Construir o próprio aeromodelo elétrico pode parecer uma tarefa extremamente complicada para quem nunca fez isso.
Fuselagem, asa, leme, profundor, motor, servos, receptor, ESC…
Quando olhamos um aeromodelo pronto, temos a impressão de que seria necessário dominar uma quantidade enorme de técnicas antes de conseguir construir um.
Mas minha experiência mostrou que não precisa ser assim.
Quando decidi fazer minha primeira construção de um aeromodelo, escolhi propositalmente um projeto simples. O modelo escolhido foi o Slowly, um avião de apenas três canais, sem ailerons. A fuselagem foi construída principalmente em Depron de 5 mm, enquanto a asa acabou sendo feita em estrutura de balsa e entelada com papel de seda.
E justamente por ser minha primeira construção, fiz várias experiências durante o processo.
Algumas deram certo imediatamente.
Outras me fizeram mudar completamente de ideia no meio da construção.
É isso que torna esse tipo de projeto tão interessante.
Por que escolhi um aeromodelo simples?
Para uma primeira construção, não queria começar com um avião complexo.
Quanto maior a quantidade de elementos, maior também a quantidade de coisas que precisamos construir, instalar e ajustar.
O Slowly não possui ailerons.
Isso significa que podemos trabalhar com apenas três canais:
motor;
leme;
profundor.
Essa simplicidade facilita bastante o primeiro projeto.
O que são os três canais?
Cada canal do rádio controla uma função.
No caso de um aeromodelo simples como esse, podemos pensar:
Canal do acelerador → ESC → motor
Canal do profundor → servo → profundor
Canal do leme → servo → leme
Assim conseguimos controlar:
velocidade;
subida e descida;
direção.
E como o avião faz curvas sem ailerons?
Essa é uma característica interessante dos aeromodelos de três canais.
Em um avião convencional com ailerons, eles são utilizados para controlar diretamente o movimento de rolagem.
Quando não temos ailerons, o projeto da asa pode utilizar diedro para ajudar na estabilidade lateral e permitir que o comando de leme contribua para a realização das curvas.
O que é o diedro da asa?
Quando observamos o avião de frente, podemos perceber que as duas metades da asa não precisam formar uma linha perfeitamente horizontal.
As pontas podem ficar ligeiramente mais altas.
Temos aproximadamente:
ponta ↗︎ centro ↖︎ ponta
Esse ângulo é chamado de diedro.
Ele contribui para a estabilidade lateral do aeromodelo e é particularmente importante em muitos modelos treinadores de três canais.
No projeto original do Slowly que utilizei, a informação do diedro não constava na planta. Para chegar ao ângulo, pesquisei outros modelos de três canais com asa em diedro e utilizei um deles como referência.
O primeiro passo foi conseguir a planta
A construção começou pela planta do aeromodelo.
Não precisei de uma impressora de grande formato.
Imprimi a planta em várias folhas A4 e depois colei as folhas para formar o desenho completo.
Essa é uma solução simples e muito útil para projetos caseiros.
Temos:
arquivo da planta
↓
impressão em várias folhas A4
↓
alinhamento das folhas
↓
colagem
↓
planta em tamanho real
Confira a escala antes de cortar qualquer material
Quando imprimimos uma planta em várias folhas, vale conferir se ela saiu realmente na escala esperada.
Alguns programas ou drivers de impressão podem utilizar opções como:
ajustar à página;
reduzir;
ampliar.
Uma pequena diferença em uma folha pode se transformar em uma diferença significativa no tamanho final do modelo.
Por isso, se a planta possuir alguma medida de referência, confira com uma régua.
Transformando a planta em moldes
Depois de montar a planta, o passo seguinte foi recortar as peças de papel.
Essas peças passaram a funcionar como moldes para transferir os formatos para o material da construção.
A lógica é muito simples:
Planta
↓
Recorte do molde de papel
↓
Molde sobre o Depron
↓
Marcação
↓
Corte da peça
É uma técnica acessível e não exige equipamentos sofisticados.
O Depron de 5 mm
Para a fuselagem utilizei Depron de 5 mm.
O Depron é um material leve e bastante interessante para determinadas construções de aeromodelos.
Ele pode ser:
marcado;
cortado;
lixado;
colado.
Para quem está fazendo uma primeira construção, trabalhar com placas facilita bastante a transferência das formas da planta.
Transferindo o desenho para o Depron
Coloquei o molde da fuselagem sobre a placa de Depron.
Depois fiz o contorno e utilizei um estilete para realizar o corte.
O segredo é não ter pressa.
Quanto mais preciso for o corte, menos trabalho teremos posteriormente para corrigir a peça.
Utilize uma lâmina em boas condições
Uma lâmina ruim pode:
rasgar o material;
produzir bordas irregulares;
exigir força excessiva;
dificultar curvas.
Quando perceber que o estilete não está cortando de maneira limpa, troque ou ajuste a lâmina.
E sempre faça o corte sobre uma superfície apropriada, mantendo as mãos fora da trajetória da lâmina.
Uma dica essencial: lixe as peças
Depois de cortar o Depron, passei uma lixa para retirar as rebarbas.
