Lancha de controle remoto navegando em primeira pessoa na piscina do Colégio Militar do Rio de Janeiro

Uma das coisas mais interessantes de utilizar uma câmera pequena e leve no modelismo é poder mudar completamente o ponto de vista de uma filmagem.

Normalmente, quando filmamos uma lancha de controle remoto, permanecemos na margem acompanhando o modelo enquanto ele navega. Vemos o barco passando pela água, fazendo curvas e se afastando.

Mas existe outra possibilidade muito mais imersiva:

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colocar a câmera dentro da própria lancha.

Foi exatamente o que fiz neste projeto. Instalei uma pequena câmera própria para modelismo dentro da minha lancha e fiz algumas filmagens durante uma navegação na piscina do Colégio Militar do Rio de Janeiro, local onde o pessoal do nautimodelismo no Rio de Janeiro costumava se reunir.

O resultado é uma perspectiva completamente diferente: por alguns momentos, parece que estamos dentro da embarcação navegando pela piscina.

O que significa filmar em primeira pessoa?

Quando colocamos uma câmera no próprio modelo, passamos a registrar a cena aproximadamente a partir do ponto de vista dele.

É o princípio da chamada filmagem em primeira pessoa, muitas vezes associada ao termo FPV — First Person View.

Existe, entretanto, uma diferença importante.

Podemos simplesmente gravar as imagens para assistir posteriormente ou podemos transmitir o vídeo em tempo real para quem está pilotando.

No meu caso, a proposta desses vídeos era principalmente colocar a câmera a bordo e registrar a navegação. No artigo original, contei que utilizei uma câmera fabricada pela HobbyKing e destinada ao modelismo.

Uma câmera pequena abre muitas possibilidades no modelismo

Hoje estamos acostumados com câmeras extremamente compactas, mas a redução do tamanho e do peso desses equipamentos abriu possibilidades muito interessantes para quem pratica modelismo.

Uma câmera grande instalada em um pequeno modelo cria vários problemas.

Acrescenta peso.

Ocupa espaço.

Pode modificar o centro de gravidade.

Aumenta a resistência aerodinâmica no caso de um avião.

E, em um barco, pode alterar a distribuição de massa e até a maneira como o casco permanece sobre a água.

Quanto menor e mais leve for a câmera, mais fácil fica incorporá-la ao modelo sem alterar significativamente suas características.

Onde instalar a câmera em uma lancha RC?

A posição da câmera modifica completamente o resultado da filmagem.

Se colocarmos a câmera muito alta, teremos uma visão ampla, mas podemos perder parte daquela sensação de estarmos realmente dentro de uma pequena embarcação.

Se a câmera ficar baixa, próxima da superfície da água, a sensação de velocidade e imersão pode aumentar bastante.

Existe um problema, porém:

água e eletrônica não formam uma boa combinação.

Quanto mais baixa estiver a câmera, maior pode ser sua exposição aos respingos.

Portanto, precisamos encontrar um compromisso entre enquadramento, estabilidade e proteção do equipamento.

A perspectiva baixa transforma a sensação de velocidade

Essa é uma característica muito interessante das filmagens feitas em modelos.

Uma lancha que não parece extremamente rápida quando observada da margem pode transmitir uma sensação completamente diferente quando a câmera está a poucos centímetros da superfície.

A água passa rapidamente diante da lente.

As bordas da piscina se movimentam pelo enquadramento.

Outros modelos parecem maiores.

As curvas se tornam mais perceptíveis.

É semelhante ao que acontece quando colocamos uma câmera muito próxima do chão em um carrinho RC.

A velocidade física do modelo não mudou.

O que mudou foi nossa referência visual.

O tamanho também parece diferente

Quando assistimos a uma lancha RC filmada da margem, temos várias referências que revelam imediatamente sua escala.

Uma pessoa ao lado.

A borda da piscina.

A mão de alguém segurando o barco.

Outros objetos conhecidos.

Quando a câmera passa para dentro da embarcação, muitas dessas referências desaparecem.

O espectador passa a enxergar principalmente:

água + horizonte + ambiente + movimento.

Por alguns momentos, podemos até esquecer que estamos vendo imagens produzidas por um pequeno modelo rádio controlado.

É quase como colocar uma pessoa em miniatura dentro da lancha

Essa é a parte divertida da experiência.

Imagine reduzir uma pessoa até a escala do nautimodelo e colocá-la sentada dentro da embarcação.

O que ela enxergaria?

Provavelmente algo relativamente próximo das imagens produzidas pela câmera.

Naturalmente, a altura e a posição da lente fazem diferença, mas a ideia é justamente essa:

enxergar o ambiente a partir da escala do modelo.

É uma maneira simples de transformar uma navegação comum em uma experiência completamente diferente.

O peso da câmera precisa ser considerado

Apesar de pequenas, câmera, bateria, suporte e cabos possuem massa.

E essa massa será acrescentada ao barco.

Em um modelo relativamente grande, alguns gramas adicionais podem não representar grande problema.

Em uma pequena lancha, porém, a diferença pode ser perceptível.

Além disso, não importa apenas quanto pesa a câmera.

Importa também onde esse peso foi colocado.

Câmera na proa pode modificar a atitude do barco

Imagine instalar todo o conjunto de filmagem na extremidade dianteira da embarcação.

A proa pode ficar mais baixa.

Se instalarmos muito atrás, modificamos a popa.

Se colocarmos o peso de um único lado, podemos produzir uma pequena inclinação lateral.

Por isso, depois de instalar uma câmera, é interessante colocar o barco na água antes da navegação e observar sua posição.

A linha d’água continua adequada?

O barco está inclinado?

A proa afundou mais do que deveria?

Às vezes basta deslocar a câmera ou a bateria alguns centímetros para melhorar bastante o equilíbrio.

Fixar bem a câmera é fundamental

Imagine fazer uma curva mais brusca e descobrir que a câmera estava apenas apoiada sobre o convés.

Além de perder o enquadramento, existe o risco de o equipamento cair dentro do casco ou, pior, na água.

Portanto, a câmera precisa ficar adequadamente presa.

Dependendo do modelo e do equipamento, podemos utilizar suportes, abraçadeiras, velcro ou outras soluções apropriadas.

O importante é garantir que ela não se desloque durante a navegação.

Vibração também afeta a filmagem

Uma lancha possui várias possíveis fontes de vibração.

Motor.

Eixo.

Acoplamento.

Hélice.

A própria interação do casco com a água.

Parte dessa vibração pode chegar à câmera e aparecer no vídeo.

Se a imagem estiver vibrando excessivamente, vale investigar a origem.

E aqui aparece um ponto interessante:

às vezes a filmagem revela problemas mecânicos que não havíamos percebido apenas observando o barco da margem.

Uma hélice desbalanceada pode gerar vibração

Se uma hélice estiver danificada ou desbalanceada, ela pode transmitir vibrações pelo eixo.

O mesmo pode acontecer quando existe desalinhamento entre motor, acoplamento e eixo.

Além de prejudicar o vídeo, vibração excessiva não é desejável mecanicamente.

Portanto, se a câmera começar a registrar uma quantidade incomum de vibração, talvez o problema não esteja na câmera.

Pode ser interessante verificar todo o sistema de propulsão.

Como funciona a propulsão de uma lancha RC?

Apesar de parecer simples externamente, existe um pequeno sistema eletromecânico trabalhando dentro do casco.

Em uma configuração elétrica típica, podemos representar a propulsão assim:

bateria → ESC → motor → acoplamento → eixo → hélice

A bateria fornece energia.

O ESC controla a potência entregue ao motor.

O motor transforma energia elétrica em movimento rotacional.

O eixo transmite essa rotação.

E a hélice produz a força necessária para movimentar a embarcação.

E como controlamos a direção?

Para mudar a direção, normalmente utilizamos um servo conectado ao leme.

O comando pode ser representado de maneira simplificada:

rádio transmissor → receptor → servo → leme

Quando movimentamos o comando no transmissor, o receptor envia o sinal correspondente ao servo.

O servo altera a posição do leme.

O fluxo de água sobre o leme produz a mudança de direção.

Para quem está observando da margem, tudo acontece de maneira bastante intuitiva.

Mas quando colocamos a câmera dentro do barco, começamos a perceber visualmente cada uma dessas curvas.

A filmagem também ajuda a compreender o comportamento do modelo

Uma câmera embarcada não precisa servir apenas para produzir vídeos interessantes.

Ela pode funcionar como uma ferramenta de observação.

Depois da navegação, podemos assistir às imagens e perceber aspectos que talvez tenham passado despercebidos.

O barco inclina muito durante as curvas?

A proa levanta excessivamente durante a aceleração?

Existe muita vibração?

A embarcação oscila?

Há entrada de água?

Em projetos experimentais, registrar o comportamento do modelo pode ajudar bastante durante ajustes posteriores.

Podemos instalar câmeras também em carrinhos RC

O mesmo princípio funciona muito bem no automodelismo.

Uma câmera colocada na parte dianteira de um carrinho cria uma perspectiva muito interessante.

Se ela estiver próxima do solo, a sensação de velocidade aumenta bastante.

Um pequeno obstáculo parece enorme.

Uma subida ganha proporções completamente diferentes.

E podemos utilizar o carrinho como uma pequena plataforma móvel para filmagens.

E naturalmente também nos aeromodelos

Talvez uma das aplicações mais conhecidas seja justamente em aeromodelos.

Uma câmera embarcada permite registrar o mundo a partir do avião.

Mas no aeromodelismo aparecem outras preocupações.

Peso.

Aerodinâmica.

Centro de gravidade.

Fixação.

Vibração.

E segurança.

O posicionamento de uma câmera em um avião pode alterar seu comportamento de maneira mais significativa do que em um barco relativamente grande.

Por isso, qualquer modificação precisa ser feita considerando as características do modelo.

Em barcos temos uma vantagem: bastante espaço

Dependendo da embarcação, um nautimodelo pode oferecer um volume interno muito interessante.

Isso permite instalar não apenas câmeras, mas também diversos outros dispositivos.

Iluminação.

Som.

Sensores.

Microcontroladores.

Sistemas de fumaça ou névoa.

Telemetria.

Bombas.

Mecanismos auxiliares.

Foi justamente essa possibilidade de experimentar diferentes sistemas eletrônicos que sempre me atraiu bastante no nautimodelismo.

A câmera pode até ser controlada pelo rádio

Em projetos mais sofisticados podemos instalar a câmera sobre um pequeno mecanismo movimentado por servos.

Assim, além de controlar a embarcação, podemos alterar a direção da câmera.

Por exemplo:

canal auxiliar → servo → movimento horizontal da câmera

Outro canal poderia controlar o movimento vertical.

Isso permite criar uma pequena plataforma pan/tilt.

A câmera deixa de ficar presa a uma única direção e passa a acompanhar aquilo que queremos observar.

E se transmitirmos a imagem em tempo real?

A experiência muda novamente.

Em vez de pilotar observando o barco da margem, podemos utilizar um sistema de transmissão de vídeo e acompanhar as imagens enviadas pela câmera.

Nesse caso, aproximamo-nos de uma verdadeira experiência FPV.

O piloto passa a utilizar a visão do próprio modelo como referência.

Entretanto, isso exige equipamentos adicionais e cuidados adequados, especialmente com alcance, frequência utilizada e segurança da operação.

Gravar e transmitir são coisas diferentes

Vale fazer essa distinção.

Uma pequena câmera pode simplesmente:

gravar o vídeo em um cartão de memória.

Nesse caso, só veremos as imagens depois.

Um sistema FPV completo precisa:

capturar a imagem → transmitir → receber → exibir para o piloto.

Portanto, temos mais componentes e maior complexidade.

Para obter imagens interessantes, entretanto, não precisamos necessariamente de transmissão em tempo real.

Foi exatamente o caso das gravações que fiz com minha lancha.

Proteja a câmera da água

Talvez esse seja o cuidado mais óbvio em uma embarcação.

Mesmo que a câmera esteja dentro da lancha, respingos podem alcançar o equipamento.

Dependendo do casco, uma curva ou uma onda pode lançar água para regiões inesperadas.

Também existe sempre a possibilidade de um acidente.

Por isso, vale avaliar se o equipamento possui alguma proteção contra água e como ele está instalado.

Não confunda uma câmera resistente a pequenos respingos com uma câmera realmente preparada para ficar submersa.

E proteja também o restante da eletrônica

A mesma preocupação vale para:

receptor;

ESC;

bateria;

conectores;

servos;

circuitos auxiliares.

Um nautimodelo precisa ser construído considerando que está operando sobre água.

Uma pequena infiltração pode permanecer invisível durante vários minutos e acabar se acumulando no fundo do casco.

Depois de cada navegação, vale abrir o modelo e verificar se existe água internamente.

A piscina do Colégio Militar do Rio de Janeiro

As imagens deste artigo foram registradas justamente na piscina do Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde havia encontros do pessoal do nautimodelismo no Rio de Janeiro.

Uma piscina oferece condições muito interessantes para esse tipo de experiência.

A água normalmente é tranquila.

Existe boa visibilidade do modelo.

As margens estão próximas.

E podemos testar alterações sem precisar mandar o barco para muito longe.

Para filmagens com uma câmera embarcada, isso também permite realizar várias passagens e experimentar diferentes posições.

Três vídeos e uma perspectiva diferente

No artigo original publiquei três vídeos feitos com a câmera instalada na lancha.

Eles mostram justamente aquilo que torna essa experiência interessante: deixamos por alguns instantes de observar um nautimodelo da margem e passamos a acompanhar a navegação como se estivéssemos a bordo.

Uma pequena câmera transforma o modelo em uma plataforma de experimentação

Esse tipo de projeto mostra como o rádio controle pode ir muito além de simplesmente movimentar um veículo.

A lancha pode transportar uma câmera.

O rádio pode controlar funções adicionais.

Podemos instalar sensores.

Podemos medir temperatura.

Podemos acrescentar iluminação.

Podemos trabalhar com Arduino ou ESP32.

Podemos registrar dados.

Cada novo recurso cria um pequeno problema técnico que precisamos resolver.

E é justamente aí que está boa parte da diversão.

Modelismo também é aprender fazendo

Para instalar uma câmera em um modelo, começamos a pensar em peso e equilíbrio.

Para adicionar iluminação, precisamos compreender LEDs e resistores.

Para modificar a propulsão, precisamos compreender motor, ESC e bateria.

Para controlar acessórios, começamos a trabalhar com sinais, servos, transistores e microcontroladores.

Um hobby aparentemente simples acaba se transformando em uma excelente maneira de aprender elétrica, eletrônica, mecânica e programação de forma prática.

E o melhor é que conseguimos ver o resultado funcionando diante de nós.

Quer entender melhor a eletrônica dos seus modelos RC?

Quando entendemos como bateria, ESC, BEC, motor, receptor, servo, conectores, alimentação e circuitos auxiliares trabalham juntos, fica muito mais fácil instalar acessórios, diagnosticar problemas e criar modificações como câmeras, iluminação e outros dispositivos embarcados.

Essa é justamente a proposta do Método 7H RC: aprender elétrica e eletrônica aplicadas ao rádio controle de maneira prática, utilizando situações encontradas realmente no aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.

Se você quer deixar de apenas conectar componentes e começar a entender, modificar e desenvolver seus próprios projetos de rádio controle, conheça o Método 7H RC.

1 comentário em “Lancha de controle remoto navegando em primeira pessoa na piscina do Colégio Militar do Rio de Janeiro”

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