Como fazer o bind de receptores Corona e Turnigy em rádios 2.4 GHz

Quando compramos um novo receptor para um aeromodelo, automodelo ou nautimodelo, não basta simplesmente conectá-lo ao modelo, ligar o transmissor e esperar que tudo funcione.

Nos sistemas modernos de rádio controle em 2.4 GHz, normalmente existe uma etapa fundamental antes da primeira utilização:

o bind.

Como funciona um Rádio Controle?
Como funciona um Rádio Controle?
Entenda transmissor, receptor e servo na prática e aprenda eletrônica construindo seu próprio sistema.
CONHEÇA O CURSO →

O bind é o processo pelo qual fazemos o pareamento entre o receptor e o sistema transmissor. Depois desse procedimento, aquele receptor passa a reconhecer os sinais correspondentes ao transmissor compatível com o qual foi associado.

Neste artigo vou explicar melhor o que significa esse processo e, principalmente, mostrar o procedimento que utilizo com receptores Corona e Turnigy.

Afinal, o que significa fazer o bind?

A palavra bind pode ser entendida nesse contexto como:

vincular

ou

associar.

Temos duas partes principais no sistema:

TX — transmissor

e

RX — receptor.

O transmissor fica conosco, normalmente integrado ao rádio ou conectado a ele através de um módulo TX.

O receptor fica dentro do modelo.

Para que os dois trabalhem juntos, precisamos estabelecer essa associação.

De maneira simplificada:

Transmissor TX ↔ BIND ↔ Receptor RX

Depois disso, podemos utilizar aquele conjunto normalmente.

Por que isso é necessário?

Nos sistemas antigos de rádio controle, a situação era diferente.

Era comum trabalhar com outras faixas de frequência e utilizar cristais para determinar o canal de operação.

Transmissor e receptor precisavam estar corretamente configurados na mesma frequência.

Isso também criava uma preocupação importante quando várias pessoas utilizavam rádios no mesmo local: dois transmissores trabalhando de maneira incompatível na mesma frequência podiam causar interferência.

Quem praticou modelismo nessa época provavelmente se lembra muito bem do cuidado com os canais.

Com 2.4 GHz, a lógica mudou

Os sistemas modernos de 2.4 GHz trouxeram várias vantagens.

Uma delas foi justamente eliminar aquela necessidade de trabalhar com cristais da maneira utilizada nos equipamentos antigos.

Em vez disso, existe uma associação mais específica entre o sistema transmissor e o receptor.

É aí que entra o bind.

Isso permite que várias pessoas utilizem seus equipamentos no mesmo ambiente com muito mais praticidade do que nos antigos sistemas baseados em canais fixos e cristais.

O bind normalmente é feito quando instalamos um receptor novo

Imagine que você comprou outro receptor para instalar em um novo aeromodelo.

Você conecta:

servo;

ESC;

alimentação;

receptor.

Mas aquele receptor ainda precisa ser associado ao sistema transmissor correspondente.

É justamente por isso que o bind é uma das primeiras tarefas que realizamos quando colocamos um novo receptor em funcionamento.

Depois de realizado corretamente, normalmente não precisamos repetir o procedimento toda vez que ligamos o modelo.

Bind não é a mesma coisa que selecionar uma memória de modelo

Essa distinção é importante.

Muitos rádios permitem criar memórias diferentes:

Modelo 1;

Modelo 2;

Modelo 3;

e assim por diante.

Nessas memórias podemos armazenar configurações diferentes de comandos, trims, reversões, mixes e outros ajustes.

O bind, por outro lado, diz respeito à associação do receptor com o sistema de transmissão compatível.

São conceitos relacionados ao uso do rádio, mas não são exatamente a mesma coisa.

E existe um detalhe interessante no Turnigy 9X

Na própria página original apareceu posteriormente uma dúvida de um leitor que utilizava um Turnigy 9X.

Ele relatou que, ao selecionar outro modelo e realizar um novo bind, o modelo anterior deixava de funcionar.

Na minha experiência isso não acontecia.

Inclusive, eu utilizava Corona e Turnigy no mesmo rádio Turnigy, trocando frequentemente até mesmo o módulo transmissor, sem perder os binds dessa maneira.

Esse exemplo é interessante porque mostra novamente que:

memória de modelo

e

pareamento do receptor

não devem ser tratados automaticamente como a mesma coisa.

O receptor precisa ser compatível com o transmissor

O fato de dois equipamentos trabalharem em 2.4 GHz não significa que necessariamente conseguirão conversar entre si.

Essa é uma confusão relativamente comum.

