DJ Hero Novo por R$ 1,99: Desmontando o Controle para Criar um Scratch Caseiro

Existem algumas compras que fazemos porque precisamos de determinado equipamento.

E existem aquelas que fazemos porque aparece uma oportunidade difícil de ignorar.

Foi exatamente o que aconteceu quando encontrei um DJ Hero novo por apenas R$ 1,99.

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Sim:

R$ 1,99 por um equipamento novo.

Por esse preço, o controle deixou de ser apenas um acessório de videogame e passou a representar uma excelente oportunidade para uma experiência de eletrônica e áudio.

Minha ideia não era simplesmente utilizar o DJ Hero da maneira convencional.

Eu queria:

desmontá-lo, entender seu funcionamento e aproveitar principalmente o mecanismo do prato giratório para instalar nele o meu projeto de scratch caseiro.

O que é o DJ Hero?

O DJ Hero foi lançado como um jogo musical inspirado no universo dos DJs.

Em vez do controle em formato de guitarra popularizado pelo Guitar Hero, o jogador utiliza uma espécie de turntable controller, cujo formato lembra uma pequena configuração utilizada por DJs.

O periférico possui um prato giratório com três botões, além de crossfader, controle de efeitos e outros comandos. Durante o jogo, o movimento do prato é utilizado para executar ações de scratch.

Mas existe uma diferença fundamental:

o prato do DJ Hero não reproduz fisicamente um disco de vinil.

Ele funciona como uma interface para detectar aquilo que o jogador está fazendo.

Um toca-discos e o DJ Hero fazem coisas diferentes

Em um toca-discos tradicional podemos simplificar o funcionamento desta maneira:

disco → agulha → cápsula → sinal elétrico → amplificação → som

A informação sonora está fisicamente registrada no disco.

No DJ Hero, a lógica é diferente:

mão → movimento do prato → detecção → eletrônica → videogame

Portanto, o prato funciona como um controle.

E foi justamente isso que despertou meu interesse.

Eu já tinha a ideia de trabalhar com um scratch eletrônico caseiro. Ao encontrar um mecanismo pronto, com prato, estrutura e controles, surgiu uma pergunta:

por que não aproveitar tudo isso no meu projeto?

O preço tornou a experiência ainda mais interessante

É importante destacar que eu não comprei um DJ Hero usado ou defeituoso por R$ 1,99.

O equipamento era:

novo.

Isso torna a experiência até um pouco curiosa.

Normalmente pensamos duas vezes antes de desmontar um equipamento novo.

Mas, nesse caso, o preço extremamente baixo transformou o produto em uma oportunidade para experimentar.

Eu poderia descobrir:

como o prato foi construído

como o movimento era detectado

como os botões foram incorporados ao conjunto

como funcionava o crossfader

como as diferentes partes estavam interligadas

e quais delas poderiam ser aproveitadas no meu próprio projeto.

Antes de modificar, vale entender a engenharia original

Essa é uma prática que considero muito interessante ao desmontar qualquer equipamento.

Em vez de simplesmente abrir e começar a retirar componentes, podemos perguntar:

“Como os engenheiros resolveram este problema?”

No DJ Hero existiam vários desafios.

O sistema precisava interpretar:

movimento do prato

direção do movimento

acionamento dos botões

posição do crossfader

comandos adicionais do usuário

Tudo isso precisava ser transformado em informação para o videogame.

A documentação do periférico mostra inclusive que a seção do mixer podia ser instalada em lados diferentes do conjunto, permitindo adaptar a disposição do controlador.

Portanto, não estamos diante apenas de uma carcaça de plástico com alguns botões.

Existe bastante engenharia mecânica e eletrônica ali dentro.

O prato giratório é a parte mais interessante para o meu projeto

O componente que mais me interessa é justamente o:

prato.

No DJ Hero, ele pode girar e responder aos movimentos realizados pelo jogador.

No meu projeto, quero aproveitar essa interface física para outra finalidade:

scratch caseiro.

A ideia conceitual é transformar:

movimento da mão

movimento do prato

informação elétrica/digital

processamento

alteração do áudio

Essa sequência parece simples, mas envolve várias questões interessantes.

Primeiro precisamos detectar o movimento

Se queremos utilizar o prato como controlador, precisamos saber o que ele está fazendo.

Por exemplo:

está parado?

está girando para a direita?

está girando para a esquerda?

está se movimentando lentamente?

está se movimentando rapidamente?

Esse tipo de informação pode ser obtido utilizando diferentes técnicas de sensoriamento.

