Nem sempre precisamos de uma furadeira grande e potente para trabalhar na bancada.
Quando queremos fazer um pequeno furo em uma placa de circuito impresso, trabalhar com plástico, madeira fina ou realizar pequenos serviços de modelismo, uma furadeira convencional pode ser grande e pesada demais.
Para essas situações existe uma solução muito interessante: a mini drill, uma pequena furadeira alimentada com 12 volts em corrente contínua, pensada para trabalhos leves e de precisão.
No vídeo deste artigo mostro justamente uma dessas pequenas ferramentas e algumas possibilidades de utilização.
O que é uma mini drill?
Podemos pensar na mini drill como uma versão bastante reduzida de uma furadeira elétrica.
A estrutura básica é simples:
fonte de alimentação → motor DC → eixo → mandril ou pinça → broca
Em muitos modelos, o coração da ferramenta é simplesmente um pequeno motor DC de alta rotação.
No eixo do motor é instalado um pequeno mandril ou sistema de pinças capaz de receber brocas de pequeno diâmetro.
Existem modelos comerciais de 12 V especificamente destinados à perfuração de PCBs e chapas plásticas. Um modelo da Seeed Studio, por exemplo, é especificado para 12 V, aproximadamente 13.000 rpm sem carga e brocas na faixa de 1 a 1,2 mm.
Isso já nos dá uma boa ideia da proposta dessa ferramenta:
pequena broca + alta rotação + trabalho delicado.
Por que 12 volts?
Uma das vantagens desse tipo de ferramenta é trabalhar com baixa tensão.
Podemos alimentá-la, dependendo das especificações do modelo, utilizando uma fonte DC adequada.
Para uma mini drill nominal de 12 V:
rede elétrica → fonte 12 V DC → mini drill
Naturalmente, não basta a fonte fornecer 12 V. Ela também precisa ser capaz de fornecer a corrente necessária ao motor, especialmente porque a corrente aumenta quando a ferramenta encontra resistência.
Há mini ferramentas comerciais de precisão especificadas, por exemplo, para 12 V DC e 800 mA, enquanto outros pequenos motores podem exigir correntes diferentes.
Portanto, devemos verificar a especificação da ferramenta em vez de escolher a fonte apenas pela tensão.
Uma ótima ferramenta para furar placas de circuito impresso
Talvez uma das aplicações mais interessantes seja justamente a fabricação artesanal de placas de circuito impresso — PCBs.
Depois de confeccionar a placa, precisamos fazer pequenos furos para componentes como:
resistores
capacitores
diodos
transistores
circuitos integrados
conectores
Os terminais desses componentes são muito pequenos.
Consequentemente, os furos também são pequenos.
É justamente nesse cenário que uma mini drill faz bastante sentido.
Existem modelos projetados especificamente para PCB utilizando brocas próximas de 1 mm.
Por que uma furadeira grande não é tão conveniente?
Tecnicamente podemos fazer alguns desses trabalhos com uma furadeira convencional.
Mas compare:
furadeira convencional
- maior;
- mais pesada;
- projetada para serviços mais exigentes;
- menos confortável para manipular uma broca extremamente fina.
Agora:
mini drill
- pequena;
- leve;
- fácil de segurar;
- apropriada para pequenas brocas;
- conveniente para trabalhos delicados.
Não se trata necessariamente de uma ferramenta ser “melhor” que a outra.
Elas foram pensadas para escalas diferentes de trabalho.
O mandril faz uma grande diferença
Um detalhe importante é o sistema utilizado para prender a ferramenta.
Algumas mini drills possuem um pequeno mandril semelhante, em princípio, ao de uma furadeira convencional.
Outras trabalham com pinças — collets — de diferentes diâmetros.
Existem kits de 12 V com várias pinças para receber ferramentas desde cerca de 0,5 mm até alguns milímetros.
Antes de comprar ou instalar uma broca, portanto, precisamos conferir:
diâmetro da broca
e
capacidade do mandril ou pinça.
Uma excelente broca não terá utilidade se não puder ser corretamente fixada na ferramenta.
Brocas pequenas são delicadas
Quando trabalhamos com brocas de aproximadamente 1 mm ou menores, precisamos mudar nossa maneira de trabalhar.
Uma broca muito fina não tolera bem esforços laterais.
Se durante a perfuração inclinarmos a mini drill:
↙ broca
enquanto ela está dentro do material, podemos aplicar um esforço lateral e quebrá-la.
O ideal é procurar manter:
broca perpendicular à superfície
e aplicar apenas a pressão necessária para o corte.
Não é preciso fazer muita força
Outro erro comum é pensar:
“Se eu pressionar mais, vai furar mais rápido.”
Com ferramentas pequenas isso pode produzir exatamente o resultado contrário.
Pressão excessiva pode:
reduzir demais a rotação
aquecer o motor
danificar a broca
deformar o material
aumentar a possibilidade de quebra
A broca deve realizar o corte.
A nossa função é principalmente guiar a ferramenta.
Alta rotação é uma característica dessas ferramentas
Apesar de pequenas, essas furadeiras podem girar bastante rápido.
Modelos de 12 V destinados a PCB aparecem com especificações na ordem de 12.000–13.000 rpm, e existem outras configurações com rotações ainda maiores.
