Avião C-91 Avro: uma aeronave de transporte que marcou a história da FAB

O C-91 Avro foi uma das aeronaves utilizadas durante décadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) em missões de transporte. A designação brasileira C-91 correspondia ao britânico Avro 748, posteriormente conhecido também como Hawker Siddeley HS 748.

Neste artigo, as fotografias mostram justamente um desses aviões preservados no Museu Aeroespacial (MUSAL), no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro. O próprio MUSAL inclui atualmente o C-91 Avro entre as aeronaves históricas de transporte existentes em seu acervo.

É uma oportunidade interessante para conhecer uma aeronave que desempenhou diferentes funções na FAB e, ao mesmo tempo, observar algumas características de projeto de um avião turboélice destinado ao transporte.

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O Avro 748

O Avro 748 foi desenvolvido no Reino Unido como uma aeronave de transporte regional.

Seu primeiro voo ocorreu em 24 de junho de 1960, e a família permaneceu em produção entre 1961 e 1988.

Uma de suas características mais facilmente identificáveis é a configuração com dois motores turboélice e asa baixa.

Dependendo da versão, a aeronave podia transportar dezenas de passageiros. Na família HS 748, encontramos versões com capacidade máxima próxima de 58 passageiros.

Mas o avião também se mostrou adequado para outras utilizações, inclusive militares.

Foi nesse contexto que ele chegou ao Brasil.

O C-91 na Força Aérea Brasileira

Na FAB, o Avro 748 recebeu a designação C-91.

Os primeiros exemplares foram encomendados no início da década de 1960. O primeiro C-91, de matrícula FAB 2500, chegou ao Brasil em 17 de novembro de 1962. A primeira encomenda compreendeu seis aeronaves.

Posteriormente, a FAB adquiriu mais seis exemplares da versão Série 2A, recebidos em 1975. Essa segunda série possuía, entre outras diferenças, uma porta de carga na região traseira esquerda da fuselagem.

Assim, o C-91 permaneceu associado à aviação de transporte brasileira durante aproximadamente quatro décadas.

Fonte da informação: Musal – Museu Aeroespacial

Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001
Avião C-91 AVRO - 1962 - 2001
Avião C-91 AVRO – 1962 – 2001

Para que a FAB utilizava o C-91?

O C-91 foi utilizado principalmente em missões de transporte.

Os primeiros exemplares serviram inicialmente no Grupo de Transporte Especial e posteriormente foram transferidos para unidades de transporte da FAB.

Uma referência interessante aparece na própria história do Esquadrão Condor (1º/2º GT). A FAB registra que aeronaves C-54 Skymaster e C-91 Avro levaram o nome da Força Aérea Brasileira aos quatro continentes.

Isso ajuda a dimensionar a importância desse tipo de avião.

Não estamos falando de uma aeronave construída para combate aéreo ou grandes velocidades. Sua finalidade principal estava ligada a algo essencial para qualquer força aérea: transportar pessoas, materiais e recursos entre diferentes localidades.

Dois motores turboélice

Uma das características mais visíveis do C-91 são seus dois motores instalados nas asas.

O Avro 748 utilizava motores Rolls-Royce Dart, uma conhecida família de motores turboélice. Em versões posteriores do HS 748, cada motor podia desenvolver potência superior a 2.000 hp.

Mas o que significa turboélice?

Existe uma turbina a gás no sistema, porém uma parcela importante da potência produzida é utilizada para movimentar a hélice.

É uma solução diferente daquela encontrada em um avião equipado exclusivamente com motores a pistão e também diferente da configuração de um jato convencional.

Para aeronaves de transporte regional, o turboélice oferece características interessantes de operação e eficiência.

O tamanho do C-91 impressiona quando visto de perto

Fotografias nem sempre permitem perceber corretamente as dimensões de uma aeronave.

O HS 748 possui aproximadamente 20,4 metros de comprimento e pouco mais de 31 metros de envergadura, considerando dados de uma das versões da família.

Isso significa que a distância entre as pontas das asas é maior que o comprimento da própria fuselagem.

Quando observamos uma aeronave desse tamanho em um museu, conseguimos perceber detalhes e proporções que normalmente desaparecem quando a vemos voando.

Por que uma aeronave de transporte possui esse formato?

Uma das coisas interessantes para observar no C-91 é como a forma de uma aeronave está relacionada à sua finalidade.

Temos uma fuselagem relativamente volumosa, destinada a acomodar passageiros ou carga.

Temos dois motores turboélice.

Temos uma grande área de asas necessária para produzir a sustentação.

E temos superfícies de controle que permitem comandar a aeronave nos diferentes eixos.

Para quem pratica aeromodelismo, observar um avião real dessa maneira é particularmente interessante.

Começamos a reconhecer no avião verdadeiro vários elementos que encontramos também nos nossos modelos.

Ailerons, profundor e leme

Independentemente da enorme diferença de escala, os princípios básicos de controle continuam aparecendo.

Os ailerons, instalados nas asas, participam do controle de rolagem.

O profundor, localizado no conjunto horizontal da cauda, participa do controle de arfagem.

E o leme, instalado na empenagem vertical, atua no controle de guinada.

