A Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é um lugar que muita gente conhece por seus jardins, áreas abertas e espaços para passear e descansar. Mas existe uma maneira bem diferente de observar o local: a partir da superfície do lago.
Foi exatamente essa a proposta deste vídeo.
Instalei uma câmera dentro de um barco de controle remoto e naveguei pelo lago da Quinta da Boa Vista, registrando imagens de um ponto de vista que normalmente não temos quando estamos caminhando pelo parque.
O resultado é uma combinação de duas coisas de que gosto bastante: nautimodelismo e filmagem a bordo.
Uma perspectiva diferente proporcionada pelo nautimodelismo
Normalmente controlamos um barco RC observando-o da margem.
Vemos o modelo se afastar, fazer curvas e atravessar o lago. Nossa referência permanece sempre em terra.
Quando instalamos uma câmera no próprio barco, essa relação muda completamente.
Agora é a embarcação que se transforma no nosso ponto de observação.
A câmera fica próxima da superfície e registra o deslocamento pela água, enquanto árvores, construções e margens aparecem a partir de um ângulo muito mais baixo.
Foi dessa maneira que consegui registrar a Quinta da Boa Vista por uma perspectiva pouco convencional.
Por que uma câmera em um barco RC produz imagens tão interessantes?
A altura da câmera em relação ao chão — ou, neste caso, à água — interfere bastante na percepção da imagem.
Quando filmamos da margem, vemos o barco inserido em uma paisagem muito maior.
A bordo acontece o contrário.
A água passa muito próxima da lente e ocupa boa parte do campo de visão. Pequenas ondulações tornam-se muito mais perceptíveis e o movimento da embarcação ganha destaque.
É quase como se o espectador estivesse dentro de uma pequena embarcação navegando pelo lago.
O barco se transforma em uma plataforma móvel
Um nautimodelo não precisa servir apenas para navegar.
Ele também pode ser utilizado como uma pequena plataforma móvel para experiências.
Podemos instalar uma câmera.
Podemos testar sistemas de iluminação.
Podemos experimentar diferentes motores e hélices.
Podemos instalar sensores.
Podemos estudar consumo de corrente, autonomia, velocidade ou temperatura do motor.
É justamente essa possibilidade de modificar o modelo que torna o rádio controle tão interessante para quem também gosta de elétrica e eletrônica.
Instalar uma câmera exige pensar no peso
Mesmo uma câmera pequena acrescenta massa ao barco.
Em uma embarcação grande, alguns gramas adicionais podem não produzir uma diferença perceptível. Em modelos pequenos, entretanto, o efeito pode ser significativo.
Por isso, não devemos pensar apenas:
“Onde consigo prender a câmera?”
Também precisamos perguntar:
“O que acontecerá com o equilíbrio do barco se eu colocar esse peso aqui?”
Uma câmera instalada muito à frente pode aumentar o peso sobre a proa.
Se ficar muito atrás, pode aumentar o peso sobre a popa.
Se for instalada muito para um dos lados, o modelo pode ficar inclinado.
O ideal é observar o comportamento do barco na água depois da instalação.
A posição da câmera também muda a filmagem
Existe ainda uma escolha interessante entre estabilidade e perspectiva.
Uma câmera instalada mais alta pode oferecer uma visão mais ampla do ambiente.
Por outro lado, posicioná-la próxima da água produz aquela sensação característica de estar navegando.
Não existe uma única posição correta.
Tudo depende do resultado desejado.
Para esse tipo de filmagem, uma das coisas mais interessantes é justamente conseguir uma perspectiva que dificilmente obteríamos segurando uma câmera convencional.
E a proteção contra a água?
Quando colocamos equipamentos eletrônicos sobre uma embarcação, precisamos considerar uma questão óbvia:
água e eletrônica não combinam muito bem.
Mesmo que o barco não vire, pequenos respingos podem alcançar a câmera e outros componentes.
Também existe sempre a possibilidade de uma pequena infiltração no casco.
Por isso, uma montagem desse tipo precisa considerar a proteção dos equipamentos e, principalmente, uma boa fixação.
Uma câmera mal presa pode se soltar durante uma manobra.
No meio de um lago, isso pode significar perder o equipamento.
Antes da câmera, existe todo um sistema de rádio controle
A filmagem chama atenção, mas para que ela aconteça primeiro precisamos fazer o barco navegar.
Dentro de um modelo elétrico encontramos diferentes componentes trabalhando em conjunto.
De maneira simplificada, podemos pensar:
transmissor → receptor → ESC → motor → eixo → hélice
Para a direção, normalmente temos:
receptor → servo → leme
E existe ainda a bateria responsável por fornecer energia ao sistema.
É justamente a integração desses elementos que transforma um casco em um barco rádio controlado.
O receptor é o elo entre o operador e o barco
Quando movimentamos um comando no transmissor, a informação é enviada por rádio até o receptor instalado na embarcação.
O receptor então disponibiliza os sinais para os dispositivos correspondentes.
Um canal pode controlar a velocidade.
Outro pode comandar o servo responsável pelo leme.