Essa foi uma das dicas que considerei essenciais durante a construção:
as peças devem ser lixadas depois do corte.
Pode parecer um detalhe estético, mas não é apenas isso.
Peças bem acabadas facilitam:
encaixes;
alinhamento;
colagem;
acabamento final.
Não tente corrigir tudo utilizando cola
Se duas peças deveriam se encontrar corretamente e existe uma grande abertura entre elas, colocar uma enorme quantidade de cola não é necessariamente a melhor solução.
Primeiro confira:
o corte;
o ângulo;
o alinhamento.
Quanto melhor for a preparação das peças, melhor tende a ficar a montagem.
A fuselagem começa a ganhar forma
Depois dos primeiros cortes, comecei a unir as peças.
É uma etapa muito interessante porque aquele conjunto de placas planas começa finalmente a parecer um avião.
Na minha construção, utilizei também alguns pedaços de balsa como reforços estruturais na fuselagem.
Temos então uma combinação de materiais:
Depron → estrutura principal da fuselagem
Balsa → reforços em determinadas regiões
Por que utilizar reforços?
Um material leve é excelente para um aeromodelo.
Mas existem regiões que podem receber esforços maiores.
Por exemplo:
fixação da asa;
região do motor;
trem de pouso, dependendo do projeto;
pontos de união estrutural.
Nesses locais, reforços adequadamente planejados podem aumentar a resistência sem adicionar uma quantidade exagerada de peso.
Peso é sempre uma preocupação
Quando estamos construindo nosso primeiro avião, existe uma tentação:
“vou reforçar bastante para não quebrar.”
Colocamos mais madeira.
Mais cola.
Mais reforços.
Mais peças.
E realmente podemos terminar com uma estrutura muito resistente.
O problema é que ela também pode ficar muito pesada.
No aeromodelismo, peso adicional precisa ser considerado cuidadosamente.
Leve não significa frágil
Uma boa construção procura colocar material onde ele realmente é necessário.
O objetivo não é construir a estrutura mais forte possível.
É construir uma estrutura suficientemente resistente com o menor peso adequado ao projeto.
Essa diferença é fundamental.
Montagem do leme e do profundor
Com a fuselagem avançando, comecei também a montagem do:
leme
e
profundor.
Essas superfícies serão responsáveis por parte fundamental do controle do aeromodelo.
O leme controla a guinada.
O profundor controla a arfagem.
O profundor
O profundor fica na parte traseira do avião e permite alterar a atitude do modelo em torno do eixo transversal.
De maneira simplificada, seu movimento está relacionado aos comandos que fazem o avião:
levantar o nariz
ou
baixar o nariz.
É uma das superfícies fundamentais para controlar o voo.
O leme
O leme também fica na cauda.
Ele movimenta o avião em torno do eixo vertical.
De maneira simplificada, permite comandar:
esquerda
e
direita.
Em um modelo de três canais sem ailerons, o leme possui papel particularmente importante nas curvas.
As superfícies precisam movimentar livremente
Depois da instalação, verifique se:
leme movimenta para os dois lados;
profundor movimenta para cima e para baixo;
não existem pontos de travamento;
as dobradiças estão funcionando corretamente.
O servo não deve precisar lutar contra uma superfície presa.
Depois vieram os servos
Os servos transformam o comando enviado pelo rádio em movimento mecânico.
A sequência é:
Transmissor
↓
Receptor
↓
Servo
↓
Linkagem
↓
Superfície de controle
Quando movimentamos o stick, o servo movimenta o leme ou o profundor.
Centralize o servo antes de fazer a linkagem
Uma boa prática é ligar o sistema de rádio antes de instalar definitivamente o braço do servo.
Deixe:
stick centralizado;
trim centralizado;
servo em posição neutra.
Depois posicione a superfície de controle aproximadamente neutra e ajuste a linkagem.
Isso facilita muito o acerto inicial.
Agora chegamos à asa
A asa foi uma das partes em que mais experimentei durante essa primeira construção.
Minha ideia inicial era utilizar:
nervuras de balsa
e
cobertura de Depron.
Cheguei inclusive a iniciar a construção dessa maneira.
Mas mudei de ideia.
Decidi construir toda a estrutura da asa em balsa
Depois dos primeiros testes, abandonei a ideia da cobertura em Depron e optei por construir toda a estrutura da asa em balsa.
Esse é um ótimo exemplo de algo que acontece quando construímos.
Nem sempre aquilo que imaginamos inicialmente será a solução utilizada até o final.
À medida que o projeto avança, aprendemos e fazemos escolhas diferentes.
O que são as nervuras?
As nervuras são peças que ajudam a definir o perfil da asa.
Podemos imaginar a asa como uma estrutura formada por diversos elementos.
As nervuras aparecem distribuídas ao longo dela e ajudam a manter o formato desejado.
Depois, essa estrutura recebe a entelagem.
A estrutura precisa ser montada alinhada
Na construção de uma asa de balsa, alinhamento é fundamental.
Uma asa empenada pode modificar o comportamento do avião.
Por isso, durante a montagem:
trabalhe sobre uma superfície plana;
confira o alinhamento;
não tenha pressa na colagem.
