A chave DPDT é um componente bastante utilizado na construção de pedais e outros equipamentos eletrônicos. Com seis terminais e dois conjuntos de contatos acionados simultaneamente, ela permite alterar duas ligações independentes com um único movimento.
Em um pedal de guitarra, essa característica pode ser utilizada para alternar o caminho do sinal entre o circuito de efeito e uma ligação direta entre a entrada e a saída.
Neste vídeo, mostro como identificar e utilizar uma chave DPDT em pedais de efeito.
O que significa DPDT?
A sigla DPDT vem da expressão inglesa Double Pole, Double Throw.
Podemos entender o nome em duas partes:
- Double Pole: dois polos eletricamente independentes.
- Double Throw: cada polo pode ser conectado a duas posições diferentes.
Em português, podemos dizer que se trata de uma chave com dois polos e duas posições de comutação.
Uma chave DPDT funciona, de maneira simplificada, como duas chaves SPDT mecanicamente ligadas. Quando acionamos o botão ou a alavanca, os dois conjuntos mudam de posição ao mesmo tempo.
Quantos terminais possui uma DPDT?
Uma chave DPDT convencional possui seis terminais, normalmente organizados em duas colunas e três linhas.
Podemos visualizar sua disposição desta forma:
| Polo A | Polo B |
|---|---|
| Terminal superior | Terminal superior |
| Terminal central | Terminal central |
| Terminal inferior | Terminal inferior |
Cada coluna forma um conjunto independente.
Em muitos modelos, o terminal central de cada coluna é o contato comum. Dependendo da posição da chave, ele se conecta ao terminal superior ou ao inferior da mesma coluna.
Entretanto, a orientação física pode variar.
Não devemos identificar os contatos apenas pela posição visual. O correto é conferir com um multímetro.
Como testar a chave DPDT com o multímetro?
Antes de soldar qualquer fio, utilize o multímetro no modo de continuidade.
O procedimento básico é:
- Escolha um dos terminais centrais.
- Encoste uma ponta de prova nele.
- Coloque a outra ponta no terminal superior da mesma coluna.
- Acione a chave e observe quando existe continuidade.
- Repita o teste com o terminal inferior.
- Faça o mesmo na outra coluna.
Em uma posição, o contato central deverá apresentar continuidade com um dos terminais externos. Na outra posição, deverá se conectar ao terminal externo oposto.
Também é importante confirmar que não existe continuidade entre os dois polos independentes.
Esse teste evita erros causados pela orientação da chave ou por diferenças entre modelos.
Qual é a função da DPDT em um pedal?
Em um pedal, a chave pode alternar o sinal entre dois caminhos.
No primeiro, o sinal da guitarra entra no circuito do efeito, é processado e depois segue para a saída.
No segundo, o sinal contorna o circuito e vai diretamente da entrada para a saída.
Temos, portanto:
Efeito acionado:
Guitarra → entrada do circuito → efeito → saída do circuito → amplificador
Efeito desacionado:
Guitarra → chave → amplificador
Essa segunda condição é normalmente chamada de bypass.
O que é bypass?
Bypass significa que o sinal deixa de passar pelo circuito que produz o efeito.
Quando o pedal está em bypass, esperamos ouvir o som original da guitarra sem overdrive, distorção, delay ou outra modificação criada pelo circuito.
Existem diferentes formas de implementar o bypass.
Bypass passivo
O sinal é desviado mecanicamente para evitar o circuito do efeito. Conforme a ligação utilizada, a entrada do circuito pode ou não permanecer conectada ao sinal.
Bypass com buffer
Mesmo quando o efeito está desativado, o sinal passa por um estágio eletrônico destinado a controlar a impedância e ajudar no transporte pelo restante do sistema.
Chaveamento eletrônico
O acionamento pode ser realizado por transistores, circuitos integrados, relés ou microcontroladores, enquanto o botão envia apenas o comando.
