O Turnigy 9X foi durante muito tempo um rádio extremamente popular no aeromodelismo, nautimodelismo e automodelismo.
Além do custo relativamente baixo, uma característica interessante desse transmissor é a possibilidade de trabalhar com módulos de transmissão diferentes.
Isso permite, por exemplo, retirar o módulo original e utilizar outro sistema TX compatível.
Mas existe um detalhe no módulo original do Turnigy 9X que torna essa troca bem menos prática:
a antena não fica instalada diretamente no módulo.
No sistema original, um fio fino sai do módulo e segue até a antena instalada no próprio rádio. Na prática, isso significa que, mesmo soltando o módulo, ele continua fisicamente preso ao transmissor pelo cabo da antena. Foi justamente esse problema que resolvi modificando o meu módulo Turnigy V2 e colocando a antena diretamente nele.
Qual era o problema do módulo original?
O Turnigy 9X possui na parte traseira um módulo transmissor removível.
Isso deveria tornar muito simples trocar o sistema de transmissão:
retirar módulo A → colocar módulo B.
Só que no módulo original existe um inconveniente.
A antena fica fora do módulo e existe um fio fino ligando os dois.
Portanto, mecanicamente podemos até soltar o módulo do rádio, mas ele continua preso pelo cabo.
Na prática, perdemos boa parte da vantagem de possuir um módulo removível.
Por que eu queria retirar o módulo original?
Porque resolvi experimentar outro sistema de transmissão.
Retirei o módulo original do Turnigy e instalei um módulo Corona.
E minha experiência com ele foi bastante positiva. No artigo original eu já dizia que não tinha nada a reclamar do módulo Corona e o considerava um excelente módulo TX.
Só que surgiu outra questão.
O módulo original Turnigy continuava funcionando.
Não fazia sentido simplesmente deixá-lo inutilizado.
Eu queria poder fazer:
Turnigy 9X + módulo Corona
e, quando desejasse:
Turnigy 9X + módulo Turnigy V2 original.
Para isso, o módulo original precisava se tornar realmente independente.
A solução foi levar a antena para o próprio módulo
A modificação foi relativamente simples em conceito.
Fiz um furo na parte traseira da caixa do módulo Turnigy V2 e instalei a antena diretamente nele.
Assim, em vez de termos:
módulo → fio → rádio → antena
passamos a ter algo conceitualmente muito mais prático:
módulo → antena
O módulo passa a formar uma unidade.
É exatamente aquilo que esperamos de um sistema modular.

Agora posso retirar completamente o módulo
Depois da modificação, quando quero trocar o sistema de transmissão, basta retirar um módulo e colocar o outro.
Não existe mais aquele fio deixando o módulo pendurado no rádio.
Isso também facilita bastante a organização.
Um módulo pode ser guardado enquanto o outro permanece instalado.
E, se posteriormente quisermos experimentar outro sistema compatível, a filosofia continua a mesma.
O que é o módulo TX?
TX é uma abreviação bastante utilizada para transmitter, ou transmissor.
Em um sistema de rádio controle temos basicamente:
TX → transmissor
e
RX → receptor.
O transmissor está conosco.
O receptor fica no modelo.
Quando movimentamos um stick ou acionamos um comando, o rádio precisa enviar essa informação para o receptor.
O módulo TX participa justamente dessa comunicação por radiofrequência.
O módulo e o rádio não são exatamente a mesma coisa
Essa distinção ajuda bastante a compreender a vantagem de sistemas modulares.
O rádio possui:
sticks;
chaves;
processamento;
configurações;
memórias de modelos;
interface com o usuário.
Já o módulo de RF é responsável pela parte de transmissão correspondente ao sistema utilizado.
Podemos pensar de maneira simplificada:
piloto → comandos do rádio → módulo TX → sinal de RF → receptor RX → modelo
É por isso que trocar o módulo pode permitir utilizar outro sistema de transmissão sem necessariamente trocar todo o rádio.
Mas o receptor precisa ser compatível
Não basta colocar qualquer módulo no transmissor e esperar que qualquer receptor funcione.
O módulo TX e o receptor precisam utilizar um sistema compatível.
Isso envolve protocolo, frequência e outras características específicas do equipamento.
Portanto:
módulo transmissor e receptor formam um conjunto de comunicação.
