Seu controle remoto parou de funcionar.
Você aperta os botões e nada acontece.
A primeira providência normalmente é trocar as pilhas. Mas e quando colocamos pilhas novas e o aparelho continua sem responder?
O problema está no:
controle remoto
ou no:
aparelho que deveria receber o comando?
Existe um teste extremamente simples que podemos fazer utilizando algo que praticamente todo mundo possui:
a câmera do celular.
Em poucos segundos conseguimos verificar se muitos controles remotos infravermelhos estão pelo menos emitindo sinal.
Como funciona um controle remoto infravermelho?
Muitos controles remotos tradicionais utilizados em:
televisores;
aparelhos de som;
ar-condicionado;
DVDs e outros equipamentos
utilizam luz infravermelha para transmitir informações.
Na extremidade do controle existe normalmente um componente semelhante a um pequeno LED.
Ele é realmente um:
LED infravermelho.
LED significa:
Light Emitting Diode
ou:
Diodo Emissor de Luz.
A diferença é que a radiação emitida pelo LED do controle remoto está fora da faixa que conseguimos enxergar diretamente.
Por que não conseguimos ver o LED do controle acender?
Nossos olhos detectam apenas uma pequena região do espectro eletromagnético, chamada de:
luz visível.
De maneira aproximada, essa região vai do:
violeta ao vermelho.
Existem, porém, radiações com comprimentos de onda fora dessa faixa.
Além do vermelho encontramos o:
infravermelho.
Além do violeta encontramos o:
ultravioleta.
Portanto, o fato de olharmos para a frente do controle remoto e não enxergarmos nenhuma luz não significa que ele não esteja emitindo.
Nossos olhos simplesmente não conseguem enxergar aquela radiação.
Mas a câmera do celular pode enxergar o infravermelho
É justamente aqui que aparece nosso pequeno truque.
Os sensores utilizados nas câmeras digitais podem apresentar sensibilidade a parte da radiação infravermelha próxima.
Os fabricantes normalmente utilizam filtros para reduzir essa radiação, porque ela poderia interferir na imagem.
Mesmo assim, em muitos celulares ainda é possível detectar a emissão produzida pelo LED infravermelho de um controle remoto.
E podemos utilizar isso para fazer nosso teste.
Como testar o controle remoto com o celular
O procedimento é muito simples:
- Abra a câmera do celular.
- Aponte a extremidade do controle remoto para a câmera.
- Observe a tela do celular.
- Pressione um botão do controle remoto.
- Veja se aparece uma luz piscando na região do LED infravermelho.
No artigo original, é justamente esse o teste que demonstro.

Por que parece que a luz está piscando?
O controle remoto não precisa simplesmente manter o LED aceso continuamente.
Para transmitir comandos diferentes, ele envia pulsos de luz infravermelha codificados.
Isso é muito importante.
O televisor precisa conseguir diferenciar comandos como:
ligar/desligar;
aumentar volume;
diminuir volume;
trocar canal.
Se o controle simplesmente acendesse o LED da mesma maneira para todos os botões, o aparelho não saberia qual função executar.
O controle transmite informações
Podemos pensar de maneira simplificada:
você aperta um botão
↓
circuito eletrônico identifica o botão
↓
gera uma sequência codificada
↓
LED infravermelho transmite pulsos
↓
receptor do aparelho detecta
↓
circuito interpreta o código
↓
função é executada.
Portanto, o controle remoto funciona como um pequeno:
transmissor digital.
Cada botão envia um comando
Quando apertamos:
Volume +
o controle envia uma determinada sequência.
Quando apertamos:
Volume −
envia outra.
O receptor infravermelho localizado no equipamento detecta essas sequências e o circuito eletrônico interpreta qual comando foi solicitado.
O LED infravermelho transmite pulsos modulados e codificados que representam os diferentes comandos do controle.
O LED piscou na câmera. Então o controle está perfeito?
Não necessariamente.
Esse é um ponto importante que acrescentaria ao artigo.
Se enxergamos o LED piscando, temos uma forte indicação de que:
as pilhas estão fornecendo energia;
o circuito está respondendo ao botão;
o LED infravermelho está emitindo alguma radiação.
Isso já elimina várias possibilidades de defeito.
Mas o teste não verifica se o código transmitido está necessariamente correto.
