais.

Nos digitais, a dimensão aparece diretamente em um display, o que facilita bastante a leitura.

Isso não significa que um paquímetro simples seja inútil.

O modelo mostrado no meu vídeo, por exemplo, possui corpo de plástico e é bastante básico, mas sempre me atendeu bem para o tipo de trabalho que realizo.

O mais importante é compreender como utilizar corretamente o instrumento e quais são suas limitações.

O que é o nônio?

Nos paquímetros convencionais existe uma pequena escala móvel conhecida como nônio ou vernier.

Ela permite obter uma leitura mais detalhada do que aquela que conseguiríamos observando apenas a escala principal.

É justamente esse sistema que inicialmente assusta algumas pessoas.

Olhamos para várias pequenas linhas e pensamos:

“Como vou descobrir a medida aqui?”

Depois que entendemos a lógica, a leitura se torna muito mais simples.

Primeiro identificamos a medida indicada na escala principal.

Depois observamos qual marca do nônio coincide com uma marca da escala principal.

A combinação das duas informações fornece a leitura.

A resolução exata depende do modelo de paquímetro utilizado, portanto vale verificar a escala do instrumento que você tem em mãos.

Antes de medir, verifique o zero

Antes de confiar em uma medição, existe um teste muito simples.

Feche cuidadosamente o paquímetro.

As superfícies de medição devem encostar corretamente e a leitura deve corresponder ao zero do instrumento.

Nos paquímetros digitais normalmente existe também uma função de zeragem.

Se o instrumento não indicar corretamente o zero quando fechado, as medições podem apresentar erro.

É uma verificação que leva poucos segundos e pode evitar bastante confusão.

Limpe as superfícies antes da medição

Outro detalhe simples pode alterar o resultado.

Imagine medir a espessura de uma pequena peça que possui sujeira, cola seca ou algum resíduo sobre a superfície.

O paquímetro não sabe que aquilo é sujeira.

Ele simplesmente mede a distância entre as superfícies que estão tocando suas mandíbulas.

Portanto, antes de uma medição mais cuidadosa, verifique se a peça e as superfícies de contato do instrumento estão limpas.

Não utilize força excessiva

Paquímetro é um instrumento de medição, não um alicate.

Aplicar força excessiva pode produzir uma leitura incorreta e, dependendo do instrumento, até provocar danos.

As mandíbulas devem apenas fazer contato adequado com a peça.

Esse cuidado se torna ainda mais importante quando medimos materiais que podem ser comprimidos.

Imagine medir uma pequena peça de plástico macio ou espuma.

Quanto mais apertamos, menor parece ser a dimensão.

O instrumento pode estar funcionando perfeitamente, mas o procedimento de medição estará errado.

Faça a medição mais de uma vez

Quando uma dimensão é importante para o projeto, vale repetir a medição.

Retire a peça.

Posicione novamente.

Meça outra vez.

Se os resultados forem muito diferentes, existe algum motivo para investigar.

Talvez a peça não seja perfeitamente uniforme.

Talvez o paquímetro tenha sido colocado inclinado.

Ou talvez a pressão aplicada tenha sido diferente.

Repetir uma medição é uma maneira simples de aumentar nossa confiança no resultado.

O paquímetro precisa estar corretamente posicionado

Imagine medir um eixo cilíndrico mantendo o paquímetro inclinado.

Podemos acabar medindo uma distância que não corresponde corretamente ao diâmetro que desejamos.

Por isso, posicionamento é tão importante quanto leitura.

As superfícies do instrumento devem estar adequadamente alinhadas com a dimensão que queremos medir.

Isso parece um detalhe pequeno, mas faz bastante diferença quando começamos a trabalhar com décimos ou centésimos de milímetro.

Onde o paquímetro ajuda no modelismo?

Existem inúmeras aplicações.

No aeromodelismo, podemos medir eixos de motores, tubos, varetas, chapas e peças utilizadas na construção.

No automodelismo, podemos verificar eixos, parafusos, rolamentos, espaçadores e componentes da transmissão.

No nautimodelismo, aparecem eixos de hélice, tubos, buchas, acoplamentos e diversas peças mecânicas.

Na eletrônica, também encontramos situações interessantes.

Podemos medir o diâmetro de fios, espessura de placas, dimensões de componentes, conectores, parafusos e peças destinadas à fabricação de gabinetes.

Um exemplo: escolhendo um acoplamento para motor

Imagine que queremos conectar um motor ao eixo da hélice de um barco RC.

Temos:

motor → acoplamento → eixo → hélice

O acoplamento precisa ser compatível com os diâmetros dos dois eixos.

Suponha que o eixo do motor tenha 3,17 mm e o eixo da hélice tenha 4 mm.

Olhar para essas peças e tentar estimar suas dimensões visualmente não é suficiente.

Com o paquímetro conseguimos medir cada eixo e procurar um acoplamento adequado.

Uma medição de poucos segundos pode evitar comprar a peça errada.

Outro exemplo: identificando um parafuso

Quem trabalha com equipamentos antigos frequentemente encontra parafusos sem qualquer identificação.

Qual é o diâmetro?

É 3 mm?

4 mm?

Alguma medida intermediária?

O paquímetro ajuda a determinar o diâmetro externo e comparar a peça com as dimensões esperadas.

Para identificar completamente uma rosca ainda precisamos considerar outros parâmetros, como seu passo, mas conhecer o diâmetro já é um excelente começo.

Paquímetro não é micrômetro

Também é importante compreender as limitações da ferramenta.

O paquímetro oferece uma precisão muito maior do que uma régua e é extremamente versátil.

Mas existem aplicações que exigem medições ainda mais precisas.

Nesses casos podemos utilizar instrumentos como o micrômetro.

Portanto, não existe uma ferramenta que seja melhor para todas as situações.

Existe a ferramenta adequada à precisão necessária.

Para grande parte das medições realizadas em uma bancada de modelismo e eletrônica, entretanto, o paquímetro é extremamente útil.

Cuide do seu paquímetro

No artigo original eu já destacava algo importante: o paquímetro é um instrumento de precisão e deve ser guardado com cuidado.

Isso continua valendo mesmo para um modelo simples.

Evite quedas.

Não utilize o instrumento como ferramenta para apertar ou forçar peças.

Mantenha as superfícies de medição limpas.

Guarde-o em local protegido.

Um paquímetro bem cuidado pode permanecer durante muitos anos na bancada.

Vale a pena ter um paquímetro na bancada?

Para quem gosta de construir, modificar ou reparar coisas, considero uma ferramenta extremamente útil.

Existe uma mudança interessante quando passamos a ter instrumentos de medição disponíveis.

Em vez de dizer:

“parece ter uns 5 mm”

podemos dizer:

“medi e tem 4,8 mm”.

Essa diferença muda nossa maneira de trabalhar.

Começamos a substituir estimativas por medidas.

E isso facilita muito a escolha de peças e a solução de problemas.

Veja no vídeo como utilizar o paquímetro

No vídeo que preparei para este artigo, mostro as partes do paquímetro e como utilizar o instrumento na prática. O objetivo é justamente ajudar quem ainda não teve contato com essa ferramenta a começar a utilizá-la na bancada.

 

 Medir corretamente também faz parte de construir

Quando começamos no modelismo, é natural concentrar a atenção em motores, baterias, rádios e modelos.

Mas uma bancada vai ganhando outras ferramentas conforme começamos a construir e modificar nossos próprios projetos.

Multímetro para medir grandezas elétricas.

Ferro de solda para fazer conexões.

Paquímetro para verificar dimensões.

Cada ferramenta nos permite responder a uma pergunta diferente.

E quanto mais conseguimos medir, compreender e diagnosticar, menos dependemos de tentativa e erro.

Quer ter mais autonomia na sua bancada de modelismo?

Saber utilizar um paquímetro é apenas uma das habilidades que ajudam quem deseja deixar de simplesmente usar modelos prontos e começar a construir, modificar e resolver problemas.

Quando essa autonomia chega também à parte elétrica e eletrônica, começamos a compreender motores, baterias, ESCs, BECs, servos, receptores, conectores e suas ligações.

Essa é a proposta do Método 7H RC: transformar conceitos de elétrica e eletrônica em conhecimento aplicável aos projetos de aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.

Se você quer entender melhor o que acontece dentro dos seus modelos e ter mais autonomia para montar, testar e modificar seus próprios projetos, conheça o Método 7H RC.

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