Caixa de Som Amplificada para PC, TV e MP3: Como Construir a Sua

Uma caixa de som amplificada pode ser muito mais versátil do que parece. Com um circuito amplificador, alto-falante, fonte de alimentação e as conexões adequadas, podemos construir um sistema capaz de receber áudio de diferentes equipamentos, como computador, televisão, MP3 player e outras fontes de som.

Neste projeto mostro uma caixa amplificada que construí justamente com essa proposta: reunir diferentes recursos em um equipamento de áudio feito para a minha bancada e para experiências com eletrônica.

O resultado também ajuda a entender uma diferença fundamental: uma coisa é o sinal de áudio; outra é a potência necessária para movimentar um alto-falante.

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O que é uma caixa de som amplificada?

Uma caixa amplificada — ou caixa ativa — possui o amplificador de potência incorporado ao próprio sistema. Diferentemente de uma caixa passiva, ela não depende necessariamente de um amplificador externo para acionar o alto-falante.

A estrutura básica é:

PC / TV / MP3
      ↓
ENTRADA DE ÁUDIO
      ↓
AMPLIFICADOR
      ↓
ALTO-FALANTE
      ↓
SOM

O computador ou outro equipamento fornece o sinal que contém a informação de áudio.

A energia necessária para produzir potência no alto-falante vem da fonte de alimentação da caixa amplificada.

Por que não ligar simplesmente o alto-falante ao PC?

Uma saída de áudio destinada a alimentar uma entrada de linha não foi projetada para fornecer diretamente a potência exigida por um alto-falante passivo.

Os sinais de áudio existem em diferentes níveis. Uma saída de linha, por exemplo, foi projetada para enviar sinal para uma entrada de alta impedância, e não para funcionar como estágio de potência de um alto-falante.

É por isso que precisamos do amplificador:

SINAL DE PEQUENA POTÊNCIA
         ↓
     AMPLIFICADOR
         ↓
SINAL COM POTÊNCIA
         ↓
    ALTO-FALANTE

Esse princípio aparece em praticamente todos os sistemas de áudio.

Podemos utilizar diferentes fontes de áudio

Uma das ideias do projeto é justamente não limitar a caixa a um único equipamento.

Dependendo das entradas disponíveis, podemos utilizar uma saída analógica compatível de:

computador, televisão, MP3 player, celular, receptor de áudio ou outro equipamento.

O importante é identificar que tipo de saída o aparelho oferece.

Em equipamentos com saída analógica de linha ou de fones, podemos adaptar a conexão para a entrada apropriada do amplificador.

Mas televisores modernos podem oferecer apenas saídas digitais, como óptica ou HDMI. Nesse caso, não basta colocar um adaptador mecânico: será necessário um equipamento capaz de converter o áudio digital para o formato aceito pela caixa.

Entrada e saída precisam ser compatíveis

Esse ponto merece atenção porque dois conectores fisicamente parecidos não significam necessariamente sinais eletricamente equivalentes.

Podemos encontrar:

LINE OUT → sinal de linha

HEADPHONE OUT → saída para fones

SPEAKER OUT → saída já amplificada

OPTICAL OUT → áudio digital óptico

Uma entrada projetada para nível de linha não deve receber indiscriminadamente uma saída de alto-falante já amplificada. Se o nível for excessivo, a entrada pode saturar e produzir forte distorção; em algumas aplicações utiliza-se um conversor de nível para adequar esse sinal.

Portanto, antes de conectar qualquer aparelho, vale entender exatamente qual saída estamos utilizando.

E se o equipamento fornecer áudio estéreo?

Computadores, televisores e MP3 players normalmente trabalham com dois canais:

L — Left — esquerdo

R — Right — direito

Se nossa caixa possuir dois canais independentes, podemos manter o estéreo:

L → amplificador L → alto-falante L

R → amplificador R → alto-falante R

Mas se construirmos uma caixa mono, existe um cuidado importante.

Não devemos simplesmente unir diretamente as saídas L e R.

Uma forma simples de fazer a soma para mono é utilizar resistores:

L ── resistor ──┐
                ├──→ entrada mono
R ── resistor ──┘

Assim evitamos colocar diretamente uma saída de áudio contra a outra.

O controle de volume

Outra parte importante de uma caixa amplificada é o controle de nível.

Um potenciômetro pode ser utilizado na entrada para ajustar a amplitude do sinal que chegará ao estágio amplificador.

De forma simplificada:

ENTRADA
   ↓
VOLUME
   ↓
AMPLIFICADOR
   ↓
ALTO-FALANTE

É diferente de tentar controlar o volume colocando um pequeno potenciômetro comum diretamente em série com o alto-falante, onde as potências envolvidas são muito maiores.

O amplificador é o coração eletrônico do sistema

O circuito de potência precisa ser escolhido de acordo com a alimentação e com o alto-falante utilizado.

Em projetos que já mostrei, vimos exemplos utilizando circuitos integrados como LM386, TDA2003, TDA7052 e TDA7294, cada um destinado a condições e potências diferentes.

Não existe um CI universalmente melhor.

A escolha depende de fatores como:

tensão disponível, impedância do alto-falante, potência desejada, quantidade de canais e tamanho do equipamento.

O TDA2003, por exemplo, é um amplificador de áudio clássico destinado originalmente a aplicações automotivas, trabalhando normalmente com alimentação de baixa tensão e poucos componentes externos.

A impedância do alto-falante importa

Não podemos conectar qualquer alto-falante a qualquer amplificador sem verificar suas especificações.

É comum encontrarmos valores nominais como:

4 Ω, 8 Ω ou 16 Ω.

Quanto menor a impedância da carga, maior pode ser a corrente exigida do amplificador. Por isso é necessário respeitar a faixa de impedância para a qual o estágio de potência foi projetado.

Isso afeta diretamente:

potência, corrente, aquecimento e confiabilidade.

Potência não é apenas volume

Também precisamos tomar cuidado com os números de potência encontrados em módulos e amplificadores.

Um circuito anunciado como “10 W”, por exemplo, não necessariamente fornecerá 10 W em qualquer situação.

A potência depende da:

tensão de alimentação + impedância da carga + topologia do amplificador + nível de distorção considerado.

Esse é um conceito importante para quem começa a construir equipamentos de áudio.

A fonte de alimentação também influencia o som

Podemos montar um excelente circuito amplificador e ainda assim obter um resultado ruim se a alimentação for inadequada.

Problemas na fonte podem aparecer como:

ronco, ruído, distorção ou queda de potência.

Além disso, a fonte precisa fornecer corrente suficiente para o amplificador.

Se o amplificador exigir picos de corrente que a fonte não consegue entregar, sua tensão pode cair justamente nos momentos de maior potência sonora.

Ruído e aterramento

Em áudio, organizar os fios não é apenas uma questão estética.

Temos dentro do equipamento sinais muito pequenos próximos de circuitos que trabalham com correntes muito maiores.

Imagine:

ENTRADA DE ÁUDIO ───→ estágio de entrada
                         ↓
                     amplificador
                         ↓
                    alto-falante

FONTE ───────────────────↑

Se fizermos trajetos inadequados de terra ou colocarmos a entrada próxima de fontes de interferência, podemos introduzir ruído.

Por isso é interessante manter a fiação de entrada curta e afastada, quando possível, dos caminhos de potência.

Uma caixa amplificada também pode ser um projeto modular

Uma coisa que chama atenção neste projeto é justamente a possibilidade de reunir diferentes funções.

Na imagem do projeto podemos observar um painel com diversos controles, conexões e indicadores.

Isso permite pensar no equipamento não apenas como:

“uma caixa que toca música”.