Ao mudar o módulo, precisamos considerar quais receptores serão utilizados com ele.
E onde entra a antena?
A antena é parte fundamental do sistema de radiofrequência.
O módulo produz o sinal de RF e a antena permite que essa energia seja irradiada adequadamente.
No receptor acontece o processo correspondente para recepção.
É justamente por isso que devemos tratar a antena e sua conexão com cuidado.
Ela não é simplesmente um pedaço de fio colocado ali por estética.
O cabo da antena também faz parte do sistema de RF
No módulo original, aquele pequeno cabo que ligava o módulo à antena não era apenas uma conexão mecânica inconveniente.
Ele transportava um sinal de radiofrequência.
Isso significa que modificações nessa região precisam ser realizadas cuidadosamente.
Comprimento inadequado, conectores ruins, curto-circuito ou danos ao cabo podem comprometer o sistema.
Não devemos testar um transmissor de RF de qualquer maneira sem antena
Em transmissores de radiofrequência, a antena faz parte da carga apresentada ao estágio de RF.
Dependendo do equipamento, operar sem a antena adequada pode provocar condições indesejáveis no estágio de saída.
Por isso, depois de realizar qualquer modificação desse tipo, devemos verificar cuidadosamente toda a instalação antes de energizar e utilizar o sistema.
A posição da antena também merece atenção
Depois de instalar a antena no próprio módulo, precisamos garantir que ela possa ficar corretamente posicionada durante a utilização.
Não adianta resolver o problema mecânico e criar outro.
A antena precisa:
ficar firmemente presa;
não forçar o conector;
não encostar indevidamente em partes internas;
permitir posicionamento adequado;
não ficar vulnerável a impactos desnecessários.
Uma montagem limpa faz diferença.
O furo precisa ser feito com cuidado
Antes de furar a caixa do módulo, observe o interior.
Precisamos encontrar uma região onde o conector possa ser instalado sem atingir:
placa eletrônica;
componentes;
fiação;
trilhas;
estruturas internas.
Uma boa prática é desmontar primeiro o módulo e estudar onde existe espaço disponível.
Depois marcamos a posição do furo.
Não fure a caixa com a placa eletrônica imediatamente atrás
Uma broca atravessando o plástico pode avançar mais do que esperamos.
Se a placa estiver logo abaixo, podemos destruir em segundos um módulo perfeitamente funcional.
Portanto, sempre que possível:
desmonte;
afaste a eletrônica;
faça o furo;
remova resíduos;
somente depois remonte.
Retire qualquer resíduo plástico ou metálico
Depois da usinagem da caixa, podem permanecer pequenos resíduos.
Eles não devem ficar soltos dentro do módulo.
Uma pequena partícula condutora sobre a placa pode causar curto-circuito.
Mesmo resíduos plásticos podem entrar em conectores ou prejudicar mecanicamente alguma montagem.
Antes de fechar:
limpe cuidadosamente o interior.
A fixação mecânica também é importante
A antena será manipulada.
Podemos girá-la, inclinar ou retirar o módulo segurando próximo dela.
Se toda essa força for transmitida diretamente para uma pequena conexão na placa, podemos acabar danificando o sistema.
Por isso, a montagem do conector na carcaça precisa fornecer boa sustentação mecânica.
A caixa deve receber os esforços, não uma pequena solda interna.
Cuidado com os conectores de RF
Conectores coaxiais pequenos podem parecer todos iguais, mas não são.
Existem diferentes padrões e também diferenças entre versões de polaridade reversa em determinados conectores.
Por isso, antes de comprar adaptadores ou antenas, é importante identificar corretamente o padrão utilizado.
Forçar um conector aparentemente parecido pode danificar a peça.
Uma modificação pequena pode melhorar muito a utilização
Essa é uma das coisas interessantes desse projeto.
Não estamos alterando completamente a eletrônica do rádio.
O objetivo é resolver um problema de ergonomia e modularidade.
Antes:
solto o módulo → ele continua pendurado pelo cabo.
Depois:
solto o módulo → retiro completamente.
Uma alteração relativamente pequena muda bastante a experiência de utilização.
E existe outra vantagem importante: o simulador de voo
No Turnigy 9X, essa modificação também facilitou algo que eu utilizava:
o simulador de voo.