A chave DPDT está associada principalmente a soluções mecânicas simples.
A DPDT permite fazer true bypass?
Ela pode ser utilizada para retirar o circuito do caminho principal do sinal, comutando entrada e saída por meio de seus dois polos.
Entretanto, o termo true bypass pode envolver detalhes adicionais, como o que acontece com a entrada do efeito quando ele está desativado.
Algumas ligações deixam a entrada do circuito eletronicamente conectada, embora a saída esteja fora do caminho principal. Outras colocam a entrada do efeito no terra durante o bypass.
Por isso, dois diagramas chamados de true bypass podem apresentar ligações diferentes.
O importante é compreender o percurso do sinal em cada posição, e não apenas copiar a disposição dos fios.
Por que precisamos de dois polos?
Para retirar o circuito de efeito do caminho, normalmente precisamos controlar tanto a entrada quanto a saída.
Um polo pode selecionar para onde será enviado o sinal recebido da guitarra:
- Para a entrada do efeito.
- Diretamente para o caminho de bypass.
O outro polo pode selecionar o que chegará ao conector de saída:
- A saída do circuito de efeito.
- O sinal vindo diretamente da entrada.
Como os dois polos mudam ao mesmo tempo, o pedal alterna entre os dois caminhos com um único acionamento.
DPDT liga e desliga a alimentação do pedal?
Não necessariamente.
Em muitas ligações de bypass, a chave muda apenas o percurso do áudio. O circuito pode continuar energizado mesmo quando o efeito está desativado.
Isso apresenta uma vantagem: o circuito permanece pronto para funcionar quando for novamente selecionado.
Por outro lado, a bateria continuará fornecendo alguma corrente enquanto o pedal estiver alimentado.
Em muitos pedais, o conector de entrada participa do acionamento da bateria. Ao retirar o plugue, a alimentação é interrompida.
Portanto, bypass e alimentação são funções diferentes.
Como ligar o LED de indicação?
Aqui encontramos uma limitação importante da DPDT.
Se os dois polos forem utilizados para comutar a entrada e a saída do áudio, não sobra um terceiro conjunto independente para acionar diretamente o LED.
Uma chave 3PDT possui três polos e pode dedicar:
- Um polo à entrada do áudio.
- Um polo à saída do áudio.
- Um polo ao LED indicador.
Com uma DPDT, ainda é possível utilizar circuitos adicionais para controlar um LED, mas isso exige outra solução eletrônica. A ligação depende do projeto adotado.
Não utilize o LED sem resistor limitador de corrente.
Qual é a diferença entre DPDT e 3PDT?
| Característica | DPDT | 3PDT |
|---|---|---|
| Número de polos | Dois | Três |
| Terminais comuns | Seis | Nove |
| Comutação da entrada e saída | Sim | Sim |
| Polo independente para LED | Não, quando os dois polos já estão ocupados pelo áudio | Sim |
| Aplicação em pedais | Bypass e outras comutações | True bypass com indicação por LED |
A 3PDT tornou-se muito comum em pedais artesanais porque simplifica o acionamento do LED.
Isso não torna a DPDT inútil. Ela continua sendo adequada quando a indicação luminosa não é necessária ou quando existe um circuito separado para comandá-la.
Chave de alavanca e footswitch DPDT
A configuração elétrica DPDT pode aparecer em diferentes formatos mecânicos.
Podemos encontrar:
- Chave de alavanca.
- Chave deslizante.
- Chave de pressão.
- Footswitch para acionamento com o pé.
- Relé com contatos equivalentes.
Para um pedal que será utilizado no chão, o componente precisa resistir ao esforço mecânico do acionamento.
Uma pequena chave de alavanca pode ser útil em testes ou para selecionar uma função, mas não substitui automaticamente um footswitch construído para receber pisadas.
Como identificar entrada e saída nos conectores P10?
Em conectores P10 mono, encontramos normalmente dois contatos:
- Tip: ponta, utilizada para o sinal.
- Sleeve: corpo, utilizado como referência ou terra.
Em pedais comuns, o sinal percorre as conexões de ponta dos jacks. Os corpos dos conectores são associados à referência do circuito e, frequentemente, à caixa metálica.
Se os terminais do jack forem identificados incorretamente, o pedal poderá ficar sem som ou apresentar ruído.
Jacks com chaveamento possuem terminais adicionais. Por isso, também devem ser verificados com o multímetro antes da soldagem.
Por que a montagem pode causar estalos?
Alguns pedais produzem um estalo ao serem acionados.
Isso pode acontecer por diferenças de potencial, carga acumulada em capacitores, ausência de caminhos adequados para descarga ou problemas mecânicos nos contatos.
Resistores conhecidos como pulldown podem ser utilizados na entrada e na saída para fornecer um caminho de referência e reduzir a carga acumulada nos capacitores de acoplamento.
Eles podem ajudar, mas não resolvem todas as possíveis causas.
Também é necessário verificar:
- Qualidade da alimentação.
- Aterramento.
- Estado da chave.
- Organização dos fios.
- Componente que aciona o LED.
- Diferenças de tensão entre os estágios.
Organização dos fios dentro do pedal
Uma chave DPDT pode receber vários fios em uma área pequena. Sem organização, torna-se fácil inverter conexões ou criar pontes de solda.
Alguns cuidados ajudam:
- Utilize fios de cores diferentes.
- Mantenha as ligações curtas.
- Estanhe previamente os terminais.
- Evite excesso de solda.
- Isole regiões que possam encostar na caixa.
- Prenda os fios para evitar esforço nas soldas.
- Teste a continuidade antes de fechar o pedal.
Também é recomendável fotografar a montagem antes de instalar a chave definitivamente.
A caixa metálica participa da blindagem
Pedais costumam ser montados em caixas metálicas porque elas oferecem resistência mecânica e ajudam na blindagem contra interferências.
Para que essa blindagem funcione corretamente, a caixa precisa estar relacionada de maneira adequada à referência elétrica do circuito.
Pintura, oxidação ou arruelas isolantes podem impedir o contato elétrico esperado entre os jacks e a carcaça.
Ao mesmo tempo, não devemos depender apenas do contato mecânico com a caixa para formar todas as conexões de terra. A ligação deve ser planejada e verificada.
O que testar antes de conectar ao amplificador?
Com o pedal desligado e sem alimentação, verifique a continuidade dos caminhos.
Na posição de bypass:
- A entrada deve chegar à saída pelo percurso previsto.
- O sinal não deve ser colocado acidentalmente em curto com o terra.
Na posição de efeito:
- A entrada deve chegar ao circuito.
- A saída do circuito deve chegar ao jack de saída.
Depois, confirme se não existem curtos entre alimentação e terra.
No primeiro teste sonoro, mantenha o volume do amplificador reduzido e aumente gradualmente.
Outras aplicações da chave DPDT
A DPDT não serve apenas para bypass.
Em pedais e circuitos de áudio, ela também pode ser utilizada para:
- Selecionar dois pares de diodos de clipping.
- Inverter simultaneamente duas conexões.
- Escolher entre dois capacitores.
- Mudar configurações de filtros.
- Selecionar duas fontes de sinal.
- Alterar o modo de funcionamento de um circuito.
- Comutar sinais balanceados, quando corretamente dimensionada.
Cada polo permanece eletricamente independente, mas ambos são acionados juntos.
Essa característica cria muitas possibilidades em projetos eletrônicos.
Veja como utilizar a DPDT em pedais
No vídeo, mostro como funciona a chave DPDT e como ela pode ser utilizada na construção de pedais:
Mais importante do que memorizar uma disposição de fios é compreender os contatos internos.
Quando sabemos quais terminais se conectam em cada posição, conseguimos interpretar o caminho do sinal e adaptar a chave a diferentes projetos.
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