Uma caixa plástica para projetos eletrônicos não precisa ficar com aquela aparência tradicional de caixa preta ou cinza com alguns furos para potenciômetros e conectores.
Existe uma técnica simples que permite criar um acabamento completamente diferente e, principalmente, único em cada peça: a pintura swirl.
Neste projeto utilizei uma caixa Patola de plástico e esmaltes de unha para experimentar essa técnica. O resultado é um padrão colorido e marmorizado que se forma praticamente no momento em que a caixa entra em contato com a película de esmalte sobre a água.
E o mais interessante é que dificilmente conseguiremos produzir duas caixas exatamente iguais.
O que é a pintura swirl?
Swirl significa algo próximo de redemoinho.
Na técnica, diferentes cores de tinta ou esmalte são colocadas sobre a superfície da água. Como o material permanece predominantemente na superfície, podemos movimentá-lo e criar desenhos antes de mergulhar o objeto.
Temos basicamente:
água → esmaltes na superfície → formação do desenho → imersão da peça → transferência do padrão
A técnica produz aquele visual irregular e marmorizado característico do swirl.
Swirl e hydro dipping são a mesma coisa?
São técnicas relacionadas, mas não exatamente iguais.
No swirl, colocamos tintas ou esmaltes diretamente sobre a água e criamos um padrão livre.
No hydro dipping comercial, normalmente existe um filme hidrográfico previamente impresso, que é colocado sobre a água e posteriormente transferido para a peça com auxílio de um ativador.
Portanto, neste projeto estamos muito mais próximos de:
pintura swirl por imersão
do que de uma transferência hidrográfica com filme.
Por que usar esmalte de unha?
O esmalte oferece uma maneira acessível de experimentar a técnica.
Podemos encontrar facilmente:
cores diferentes
acabamentos diferentes
pequenas embalagens
e combinar várias cores sem precisar comprar grandes quantidades de tinta.
Quando algumas gotas são colocadas sobre a água, conseguimos trabalhar rapidamente o desenho antes da secagem.
Essa ideia de espalhar esmalte sobre a água e depois mergulhar um objeto é utilizada também para criar efeitos marmorizados em diferentes peças.
Preparando a caixa Patola
Antes da pintura, a caixa precisa estar limpa.
Poeira, gordura das mãos ou resíduos presentes na superfície podem prejudicar o acabamento.
Também é interessante pensar antecipadamente nas áreas que não queremos pintar.
Podemos proteger, por exemplo:
roscas
encaixes
regiões internas
furos
áreas de contato entre tampa e caixa
com fita adequada.
Se a caixa já contém eletrônica, o ideal é realizar o acabamento com os componentes eletrônicos removidos.
Atenção à compatibilidade entre esmalte e plástico
Aqui existe um detalhe técnico importante.
Não podemos considerar que qualquer esmalte seja automaticamente compatível com qualquer plástico.
Esmaltes possuem solventes, e diferentes polímeros apresentam resistências químicas diferentes. O ABS, por exemplo, pode ser atacado por determinados solventes; a acetona é particularmente problemática para esse material.
Por isso, se não conhecemos exatamente o plástico da caixa e a composição do esmalte utilizado, uma boa prática é fazer primeiro um teste em uma região escondida ou em outro pedaço do mesmo material.
A ideia é verificar se ocorre:
amolecimento
mancha
deformação
perda do acabamento superficial
antes de aplicar a técnica na peça inteira.
Preparando as cores
Com a água colocada em um recipiente suficientemente grande para receber a caixa, começamos a adicionar as cores.
O interessante não é misturar completamente os esmaltes.
Queremos justamente manter regiões diferentes.
Por exemplo:
preto + vermelho + branco
ou:
azul + branco + amarelo
Ao movimentar cuidadosamente a película superficial, conseguimos criar linhas e curvas.
Quanto mais misturarmos, entretanto, maior a possibilidade de perdermos a separação das cores e obtermos um resultado visual menos definido.
O desenho precisa ser feito rapidamente
Existe um fator importante nessa experiência:
tempo.
O esmalte começa a perder seus solventes assim que é exposto ao ar.
Portanto, depois de colocá-lo na água, não podemos esperar indefinidamente.
Precisamos:
colocar as cores → formar o desenho → mergulhar a caixa
antes que a película fique excessivamente seca.
Tutoriais que utilizam esmalte nessa técnica também destacam a necessidade de trabalhar rapidamente antes do endurecimento da película.
O momento da imersão
Depois que o padrão está formado, mergulhamos a caixa através da película.
É nesse momento que acontece a parte mais interessante.
A película que estava sobre a água começa a envolver a superfície da caixa.
Podemos visualizar o processo assim:
padrão bidimensional sobre a água
↓
caixa atravessa o padrão
↓
esmalte acompanha a superfície
↓
padrão transferido para a caixa
Como a distribuição do esmalte nunca é perfeitamente igual, cada tentativa produz um desenho diferente.
Não existe exatamente um resultado “certo”
Essa é uma das características que tornam o swirl interessante.
Quando pintamos uma caixa convencionalmente, normalmente procuramos:
uniformidade
No swirl, procuramos justamente:
variação
linhas
redemoinhos
contrastes
irregularidade controlada
Uma região pode receber mais de uma cor e outra apresentar um desenho completamente diferente.
Isso faz parte do efeito.
A velocidade e o ângulo de imersão podem mudar o resultado
O movimento da peça também interfere no padrão transferido.
Entrar com uma borda primeiro, por exemplo, pode produzir um resultado diferente de colocar toda uma face paralelamente à água.
Movimentar excessivamente a peça depois que ela começou a receber a tinta também pode sobrepor camadas e borrar determinadas regiões. Experiências com pintura por imersão em caixas de projetos relatam justamente a importância de planejar o movimento antes de começar.
Portanto, vale experimentar.
É justamente esse caráter experimental que torna a técnica divertida.
Retirando a caixa da água
Depois que a superfície desejada atravessou a película, é importante observar o esmalte que ainda permanece sobre a água.
Se simplesmente retirarmos a caixa atravessando novamente uma grande quantidade de esmalte flutuante, podemos acabar aplicando uma segunda camada sobre áreas já decoradas.
Dependendo da técnica utilizada, podemos afastar ou remover o excesso da superfície antes de retirar completamente a peça.
Depois disso:
retiramos → deixamos escorrer → aguardamos a secagem
Sem ficar tocando imediatamente no acabamento.
E depois da secagem?
Somente depois que o acabamento estiver completamente seco devemos pensar na montagem da eletrônica.
É possível ainda avaliar a aplicação de um acabamento transparente de proteção, mas novamente existe a questão da compatibilidade química entre os materiais.
O verniz precisa ser compatível tanto com o esmalte quanto com o plástico utilizado.
Fazer um teste antes continua sendo a alternativa mais segura.
Uma caixa eletrônica também faz parte do projeto
Às vezes dedicamos bastante tempo ao circuito:
placa
componentes
soldagem
conectores
potenciômetros
e, no final, simplesmente colocamos tudo dentro da primeira caixa disponível.
Mas o gabinete também faz parte do projeto.
Principalmente quando construímos:
pedais de guitarra
amplificadores
fontes
controles
instrumentos de bancada
interfaces
ou qualquer equipamento que ficará visível.
A técnica de swirl permite transformar uma caixa industrial comum em uma peça personalizada.
Veja o processo na prática
No vídeo abaixo faço a experiência de pintura swirl em uma caixa Patola de plástico utilizando esmaltes de unha.
O interessante é justamente acompanhar a transformação:
caixa plástica comum
↓
esmaltes sobre a água
↓
formação do swirl
↓
imersão
↓
gabinete personalizado
Uma técnica interessante para nossos projetos eletrônicos
Além de montar circuitos, podemos trabalhar também na aparência final dos equipamentos que construímos.
E o swirl é particularmente interessante porque não exige criar desenhos extremamente precisos.
O próprio processo produz o padrão.
Com algumas cores, água e experimentação, uma simples caixa plástica pode ganhar um acabamento completamente diferente.
E como o desenho depende da maneira como as cores se espalham e do movimento realizado durante a imersão, existe ainda uma característica difícil de obter com uma pintura convencional:
cada caixa acaba sendo uma peça única.