Mas como uma plataforma:

ENTRADAS
   ↓
SELEÇÃO / CONTROLE
   ↓
PROCESSAMENTO
   ↓
AMPLIFICAÇÃO
   ↓
ALTO-FALANTE

Podemos começar com uma entrada simples e posteriormente acrescentar outros recursos.

Podemos adicionar um receptor Bluetooth?

Sim.

Um módulo receptor Bluetooth pode receber o áudio digitalmente pelo rádio e disponibilizar o sinal de áudio para o estágio seguinte.

Assim teríamos:

CELULAR
   ↓
BLUETOOTH
   ↓
RECEPTOR
   ↓
AMPLIFICADOR
   ↓
ALTO-FALANTE

Da mesma forma, podemos utilizar módulos com USB, cartão de memória ou outras formas de reprodução.

Isso permite modernizar um projeto antigo sem necessariamente substituir todo o amplificador.

Podemos utilizar controle remoto

Na imagem do projeto aparece também um controle remoto, recurso bastante interessante quando utilizamos módulos de reprodução ou receptores compatíveis.

O controle remoto normalmente utiliza comunicação infravermelha.

Temos então:

CONTROLE
   ↓
LUZ INFRAVERMELHA
   ↓
RECEPTOR IR
   ↓
ELETRÔNICA
   ↓
COMANDO

É o mesmo princípio que já exploramos em outros projetos com controle remoto por infravermelho.

Reaproveitar componentes torna o projeto ainda mais interessante

Nem tudo precisa ser comprado especificamente para construir uma caixa amplificada.

Podemos reaproveitar:

alto-falantes, gabinetes, fontes, conectores, chaves, dissipadores e módulos retirados de equipamentos antigos.

Isso não significa simplesmente ligar peças aleatórias.

Precisamos verificar compatibilidade elétrica e mecânica.

Mas esse processo de adaptação é justamente uma excelente maneira de aprender.

Do circuito para um equipamento completo

Existe uma evolução interessante nos projetos que estamos vendo.

Primeiro podemos montar apenas um amplificador:

TDA2003
   ↓
AMPLIFICADOR FUNCIONANDO

Depois podemos pegar uma velha caixa de som:

AMPLIFICADOR
     +
CAIXA
     +
ALTO-FALANTE
     ↓
EQUIPAMENTO

E finalmente podemos criar algo mais completo:

ENTRADAS
   +
CONTROLES
   +
FONTE
   +
AMPLIFICADOR
   +
ALTO-FALANTE
   ↓
CAIXA AMPLIFICADA MULTIUSO

Essa evolução é muito interessante para quem está aprendendo eletrônica aplicada ao áudio.

Veja a caixa amplificada funcionando

No vídeo abaixo mostro minha caixa de som amplificada para utilização com PC, TV, MP3 e outras fontes de áudio.

Mais do que simplesmente fazer o som tocar, projetos como esse permitem integrar vários conhecimentos que normalmente estudamos separadamente.

Temos:

alimentação, amplificação, alto-falantes, sinais de áudio, conectores, controle, montagem e acabamento.

No final, todos esses elementos precisam funcionar juntos.

Por que gosto desse tipo de projeto

Esse tipo de construção representa bem o que considero uma das partes mais interessantes da eletrônica prática.

Começamos com uma necessidade:

“quero uma caixa que possa utilizar com diferentes equipamentos”.

Depois dividimos o problema em partes:

Como receber o áudio?
        ↓
Como controlar o sinal?
        ↓
Como amplificá-lo?
        ↓
Como alimentar o circuito?
        ↓
Como reproduzir o som?
        ↓
Como colocar tudo em uma caixa?

E vamos resolvendo uma questão de cada vez.

Quando finalmente conectamos o PC, TV ou player e o som sai pelo alto-falante, o resultado não é apenas uma caixa amplificada.

É a integração de vários conceitos de eletrônica em um equipamento que realmente podemos utilizar.

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