Diferentes espessuras de solda: como medir com o paquímetro e escolher a mais adequada

Quando começamos a trabalhar com eletrônica e soldagem, é comum prestar muita atenção ao ferro de soldar, à temperatura e aos componentes, mas esquecer um detalhe importante: a espessura do fio de solda.

Existem fios de solda com diferentes diâmetros, e essa diferença pode influenciar bastante a facilidade com que realizamos uma soldagem.

Uma solda mais grossa pode ser interessante para determinadas conexões maiores, enquanto uma solda mais fina permite controlar melhor a quantidade de material aplicada em pequenos componentes e placas eletrônicas.

Como funciona um Rádio Controle?
Como funciona um Rádio Controle?
Entenda transmissor, receptor e servo na prática e aprenda eletrônica construindo seu próprio sistema.
CONHEÇA O CURSO →

Mas como saber qual é a espessura do fio de solda que temos na bancada?

Uma maneira muito simples é utilizando o paquímetro.

O fio de solda não possui sempre a mesma espessura

Quando olhamos duas bobinas de solda separadamente, pode parecer difícil perceber a diferença.

Mas colocando os fios lado a lado podemos encontrar diâmetros diferentes.

Essa medida normalmente é expressa em milímetros.

Por exemplo, podemos encontrar fios relativamente finos destinados a trabalhos delicados e outros mais grossos, adequados a pontos de soldagem maiores.

A escolha depende muito do trabalho que estamos realizando.

Por que a espessura da solda faz diferença?

Quando encostamos o fio de solda na região aquecida, ele derrete e fornece material para formar a junta.

Quanto maior o diâmetro do fio, maior será a quantidade de material fornecida para um mesmo comprimento aproximadamente alimentado.

Isso significa que, utilizando um fio muito grosso em uma pequena ilha de uma placa eletrônica, podemos adicionar solda demais com muita facilidade.

Com um fio mais fino, conseguimos controlar melhor essa quantidade.

Solda fina é muito interessante para eletrônica

Imagine que precisamos soldar:

resistores;

capacitores;

transistores;

pequenos conectores;

terminais próximos uns dos outros;

componentes em uma placa de circuito impresso.

Nessas situações, normalmente não precisamos de uma grande quantidade de solda.

Um fio mais fino permite alimentar o ponto gradualmente.

Colocamos um pouco.

Observamos.

Se necessário, acrescentamos mais.

Esse controle é muito útil principalmente quando estamos aprendendo.

E quando uma solda mais grossa pode ser útil?

Agora imagine uma conexão fisicamente maior.

Podemos ter:

fios mais grossos;

terminais maiores;

conectores;

pontos que exigem maior quantidade de solda.

Utilizar um fio extremamente fino continua sendo possível em muitas situações, mas talvez seja necessário alimentar uma quantidade muito maior de fio até obter o volume desejado.

Uma solda um pouco mais grossa pode tornar o trabalho mais conveniente.

Portanto, não existe simplesmente:

solda fina = boa

e

solda grossa = ruim.

Existe uma espessura mais conveniente para determinado trabalho.

Como medir a espessura da solda?

Podemos utilizar um paquímetro.

O procedimento é simples.

Pegamos um pequeno trecho do fio de solda e utilizamos as faces apropriadas do paquímetro para medir seu diâmetro externo.

Fechamos cuidadosamente até que exista contato com o fio.

Então fazemos a leitura.

O valor obtido corresponde aproximadamente ao diâmetro do fio de solda.

Não aperte demais o paquímetro

Esse cuidado é especialmente importante nesse caso.

O fio de solda é relativamente macio.

Se apertarmos excessivamente as faces do paquímetro, podemos deformar o fio.

Ele deixa de possuir sua seção original e nossa medição pode ser alterada.

Portanto, a ideia é:

encostar, não esmagar.

Faça apenas a pressão necessária para obter a medida.

O paquímetro é extremamente útil na bancada

Muita gente associa o paquímetro exclusivamente à mecânica.

Mas ele também é uma excelente ferramenta para quem trabalha com eletrônica.

Podemos medir, por exemplo:

diâmetro de fios;

espessura de chapas;

diâmetro de eixos;

parafusos;

conectores;

componentes;

furos;

peças utilizadas em projetos.

No modelismo, sua utilidade é ainda maior porque trabalhamos constantemente com pequenas peças mecânicas e eletrônicas.

O que é um paquímetro?

O paquímetro é um instrumento utilizado para realizar medições dimensionais com precisão maior do que aquela normalmente conseguida com uma régua comum.

Dependendo do modelo, podemos medir:

dimensões externas;

dimensões internas;

profundidades.

Existem paquímetros analógicos e digitais.

Para medir o diâmetro de um fio de solda, a operação é relativamente simples, porque estamos realizando uma medida externa.

Por que não usar simplesmente uma régua?

Imagine tentar distinguir com uma régua um fio com aproximadamente 0,8 mm de outro com aproximadamente 1 mm.

Não é a situação mais confortável.

O paquímetro foi desenvolvido justamente para permitir medições pequenas com muito mais facilidade.

Isso se torna ainda mais importante quando precisamos identificar componentes ou materiais cuja diferença dimensional não é facilmente percebida visualmente.

A espessura também interfere na quantidade de solda aplicada

Imagine duas pessoas alimentando aproximadamente o mesmo comprimento de fio em uma junta.

Uma utiliza um fio fino.

Outra utiliza um fio consideravelmente mais grosso.

A quantidade de material adicionada não será a mesma.

É por isso que alguém acostumado a trabalhar com uma determinada espessura pode estranhar bastante quando troca de solda.

O movimento da mão precisa ser adaptado.

Solda demais não significa uma soldagem melhor

Existe uma tendência entre iniciantes de pensar:

“quanto mais solda eu colocar, mais forte ficará.”

Não funciona dessa maneira.

Uma boa junta depende de fatores como:

superfícies adequadas;

aquecimento;

molhabilidade;

material de solda;

fluxo;

execução correta.

Criar uma enorme bola de solda sobre o terminal não corrige uma junta mal executada.

Além disso, excesso de solda pode dificultar a inspeção do ponto e, em placas, aumentar o risco de formar pontes entre conexões próximas.

Solda de menos também pode causar problemas

O extremo oposto também não é desejável.

Precisamos de material suficiente para formar adequadamente a junta.

Portanto, a habilidade está justamente em conseguir fornecer uma quantidade apropriada.

É aí que escolher uma espessura confortável ajuda bastante.

A solda deve fluir sobre o ponto

Em uma soldagem adequada, queremos que o material fundido molhe as superfícies que estão sendo unidas.

Não queremos simplesmente derreter uma bolinha de solda na ponta do ferro e depois tentar colocá-la sobre uma conexão fria.

Uma técnica básica consiste em aquecer adequadamente a região da junta e alimentar a solda de forma que ela funda e flua sobre as superfícies.

A ponta do ferro precisa transferir calor

O ferro de soldar não existe simplesmente para derreter o fio.

Sua função é aquecer adequadamente a região da soldagem.

Se a superfície estiver fria e apenas a solda estiver derretendo, podemos produzir uma conexão de baixa qualidade.

Por isso a sequência de trabalho importa.

Em uma situação simples:

encostamos a ponta no ponto → aquecemos → aproximamos a solda → deixamos fluir → retiramos a solda → retiramos o ferro.

O fluxo também é importante

Muitos fios de solda destinados à eletrônica possuem fluxo em seu interior.

O fluxo auxilia o processo de soldagem, ajudando na preparação das superfícies durante a operação.

É por isso que, ao derreter determinados fios de solda, podemos observar fumaça.

Essa fumaça não deve ser respirada deliberadamente, e uma bancada bem ventilada é sempre recomendável.

Trabalhe em local ventilado

Soldagem eletrônica produz fumos.

Uma boa prática é trabalhar com ventilação adequada e evitar posicionar o rosto diretamente sobre o ponto de soldagem.

Na minha própria bancada, inclusive, já mostrei uma solução de exaustor para retirar a fumaça produzida durante a soldagem.

É um ótimo exemplo de como pequenas melhorias na bancada tornam o trabalho mais confortável.

A composição da solda também importa

Espessura não é a única característica de um fio de solda.

Existem diferentes ligas utilizadas em soldagem eletrônica.

Historicamente, ligas contendo estanho e chumbo foram muito utilizadas, enquanto atualmente encontramos também diversas ligas sem chumbo.

Cada composição possui características próprias, inclusive relacionadas à temperatura de trabalho e ao comportamento durante a soldagem.

Portanto, duas bobinas com exatamente o mesmo diâmetro não são necessariamente iguais.

Não escolha uma solda apenas pelo diâmetro

Ao comprar material para a bancada, observe também as especificações do fabricante.

Entre as informações relevantes podem estar:

composição da liga;

diâmetro;

tipo de fluxo;

quantidade;

aplicação recomendada.

O diâmetro é apenas uma das características.

Mas é uma característica muito fácil de comparar experimentalmente com o paquímetro.

O ferro também precisa ser adequado ao trabalho

Não adianta escolher uma solda extremamente fina para trabalhar em uma pequena placa e utilizar uma ponta enorme que aquece vários pontos simultaneamente.

Da mesma forma, tentar aquecer uma grande conexão com um ferro incapaz de fornecer calor suficiente pode dificultar bastante o trabalho.

Precisamos pensar no conjunto:

ferro + ponta + temperatura + solda + tamanho da junta.

Uma ponta limpa ajuda muito

Durante o trabalho, a ponta do ferro pode acumular resíduos e oxidar.

Uma ponta em boas condições transfere calor muito melhor.

Por isso, cuidar da ponta é parte importante da soldagem.

Além de limpar adequadamente, é comum manter uma pequena camada de solda sobre a superfície ativa da ponta.

Esse processo ajuda na transferência térmica e na conservação da superfície.

Soldagem é uma habilidade prática

Podemos ler bastante sobre soldagem.

Mas existe uma parte que somente aparece quando começamos a praticar.

Quanto tempo deixar o ferro no ponto?

Quanto fio alimentar?

Qual pressão utilizar?

Quando retirar?

Como perceber se a solda fluiu corretamente?

Com algumas dezenas de juntas, começamos a desenvolver essa percepção.

E experimentar diferentes espessuras de fio ajuda bastante.

Faça uma pequena placa de treinamento

Uma ótima forma de aprender é utilizar uma placa destinada apenas a experiências.

Pegue:

resistores baratos;

pedaços de fios;

terminais;

uma placa perfurada.

Faça várias soldagens.

Experimente uma solda mais fina.

Depois uma mais grossa.

Observe quanto fio você precisa alimentar em cada situação.

Compare os resultados.

É muito melhor aprender dessa maneira do que fazer as primeiras experiências diretamente em um equipamento importante.

Meça antes de confiar apenas na aparência

Essa é uma ideia que aparece várias vezes quando trabalhamos com eletrônica.

Dois fios parecem iguais?

Meça.

Uma fonte parece fornecer 5 V?

Meça.

Quer saber quanto um receptor consome?

Meça.

Quer descobrir a espessura da solda?

Meça.

Instrumentos transformam nossas impressões em informações objetivas.

O paquímetro complementa muito bem o multímetro

Podemos pensar em duas ferramentas básicas:

Multímetro → grandezas elétricas

Paquímetro → grandezas dimensionais

Com o multímetro conseguimos investigar:

tensão;

corrente;

resistência;

continuidade.

Com o paquímetro conseguimos investigar:

comprimento;

espessura;

diâmetro;

profundidade.

Para quem constrói projetos eletrônicos e mecânicos, os dois instrumentos são extremamente úteis.

Isso fica ainda mais evidente no modelismo

Imagine construir um barco de controle remoto.

Precisamos medir:

eixo;

hélice;

furo;

madeira;

suporte do motor;

parafusos;

fios;

conectores.

Depois precisamos medir:

tensão;

corrente;

resistência;

alimentação.

Em um único projeto podemos utilizar tanto o paquímetro quanto o multímetro diversas vezes.

É justamente essa mistura entre mecânica e eletrônica que torna o modelismo uma ótima maneira de aprender.

Qual espessura de solda devo comprar?

Não existe uma única resposta válida para todo mundo.

Se você trabalha principalmente com pequenos componentes eletrônicos, uma solda relativamente fina pode oferecer bastante controle.

Se realiza frequentemente conexões maiores, pode preferir uma espessura maior em determinadas situações.

Quem trabalha com diferentes tipos de montagem pode inclusive manter mais de uma espessura na bancada.

Assim escolhe conforme o trabalho.

Para começar, prefira controle

Para quem ainda está desenvolvendo a técnica de soldagem, considero especialmente importante conseguir controlar a quantidade de material aplicada.

É mais fácil acrescentar um pouco mais de solda do que retirar uma enorme quantidade que foi aplicada desnecessariamente.

Por isso, para pequenas montagens eletrônicas, um fio que permita alimentação gradual costuma ser confortável.

Guarde a identificação da bobina

Quando comprar uma solda, não descarte imediatamente todas as informações da embalagem.

Depois de algum tempo você pode gostar muito daquele material e querer comprar novamente.

Anote ou fotografe:

fabricante;

liga;

diâmetro;

tipo de fluxo;

modelo.

Isso evita ter uma ótima experiência com determinada solda e, meses depois, não conseguir descobrir exatamente qual estava utilizando.

E se eu não souber a espessura da solda que já tenho?

É justamente aí que o paquímetro resolve o problema.

Retire um pequeno trecho.

Faça a medição cuidadosamente.

Repita em alguns pontos para conferir.

Agora você possui uma referência aproximada do diâmetro daquele fio.

Pode inclusive etiquetar a bobina para não precisar medir novamente.

Pequenas medições melhoram muito a organização da bancada

Esse hábito pode ser aplicado a outros materiais.

Tem um eixo sem identificação?

Meça.

Tem um parafuso e não lembra o diâmetro?

Meça.

Tem uma chapa e não sabe a espessura?

Meça.

Tem vários fios de solda misturados?

Meça.

Com o tempo, o paquímetro passa a ser uma ferramenta que utilizamos quase automaticamente.

Soldar bem não depende de colocar muita solda

Uma boa soldagem é resultado de controle.

Controle do calor.

Controle do tempo.

Controle da quantidade de solda.

Controle da posição dos componentes.

E a espessura do fio interfere diretamente em um desses elementos: quanto material conseguimos adicionar ao ponto durante o movimento da mão.

Por isso, algo aparentemente simples como comparar a espessura de dois fios de solda pode ajudar bastante a melhorar a técnica.

Quer aprender eletrônica colocando a mão na bancada?

Soldar componentes é uma das primeiras habilidades práticas que transformam a eletrônica em algo concreto.

Depois aparecem outras:

medir tensão;

medir corrente;

identificar resistores;

testar componentes;

montar circuitos;

controlar motores;

ligar LEDs;

utilizar transistores;

diagnosticar defeitos.

No Método 7H RC, a proposta é justamente aprender eletrônica através de experiências práticas e projetos relacionados ao rádio controle e ao modelismo.

Em vez de apenas observar circuitos prontos, você começa a compreender os componentes, realizar suas próprias montagens e utilizar instrumentos como multímetro e paquímetro para descobrir o que realmente está acontecendo na bancada.

A eletrônica começa a ficar muito mais interessante quando deixamos de apenas olhar para os componentes e começamos a medir, soldar, testar e construir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *