Quem gosta de aviação, aeromodelismo e história aeronáutica encontra no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, um lugar muito especial.
Foi justamente ali, nas instalações do Museu Aeroespacial — MUSAL, que acompanhei uma apresentação da Esquadrilha Céu no dia 24 de maio de 2015. O evento fazia parte das atividades da Semana Nacional dos Museus e encerrou a programação daquele período no museu.
E, naturalmente, levei a câmera.
Os dois vídeos que registrei naquele dia mostram parte das manobras realizadas sobre o histórico Campo dos Afonsos.
O Museu Aeroespacial — MUSAL
O MUSAL está localizado no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, um local intimamente relacionado à história da aviação brasileira.
Para quem gosta de aviões, uma visita ao museu já é uma experiência interessante por si só.
Mas naquele domingo havia algo a mais:
aviões realizando uma apresentação no céu do Campo dos Afonsos.
Semana Nacional dos Museus
A apresentação aconteceu durante a programação da Semana Nacional dos Museus.
Naquele ano, as atividades no MUSAL ocorreram entre os dias 18 e 24 de maio de 2015, com diferentes eventos ao longo da semana. A apresentação da Esquadrilha Céu aconteceu justamente no domingo, dia 24, encerrando a programação.
No post original também deixei a imagem utilizada na divulgação daquele evento.
A apresentação da Esquadrilha Céu
Uma apresentação aérea é muito diferente de simplesmente observar uma aeronave passando.
As manobras permitem acompanhar mudanças constantes de:
altitude;
direção;
velocidade aparente;
posição relativa entre as aeronaves.
Para quem gosta de aviação, é difícil não acompanhar cada passagem olhando para o céu.
E foi justamente parte dessa apresentação que consegui registrar.
Formação exige precisão
Uma das coisas mais interessantes ao assistir a uma esquadrilha é observar como aeronaves conseguem manter posições relativas durante o voo.
Para quem está no solo, às vezes parece simples.
Mas qualquer pequena alteração de:
velocidade;
direção;
altitude
muda rapidamente a posição de uma aeronave em relação às demais.
Por isso, voos coordenados exigem treinamento e disciplina dos pilotos.
O público vê o resultado; existe muito trabalho por trás
Quando assistimos a uma apresentação, vemos alguns minutos de manobras.
Por trás disso existe preparação.
Pilotos precisam conhecer:
a sequência da apresentação;
as referências utilizadas;
os procedimentos;
os limites operacionais;
as responsabilidades de cada participante.
O espetáculo no céu é a parte visível de um trabalho muito maior.
Para quem gosta de aeromodelismo, é impossível não observar de outra maneira
Existe ainda uma relação interessante com o aeromodelismo, categoria na qual publiquei originalmente esse post.
Quando começamos a pilotar aeromodelos, mesmo que recreativamente, passamos a observar aviões reais com outros olhos.
Começamos a prestar atenção em coisas como:
curvas;
inclinação;
aproximação;
trajetória;
velocidade;
controle da aeronave.
Naturalmente, pilotar um aeromodelo e pilotar uma aeronave real são atividades completamente diferentes.
Mas alguns princípios físicos que permitem o voo estão presentes nos dois casos.
Por que um avião consegue fazer uma curva?
Uma curva coordenada não acontece simplesmente porque o avião “vira o volante”.
A aeronave inclina.
A sustentação produzida pelas asas deixa de atuar apenas na direção vertical e passa a possuir também uma componente responsável pela mudança da trajetória.
Por isso, quando observamos uma aeronave inclinada durante uma curva, estamos vendo aerodinâmica acontecendo diante dos nossos olhos.

E o que mantém um avião no ar?
De maneira introdutória, costumamos falar em quatro forças principais atuando sobre uma aeronave:
sustentação;
peso;
tração;
arrasto.
A interação entre essas forças determina o comportamento da aeronave.
A asa participa da produção de sustentação.
O sistema de propulsão fornece tração.
O arrasto se opõe ao movimento através do ar.
E a gravidade está sempre presente.
Durante uma apresentação aérea, essas relações ficam especialmente interessantes porque a aeronave não permanece simplesmente em voo reto e nivelado.
Os comandos modificam a atitude da aeronave
Em uma aeronave convencional encontramos superfícies de controle como:
ailerons;
profundor;
leme.
Os ailerons estão relacionados principalmente ao controle de rolagem.
O profundor atua no controle de arfagem.
O leme participa do controle de guinada.
Combinando adequadamente esses controles, o piloto consegue modificar a atitude e a trajetória da aeronave.