Isso mostra algo interessante:
ferramenta pequena não significa necessariamente baixa rotação.
Para brocas de pequeno diâmetro, velocidades elevadas podem ser úteis.
Mas a rotação adequada também depende:
do material
da broca
do diâmetro
da ferramenta utilizada
Portanto, não existe uma rotação universal para todos os trabalhos.
Podemos controlar a velocidade?
Em determinadas mini drills com motor DC convencional, é possível controlar a velocidade modificando eletronicamente a alimentação do motor.
Uma solução melhor do que simplesmente dissipar energia em um resistor pode ser um controlador PWM adequado ao motor.
Teríamos:
12 V DC → controlador PWM → motor da mini drill
Assim podemos ter:
velocidade maior para perfuração
e
velocidade menor para determinados trabalhos delicados.
Naturalmente, o controlador precisa suportar a corrente exigida pelo motor.
Mini drill também pode ser utilizada em plástico
Outra aplicação interessante são os gabinetes de projetos eletrônicos.
Imagine que precisamos fazer um pequeno furo em uma caixa plástica para instalar:
LED
parafuso
pequeno interruptor
conector
suporte
Uma mini drill pode ser muito conveniente.
Isso se conecta diretamente à construção de equipamentos como o gerador de funções que coloquei dentro de uma caixa Patola.
Primeiro temos o circuito.
Depois precisamos transformar aquela montagem em um equipamento.
E as ferramentas mecânicas começam a fazer parte do trabalho eletrônico.
Também pode ser útil no modelismo
A mini drill não precisa ficar restrita à eletrônica.
Em modelismo podemos trabalhar com:
madeira fina
plásticos
pequenos suportes
peças de acabamento
furos para parafusos
passagem de fios
detalhes em miniaturas
Existem mini ferramentas de 12 V comercializadas justamente para trabalhos de PCB, modelagem, corte, polimento e gravação leve.
Isso faz dela uma ferramenta bastante versátil para uma bancada pequena.
É possível utilizar acessórios além de brocas?
Dependendo do mandril, da potência da ferramenta e das especificações do fabricante, alguns modelos aceitam acessórios para:
lixar
polir
esmerilhar
gravar
realizar pequenos acabamentos
Há, por exemplo, mini ferramentas de 12 V vendidas com pequenas lixas e acessórios de acabamento além das brocas.
Mas precisamos lembrar a proposta da ferramenta:
trabalhos leves.
Não devemos transformar uma pequena furadeira em uma ferramenta para operações que exigem torque ou potência muito acima do que o motor foi projetado para fornecer.
Podemos transformar a mini drill em uma pequena furadeira de bancada
Essa é uma evolução bastante interessante.
Segurar a ferramenta com a mão funciona para muitos serviços.
Mas para fazer vários furos pequenos em uma PCB, podemos criar um suporte:
mini drill
↓
suporte vertical
↓
broca
↓
placa
Com isso, transformamos a ferramenta em uma espécie de microfuradeira de bancada.
A principal vantagem é manter a broca perpendicular à placa.
Isso pode ser particularmente interessante com brocas muito finas, que quebram facilmente quando submetidas a esforços laterais.
Cuidado com peças pequenas
Mesmo funcionando com apenas 12 V, não devemos confundir baixa tensão elétrica com ausência de risco mecânico.
A ferramenta gira em alta velocidade.
Por isso, durante o trabalho:
- prenda adequadamente a peça;
- utilize proteção ocular;
- mantenha cabelos, roupas e fios afastados da parte giratória;
- desligue a alimentação antes de trocar a broca;
- verifique se a broca está corretamente presa;
- não segure pequenas peças diretamente com os dedos junto à broca.
Uma broca fina quebrada em alta rotação pode projetar fragmentos.
Uma ferramenta que combina muito bem com a bancada de eletrônica
Quando pensamos em bancada eletrônica, normalmente lembramos de:
multímetro
fonte de alimentação
osciloscópio
ferro de solda
gerador de funções
Mas quem constrói os próprios equipamentos rapidamente percebe que também precisa trabalhar mecanicamente.
Precisamos:
furar placas
adaptar caixas
instalar conectores
fixar circuitos
fabricar pequenos suportes
E é aí que uma ferramenta simples como a mini drill começa a ser bastante útil.
Veja a mini drill de 12 V funcionando
No vídeo abaixo mostro esta pequena furadeira de 12 volts para trabalhos leves.
Não é uma ferramenta destinada a substituir uma furadeira convencional.
Sua vantagem está justamente no contrário:
ela é pequena porque o trabalho também é pequeno.
Para quem monta circuitos, trabalha com placas, caixas plásticas e pequenos projetos, isso pode ser exatamente o que precisamos.
Uma pequena ferramenta para grandes quantidades de projetos
Uma mini drill de 12 V é um bom exemplo de ferramenta simples que acaba encontrando várias funções na bancada.
Hoje podemos utilizá-la para furar uma PCB.
Amanhã, para adaptar uma caixa plástica.
Depois, para fazer uma pequena peça de modelismo.
Seu funcionamento também é bastante fácil de compreender:
12 V → motor DC → rotação → mandril → broca
É uma ferramenta simples, compacta e especialmente adequada quando precisão e facilidade de manuseio são mais importantes do que potência.