Podemos ter:

Transmissor A — 2.4 GHz

Receptor B — 2.4 GHz

e ainda assim os dois não serem compatíveis.

A frequência é apenas uma das características do sistema.

Também existe o protocolo de comunicação utilizado.

É por isso que Corona e Turnigy não são simplesmente a mesma coisa

Eu utilizava os dois sistemas.

Mas isso não significa que um receptor Corona possa necessariamente ser associado diretamente a qualquer módulo Turnigy ou vice-versa.

O conjunto TX/RX precisa ser compatível.

No meu caso, eu utilizava diferentes módulos transmissores no mesmo rádio.

Isso é possível porque precisamos separar conceitualmente:

o rádio

do

módulo transmissor de RF.

O rádio gera os comandos; o módulo transmite

Podemos imaginar o caminho assim:

stick/chave

↓

eletrônica do rádio

↓

módulo TX

↓

radiofrequência

↓

receptor RX

↓

servo / ESC / outros dispositivos

Essa separação ajuda a compreender por que um rádio modular pode trabalhar com sistemas de transmissão diferentes.

Mudamos o módulo TX e passamos a trabalhar com os receptores compatíveis com aquele módulo.

O que precisamos para fazer o bind?

O procedimento exato depende do equipamento.

No caso mostrado originalmente, apresento o processo para Corona e Turnigy, porque são sistemas que utilizei.

De maneira geral, o procedimento envolve colocar receptor e transmissor em seus respectivos modos de bind.

Dependendo do equipamento, podemos encontrar:

botão de bind;

plug de bind;

LED indicador;

sequência específica de energização.

É importante seguir a sequência correspondente ao modelo utilizado.

O plug de bind pode causar alguma confusão

Alguns receptores utilizam um pequeno conector conhecido como bind plug.

Externamente ele pode parecer apenas um pequeno plug.

Mas sua função é estabelecer uma condição elétrica específica nos terminais do receptor para que ele entre no modo de pareamento.

Não devemos pensar nele como um componente que precisa permanecer instalado durante o funcionamento normal.

Ele é utilizado no procedimento correspondente ao receptor.

Observe as marcações do receptor

Antes de conectar qualquer coisa, olhe cuidadosamente a caixa do receptor.

É comum encontrarmos indicações como:

BIND

BAT

CH1

CH2

CH3

e assim por diante.

Dependendo do equipamento, a porta utilizada durante o bind pode possuir uma identificação específica.

Não devemos escolher uma conexão aleatoriamente.

Cuidado com a polaridade da alimentação

Esse é provavelmente um dos cuidados mais importantes ao mexer em receptores.

Os conectores normalmente possuem:

positivo;

negativo;

sinal.

Uma ligação incorreta pode danificar o equipamento.

Portanto, antes de energizar:

confira as marcações;

observe a posição do conector;

verifique o manual do receptor quando necessário.

De onde vem a alimentação do receptor?

Existem diferentes possibilidades.

Em muitos modelos elétricos, o próprio BEC do ESC fornece a alimentação necessária ao receptor.

Podemos ter:

bateria → ESC/BEC → receptor

O ESC recebe a energia da bateria e o BEC fornece uma tensão apropriada ao sistema de rádio, dentro das especificações do equipamento.

Em outras montagens podemos utilizar uma alimentação própria para o receptor.

O BEC facilita bastante a instalação

Quando utilizamos um ESC com BEC, normalmente temos um pequeno cabo saindo do ESC em direção ao receptor.

Esse cabo pode transportar:

alimentação;

terra;

sinal de controle.

Assim, o receptor é alimentado e ao mesmo tempo envia ao ESC o comando correspondente ao acelerador.

É uma solução extremamente comum no modelismo elétrico.

Mas o bind não depende do motor

Não precisamos colocar a hélice de um avião ou barco funcionando para descobrir se o receptor conseguiu fazer o pareamento.

Na verdade, durante configuração e testes é prudente evitar situações em que o motor possa partir inesperadamente.

No aeromodelismo elétrico, por exemplo, remover a hélice quando apropriado durante trabalhos de bancada pode reduzir bastante o risco de acidentes.

O objetivo do bind é estabelecer a comunicação entre TX e RX.

Os LEDs ajudam a entender o que está acontecendo

Muitos receptores possuem um LED de indicação.

Dependendo do modelo e do estado do equipamento, ele pode:

piscar;

ficar aceso;

mudar o padrão.

Esses sinais ajudam a identificar se o receptor:

está procurando o transmissor;

entrou em modo de bind;

concluiu o processo;

está recebendo sinal normalmente.

O significado exato deve ser conferido para o receptor utilizado.