O fato de as peças encaixarem não significa automaticamente que toda a asa esteja geometricamente correta.
Inicialmente pensei em utilizar Monokote
Uma possibilidade para entelar uma estrutura de balsa é utilizar um filme termoencolhível, como o conhecido Monokote.
Mas encontrei um problema.
Minha estrutura ainda não estava resistente o suficiente para esse tipo de entelagem.
Quando o material termoencolhível é aquecido, ele contrai.
Essa contração exerce força sobre a estrutura.
Uma estrutura fraca pode empenar
Se a estrutura de balsa não possuir rigidez suficiente, a contração do material de entelagem pode deformá-la.
Esse é um problema sério.
A asa pode parecer bonita visualmente, mas terminar:
torcida;
empenada;
assimétrica.
Por isso, no meu projeto decidi seguir outro caminho.
Utilizei papel de seda
Como minha estrutura não estava suficientemente resistente para o Monokote, fiz a entelagem utilizando papel de seda, aquele papel fino também muito conhecido pela utilização em pipas.
O resultado me surpreendeu.
Depois do processo, a superfície ficou muito lisa.
E a técnica é bastante interessante.
Como fiz a entelagem com papel de seda
Primeiro preparei uma mistura de:
cola branca + água.
Utilizei aproximadamente:
50% de cola branca
e
50% de água.
Com um pequeno pincel, apliquei essa mistura sobre a balsa nas regiões em que o papel precisava ficar preso.
Cole somente as extremidades
Esse detalhe foi muito importante na técnica que utilizei.
A cola foi aplicada nas extremidades, e não em toda a região central do papel.
Temos:
estrutura de balsa
↓
cola diluída nas bordas
↓
papel de seda
Depois de prender o papel nas extremidades, ainda precisamos esticá-lo.
E é aí que acontece a parte mais interessante.
A mágica acontece com água
Depois que o papel estava completamente colocado, utilizei um borrifador com água.
Borrifei água sobre toda a asa:
parte superior
e
parte inferior.
Quando fazemos isso pela primeira vez, a aparência pode assustar.
O papel molhado parece enrugado.
Pode dar a impressão de que estragamos todo o trabalho.
Mas é preciso esperar.
Depois que seca, o papel fica esticado
À medida que a água evapora, o papel se contrai.
O resultado que obtive foi uma superfície completamente esticada e muito bonita.
É uma técnica extremamente simples:
colar
↓
borrifar água
↓
esperar secar
↓
papel tensionado
Para minha primeira construção, foi uma experiência muito interessante.
Molhe os dois lados
Quando trabalhamos com estruturas leves, queremos evitar tensões muito diferentes entre os lados.
Por isso, na minha construção borrifei água tanto na parte superior quanto na inferior da asa.
Depois deixe a estrutura secar em uma posição adequada.
Evite tentar acelerar o processo de qualquer maneira que possa deformar a asa.
Confira novamente o alinhamento depois da secagem
Quando a entelagem estiver completamente seca, coloque a asa sobre uma superfície adequada e observe.
Veja se existe:
torção;
empenamento;
assimetria entre os lados.
Quanto mais cedo identificarmos uma alteração, melhor.
E o diedro?
Como o Slowly não possui ailerons, o diedro é uma característica importante da asa.
No meu caso, como a planta não informava o ângulo, utilizei como referência outro projeto de aeromodelo de três canais com diedro.
Hoje, se você estiver reproduzindo uma planta, procure seguir a geometria indicada pelo projetista sempre que ela estiver disponível.
Evite escolher um ângulo apenas porque visualmente parece bonito.
O avião começa finalmente a parecer pronto
Depois da fuselagem, leme, profundor e asa, chegamos àquela etapa muito gratificante da construção.
Colocamos as partes próximas umas das outras e finalmente vemos:
um avião.
No meu projeto, deixei alguns detalhes puramente estéticos para depois do primeiro voo.
Essa decisão faz bastante sentido.
Primeiro precisamos descobrir se o modelo está estruturalmente e funcionalmente correto.
Depois podemos investir mais tempo no acabamento.
Não tenha pressa com a estética
Na primeira construção, é fácil gastar horas fazendo:
detalhes;
pintura;
acabamentos;
decoração.
Tudo isso é interessante.
Mas antes precisamos ter certeza de que:
a estrutura está correta;
a asa está alinhada;
os comandos funcionam;
o centro de gravidade está adequado;
a motorização está funcionando.
O avião precisa voar antes de precisar ficar perfeito.
A eletrônica básica do aeromodelo
Para transformar a estrutura em um aeromodelo elétrico rádio controlado, precisamos de alguns componentes.
Em uma configuração básica podemos ter:
motor elétrico;
ESC;
bateria;
receptor;
dois servos.
Como não existem ailerons nesse projeto, um servo pode controlar o leme e outro o profundor.
Como os componentes são ligados?
Podemos visualizar:
Bateria
↓
ESC
↓
Motor
Enquanto o comando do acelerador segue:
Transmissor → Receptor → ESC
Para as superfícies:
Transmissor → Receptor → Servo do leme
e:
Transmissor → Receptor → Servo do profundor
É uma configuração relativamente simples.
Veja abaixo a planta do aeromodelo. Eu imprimi em folhas A4 e colei elas para montar a planta.