Portanto:
LED piscando = o controle está transmitindo alguma coisa.
Não significa necessariamente:
controle 100% perfeito.
Mesmo assim, para diagnóstico doméstico, é um teste extremamente útil.

E se não aparecer nenhuma luz?
Primeiro, não conclua imediatamente que o controle queimou.
Comece pelas coisas mais simples.
Verifique:
as pilhas;
a posição das pilhas;
os contatos metálicos;
se existe oxidação;
se outros botões funcionam.
Experimente também pilhas que você tenha certeza de que estão carregadas.
Depois repita o teste.
Teste vários botões
Esse é outro procedimento interessante.
Não teste apenas:
Power.
Experimente:
Volume +
Volume −
Canal +
Canal −
e outros botões.
Se vários deles provocarem emissão infravermelha, sabemos que o controle está respondendo.
Mas pode acontecer de:
alguns botões funcionarem e outros não.
Nesse caso, o problema provavelmente não está na alimentação geral do controle nem no LED infravermelho.
Pode estar relacionado aos próprios contatos dos botões.
Por que alguns botões param de funcionar?
Controles remotos normalmente possuem uma membrana flexível sob os botões.
Quando pressionamos uma tecla, uma região condutiva da membrana fecha contatos existentes na placa.
Com muitos anos de uso podem aparecer problemas relacionados a:
sujeira;
desgaste;
oxidação;
contatos deteriorados.
É bastante comum, por exemplo, termos um controle no qual:
Power funciona
mas:
Volume + precisa ser apertado com muita força.
Isso já indica um problema diferente de simplesmente “controle morto”.
As pilhas podem parecer boas e ainda causar problemas
Outra situação bastante comum ocorre quando as pilhas ainda possuem alguma tensão, mas não estão em boas condições.
O controle pode apresentar comportamento:
intermitente;
alcance reduzido;
funcionamento irregular.
Por isso, durante o diagnóstico, vale testar com um conjunto de pilhas novas ou comprovadamente boas.
Também observe os contatos do compartimento.
Pilha vazando pode oxidar os contatos
Quem já abriu um controle antigo provavelmente encontrou aquele material esbranquiçado ou sinais de corrosão próximos às pilhas.
O vazamento pode atacar os terminais metálicos e prejudicar o contato elétrico.
Nesse caso, simplesmente colocar pilhas novas pode não resolver.
É necessário avaliar o estado dos contatos e realizar a limpeza apropriada, tomando os devidos cuidados com resíduos provenientes das pilhas.
A câmera não mostrou nada. O controle está quebrado?
Ainda não podemos afirmar.
Existe uma limitação importante nesse teste.
Nem todas as câmeras de celulares possuem a mesma sensibilidade ao infravermelho.
Alguns aparelhos possuem filtros bastante eficientes e podem dificultar ou impedir a visualização da luz do controle.
Além disso, em determinados smartphones, uma câmera pode detectar infravermelho melhor que outra.
Por isso, experimente:
câmera traseira
e:
câmera frontal.
Se ainda houver dúvida, teste também com outro celular.
Como saber se a câmera do celular detecta infravermelho?
Existe uma solução muito simples:
pegue outro controle remoto que você sabe que está funcionando.
Faça o mesmo teste.
Se a câmera mostrar o LED piscando no controle bom, sabemos que aquela câmera consegue detectar a emissão.
Agora teste o controle suspeito.
Temos uma comparação muito melhor:
controle conhecido funcionando → aparece na câmera
controle suspeito → não aparece.
Nesse caso, existe uma indicação bem mais forte de problema no segundo controle.
E se o controle emitir, mas a televisão não responder?
Agora nosso diagnóstico muda.
Se verificamos que o controle está emitindo infravermelho, devemos começar a considerar outras possibilidades.
O problema pode estar:
no receptor infravermelho do aparelho;
na comunicação entre controle e aparelho;
em algum defeito eletrônico;
ou o controle pode estar emitindo sem transmitir corretamente os comandos esperados.
Antes disso, porém, verifique uma coisa muito simples.
Existe alguma coisa bloqueando o receptor?
O infravermelho normalmente exige um caminho relativamente livre entre:
controle → receptor.
Verifique se existe algum objeto diante do sensor do aparelho.