Depois do bind, faça um teste simples com um servo

Uma maneira bastante visual de confirmar o funcionamento é utilizar um servo.

Conectamos corretamente o servo a um canal.

Ligamos o sistema.

Movemos o stick correspondente.

Se o servo responde corretamente, sabemos que existe comunicação e que aquele canal está produzindo uma saída.

Isso também ajuda a verificar a orientação do servo e o sentido de funcionamento.

O servo possui três conexões

Normalmente encontramos:

alimentação positiva;

terra;

sinal.

É por isso que não devemos simplesmente inverter conectores sem verificar a pinagem.

O receptor distribui alimentação para os dispositivos e fornece os sinais correspondentes aos canais.

Quando entendemos isso, o receptor deixa de parecer apenas uma caixa cheia de conectores iguais.

O que significa cada canal?

Cada canal representa um comando independente.

Em um avião, por exemplo, podemos ter canais associados a:

ailerons;

profundor;

motor;

leme.

Em uma lancha:

motor;

leme.

Em um carrinho:

acelerador;

direção.

A distribuição exata depende da configuração e do sistema utilizado.

Bind não configura automaticamente os canais

Esse é outro ponto importante.

Fazer o bind significa estabelecer a comunicação.

Depois disso, ainda precisamos verificar:

qual servo está em qual canal;

sentido dos comandos;

posição neutra;

curso;

configuração do ESC;

failsafe, quando disponível;

demais ajustes.

O bind é o começo, não o final da configuração do modelo.

Faça o teste de direção antes de utilizar o modelo

Imagine um aeromodelo.

Você movimenta o stick para a direita.

O aileron responde para produzir comando para a esquerda.

Se não percebermos isso no solo, podemos descobrir somente depois da decolagem.

O mesmo vale para o leme de um barco ou direção de um carrinho.

Portanto, depois do bind, confira todos os comandos.

Verifique também o acelerador

Em modelos elétricos, tenha cuidado especial com o motor.

O comando mínimo precisa corresponder à condição esperada pelo ESC.

Dependendo do equipamento, pode existir também um procedimento de calibração do controlador de velocidade.

Isso é diferente do bind do receptor.

Novamente temos vários procedimentos distintos:

bind → comunicação TX/RX

calibração do ESC → relação entre comando do rádio e controlador

Não confunda os dois.

E o failsafe?

Alguns sistemas permitem definir o comportamento do receptor caso o sinal do transmissor seja perdido.

Isso é chamado de failsafe.

Dependendo do sistema, podemos definir determinadas posições ou condições para os canais.

Em um modelo motorizado, é especialmente importante saber o que acontece com o acelerador se a comunicação for perdida.

O procedimento varia conforme o equipamento.

Nunca presuma que o failsafe está configurado

Depois de fazer o bind, consulte as instruções correspondentes ao sistema.

Alguns equipamentos podem associar configurações de failsafe ao próprio procedimento de bind.

Outros possuem procedimentos específicos.

Por isso não devemos assumir que todos os receptores Corona, Turnigy ou de outras marcas trabalham exatamente da mesma maneira.

Faça um range test

Depois de instalar um novo receptor, não coloque imediatamente um aeromodelo no ar.

Um teste de alcance é uma etapa muito importante.

Muitos transmissores possuem um modo específico de potência reduzida para realizar o range test.

O procedimento exato e a distância esperada dependem do fabricante.

Siga a orientação correspondente ao seu sistema.

Por que testar o alcance se o bind funcionou?

Porque são coisas diferentes.

O bind confirma que existe uma associação e comunicação.

Mas podemos ainda ter problemas como:

antena danificada;

conector inadequado;

posição ruim do receptor;

problemas de alimentação;

instalação defeituosa.

O sistema pode responder perfeitamente a um metro de distância e apresentar problemas quando o modelo se afasta.

Posicione corretamente as antenas do receptor

Dependendo do receptor, podemos ter uma ou mais antenas.

Sua orientação pode influenciar a qualidade da recepção.

Evite instalar a antena de qualquer maneira apenas porque sobrou espaço naquela região do modelo.

Também precisamos considerar materiais e componentes próximos que possam afetar a instalação.

Siga as recomendações do fabricante para aquele receptor.

Em barcos, proteja o receptor contra água

Depois do bind e dos testes, ainda temos o problema físico da instalação.

Em uma lancha ou barco RC, o receptor deve ficar adequadamente protegido.

Um sistema de rádio funcionando perfeitamente sobre a bancada não vai gostar de ficar mergulhado na água.

Podemos utilizar uma instalação apropriada e manter o receptor em região protegida dentro do casco.

Em carros, pense também em vibração e impacto

Carrinhos podem receber impactos fortes.