Uma possibilidade bastante conhecida em sistemas rotativos é o uso de encoders.

O que é um encoder rotativo?

Um encoder transforma movimento mecânico em informação elétrica.

Dependendo do sistema, podemos obter pulsos conforme o eixo gira.

Em um encoder incremental de dois canais, os sinais podem estar defasados, permitindo determinar também o sentido da rotação.

De maneira simplificada:

Canal A   ──┐    ┌────┐    ┌────
            └────┘    └────┘

Canal B     ┌────┐    ┌────┐
         ───┘    └────┘    └───

Observando a sequência das transições, um circuito ou microcontrolador pode determinar o sentido do movimento.

E contando a velocidade com que os pulsos aparecem, também podemos estimar a velocidade de rotação.

Isso não significa que devemos assumir, sem analisar o hardware, que o DJ Hero utiliza exatamente esse circuito específico em todas as versões. O interessante durante a desmontagem é justamente descobrir qual solução foi utilizada naquele equipamento.

O próprio jogo precisava conhecer o movimento do prato

Essa capacidade era necessária para a mecânica do DJ Hero.

Em determinados momentos, o jogador precisava movimentar o prato para executar o scratch, e nas dificuldades mais elevadas o jogo chegava a indicar a direção necessária para o movimento.

Portanto, a movimentação do prato precisava ser interpretada pelo sistema.

E essa característica torna o mecanismo muito interessante para reaproveitamento.

Detectar o prato não significa produzir o scratch

Essa diferença é fundamental para compreender o projeto.

O sensor apenas informa:

“o usuário movimentou o prato desta maneira.”

Ainda precisamos utilizar essa informação para controlar alguma coisa.

Assim:

PRATO

SENSOR

CIRCUITO/PROCESSAMENTO

CONTROLE DO ÁUDIO

SCRATCH

Em outras palavras:

movimento não é áudio.

Precisamos transformar o movimento em um comando capaz de alterar a reprodução sonora.

O scratch original do DJ Hero também merece uma explicação

Embora a aparência do equipamento lembre um sistema de DJ, o funcionamento original do jogo não oferecia necessariamente o mesmo tipo de manipulação livre de áudio de um toca-discos tradicional.

Análises da época apontavam que parte do resultado sonoro associado ao scratch fazia parte dos mixes preparados para o jogo.

Meu objetivo é diferente.

Quero aproveitar:

a interface física

e:

a mecânica do equipamento

para experimentar com meu próprio sistema.

Isso é uma forma de reaproveitamento tecnológico.

O equipamento novo vira uma plataforma experimental

Existe uma diferença interessante entre:

consertar

e:

modificar.

Se o DJ Hero estivesse quebrado e eu quisesse recuperá-lo, meu objetivo seria:

descobrir o defeito → reparar → restaurar a função original.

Aqui estou fazendo outra coisa:

equipamento novo → desmontagem → estudo → transformação.

Não estou tentando simplesmente devolver ao equipamento aquilo que ele fazia originalmente.

Quero descobrir:

o que mais ele pode fazer.

A desmontagem também ensina engenharia mecânica

Quando falamos em eletrônica, é comum concentrar toda a atenção na placa.

Mas muitos projetos possuem desafios mecânicos tão interessantes quanto os eletrônicos.

No DJ Hero temos:

prato giratório

eixo

estrutura

botões incorporados ao prato

crossfader

controles

gabinete

sistema de fixação

Imagine construir tudo isso do zero.

Provavelmente seria muito mais trabalhoso do que desenvolver apenas a eletrônica.

Por isso, reaproveitar um mecanismo pronto pode economizar bastante trabalho.

Os botões instalados no próprio prato são interessantes

O prato do DJ Hero possui três botões coloridos utilizados durante o jogo.

Isso gera uma questão interessante:

como integrar controles a uma parte que também precisa girar?

É justamente durante a desmontagem que conseguimos observar soluções desse tipo.

Essa é uma das grandes vantagens de desmontar produtos comerciais.

Não encontramos apenas:

componentes.

Encontramos:

decisões de engenharia.

O crossfader também merece atenção

Outro elemento característico do controlador é o:

crossfader.

Em equipamentos para DJs, o crossfader é associado à transição entre sinais.

No DJ Hero ele é utilizado como um dos controles do jogo e trabalha juntamente com o prato e os demais comandos.

Ao desmontar o equipamento podemos investigar:

qual mecanismo foi utilizado

como ele é conectado

como sua posição é detectada

e se vale a pena aproveitá-lo no novo projeto.

Talvez eu utilize o componente original.

Talvez apenas sua estrutura.

Talvez substitua a eletrônica e preserve o mecanismo.

É justamente isso que a experimentação vai determinar.

Não devemos começar cortando todos os fios

Ao abrir um equipamento desconhecido, existe uma tentação:

retirar tudo.

Mas isso pode dificultar muito a compreensão posterior.

Uma estratégia melhor é:

abrir → observar → fotografar → identificar → medir → desmontar → modificar

Fotografar o interior antes de desconectar tudo pode ser extremamente útil.

Depois de vinte fios desconectados, aquilo que parecia óbvio deixa rapidamente de ser óbvio.

O multímetro pode ajudar na investigação

Com o equipamento sem alimentação, podemos começar procurando:

continuidade

GND

terminais de potenciômetros

contatos dos botões

conexões entre placas

alimentação

Se identificarmos componentes específicos, podemos então procurar suas características e estudar o circuito.

Essa abordagem transforma uma simples desmontagem em um exercício de engenharia reversa.

E não precisamos necessariamente utilizar a eletrônica original

Esse é outro ponto interessante.

Imagine que o mecanismo do prato seja excelente, mas a comunicação original com o console não seja conveniente para meu projeto.

Não existe obrigação de manter tudo.

Podemos preservar:

prato + eixo + estrutura

e substituir:

sensores + processamento + interface

por outra eletrônica.

Por exemplo, dependendo do que encontrarmos, poderíamos utilizar um:

microcontrolador

para interpretar o movimento.

O equipamento original passa então a funcionar como uma espécie de plataforma mecânica para um novo projeto.

Poderíamos até criar um controlador para computador

Uma vez que conseguimos transformar:

movimento do prato

em:

informação digital

abre-se uma série de possibilidades.

O sistema poderia, em princípio, controlar:

software de áudio

efeitos

samples

parâmetros MIDI

reprodução

scratch digital

ou outros experimentos.

Existem inclusive projetos independentes que reaproveitaram o controlador do DJ Hero para aplicações completamente diferentes da função original.

É um excelente exemplo de como um hardware pode ganhar uma segunda finalidade.

E isso aproxima eletrônica de áudio e programação

O projeto começa como:

“vou desmontar um DJ Hero.”

Mas rapidamente podemos chegar a:

sensores

eletrônica

microcontrolador

software

processamento de áudio

interface homem-máquina

Ou seja, um simples prato de videogame pode se transformar em uma excelente plataforma educacional.

Veja o DJ Hero novo que comprei por R$ 1,99

No vídeo abaixo mostro o DJ Hero novo que comprei por apenas R$ 1,99, inicio a desmontagem e apresento minha ideia de aproveitar sua estrutura para instalar o meu scratch caseiro.

O mais curioso nessa história é justamente:

não comprei uma sucata.

Não comprei um equipamento defeituoso.

Comprei um DJ Hero novo.

Mas o preço foi tão baixo que surgiu a oportunidade de utilizá-lo como matéria-prima para um projeto completamente diferente.

Comprar pronto também pode fazer parte de um projeto DIY

Quando falamos em DIY — Do It Yourself, às vezes existe a impressão de que precisamos fabricar absolutamente tudo.

Não precisamos.

Um bom projeto também consiste em saber aproveitar aquilo que já existe.

Se eu já tenho:

um prato muito bem construído

um gabinete

controles

botões

mecanismos

por que fabricar tudo novamente?

Posso concentrar meus esforços justamente naquilo que quero desenvolver:

meu sistema de scratch.

Essa maneira de pensar aparece constantemente na eletrônica.

Utilizamos:

módulos

sensores prontos

fontes

gabinetes

mecanismos

e combinamos esses elementos para criar algo novo.

Um produto pode ter uma segunda vida antes mesmo de envelhecer

Normalmente falamos em reaproveitamento quando um equipamento chega ao fim da vida útil.

Neste caso aconteceu algo diferente.

O DJ Hero estava:

novo.

Mas eu enxerguei nele uma função diferente daquela imaginada pelo fabricante.

Ele deixou de ser apenas:

um controle de videogame

e passou a ser:

uma plataforma para um experimento de eletrônica e áudio.

Por apenas R$ 1,99, consegui:

prato giratório

estrutura mecânica

botões

crossfader

controles

sensores

gabinete

e uma ótima oportunidade para estudar como tudo isso foi construído.

Agora vem a parte mais interessante:

descobrir como transformar esse hardware em meu scratch caseiro.

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