O passo seguinte foi cortar os modelos de papel para servirem como base para os cortes do depron.

Veja abaixo o molde da fuselagem sobre a placa de depron. Fiz o contorno com canela e depois o corte com estilete.

Depois de cortado ficou parecido com a foto abaixo. Digo parecido, pois abaixo já foi passada lixa para tirar as rebarbas. Essa dica é essencial. Todas as peças devem ser lixadas após o corte.

Adiantando um pouco mais, abaixo podemos ver a fuselagem já tomando forma.

Vista de cima. Veja que usei alguns pedaços de balsa para reforço estrutural.

Visão inferior.

Leme e profundor começando a serem montados.

Visão lateral da fuselagem já com profundor e leme instalados.

Construção da asa.
Inicialmente iria fazer as nervuras com balsa e a cobertura com depron. Veja como fiz inicialmente.


Porém logo deixei de seguir nesse caminho e decidi construir a estrutura toda em balsa.


Ela ainda levou vários outros reforços em balsa. Na foto abaixo ainda estava no início. Se for entelar com monokote é importantíssimo fazer muito resistente. Caso contrário durante a contração desse material a balsa irá empenar.


Como a minha estrutura de balsa não estava resistente o suficiente para o monokote, utilizei papel de seda na entelagem. Ficou show, lisinho mesmo. A dica para entelar com papel é a seguinte. Dilua a cola branca em água em cerca de 50%. Com um pincel pequeno vá passando na balsa. Depois venha com o papel colando as extremidades. Não passe cola nas partes centrais do papel, somente nas extremidades. Caso contrário você terá problemas na hora de esticar o papel.
Depois que colar tudo é que vem a mágica para esticar o papel. Consiga um borrifador e coloque água nele. Vá borrifando a água por toda a asa, tanto na parte superior quanto inferior. Após fazer isso você pode achar que estragou tudo, pois o aspecto vai ficar bem ruim. Porém após a água secar o papel ficará completamente esticado, coisa linda mesmo.
Veja o avião praticamente montado. Faltam uns detalhes que serão montados somente após o primeiro voo, por serem coisas estéticas somente.