O receptor não deve ficar solto dentro do chassi.

Fixá-lo adequadamente ajuda a proteger:

placa;

conectores;

antenas;

fiação.

O mesmo princípio vale para aeromodelos.

Eletrônica precisa estar mecanicamente segura.

Identifique seus receptores

Se você possui vários modelos, uma dica simples pode ajudar bastante:

identifique os receptores.

Por exemplo:

Lancha — Corona

Rebocador — Turnigy

Avião treinador — Corona

Isso ajuda especialmente quando utilizamos módulos transmissores diferentes no mesmo rádio.

Antes de ligar, sabemos imediatamente qual sistema aquele modelo utiliza.

Isso era particularmente útil no meu Turnigy

Como comentei em outra experiência, eu utilizava Corona e Turnigy no mesmo rádio Turnigy, inclusive trocando o módulo transmissor conforme o receptor do modelo.

Nesse tipo de configuração, compreender a diferença entre:

rádio;

módulo TX;

receptor RX;

bind

torna tudo muito mais simples.

Veja como fazer o bind do receptor Corona

Na publicação original, mostro em vídeo o procedimento de bind do receptor Corona, permitindo acompanhar visualmente a sequência utilizada no equipamento.

Como o procedimento pode variar entre versões de receptores e módulos, o vídeo é particularmente útil para quem possui o mesmo conjunto mostrado.

E o receptor Turnigy?

O objetivo original da publicação também era mostrar o procedimento para os sistemas Corona e Turnigy. O próprio texto explica que cada modelo de rádio pode possuir particularidades no processo de bind.

Se o vídeo do Turnigy ainda estiver incorporado na página ou disponível no conteúdo antigo, eu o manteria junto ao Corona:

Não inventaria uma sequência específica de botões para o Turnigy no texto sem confirmar exatamente qual receptor/módulo aparece no vídeo original. Isso evita transformar uma explicação válida para um modelo em uma instrução incorreta para outro.

Depois de entender o bind, o sistema de rádio começa a fazer muito mais sentido

No início, o procedimento parece apenas uma sequência que precisamos decorar:

coloque um plug;

aperte um botão;

ligue isso;

espere o LED;

desligue aquilo.

Mas é muito mais útil entender o que estamos fazendo.

Temos:

rádio → módulo transmissor → radiofrequência → receptor → canais → servo/ESC.

O bind estabelece a associação necessária entre o sistema transmissor e o receptor compatível.

Depois disso, os canais permitem transformar os comandos realizados no rádio em movimentos no modelo.

Quando enxergamos o sistema dessa maneira, fica muito mais fácil instalar e diagnosticar nossos equipamentos.

Quer entender receptores, servos, ESCs e todas essas ligações sem decorar onde vai cada fio?

Fazer o bind é apenas uma pequena parte da montagem de um modelo RC.

Depois aparecem perguntas como:

Onde conecto o ESC?

Como o receptor é alimentado?

Para que serve o BEC?

Por que o servo possui três fios?

Qual é a diferença entre sinal, positivo e negativo?

Como ligar bateria, receptor, ESC e motor corretamente?

É justamente quando entendemos tensão, corrente, alimentação, sinais e a função de cada componente que essas ligações deixam de parecer complicadas.

Essa é a proposta do Método 7H RC: ensinar elétrica e eletrônica aplicadas ao rádio controle de forma prática, utilizando situações reais encontradas no aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.

Se você quer deixar de apenas seguir diagramas e começar a entender realmente como os componentes do seu modelo trabalham juntos, conheça o Método 7H RC.

Para aprofundar o funcionamento e a configuração desses equipamentos, veja também Rádio Controle: Transmissores, Receptores e Configuração, que reúne conteúdos sobre transmissores, receptores, bind, canais, comunicação e integração dos sistemas RC.

2 comentários em “Como fazer o bind de receptores Corona e Turnigy em rádios 2.4 GHz”

  1. Boa noite, estou enfrentando um problema com meu rádio, e virei a Internet sem achar solução. Quando seleciono um novo modelo #2 e faço o bind do receptor, o modelo #1 perde o bind…se eu voltar para voar o modelo #1, ele não está mais funcionando, preciso realizar novo bind…e assim…perco o bind do modelo #2… novamente… e não acho solução!! Rádio turnigy 9X… pode me ajudar por favor.

    1. Realmente desconheço o que pode estar ocorrendo. Eu não tenho esse problema. Inclusive eu troco com frequência entre meus diferentes transmissores. Porque utilizo Corona e Turnigy no mesmo rádio Turnigy. E mesmo trocando até o módulo transmissor não tenho nenhum problema.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *