Existem várias maneiras de construir o eixo de um barco de controle remoto. Depois de vários anos trabalhando com modelismo e fazendo diferentes experiências, encontrei algumas soluções simples que podem ser utilizadas na construção de barcos e lanchas de nautimodelismo.
O eixo é uma parte importante do sistema de propulsão. É ele que transmite a rotação produzida pelo motor até o hélice, que finalmente transforma essa rotação em movimento da embarcação.
Apesar de existirem conjuntos prontos para comprar, também é possível construir seu próprio eixo utilizando materiais relativamente simples.
Para que serve o eixo do barco?
Em um barco de controle remoto, normalmente temos o motor instalado dentro do casco e o hélice na parte externa, em contato com a água.
Precisamos, portanto, transmitir a rotação do motor para o hélice.
É justamente essa a função do eixo.
Uma extremidade fica conectada ao sistema de propulsão dentro da embarcação e a outra recebe o hélice. Entre elas, o eixo passa por um tubo que atravessa o casco.
Parece uma construção simples, mas existem alguns detalhes importantes. O eixo precisa girar livremente, deve permanecer alinhado e o conjunto precisa dificultar a entrada de água no interior da embarcação.
Usando vareta de solda para construir o eixo
Uma solução que utilizo é aproveitar varetas utilizadas em soldagem.
Existem varetas constituídas de diferentes materiais, porque sua composição varia de acordo com o tipo de material que será soldado. Podemos encontrar, por exemplo, varetas de latão e de outros metais.
Para esse tipo de projeto, o latão apresenta uma característica bastante interessante: pode ser trabalhado com solda de estanho utilizando um ferro de soldar.
Isso facilita bastante a construção das extremidades e de outras peças que eventualmente precisem ser fixadas ao eixo.
É possível soldar o latão com ferro de soldar?
Sim. E aqui é importante não confundir dois processos diferentes.
Quando falo em utilizar uma vareta originalmente destinada à soldagem, isso não significa que precisamos usar uma máquina de solda elétrica para construir o eixo.
Podemos trabalhar determinadas peças de latão utilizando ferro de soldar e solda de estanho, como fazemos em diversos trabalhos de eletrônica.
Um ferro com maior potência facilita bastante o trabalho porque uma peça metálica relativamente grande dissipa rapidamente o calor.
Um ferro de soldar de 100 W, por exemplo, pode facilitar o processo. Entretanto, já consegui realizar esse tipo de trabalho utilizando ferro de aproximadamente 30 W.
O resultado dependerá também do tamanho das peças, da preparação da superfície e da capacidade de aquecer adequadamente a região que receberá a solda.
O eixo precisa girar dentro de um tubo
Resolvido o problema do eixo propriamente dito, ainda precisamos construir outra parte importante do conjunto: o tubo por onde o eixo irá passar e girar.
Não é interessante simplesmente fazer um furo no casco e passar o eixo diretamente por ele.
O tubo cria um caminho definido para o eixo, ajuda a manter o conjunto alinhado e permite trabalhar melhor a lubrificação e a passagem pelo casco.
Para esse tubo também podemos utilizar materiais relativamente fáceis de encontrar.
Tubo de cobre para o eixo
Uma das possibilidades é utilizar tubo de cobre empregado em sistemas de refrigeração.
Dependendo de como é comercializado e armazenado, esse tubo pode estar curvado.
Nesse caso, é necessário endireitá-lo com cuidado.
Eu prefiro fazer isso gradualmente com as próprias mãos, evitando ferramentas que possam amassar o tubo.
Esse cuidado é importante porque o eixo precisa girar em seu interior. Se o tubo ficar achatado ou apresentar uma deformação acentuada, poderá criar atrito ou até impedir o movimento livre do eixo.
O diâmetro interno também precisa ser compatível com o eixo escolhido. Deve existir espaço suficiente para permitir a rotação, mas uma folga exagerada também não é desejável.
Outra opção: tubo de alumínio
Outra solução que já utilizei é aproveitar o tubo de alumínio encontrado em alguns varais ou secadores de roupa.
É um bom exemplo de como materiais aparentemente sem relação com o modelismo podem ser reaproveitados em nossos projetos.
Naturalmente, antes de utilizar qualquer tubo, precisamos verificar suas dimensões e principalmente se o eixo consegue girar adequadamente em seu interior.
A ideia não é utilizar obrigatoriamente um determinado material, mas compreender o que precisamos construir e então procurar materiais que atendam a essa necessidade.
O alinhamento entre motor e eixo é importante
Depois de escolher o eixo e o tubo, precisamos pensar na instalação do conjunto.
O alinhamento merece atenção.
O motor transmite sua rotação ao eixo e, se houver um desalinhamento muito grande, o conjunto poderá apresentar vibração, atrito e perda de eficiência.
Dependendo da construção, pode existir um acoplamento entre o eixo do motor e o eixo do hélice. Esse componente ajuda a transmitir o movimento entre as duas partes e pode admitir pequenas diferenças de alinhamento, conforme o tipo utilizado.
Mesmo assim, não devemos utilizar o acoplamento como desculpa para instalar tudo torto. Quanto melhor conseguirmos alinhar o conjunto desde a construção, melhor.
Também precisamos pensar na entrada de água
Existe ainda outra questão importante: o tubo atravessa o casco e chega até a água.
Isso significa que precisamos considerar a possibilidade de entrada de água por esse caminho.
Uma solução comum é utilizar graxa no interior do tubo do eixo. Além de contribuir para a lubrificação, ela também ajuda a dificultar a passagem da água.
A montagem deve permitir que o eixo gire livremente sem deixar de lado essa preocupação com a vedação.
Depois das primeiras navegações, vale abrir o barco e verificar se existe água acumulada no interior do casco. Essa inspeção simples pode revelar problemas antes que eles afetem os componentes elétricos e eletrônicos.
Não esqueça da manutenção
Depois de pronto, o conjunto do eixo não deve ser simplesmente esquecido.
É interessante verificar periodicamente se o eixo continua girando livremente, se há folgas excessivas e se a lubrificação continua adequada.
Também observe sinais de oxidação ou desgaste.
Se perceber que o motor está fazendo mais esforço que o normal, que o eixo está vibrando ou que existe dificuldade para girá-lo manualmente com o sistema desligado, vale investigar antes de continuar utilizando o barco.
Um problema mecânico no eixo pode acabar aumentando também o esforço exigido do sistema elétrico.
Materiais simples podem resolver muitos problemas no modelismo
Uma das coisas que considero mais interessantes na construção de modelos é justamente a possibilidade de encontrar soluções utilizando materiais que temos disponíveis.
Uma vareta de solda pode se transformar em um eixo. Um tubo originalmente utilizado em refrigeração pode fazer parte do sistema de propulsão. Até uma estrutura tubular de um antigo varal pode fornecer material para uma construção.
O mais importante é compreender qual função determinada peça precisa desempenhar.
A partir daí, fica muito mais fácil avaliar se determinado material pode ou não ser adaptado ao projeto.
Veja a construção do eixo no vídeo
No vídeo abaixo mostro com mais detalhes essas possibilidades para construir o eixo e o tubo do sistema de propulsão de um barco ou lancha de controle remoto.
Construir as próprias peças é uma das partes mais interessantes do nautimodelismo. Além de reduzir a dependência de componentes prontos, o processo ajuda a compreender melhor como cada parte da embarcação funciona.
E quanto mais entendemos a mecânica, a elétrica e a eletrônica envolvidas no modelo, maior é nossa liberdade para experimentar e desenvolver nossas próprias soluções.
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