No aeromodelo acontece algo semelhante
É justamente por isso que quem começa no aeromodelismo encontra os mesmos nomes.
Temos:
ailerons;
profundor;
leme;
motor.
A diferença é que os comandos chegam através do sistema de rádio.
Podemos representar de maneira simplificada:
piloto
↓
rádio transmissor
↓
sinal de rádio
↓
receptor
↓
servos
↓
superfícies de controle.
Quando movimentamos o stick, um servo movimenta fisicamente determinada superfície do aeromodelo.
O servo transforma o comando em movimento
Esse pequeno componente é fundamental no modelismo RC.
O receptor fornece o comando e o servo posiciona mecanicamente:
aileron;
profundor;
leme
ou outro mecanismo.
Por isso, quando assistimos a uma aeronave real executando uma manobra e depois observamos nosso aeromodelo, conseguimos estabelecer várias relações interessantes entre:
comando → superfície → atitude → trajetória.
É uma maneira divertida de aprender os fundamentos do voo.
O Campo dos Afonsos também tinha uma ligação direta com o aeromodelismo
Existe ainda um detalhe interessante que registrei no artigo original.
Dentro das dependências do Campo dos Afonsos também estava sediada a ACA-RJ — Associação Carioca de Aeromodelismo do Rio de Janeiro.
Isso tornava o local particularmente especial para mim.
No mesmo ambiente estavam presentes duas coisas pelas quais sempre tive grande interesse:
aviação
e
aeromodelismo.
Aviação real e modelismo se encontram
O aeromodelismo não precisa ser visto apenas como a reprodução visual de aviões em escala menor.
Um aeromodelo reúne vários sistemas interessantes:
aerodinâmica;
estrutura;
propulsão;
eletrônica;
rádio controle.
Quando construímos ou modificamos um modelo, começamos a compreender melhor a função de cada parte.
Por isso, visitar um museu aeronáutico ou assistir a uma apresentação aérea ganha outra dimensão para quem pratica o hobby.
Observe as aeronaves durante uma apresentação
Da próxima vez que assistir a uma apresentação aérea, experimente não olhar apenas para a manobra como um todo.
Observe alguns detalhes.
Durante uma curva:
qual é a inclinação da aeronave?
Quando ela sobe:
como muda sua trajetória?
Durante uma passagem:
como as aeronaves mantêm a formação?
Quando existe mudança de direção:
como cada avião ajusta sua posição em relação aos demais?
Você começa a assistir à apresentação de uma maneira diferente.
E tente fazer a mesma observação com um aeromodelo
Quando estiver no campo, observe o que acontece quando você:
aplica aileron;
atua no profundor;
utiliza o leme;
altera a potência do motor.
Em vez de apenas memorizar:
“esse stick faz isso”,
tente relacionar o comando àquilo que fisicamente acontece com o avião.
Esse tipo de observação ajuda bastante a compreender a pilotagem.
Uma lembrança registrada em vídeo
O artigo original é curto porque sua principal finalidade era justamente registrar aquele domingo no MUSAL.
Na página deixei dois vídeos com partes das performances realizadas no céu do Campo dos Afonsos.
Mais de uma década depois, esse tipo de registro ganha até outro valor.
Além de mostrar as aeronaves, preserva um pequeno pedaço de uma atividade realizada naquele 24 de maio de 2015, durante a Semana Nacional dos Museus.
Para quem gosta de aviões, vale conhecer o MUSAL
Museus aeronáuticos permitem observar de perto aquilo que normalmente enxergamos a dezenas ou centenas de metros de distância.
E isso também pode despertar a curiosidade sobre:
como uma aeronave voa;
como suas superfícies de controle funcionam;
como ocorre a propulsão;
como o piloto controla o avião.
Para quem pratica aeromodelismo, essas perguntas têm uma ligação direta com aquilo que encontramos em nossos próprios modelos.
Da apresentação aérea para o aeromodelismo
Foi justamente essa mistura de curiosidade por aviação, eletrônica e modelismo que acabou aparecendo em muitos dos projetos que registrei no site.
Quando entendemos o funcionamento de:
rádio → receptor → ESC → motor
e
rádio → receptor → servo → superfície de controle,
o aeromodelo deixa de ser apenas um avião em miniatura.
Passamos a compreender o sistema que existe por trás do voo.
E assistir a uma apresentação como a da Esquadrilha Céu no Campo dos Afonsos é também um bom lembrete de onde vem boa parte do fascínio que nos leva ao aeromodelismo:
a vontade de entender — e experimentar em escala menor — como uma máquina consegue sair do chão e voar.