Quem constrói aeromodelos, automodelos ou nautimodelos normalmente chega a uma etapa em que deseja melhorar o acabamento do modelo.
Podemos acrescentar números.
Logotipos.
Faixas.
Nomes.
Painéis.
Símbolos.
Placas.
Detalhes de escala.
Uma solução muito prática é produzir esses elementos no computador e depois imprimi-los.
Mas existe um problema que se torna especialmente importante no nautimodelismo:
a água.
Uma impressão que ficou perfeita quando saiu da impressora pode ser completamente danificada depois de alguns respingos.
Foi justamente esse problema que procurei demonstrar neste projeto: como produzir uma impressão ou fotografia capaz de entrar em contato com água sem simplesmente perder a imagem.
O problema das impressões comuns no modelismo
Imagine que você construiu um rebocador de controle remoto.
Depois de muitas horas de trabalho, chegou a hora de fazer o acabamento.
Você encontra no computador uma imagem com o nome da embarcação, ajusta o tamanho e imprime.
Recorta.
Cola no modelo.
O resultado fica ótimo.
Então você leva o barco para navegar.
Algumas gotas de água atingem a impressão e ela começa a borrar.
Todo o trabalho de acabamento pode ser perdido.
É justamente por isso que, no artigo original, destaquei que imprimir um adesivo comum em casa utilizando impressora jato de tinta pode não ser uma boa solução quando ele ficará exposto à água.
Por que uma impressão pode borrar quando molhada?
Uma impressão não é formada apenas pelo papel.
Temos um conjunto:
material de impressão + tinta ou toner + processo de impressão + acabamento
Quando a água entra em contato com esse conjunto, o comportamento dependerá de todos esses elementos.
Alguns papéis absorvem água rapidamente.
Determinadas tintas podem se espalhar.
A superfície pode enrugar.
A imagem pode perder definição.
Portanto, simplesmente dizer que determinada impressão é “à prova d’água” exige algum cuidado.
O resultado depende dos materiais utilizados.
Papel resistente à água é diferente de papel comum
Uma das alternativas que apresentei originalmente é utilizar um material próprio para resistir ao contato com água.
Esse tipo de suporte é interessante para o modelismo porque permite produzir detalhes impressos que serão utilizados em condições muito diferentes das encontradas em um documento comum.
Uma folha de papel guardada dentro de uma pasta não precisa suportar aquilo que um adesivo instalado no casco de uma lancha precisa enfrentar.
No modelo podemos ter:
água;
umidade;
sol;
atrito;
manuseio;
sujeira.
Por isso, o material precisa ser escolhido pensando na aplicação final.
A tecnologia de impressão também faz diferença
No artigo original fiz uma distinção entre impressora jato de tinta e impressora laser, recomendando para aquela solução o uso de impressão laser sobre papel apropriado.
Isso ocorre porque as duas tecnologias trabalham de maneiras diferentes.
Em uma impressora jato de tinta, pequenas gotas de tinta são depositadas sobre o material.
Já a impressora laser utiliza toner, que passa por um processo de fixação sobre a superfície.
Mas existe uma observação importante: não devemos transformar isso na regra simplificada de que “toda impressão laser é à prova d’água” ou de que “nenhuma impressão jato de tinta pode resistir à água”.
O resultado depende da combinação entre impressora, tinta ou toner e material utilizado.
O segredo está no conjunto
Para um projeto de modelismo, pense sempre em três elementos:
1. O material em que será feita a impressão
2. A tecnologia utilizada para imprimir
3. A proteção ou acabamento aplicado depois
Esses três elementos determinam boa parte da resistência final.
Podemos ter uma ótima impressão feita sobre um material inadequado e obter um resultado ruim.
Ou utilizar um excelente material com uma tinta que não suporte a aplicação.
Por isso, vale fazer testes antes de colocar a peça definitivamente no modelo.
Uma alternativa muito prática: impressão fotográfica
Outra solução que apresentei no artigo original foi utilizar serviços de impressão de fotografias.
Essa alternativa pode ser muito interessante quando precisamos de:
boa definição;
cores fortes;
imagens pequenas;
logotipos;
fotografias;
detalhes decorativos.
No meu teste, utilizei justamente uma impressão fotográfica e fiz algo bastante simples para verificar sua resistência:
mergulhei a impressão completamente na água.
Um teste simples vale mais do que descobrir depois
Essa talvez seja a melhor dica deste artigo.
Antes de aplicar qualquer impressão no modelo, faça uma pequena amostra.
Imprima duas cópias.
Guarde uma.
Pegue a outra e coloque em contato com água.
Primeiro algumas gotas.
Depois deixe molhada por algum tempo.
Se a aplicação exigir maior resistência, faça um teste mais severo.
Depois compare com a impressão que ficou seca.
Observe:
a tinta borrou?
as cores mudaram?
o material deformou?
a superfície começou a soltar?
a impressão perdeu definição?
Esse pequeno teste pode evitar que você descubra o problema somente depois de terminar o modelo.
Resistente à água não significa necessariamente impermeável
Existe uma diferença importante entre suportar alguns respingos e permanecer submerso.
Uma impressão utilizada na lateral de um aeromodelo pode precisar apenas resistir a umidade ocasional.
Em um automodelo, pode receber água durante a utilização em uma pista molhada.
Em um nautimodelo, os respingos podem ser frequentes.
Já uma peça instalada abaixo da linha d’água estaria submetida a uma condição completamente diferente.
Portanto, precisamos pensar em qual será realmente o nível de exposição.
No nautimodelismo essa preocupação é ainda maior
Foi justamente o nautimodelismo que motivou a discussão original.
O barco está literalmente operando sobre a água.
Mesmo que determinado detalhe esteja instalado acima da linha d’água, pode receber respingos durante:
aceleração;
curvas;
ondas;
colocação do barco na água;
retirada do modelo;
transporte depois da navegação.
Em alguns modelos, a água pode chegar a regiões que inicialmente imaginávamos que permaneceriam completamente secas.
Impressões ajudam muito no realismo de um nautimodelo
Em modelos de escala podemos utilizar impressões para reproduzir inúmeros detalhes.
Nome da embarcação.
Número de identificação.
Bandeiras.
Placas.
Avisos.
Símbolos.
Logotipos.
Instrumentos.
Painéis.
Faixas decorativas.
Muitas dessas peças seriam difíceis de pintar manualmente, especialmente em pequena escala.
A impressão permite produzir o desenho no computador e reproduzi-lo no tamanho necessário.
Você pode criar o desenho já na escala correta
Essa é uma enorme vantagem.
Imagine que o nome de um rebocador precise ocupar exatamente 80 mm na lateral do casco.
Podemos preparar a arte digitalmente, ajustar suas dimensões e fazer uma impressão de teste.
Recortamos.
Colocamos sobre o modelo sem colar.
Observamos.
Ficou grande?
Reduzimos.
Ficou pequeno?
Aumentamos.
Somente depois produzimos a versão definitiva.
Isso é muito mais fácil do que tentar corrigir uma pintura diretamente sobre o casco.
Faça primeiro uma impressão comum de teste
Antes de gastar o material resistente à água, podemos utilizar uma folha comum.
Imprima a arte.
Recorte.
Posicione no modelo.
Verifique tamanho e proporção.
Esse pedaço de papel funciona como um gabarito.
Quando tiver certeza de que tudo está correto, faça a impressão definitiva no material escolhido.
É uma solução simples que reduz desperdício.
Fotografias também podem ser utilizadas em projetos
O artigo original fala em impressão e fotografia, porque não precisamos limitar a técnica a textos e adesivos tradicionais.
Uma fotografia pode se transformar em parte de um projeto.
Podemos fotografar uma textura real, ajustar o tamanho no computador e reproduzi-la em um modelo.
Podemos utilizar imagens de painéis.
Instrumentos.
Placas.
Superfícies.
Detalhes de acabamento.
Isso abre uma quantidade enorme de possibilidades para modelismo de escala.
Imagine reproduzir um painel
Suponha que você esteja construindo uma cabine.
Criar cada instrumento individualmente seria trabalhoso.
Uma alternativa é desenhar ou fotografar o painel completo.
Depois reduzimos a imagem para a escala correta.
Imprimimos.
Recortamos.
Instalamos dentro da cabine.
A poucos centímetros de distância, o efeito visual pode ficar muito interessante.
E se o material estiver adequadamente protegido, teremos também maior durabilidade.
O mesmo vale para aeromodelos
Apesar de a água ser menos problemática, a técnica também pode ser aplicada no aeromodelismo.
Podemos produzir:
matrículas;
insígnias;
números;
logotipos;
detalhes de cabine;
painéis;
avisos;
elementos decorativos.
Foi justamente por isso que no artigo original destaquei que a ideia poderia ser aproveitada em diferentes áreas do modelismo, não apenas nos barcos.
E também nos automodelos
Em carros de controle remoto, impressões personalizadas podem transformar completamente a aparência da carroceria.
Número de competição.
Patrocinadores fictícios ou reais, quando apropriado.
Faixas.
Placas.
Detalhes internos.
Painéis.
Elementos de escala.
Para modelos utilizados no exterior, a resistência à umidade continua sendo uma vantagem.
Cuidado com a cola utilizada
Conseguir uma impressão resistente à água resolve apenas metade do problema.
Precisamos também fixá-la ao modelo.
E o adesivo ou cola utilizado precisa ser compatível com:
o material impresso;
a superfície do modelo;
a exposição à água.
Uma impressão pode permanecer perfeita enquanto a cola começa a se soltar.
Nesse caso, não perdemos a imagem por causa da água diretamente.
Perdemos porque o sistema de fixação falhou.
A superfície deve estar limpa
Antes de aplicar qualquer adesivo, limpe adequadamente a região.
Poeira, óleo e gordura podem reduzir bastante a aderência.
Em peças manuseadas constantemente, até mesmo a gordura natural das mãos pode ficar sobre a superfície.
O procedimento adequado dependerá do material do modelo, já que determinados produtos de limpeza podem atacar pinturas, plásticos ou espumas.
Sempre teste primeiro em uma região pouco visível.
Bolhas prejudicam o acabamento
Quando utilizamos material autoadesivo, tente aplicar gradualmente.
Posicione uma extremidade.
Pressione aos poucos.
Evite simplesmente colocar toda a superfície de uma vez.
Isso ajuda a reduzir bolhas e rugas.
Em detalhes pequenos, uma pinça pode facilitar bastante o posicionamento.
Podemos aplicar uma proteção adicional?
Dependendo da impressão e da aplicação, podemos utilizar algum tipo de película ou acabamento transparente para criar uma barreira adicional.
Mas novamente é necessário testar.
Alguns vernizes e produtos químicos podem reagir com:
tinta;
toner;
papel;
plástico;
cola;
pintura do modelo.
Nunca aplique um produto desconhecido diretamente sobre a peça definitiva.
Faça uma pequena amostra primeiro.
Laminação também pode ser interessante
Para determinados elementos planos, uma película transparente pode proteger a superfície impressa.
Podemos pensar em algo semelhante a um sanduíche:
película transparente → impressão → superfície
Isso cria uma camada física entre a água e a imagem.
Mas existe uma consequência.
Cada camada aumenta a espessura.
Em um modelo de escala muito pequeno, uma película grossa pode deixar o detalhe artificial.
Novamente precisamos equilibrar:
proteção × aparência × escala.
Recortar bem faz enorme diferença
Uma excelente impressão pode parecer ruim se o recorte for grosseiro.
Utilize uma lâmina afiada e uma superfície apropriada para corte.
Para linhas retas, uma régua pode ajudar.
Para detalhes muito pequenos, trabalhe com calma.
Quanto mais próximo o recorte acompanhar o desenho, mais integrada a impressão parecerá ao modelo.
Arredondar cantos pode ajudar
Em alguns adesivos, cantos muito pontiagudos podem começar a levantar com maior facilidade.
Dependendo do desenho, arredondar discretamente as extremidades pode ajudar a reduzir esse problema.
Naturalmente, isso não funciona para qualquer formato.
Mas é uma pequena consideração prática que pode aumentar a durabilidade.
Cuidado com a impressão em escala
Quando reduzimos muito uma imagem, alguns detalhes deixam de ser reproduzidos adequadamente.
Textos muito pequenos podem ficar ilegíveis.
Linhas finas podem desaparecer.
Contrastes sutis podem se perder.
Por isso, depois de dimensionar a arte, faça uma impressão e observe fisicamente o resultado.
Aquilo que parece perfeito ampliado no monitor pode ficar completamente diferente depois de reduzido para poucos centímetros.
Resolução também importa
Se você pretende imprimir uma fotografia ou logotipo, utilize uma imagem com resolução suficiente.
Uma figura pequena retirada da internet e ampliada várias vezes pode ficar pixelada.
Quanto melhor for o arquivo original, maior será a possibilidade de produzir um detalhe nítido.
Isso é particularmente importante em modelismo, porque muitas vezes observamos o modelo de perto.
Guarde o arquivo original
Depois de gastar tempo preparando uma arte no tamanho correto, guarde o arquivo.
Se o adesivo for danificado no futuro, basta imprimir novamente.
Também podemos criar uma pequena biblioteca para cada modelo:
nome do modelo
logotipos
placas
painéis
detalhes
medidas
Assim, uma eventual manutenção se torna muito mais fácil.
Faça uma folha com várias cópias
Outra estratégia útil é não imprimir apenas uma unidade.
Se o detalhe for pequeno, coloque várias cópias na mesma folha.
Se errar o recorte, teremos outra.
Se uma peça for perdida durante a aplicação, teremos reposição.
E se o adesivo precisar ser substituído depois de algum tempo, não será necessário reconstruir imediatamente toda a arte.
Água é apenas um dos desafios
Dependendo de onde o modelo será utilizado, também podemos ter:
sol;
calor;
combustível;
óleo;
poeira;
atrito;
salinidade.
Uma impressão que suporta água doce não deve ser automaticamente considerada resistente a qualquer ambiente.
Se o modelo possui uma utilização específica, faça testes pensando nas condições reais.
Testar materiais faz parte do modelismo
Essa talvez seja uma das coisas mais interessantes desse tipo de experiência.
Não precisamos aceitar simplesmente aquilo que está escrito na embalagem.
Podemos fazer nosso próprio teste.
Pegamos uma amostra.
Molhamos.
Deixamos secar.
Comparamos.
Observamos.
No vídeo que acompanha o artigo fiz justamente isso: mergulhei completamente a impressão fotográfica na água para mostrar seu comportamento.
É um experimento extremamente simples, mas responde diretamente à pergunta que interessava:
a imagem vai sobreviver ao contato com a água?
Veja o teste com a impressão mergulhada na água
No vídeo original mostro o teste prático com o material utilizado, inclusive colocando a impressão completamente dentro da água para verificar sua resistência.
Uma técnica simples que melhora muito o acabamento
Pequenos detalhes fazem uma diferença enorme em um modelo.
Uma placa.
Um número.
Um logotipo.
O nome do barco.
Um painel.
Uma fotografia reduzida.
Quando conseguimos produzir esses elementos no computador, imprimir no tamanho desejado e protegê-los adequadamente, passamos a ter uma ferramenta muito interessante para personalização.
No caso do nautimodelismo existe apenas uma exigência adicional que não podemos esquecer:
o acabamento precisa conviver com a água.
Por isso, antes de colocar uma impressão que levou horas para ser preparada em seu modelo, teste o material.
Uma pequena amostra mergulhada em um copo d’água pode evitar uma grande decepção depois.
Quer aprender a construir e modificar seus próprios modelos RC?
O acabamento é apenas uma das etapas de um projeto de modelismo. Quando começamos a construir nossos próprios modelos, também precisamos entender motores, baterias, ESCs, receptores, servos, LEDs, conectores, alimentação e outros componentes elétricos e eletrônicos.
Esse conhecimento permite deixar de depender apenas de soluções prontas e começar a criar adaptações e projetos próprios.
Essa é justamente a proposta do Método 7H RC: ensinar elétrica e eletrônica aplicadas ao rádio controle de maneira prática, utilizando situações encontradas no aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.
Se você quer ganhar autonomia para construir, modificar e entender melhor seus próprios modelos de controle remoto, conheça o Método 7H RC.