Como fazer os elásticos usados nas asas dos aeromodelos durarem mais

Quem utiliza aeromodelos de asa alta para treinamento provavelmente já encontrou um sistema bastante simples e eficiente para prender a asa à fuselagem: os tradicionais elásticos de borracha.

Pode parecer uma solução improvisada para quem está começando, mas esse sistema possui uma característica muito interessante. Em determinadas situações, especialmente em aeromodelos destinados a iniciantes, permitir algum movimento da asa pode ser melhor do que prendê-la rigidamente.

O problema é que esses elásticos não duram para sempre.

Monte seu Próprio Rádio Controle
Monte seu Próprio Rádio Controle
Aprenda eletrônica na prática montando um rádio controle funcional do zero.
CONHEÇA O CURSO →

Com o tempo, a borracha pode ressecar, perder elasticidade e ficar quebradiça. Quando chega a esse estágio, não existe muito o que fazer: é hora de substituir o elástico. No artigo original mostrei uma maneira muito simples que utilizava para ajudar a conservá-los durante o armazenamento: guardar os elásticos em um recipiente fechado, envolvidos em talco.

Por que usar elásticos para prender a asa?

Em muitos aeromodelos de treinamento, a asa é apoiada sobre a parte superior da fuselagem e mantida no lugar por vários elásticos presos em pinos existentes nas laterais.

A primeira impressão pode ser:

“Por que não parafusar a asa e deixá-la bem presa?”

Porque a possibilidade de algum deslocamento pode ser útil.

Imagine um pouso ruim em que a ponta da asa toque o solo.

Se a asa estiver completamente rígida, parte do esforço produzido pelo impacto pode ser transmitida diretamente para a estrutura.

Com os elásticos, existe a possibilidade de a asa se deslocar parcialmente, dissipando parte desse esforço.

Naturalmente, isso não significa que os elásticos impedirão danos em qualquer acidente. Mas é uma solução simples e muito utilizada em modelos de treinamento.

O sistema também facilita a montagem do aeromodelo

Existe outra vantagem prática.

Uma asa removível facilita bastante o transporte.

Chegamos ao local do voo com fuselagem e asa separadas, posicionamos a asa corretamente e instalamos os elásticos.

Depois do voo fazemos o processo inverso.

Isso é particularmente conveniente em aeromodelos com asas relativamente grandes, que podem ser difíceis de transportar montadas dentro de um automóvel.

Mas o elástico é parte da segurança do voo

Justamente por ser um componente tão simples, podemos acabar não dando a ele a atenção necessária.

Entretanto, aqueles pequenos elásticos estão mantendo a asa presa à fuselagem durante o voo.

Eles precisam suportar esforços produzidos pelas manobras e pelas cargas aerodinâmicas sobre a asa.

Portanto, não faz sentido investir tempo verificando bateria, motor, hélice, comandos e rádio e ignorar completamente o estado dos elásticos.

Antes de voar, vale a pena observá-los.

Como saber se um elástico está ficando velho?

Existem alguns sinais que podem indicar deterioração.

Um elástico novo normalmente apresenta boa flexibilidade e superfície relativamente uniforme.

Com o envelhecimento podemos perceber alterações como:

ressecamento;

pequenas rachaduras;

perda de elasticidade;

superfície quebradiça;

deformação permanente;

ruptura com pouca extensão.

Se o elástico já estiver claramente deteriorado, não tente recuperá-lo para continuar utilizando no aeromodelo.

No artigo original eu já destacava isso: quando a borracha chega ao estágio de ficar quebradiça, a solução é comprar elásticos novos.

Então por que os elásticos se deterioram?

A borracha sofre alterações ao longo do tempo.

Calor, luz, oxigênio, ozônio, umidade e condições de armazenamento podem contribuir para o envelhecimento de diferentes compostos de borracha.

É por isso que um pacote de elásticos esquecido durante muito tempo em um local inadequado pode apresentar características completamente diferentes daquelas que possuía quando foi comprado.

Às vezes percebemos isso imediatamente.

Pegamos um elástico antigo, tentamos esticá-lo e ele simplesmente se rompe.

Em um escritório isso representa apenas um elástico perdido.

Em um aeromodelo, não queremos descobrir que o material estava deteriorado quando a asa já estiver sendo submetida a esforços.

Minha forma de armazenar os elásticos

A solução que mostrei no artigo original é extremamente simples.

Utilizo:

um pote plástico com tampa + talco.

Coloco os elásticos dentro do recipiente, acrescento o talco, fecho bem e agito o pote para que o pó entre em contato com a superfície dos elásticos.

Depois eles permanecem armazenados ali até a próxima utilização.

É uma solução barata e que sempre considerei bastante prática para organizar os elásticos que utilizava no aeromodelismo.

Por que usar um recipiente fechado?

Independentemente do uso do talco, existe uma boa ideia por trás do recipiente:

não deixar os elásticos espalhados pela caixa de ferramentas ou permanentemente expostos ao ambiente.

Um pote com tampa também ajuda a protegê-los de sujeira e facilita bastante a organização.

Além disso, podemos guardar o recipiente em um local fresco e protegido da luz direta.

Isso é especialmente importante se a caixa de aeromodelismo costuma permanecer dentro do carro.

Cuidado com o calor dentro do automóvel

Esse é um ponto que merece atenção.

O interior de um carro fechado exposto ao sol pode atingir temperaturas bastante elevadas.

E não são apenas os elásticos que merecem cuidado nessas condições.

Baterias, equipamentos eletrônicos, colas e outros materiais utilizados no modelismo também podem ser afetados pelo armazenamento inadequado.

Portanto, depois de voltar do campo, deixar permanentemente todo o equipamento no porta-malas pode não ser uma boa ideia.

Os elásticos podem ser baratos, mas isso não significa que devemos armazená-los de qualquer maneira.

E para que serve o talco?

No artigo original expliquei o uso do talco como uma forma de ajudar a manter os elásticos armazenados e reduzir os efeitos do ambiente sobre sua superfície. Também recomendava utilizar um produto simples, preferencialmente sem perfume.

Há uma vantagem prática evidente: o pó ajuda a evitar que os elásticos fiquem aderidos uns aos outros durante o armazenamento.

Mas faço aqui uma pequena atualização importante em relação ao texto antigo: não trataria hoje o talco como uma proteção absoluta contra o envelhecimento da borracha.

Ele pode fazer parte da forma de armazenamento, mas o mais importante continua sendo manter os elásticos em boas condições ambientais e, principalmente, inspecioná-los antes de utilizá-los.

Quanto talco devo colocar?

Não é necessário transformar o recipiente em um pote cheio de pó.

A ideia é que os elásticos fiquem levemente envolvidos.

Coloque os elásticos no recipiente, acrescente uma quantidade suficiente para cobrir suas superfícies e agite o pote fechado.

Quando for utilizar um elástico, retire o excesso de pó antes de instalá-lo.

O procedimento é simples:

elásticos → pote → talco → tampa → agitar → armazenar.

Foi exatamente a técnica mostrada no conteúdo original.

Preciso utilizar algum talco específico?

No artigo original eu comentava que utilizava um talco comum e sugeria escolher algo simples, de preferência sem perfume.

Para a finalidade prática de manter os elásticos separados durante o armazenamento, não há necessidade de procurar um produto sofisticado.

Mais importante do que o produto em si é a condição geral de armazenamento.

Evite calor excessivo.

Evite exposição direta ao sol.

Mantenha o recipiente fechado.

E verifique regularmente o estado da borracha.

Quantos elásticos devo usar na asa?

Não existe um número universal que sirva para todos os aeromodelos.

Isso depende do projeto, tamanho do modelo, dimensões dos elásticos e sistema de fixação previsto pelo fabricante ou construtor.

O importante é não utilizar menos elásticos simplesmente para economizar ou facilitar a montagem.

Se o projeto recomenda determinada configuração, siga essa orientação.

Também é interessante distribuir os elásticos de maneira adequada sobre a asa, evitando concentrar toda a força em um único ponto.

Não confie apenas em um elástico

Uma das vantagens de utilizar vários elásticos é justamente a redundância.

Se um único elástico fosse responsável por toda a fixação e ele se rompesse, poderíamos perder imediatamente a retenção da asa.

Com vários elementos trabalhando juntos, o sistema não depende exclusivamente de uma única peça.

Isso não significa que podemos utilizar elásticos deteriorados porque “os outros seguram”.

A lógica é exatamente o contrário:

todos devem estar em boas condições.

Faça uma inspeção antes de cada dia de voo

Não precisamos de nenhum equipamento sofisticado.

Pegue os elásticos que serão utilizados.

Observe a superfície.

Flexione-os moderadamente.

Veja se existem rachaduras.

Compare a elasticidade.

Se algum deles parecer muito diferente dos demais, descarte-o.

Elásticos são componentes baratos quando comparados ao valor do aeromodelo e dos equipamentos instalados nele.

Não existe razão para tentar prolongar a utilização de um elástico claramente deteriorado.

Leve sempre elásticos extras

Essa é uma dica simples que pode evitar o fim prematuro de um dia de voo.

Tenha um conjunto reserva na caixa de campo.

Um elástico pode cair.

Pode romper durante a montagem.

Pode apresentar uma rachadura que você só percebeu no campo.

Se não houver reposição, uma peça extremamente barata pode impedir que o aeromodelo voe.

Um pequeno recipiente com elásticos extras praticamente não ocupa espaço.

Não deixe os elásticos permanentemente esticados

Depois do voo, retire-os da asa.

Quando o aeromodelo ficar armazenado durante vários dias ou semanas, não há vantagem em manter os elásticos permanentemente sob tensão.

Desmonte a asa quando apropriado, retire os elásticos e guarde-os.

Além de facilitar o transporte, isso permite inspecionar cada um deles antes da próxima montagem.

Verifique também os pinos de fixação

Os elásticos podem estar perfeitos e ainda assim existir um problema no sistema.

Observe também os pinos onde eles são presos.

Eles precisam estar firmes na fuselagem.

Se um pino estiver solto, trincado ou parcialmente arrancado da estrutura, trocar os elásticos não resolverá o problema.

Vale observar ainda a região da asa sobre a qual os elásticos passam.

Dependendo do projeto, o atrito repetido pode marcar ou danificar o material.

Protegendo a asa do contato com os elásticos

Em alguns aeromodelos podemos utilizar pequenas proteções nas regiões em que os elásticos exercem maior pressão.

Isso depende da construção da asa.

Uma asa de isopor, por exemplo, pode exigir cuidados diferentes de uma estrutura convencional de balsa revestida.

O objetivo é distribuir adequadamente a pressão sem criar um ponto que danifique o bordo da asa.

Novamente, vale seguir a solução prevista para aquele modelo.

Cruzar os elásticos ou deixá-los paralelos?

Você provavelmente já viu diferentes maneiras de instalar os elásticos.

Alguns ficam transversalmente sobre a asa.

Outros podem ser cruzados dependendo do sistema utilizado.

A configuração adequada depende do projeto do aeromodelo e da disposição dos pinos.

Mais importante do que procurar uma regra universal é compreender a função:

a asa precisa permanecer corretamente posicionada durante o voo, mas o sistema deve trabalhar da maneira prevista pelo projeto.

Uma peça barata protegendo um aeromodelo inteiro

Esse é um ótimo exemplo de como o modelismo possui componentes extremamente simples desempenhando funções importantes.

Um elástico custa muito pouco.

Mas ele pode estar segurando uma asa que possui:

ailerons;

servos;

estrutura;

revestimento;

e várias horas de construção.

A fuselagem, por sua vez, pode carregar motor, ESC, bateria, receptor e outros componentes.

Por isso, o valor financeiro de uma peça não representa necessariamente a importância de sua função.

Aeromodelismo também é manutenção preventiva

É comum pensar que manutenção significa consertar alguma coisa depois que ela quebra.

No modelismo, uma parte importante da manutenção acontece antes do problema.

Verificar conectores.

Inspecionar a hélice.

Testar os comandos.

Observar a bateria.

Conferir parafusos.

Examinar dobradiças.

E, quando a asa utiliza esse sistema, verificar os elásticos.

São pequenas ações que podem evitar problemas maiores durante o voo.

Veja no vídeo como armazeno os elásticos

No vídeo original deste artigo mostro de maneira prática como guardava os elásticos utilizados para prender a asa dos meus aeromodelos, utilizando um pote plástico fechado e talco.

 

 

Uma dica simples que pode evitar problemas no campo

Essa é uma daquelas pequenas soluções de bancada que levam poucos minutos.

Você precisa apenas de um recipiente, seus elásticos e um pouco de organização.

Mas existe uma mensagem ainda mais importante por trás da dica:

não espere uma peça falhar para começar a prestar atenção nela.

No aeromodelismo, muitas vezes são justamente os componentes mais simples que esquecemos de verificar.

E uma boa rotina de inspeção pode fazer uma diferença enorme.

Quer entender melhor os componentes do seu aeromodelo?

Além da parte mecânica, compreender como bateria, ESC, BEC, motor, receptor, servo, conectores, tensão e corrente trabalham juntos ajuda bastante na montagem, manutenção e diagnóstico de problemas em modelos rádio controlados.

Essa é a proposta do Método 7H RC: aprender elétrica e eletrônica aplicadas ao rádio controle de forma prática, relacionando os conceitos aos componentes utilizados realmente no aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.

Se você quer ganhar autonomia para entender, manter, modificar e desenvolver seus próprios modelos, conheça o Método 7H RC.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *