Motor Bosch GPB 12 V: motor de ventoinha que pode ser usado em projetos experimentais

O motor Bosch GPB 12 V ficou bastante conhecido entre pessoas que gostam de experimentar motores de corrente contínua em projetos diferentes daqueles para os quais foram originalmente desenvolvidos.

Sua aplicação original está relacionada a sistemas de ventilação, mas justamente por ser um motor relativamente robusto de 12 volts, acabou despertando o interesse de quem gosta de projetos elétricos, adaptações e construções experimentais.

Eu mesmo já utilizei um desses motores em uma experiência bastante diferente: uma adaptação que fiz muitos anos atrás em uma bicicleta elétrica. Essa versatilidade foi justamente o motivo para registrar o motor neste artigo.

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O que é o motor Bosch GPB?

O GPB é um motor elétrico de corrente contínua, conhecido principalmente por sua utilização em ventoinhas.

Isso significa que sua função original não era movimentar bicicletas, barcos ou outros veículos experimentais.

Entretanto, um motor elétrico não precisa necessariamente ficar restrito à aplicação para a qual foi inicialmente produzido.

Quando conhecemos suas características elétricas e mecânicas, podemos avaliar se ele é adequado para outras utilizações.

E foi justamente isso que tornou esse motor interessante para muitos experimentadores.

Um motor de 12 volts

Uma das informações fundamentais sobre esse motor é sua tensão nominal de 12 V.

Mas existe um cuidado importante aqui.

Dizer que um motor trabalha com 12 V não nos informa tudo o que precisamos saber para utilizá-lo.

Ainda precisamos conhecer ou medir características como:

  • corrente sem carga;
  • corrente durante o funcionamento;
  • corrente em condições de maior esforço;
  • rotação;
  • torque;
  • potência;
  • temperatura durante a operação.

Essa é uma lição importante para qualquer projeto envolvendo motores:

tensão é apenas uma parte da especificação.

Tensão, corrente e potência

Para compreender melhor um motor como o GPB, vale lembrar uma relação elétrica fundamental:

P = V × I

onde:

P = potência elétrica em watts
V = tensão em volts
I = corrente em amperes

Imagine, apenas como exemplo didático, um motor alimentado com 12 V consumindo 10 A em determinada condição.

Teríamos:

P = 12 × 10 = 120 W

Se a corrente subisse para 20 A:

P = 12 × 20 = 240 W

Esses números são apenas exemplos para mostrar a relação — não são especificações do GPB mostrado neste artigo.

A corrente real deve ser medida ou obtida na documentação correspondente ao motor utilizado.

Por que a corrente do motor varia?

Um motor não necessariamente consome a mesma corrente o tempo inteiro.

Se estiver girando praticamente sem carga, seu consumo será um.

Quando colocamos uma carga mecânica sobre o eixo, o comportamento muda.

Quanto maior o esforço solicitado, maior pode se tornar a corrente exigida pelo motor.

É por isso que testar um motor simplesmente conectando-o a uma fonte e observando se ele gira não é suficiente para dimensionar um projeto.

Ele pode funcionar perfeitamente sem carga e exigir uma corrente muito maior quando realmente começar a realizar trabalho.

A partida também merece atenção

Existe ainda outro momento crítico: a partida.

Quando o motor está parado, ainda não existe a condição elétrica associada à sua rotação normal. Por isso, a corrente inicial pode ser significativamente maior do que aquela observada depois que o motor entra em funcionamento.

Esse comportamento precisa ser considerado na escolha da:

fonte, bateria, controlador, fios, conectores e dispositivos de proteção.

Um sistema dimensionado apenas para a corrente média pode apresentar problemas justamente no momento em que tentamos ligar o motor.

Posso ligar esse motor diretamente em uma bateria de 12 V?

Ele é um motor destinado a trabalhar em um sistema de 12 V, mas isso não significa que devemos fazer qualquer ligação sem antes avaliar o circuito.

Uma bateria capaz de fornecer correntes elevadas pode entregar muita energia em caso de curto-circuito ou travamento do motor.