Dependendo do projeto, podemos ter canais adicionais para iluminação, sons ou outras funções.
Por isso, compreender o receptor e suas conexões é uma das primeiras etapas para quem quer deixar de utilizar apenas modelos prontos e começar a fazer suas próprias modificações.
Como o barco muda de direção?
Em muitos nautimodelos, a direção é realizada por um leme movimentado por um servo.
Quando alteramos o comando de direção no transmissor, o servo muda de posição.
O movimento mecânico é transmitido ao leme.
Com a embarcação em movimento, a alteração do fluxo da água ao redor do leme produz o efeito necessário para modificar sua trajetória.
Temos, portanto, uma cadeia interessante:
movimento da mão → sinal de rádio → receptor → servo → movimento mecânico → leme → mudança de direção.
Quando começamos a enxergar o sistema dessa maneira, fica muito mais fácil diagnosticar um problema.
E como controlamos a velocidade?
Em um barco elétrico, normalmente existe algum sistema de controle entre a fonte de alimentação e o motor.
Nos modelos que utilizam um ESC — Electronic Speed Controller, o controlador recebe o comando proveniente do receptor e modifica o funcionamento do motor.
Assim podemos controlar a velocidade utilizando o transmissor.
Em alguns sistemas também é possível controlar o sentido de rotação, permitindo marcha à ré, algo especialmente interessante em determinados barcos e rebocadores.
A hélice também faz parte do sistema
Não adianta pensar somente no motor.
É a hélice que interage diretamente com a água para produzir a propulsão da embarcação.
Suas características interferem na carga aplicada ao motor.
Uma mudança de hélice pode alterar o consumo de corrente, a rotação atingida e o comportamento do barco.
Por isso:
motor + alimentação + controlador + eixo + hélice
precisam ser analisados como um conjunto.
Colocar uma hélice maior simplesmente porque queremos mais velocidade ou força pode aumentar a carga sobre o motor e provocar aquecimento.
A temperatura pode indicar problemas
Depois de navegar durante algum tempo, uma verificação bastante simples pode fornecer informações importantes: observar a temperatura dos componentes.
Motor ou controlador excessivamente quentes podem indicar que alguma coisa não está funcionando nas condições ideais.
Pode existir atrito no eixo.
A hélice pode estar exigindo demais.
O motor pode estar inadequado para aquela aplicação.
Ou o sistema pode estar sendo utilizado continuamente próximo de seus limites.
O teste na água, portanto, também funciona como uma etapa de avaliação do projeto.
O lago é a continuação da bancada
Grande parte de um projeto de nautimodelismo acontece sobre uma bancada.
É ali que instalamos motor, servo, receptor, bateria, ESC e demais componentes.
Fazemos soldagens.
Testamos os comandos.
Verificamos o sentido de rotação do motor.
Ajustamos o leme.
Depois chega o momento de colocar o modelo na água.
E aparecem problemas que talvez não fossem perceptíveis na bancada.
O barco pode ficar inclinado.
A direção pode estar excessivamente sensível.
Pode entrar água.
O motor pode aquecer.
A câmera pode vibrar.
Por isso, considero o desenvolvimento de um modelo um processo contínuo:
construir → testar → navegar → observar → ajustar → navegar novamente.
Registrar a navegação também preserva a história do hobby
Existe ainda algo interessante nesses vídeos antigos.
Eles acabam se transformando em registros de projetos e experiências realizados ao longo dos anos.
Um determinado barco pode posteriormente ser modificado.
A câmera utilizada pode ser substituída.
Os sistemas de rádio evoluem.
As baterias mudam.
Mas o vídeo permanece mostrando como aquele projeto funcionava naquele momento.
Neste caso, ele também preservou uma visão da Quinta da Boa Vista capturada de dentro de um barco navegando pelo lago.
Veja a Quinta da Boa Vista a partir da água
No vídeo abaixo você pode acompanhar essa navegação e observar a Quinta da Boa Vista a partir da câmera instalada no barco de controle remoto.
Uma câmera é apenas uma das possibilidades
Depois que entendemos como funciona um modelo rádio controlado, começamos a perceber que ele pode ser muito mais do que algo pronto para navegar.
Podemos modificar a iluminação.
Trocar motor.
Experimentar outra hélice.
Instalar uma câmera.
Acrescentar funções controladas pelo rádio.
Construir nosso próprio casco.
Ou até desenvolver circuitos específicos para determinada função.
É nesse momento que o modelismo se aproxima bastante da experimentação.
Quer aprender a modificar seus próprios modelos?
Para fazer experiências como essa com segurança e autonomia, é importante compreender o que acontece dentro do modelo: bateria, ESC, motor, receptor, servo, BEC, conectores e suas ligações.
Essa é a proposta do Método 7H RC: aprender a elétrica e a eletrônica utilizadas no rádio controle de maneira prática, relacionando os conceitos com aquilo que realmente encontramos nos modelos.
Se você quer deixar de apenas utilizar modelos prontos e começar a entender, modificar e desenvolver seus próprios projetos de aeromodelismo, automodelismo ou nautimodelismo, conheça o Método 7H RC.