O ESC controla o motor
ESC significa:
Electronic Speed Controller.
O controlador recebe o comando do receptor e controla a potência entregue ao motor.
Em um sistema elétrico temos:
Bateria → ESC → Motor
O ESC utilizado precisa ser compatível com:
tipo de motor;
tensão da bateria;
corrente exigida.
O BEC pode alimentar receptor e servos
Muitos ESCs utilizados em aeromodelismo possuem um circuito BEC integrado.
Nesse caso, a própria bateria principal pode alimentar também:
receptor
e
servos
através do controlador.
Temos:
Bateria → ESC/BEC → Receptor → Servos
Mas sempre verifique as especificações do equipamento utilizado.
A escolha do motor precisa considerar o avião
Um motor não deve ser escolhido apenas porque:
“parece potente.”
Precisamos considerar:
peso do aeromodelo;
hélice;
tensão da bateria;
corrente;
características de voo desejadas.
Um treinador simples não precisa necessariamente de uma motorização exagerada.
Motor maior também significa consequências
Mais potência pode significar:
maior corrente;
ESC maior;
bateria maior;
mais peso.
Por isso, todos os componentes precisam ser considerados como um sistema.
No aeromodelismo elétrico, uma alteração aparentemente pequena pode influenciar várias outras escolhas.
A hélice também faz parte da motorização
Não pense apenas em:
motor + bateria.
A hélice representa a carga mecânica do motor.
Alterar seu:
diâmetro;
passo
pode modificar significativamente a corrente consumida.
Uma hélice inadequada pode sobrecarregar motor e ESC.
Por isso, siga as recomendações do fabricante do motor e, quando possível, verifique o consumo do conjunto.
A bateria precisa ficar bem presa
Dentro da fuselagem, a bateria não pode ficar solta.
Durante o voo, o avião pode:
subir;
descer;
inclinar;
sofrer acelerações.
Se a bateria se deslocar, o centro de gravidade também pode mudar.
Isso pode alterar significativamente o comportamento do modelo.
O centro de gravidade é fundamental
Antes do primeiro voo precisamos verificar o CG — centro de gravidade.
A posição correta deve seguir a recomendação do projeto.
Não tente descobrir o centro de gravidade simplesmente colocando o avião no ar.
Um CG inadequado pode tornar o aeromodelo muito difícil ou até impossível de controlar.
Podemos ajustar o CG movendo a bateria
A bateria normalmente é um dos componentes mais pesados.
Por isso, sua posição pode ser utilizada para ajudar no ajuste do centro de gravidade.
Se possível, é preferível primeiro tentar posicionar corretamente os componentes antes de acrescentar peso morto apenas para balanceamento.
Verifique o sentido dos comandos
Antes do primeiro voo, coloque o avião em uma posição segura e teste o rádio.
Movimente o comando do profundor.
Confira a superfície.
Depois movimente o leme.
Confira novamente.
É muito importante verificar se cada comando atua no sentido correto.
Um comando invertido pode causar a perda do modelo imediatamente após a decolagem.
Faça essa conferência olhando o próprio avião
Não confie apenas na posição do braço do servo.
Observe o efeito da superfície.
Teste:
leme para esquerda e direita;
profundor para cima e para baixo.
Se o comando estiver invertido, faça a correção adequada no rádio ou na instalação antes do voo.
Confira também o curso das superfícies
Movimento demais pode deixar o avião extremamente sensível.
Movimento insuficiente pode dificultar o controle.
Se a planta ou projeto indicar valores de deflexão, utilize-os como referência.
Rádios programáveis também podem permitir ajustes como:
endpoints;
dual rate;
exponencial.
Para uma primeira construção, não invente cursos exagerados pensando que isso dará “mais controle”.
Faça um teste do sistema de rádio
Antes de voar, realize o procedimento de teste de alcance recomendado pelo fabricante.
Confira:
transmissor;
receptor;
antena;
alimentação.
O momento de descobrir um problema de rádio não é quando o avião já está distante.
Atenção máxima ao testar o motor
Um motor elétrico pode partir praticamente de forma instantânea.
Durante configurações e testes em bancada, retirar a hélice quando ela não for necessária reduz significativamente o risco de acidentes.
Depois que a hélice estiver instalada, trate o modelo como se o motor pudesse ligar a qualquer momento enquanto estiver energizado.
Nunca coloque mãos ou objetos no plano de rotação.
Confira o sentido de rotação do motor
Antes do primeiro voo, verifique se:
motor gira no sentido correto
e
hélice está instalada corretamente.
Uma hélice instalada ou acionada incorretamente pode produzir desempenho muito inferior ao esperado.
Observe o peso final
Durante toda a construção adicionamos pequenas coisas:
cola;
reforços;
fios;
conectores;
servos;
bateria;
acabamento.
Individualmente parecem leves.
Somadas, podem representar uma diferença importante.
Por isso, pesar o modelo ao final da construção é uma informação muito útil.
Minha primeira construção também foi um processo de aprendizagem
Essa talvez seja a parte mais importante desse projeto.
Eu não comecei sabendo exatamente como faria tudo.
A asa é um ótimo exemplo.
Inicialmente pensei em:
nervuras de balsa + cobertura de Depron.
Depois mudei para:
estrutura toda em balsa.
Pensei em utilizar Monokote.
Percebi que minha estrutura não estava suficientemente resistente.
Então utilizei:
papel de seda + cola branca diluída + água.
E o resultado ficou muito bom.
Construir também significa experimentar.
Não precisamos começar pelo aeromodelo mais complicado
Para uma primeira construção, um projeto simples oferece várias vantagens.
Temos menos:
servos;
linkagens;
superfícies móveis;
ajustes.
Isso permite concentrar nossa atenção nos fundamentos:
cortar corretamente;
colar;
alinhar;
construir uma asa;
instalar rádio;
ajustar comandos;
balancear o modelo.
Depois podemos avançar para projetos mais sofisticados.
Construir ensina coisas que um modelo pronto não ensina
Quando compramos um avião pronto, muitos problemas já foram resolvidos pelo fabricante.
Quando construímos, precisamos pensar:
por que existe esse reforço?
como essa superfície se movimenta?
onde instalar o servo?
como fazer a linkagem?
como distribuir o peso?
como ligar o receptor?
como dimensionar a motorização?
Começamos a compreender o aeromodelo como um sistema.
Madeira, Depron, eletrônica e aerodinâmica se encontram no mesmo projeto
Essa é uma das características que considero mais interessantes no aeromodelismo.
Em uma única construção trabalhamos com:
materiais;
estrutura;
mecânica;
elétrica;
eletrônica;
rádio controle;
aerodinâmica.
Cada pequena etapa ensina alguma coisa.
E existe uma satisfação diferente quando o modelo foi construído por você
Primeiro temos apenas:
uma planta impressa em folhas A4.
Depois:
alguns pedaços de papel recortados.
Depois:
placas de Depron.
Depois:
pedaços de balsa.
Aos poucos surge:
fuselagem;
leme;
profundor;
asa.
Até que chega o momento em que colocamos tudo junto e percebemos que aquilo realmente se transformou em um aeromodelo.
Foi exatamente esse processo que registrei nesta minha primeira construção.
Veja a construção do aeromodelo
Na página original é possível acompanhar as fotografias das diferentes etapas: desde o molde da fuselagem sobre o Depron até a estrutura da asa e o avião praticamente montado.
Para quem nunca construiu um aeromodelo, talvez a principal mensagem seja justamente aquela que motivou o título original deste projeto:
pode ser muito mais fácil do que você imaginava.
Não significa que tudo sairá perfeito na primeira tentativa.
No meu próprio projeto houve mudanças de estratégia durante a construção.
Mas é justamente fazendo que começamos a compreender como cada parte funciona.
Quer aprender a entender e montar seus próprios modelos RC?
Construir um aeromodelo fica ainda mais interessante quando entendemos também aquilo que acontece na parte elétrica e eletrônica.
Precisamos compreender a relação entre:
motor;
ESC;
BEC;
bateria;
receptor;
servos;
rádio controle;
consumo de corrente.
A proposta é que você consiga não apenas utilizar um modelo pronto, mas entender como seus componentes funcionam, fazer as ligações corretamente, diagnosticar problemas e desenvolver suas próprias adaptações e projetos de rádio controle.
bastante versatil este projeto parabens.
Muito legal esse projeto. Mas fiquei na dúvida em relação a essa inclinação na ponta das asas, como você faz pra saber?
Olhei a foto do projeto e não vi essa informação.
Obrigado.
Olá Franz,
Realmente a informação do diedro não consta na planta. Para chegar ao ângulo fiz uma pesquisa em outros modelos de 3 canais de asa com diedro. Infelizmente não me recordo qual a planta que usei como base para o diedro.
Abraço.