Portanto, em uma montagem experimental é importante considerar elementos como fusível, chave adequada, bitola dos fios e conexões capazes de suportar a corrente.

O fato de trabalharmos com apenas 12 V não significa que podemos ignorar a corrente.

Baixa tensão e alta corrente ainda podem aquecer fios, danificar conectores e componentes.

Posso controlar a velocidade do GPB?

Um motor DC desse tipo pode ter sua velocidade controlada eletronicamente.

Uma das técnicas mais utilizadas é o PWM — Pulse Width Modulation, ou modulação por largura de pulso.

Em vez de simplesmente colocar um grande resistor em série com o motor para reduzir a tensão e desperdiçar energia na forma de calor, o controlador realiza um chaveamento rápido.

Variando o ciclo de trabalho desse chaveamento, conseguimos alterar a potência média entregue ao motor e, consequentemente, controlar seu comportamento.

Esse é um princípio muito utilizado em controladores de motores DC.

Por que não utilizar simplesmente um potenciômetro?

Essa é uma dúvida comum de quem começa a trabalhar com motores.

Um potenciômetro convencional utilizado em circuitos eletrônicos normalmente não foi projetado para conduzir a corrente exigida por um motor desse porte.

Colocá-lo diretamente em série com o motor pode fazer com que aqueça e seja danificado.

Uma solução eletrônica adequada utiliza componentes de potência capazes de controlar a corrente do motor.

Em projetos atuais, MOSFETs são muito utilizados para esse tipo de chaveamento.

O potenciômetro, quando existe, pode servir apenas para fornecer uma referência ao circuito controlador, sem precisar conduzir toda a corrente do motor.

Um motor também gera calor

Nem toda energia elétrica fornecida ao motor se transforma em movimento útil.

Existem perdas.

Parte da energia acaba transformada em calor.

Quanto maior o esforço exigido do motor, mais importante se torna observar sua temperatura.

Isso é especialmente relevante quando utilizamos um motor em uma função diferente daquela para a qual foi originalmente projetado.

Na aplicação original de uma ventoinha, as condições de funcionamento foram consideradas pelo fabricante.

Quando fazemos uma adaptação, nós passamos a ser responsáveis por verificar se o novo regime de trabalho é adequado.

Cuidado com o travamento do eixo

Uma das situações mais críticas para um motor DC ocorre quando tentamos alimentá-lo enquanto o eixo está impedido de girar.

A corrente pode aumentar bastante.

O resultado pode ser aquecimento rápido do motor, dos fios e do controlador.

Por isso, uma montagem mecânica também precisa ser pensada cuidadosamente.

Se utilizarmos correias, engrenagens, correntes ou outros mecanismos de transmissão, precisamos garantir que o conjunto possa movimentar-se livremente.

Um problema mecânico pode rapidamente se transformar em um problema elétrico.

Utilizei o GPB em uma bicicleta elétrica experimental

Uma das experiências que fiz com esse motor foi justamente utilizá-lo em uma adaptação para uma bicicleta elétrica.

Esse tipo de experimento é interessante porque imediatamente aparecem vários problemas de engenharia.

Não basta fazer o eixo do motor girar.

Precisamos descobrir como transmitir essa rotação para a roda.

Também precisamos considerar a relação de transmissão.

Depois vem a alimentação.

Qual bateria utilizar?

Quanto de corrente será necessário?

Quanto tempo conseguirá funcionar?

Como controlar a velocidade?

Como interromper a alimentação?

Como proteger o circuito?

Perceba como um simples motor pode se transformar em uma excelente plataforma de aprendizado.

Rotação e torque não são a mesma coisa

Outro conceito importante quando pensamos em utilizar um motor em aplicações diferentes é a relação entre velocidade de rotação e torque.

Um motor pode girar muito rapidamente e ainda assim não ser adequado para movimentar diretamente uma carga pesada.

Em muitos projetos precisamos utilizar algum tipo de redução mecânica.

Podemos empregar engrenagens, polias, correias, correntes ou outros mecanismos para modificar a relação entre velocidade e torque disponível na carga.

Isso aparece claramente quando tentamos adaptar um motor para movimentar um veículo.

Não basta conectar o eixo diretamente à roda e esperar que o resultado seja adequado.

O diâmetro da roda também interfere

Imagine dois veículos utilizando exatamente o mesmo motor e a mesma rotação.

Um utiliza uma roda pequena.

O outro utiliza uma roda muito maior.

A velocidade linear na periferia da roda será diferente.

Além disso, a exigência de torque sobre o conjunto também muda.

Portanto, em uma adaptação como uma bicicleta elétrica, precisamos pensar no sistema completo:

motor → transmissão → roda → veículo

Alterar apenas um desses elementos modifica o comportamento dos demais.

E se quisermos utilizar esse motor no modelismo?

Motores reaproveitados podem ser interessantes em alguns projetos de modelismo, especialmente construções experimentais de maior porte.

No nautimodelismo, por exemplo, podemos imaginar sua utilização em determinadas embarcações nas quais peso e tamanho não sejam tão críticos.

Mas não devemos escolher um motor simplesmente porque ele é potente ou porque já o temos disponível.

É necessário avaliar:

peso, rotação, corrente, torque, sistema de refrigeração, transmissão e fonte de energia.

Em um pequeno aeromodelo, por exemplo, um motor pesado projetado originalmente para uma ventoinha automotiva provavelmente não faria sentido.

Em uma embarcação experimental maior, as possibilidades podem ser diferentes.

Como testar um motor antes de colocá-lo no projeto?

Antes de projetar todo o equipamento em torno de um motor reaproveitado, vale a pena fazer alguns testes de bancada.

Uma sequência interessante é verificar inicialmente o estado mecânico do motor, observando se o eixo gira livremente e se existem folgas ou ruídos anormais.

Depois podemos medir seu comportamento elétrico.

Com instrumentos adequados, conseguimos observar tensão e corrente em diferentes condições.

Também podemos acompanhar a temperatura durante um período de funcionamento.

A ideia é substituir o:

“acho que funciona”

por:

“medi como ele se comporta”.

Essa diferença é enorme quando começamos a desenvolver nossos próprios projetos.

Um motor antigo pode se transformar em uma ótima experiência

É justamente por isso que gosto desse tipo de componente.

Um motor de ventoinha pode parecer pouco interessante quando está simplesmente parado sobre uma bancada.

Mas, quando começamos a fazer perguntas, surgem inúmeras possibilidades:

Como controlar sua velocidade?

Quanto ele consome?

Quanto torque produz?

Qual bateria seria necessária?

Como inverter sua rotação?

Como fazer uma redução?

Como proteger o circuito?

Seria possível utilizá-lo em um barco?

E em outro pequeno veículo?

O motor deixa de ser apenas uma peça reaproveitada e passa a ser uma plataforma para experimentar elétrica, eletrônica e mecânica.

Veja o motor Bosch GPB 12 V no vídeo

No vídeo original deste artigo mostro o motor Bosch GPB de 12 volts e comento justamente sobre suas possibilidades de utilização além da aplicação original em ventoinhas. Também conto sobre a experiência que tive utilizando esse tipo de motor em uma adaptação de bicicleta elétrica.

 

 Entender o motor é melhor do que simplesmente fazê-lo girar

É muito fácil pegar dois fios, conectar um motor a uma bateria e ficar satisfeito quando o eixo começa a girar.

Mas as perguntas realmente interessantes começam depois:

Quanto de corrente ele está consumindo? Minha fonte suporta essa corrente? Como posso controlar sua velocidade? O fio está corretamente dimensionado? O controlador suporta a partida? Por que o motor aquece? Qual transmissão devo utilizar?

Quando conseguimos responder a essas perguntas, passamos de uma simples montagem para a compreensão do sistema.

E esse conhecimento também aparece constantemente no rádio controle.

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