Também limpe cuidadosamente a região frontal do controle e do receptor.
Parece uma recomendação óbvia, mas às vezes o problema realmente é simples.
Distância também importa
Se o controle funciona apenas quando está muito próximo da televisão, pode haver alguma redução na intensidade do sinal.
Entre as possibilidades estão:
pilhas fracas;
LED infravermelho com desempenho reduzido;
problemas elétricos no controle;
receptor com sensibilidade reduzida.
Por isso o comportamento à distância também fornece informações úteis para o diagnóstico.
Todos os controles remotos funcionam com infravermelho?
Não.
Esse é outro ponto que merece atualização em relação ao texto original.
Muitos controles tradicionais utilizam infravermelho, mas atualmente existem também controles que utilizam outras tecnologias, como:
radiofrequência (RF) e Bluetooth.
Esses controles podem funcionar sem precisar ser apontados diretamente para o aparelho.
E, naturalmente, o teste da câmera não serve para verificar uma transmissão Bluetooth ou RF.
Portanto, antes de concluir que o controle está defeituoso, precisamos saber:
ele realmente utiliza infravermelho?
Como desconfiar que o controle utiliza outra tecnologia?
Se o controle possui recursos como:
comando por voz;
pareamento;
funcionamento sem apontar para o aparelho,
ele pode utilizar Bluetooth ou alguma forma de radiofrequência para determinadas funções.
Alguns controles modernos podem inclusive combinar tecnologias.
Nesse caso, o fato de não enxergarmos o LED infravermelho pela câmera não necessariamente indica defeito.
O teste com o celular continua extremamente útil
Para os tradicionais controles infravermelhos, entretanto, é difícil encontrar um teste doméstico mais simples.
Não precisamos:
abrir o controle;
usar multímetro;
usar osciloscópio;
construir nenhum circuito.
Precisamos apenas de:
controle + celular.
E conseguimos fazer uma primeira separação entre:
“parece estar transmitindo”
e
“não estou detectando nenhuma transmissão”.
Quer fazer um diagnóstico ainda melhor?
Podemos seguir uma sequência lógica:
1. Coloque pilhas comprovadamente boas.
2. Verifique os contatos das pilhas.
3. Abra a câmera do celular.
4. Teste se a câmera detecta IR usando outro controle conhecido.
5. Aponte o controle suspeito para a câmera.
6. Pressione vários botões.
7. Observe se o LED pisca.
Se ele piscar:
o controle está pelo menos emitindo infravermelho.
Se apenas alguns botões provocarem emissão:
podemos suspeitar dos contatos desses botões.
Se nenhum botão produzir emissão, mesmo com pilhas boas e uma câmera que sabemos detectar IR:
há uma indicação mais forte de defeito no controle.
Podemos testar o LED infravermelho com eletrônica?
Sim.
Se quisermos avançar além do teste com o celular, podemos utilizar componentes eletrônicos específicos para detectar infravermelho.
Um receptor IR pode transformar os pulsos recebidos em sinais elétricos que podemos analisar.
A partir daí, podemos utilizar:
microcontroladores;
osciloscópio;
analisador lógico
ou outros instrumentos para estudar a transmissão.
É aí que aquele simples teste doméstico começa a se transformar em um projeto de eletrônica.
Podemos até usar Arduino para receber comandos do controle
Esse é um experimento muito interessante.
Podemos conectar um receptor infravermelho a um Arduino ou outro microcontrolador e tentar identificar os comandos enviados pelo controle.
A sequência passa a ser:
botão do controle
↓
LED infravermelho
↓
pulsos de luz
↓
receptor IR
↓
sinal elétrico
↓
microcontrolador
↓
interpretação do comando.
Depois podemos programar alguma ação.
Por exemplo:
apertar botão → acender LED
ou:
apertar botão → acionar um circuito.
Assim começamos com a pergunta:
“meu controle está quebrado?”
e terminamos estudando:
comunicação digital por infravermelho.
Já eziste o dinamo com o motor , que pode ser movido com a própria energia do mesmo ? Com bateria dando impulso na partida ?
Acredito que você esteja falando sobre moto perpétuo. No caso, mesmo dando a partida com uma bateria externa, ele não se sustenta. Há muitas perdas nessa ligação, na parte mecânica e elétrica.