Em um avião real, esses sistemas envolvem mecanismos muito mais complexos.

Em um aeromodelo, podemos reproduzir as funções básicas utilizando servos comandados pelo receptor do sistema de rádio.

É uma das coisas fascinantes do aeromodelismo: observar uma aeronave com mais de 20 metros e reconhecer princípios que também aparecem em um modelo que podemos colocar sobre uma bancada.

Como seria construir um C-91 rádio controlado?

Uma reprodução do Avro 748 em aeromodelismo seria um projeto bastante interessante.

O primeiro elemento que chama atenção é a configuração bimotor.

Em um aeromodelo elétrico, poderíamos ter:

bateria → distribuição de potência → dois ESCs → dois motores

Além disso, precisaríamos dos servos para comandar as superfícies de controle e de um receptor conectado ao sistema de rádio.

Isso já torna o projeto mais complexo do que um aeromodelo convencional com apenas um motor.

Dois motores precisam trabalhar em conjunto

Em um modelo bimotor, precisamos prestar atenção aos dois conjuntos de propulsão.

Os motores precisam ser adequadamente dimensionados e os controladores eletrônicos precisam suportar a corrente exigida.

A bateria, por sua vez, precisa fornecer energia para o conjunto.

Isso significa que não podemos escolher cada componente isoladamente.

Motor, hélice, ESC e bateria formam um sistema de propulsão.

Alterar um desses elementos pode modificar o comportamento elétrico e mecânico dos demais.

É justamente em modelos com vários motores que compreender tensão, corrente e potência se torna ainda mais importante.

E se um motor parar?

A configuração bimotor também introduz uma situação interessante.

Se os dois motores estiverem funcionando de maneira semelhante, as forças produzidas pelos conjuntos de propulsão tendem a ser relativamente equilibradas.

Se um deles parar, aparece uma assimetria de empuxo.

No avião real, essa é uma condição prevista nos procedimentos e no projeto da aeronave.

Em um aeromodelo bimotor, também precisamos estar conscientes desse comportamento.

Isso mostra novamente como a distribuição dos motores na aeronave interfere diretamente em sua dinâmica.

O centro de gravidade continua fundamental

Além do sistema de propulsão, um aeromodelo precisa estar corretamente balanceado.

Bateria, motores, ESCs, receptor e servos possuem massa.

A posição desses componentes interfere no centro de gravidade do modelo.

A bateria é particularmente interessante porque normalmente representa uma massa significativa e sua posição pode ser ajustada durante o balanceamento.

Não adianta construir uma reprodução visualmente perfeita do C-91 se o modelo estiver incorretamente balanceado.

No aeromodelismo, aparência e funcionamento precisam caminhar juntos.

Observar aeronaves reais é uma ótima referência para modelistas

Visitar um museu aeronáutico pode fornecer muitas ideias para quem constrói modelos em escala.

Podemos fotografar detalhes como trem de pouso, hélices, motores, janelas, antenas, superfícies de controle e pintura.

Também conseguimos observar proporções que nem sempre ficam claras em desenhos simplificados.

Para alguém interessado em construir um modelo semelhante, essas fotografias podem se tornar excelentes referências.

E o C-91 possui ainda a vantagem de ser uma aeronave com uma história diretamente relacionada à aviação brasileira.

O exemplar preservado no Museu Aeroespacial

O Museu Aeroespacial, no Campo dos Afonsos, mantém um C-91 em seu acervo. Há registro do exemplar FAB 2504, um Avro C-91 correspondente ao HS 748 Series 205, preservado no MUSAL.

O próprio Museu continua apresentando o C-91 entre suas aeronaves históricas e já o utilizou em exposições e eventos destinados ao público.

Assim, uma aeronave que durante décadas desempenhou missões de transporte hoje ajuda a preservar e contar uma parte da história da Força Aérea Brasileira.

Do C-91 real para a bancada de aeromodelismo

Olhar para uma aeronave como o C-91 é também uma oportunidade para perceber quantos conceitos do aeromodelismo têm origem na aviação real.

Temos propulsão.

Superfícies de controle.

Centro de gravidade.

Distribuição de peso.

Estrutura.

Aerodinâmica.

No aeromodelo acrescentamos ainda toda a parte de rádio controle: receptor, servos, ESCs, motores e bateria.

Quando começamos a compreender como essas partes trabalham juntas, deixamos de enxergar o modelo simplesmente como “um avião com controle remoto”.

Passamos a enxergá-lo como um sistema.

Quer entender como esses sistemas funcionam em um aeromodelo?

Observar uma aeronave histórica é fascinante. Para quem gosta de aeromodelismo, entretanto, quase inevitavelmente surge outra vontade:

construir e fazer voar alguma coisa.

É aí que começam as dúvidas sobre motores, ESCs, baterias, servos, receptores, conectores e ligações.

No Método 7H RC, a proposta é justamente compreender a elétrica e a eletrônica utilizadas no rádio controle de maneira prática, para que você tenha mais autonomia na hora de montar e modificar seus próprios modelos.

Se você quer deixar de apenas conectar componentes seguindo esquemas prontos e começar a entender realmente como funciona a eletrônica dos seus modelos, conheça o Método 7H RC.

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