No artigo original explico que, para utilizar o simulador, também era necessário retirar o módulo. Com a configuração original, o fio da antena fazia com que o TX ficasse pendurado por ele. Depois da modificação, esse problema desapareceu.
Isso tornou a alteração ainda mais útil.
Por que retirar o módulo para utilizar o simulador?
Quando utilizamos o rádio apenas como interface de comando para um simulador no computador, não necessariamente precisamos manter o sistema de RF transmitindo.
Dependendo da configuração utilizada, retirar o módulo pode ser parte do procedimento.
No meu caso, o problema era justamente físico:
eu retirava o módulo, mas ele continuava preso pelo fio.
Com a antena instalada diretamente no módulo:
retirou → guardou → pronto.
O rádio fica verdadeiramente modular
Essa talvez seja a melhor maneira de resumir a modificação.
Antes, o Turnigy possuía um módulo teoricamente removível, mas o cabo da antena limitava essa característica.
Depois da alteração:
módulo Turnigy V2 + sua própria antena
passa a ser uma unidade independente.
Então posso utilizar o Corona ou voltar ao módulo original com muito mais facilidade.
Posso fazer isso em qualquer rádio?
Não devemos generalizar.
Essa modificação foi feita especificamente no módulo original Turnigy V2 utilizado no meu Turnigy 9X.
Outros rádios e módulos podem possuir:
arquitetura diferente;
antena integrada;
conectores diferentes;
potências diferentes;
sistemas de RF diferentes.
Portanto, não devemos abrir outro equipamento e simplesmente copiar mecanicamente a alteração.
Primeiro precisamos entender como aquele equipamento foi construído.
Antes de modificar, veja se realmente existe necessidade
Hoje existem sistemas em que a antena já está integrada ao módulo de maneira muito mais prática.
Nesse caso, obviamente, não faria sentido realizar essa modificação.
O projeto surgiu para resolver um problema específico daquele conjunto:
Turnigy 9X + módulo Turnigy V2 + antena originalmente instalada fora do módulo.
Esse é um ponto importante em qualquer projeto.
Não modificamos simplesmente porque podemos.
Modificamos para resolver um problema.
Faça um teste de alcance depois de qualquer alteração no sistema de RF
Essa é uma precaução importante.
Depois de mexer em:
antena;
conector;
cabo;
módulo;
receptor,
não devemos colocar imediatamente um aeromodelo no ar e descobrir durante o voo se alguma coisa ficou errada.
Faça os testes previstos para o sistema utilizado.
Verifique funcionamento.
Verifique comandos.
Faça um range test de acordo com as orientações do fabricante.
Somente depois utilize o equipamento normalmente.
Em aeromodelismo, isso é ainda mais importante
Uma falha de rádio em um carrinho próximo pode fazer o modelo parar alguns metros adiante.
Em um avião, uma perda de sinal pode resultar na perda completa do modelo e representar risco para outras pessoas.
Por isso qualquer alteração no sistema de rádio precisa ser tratada com responsabilidade.
A modificação pode parecer simples mecanicamente, mas estamos mexendo em um componente crítico para o controle do modelo.
O interessante é que essa “gambiarra” resolveu exatamente o problema
No artigo original eu mesmo chamei a solução de uma gambiarra.
Mas existe uma diferença entre uma adaptação improvisada sem critério e uma solução simples para um problema real.
Eu precisava:
usar outro módulo;
continuar podendo utilizar o Turnigy V2;
retirar completamente o módulo quando necessário;
usar o rádio com simulador sem deixar o módulo pendurado.
Instalar a antena diretamente na caixa resolveu todos esses pontos.
Veja no vídeo como ficou o módulo Turnigy V2 modificado
No vídeo original mostro o módulo transmissor Turnigy V2 depois da modificação, com a antena instalada diretamente na parte traseira do próprio módulo.
Assim fica muito mais fácil visualizar a diferença entre a configuração original e a solução que utilizei.
Entender o sistema ajuda muito mais do que simplesmente copiar a modificação
O ponto mais interessante não é apenas saber onde fazer um furo.
É compreender o conjunto:
rádio → módulo TX → antena → sinal de RF → receptor RX → modelo.
Quando entendemos o papel de cada elemento, conseguimos avaliar melhor uma alteração e também diagnosticar problemas.
Por exemplo:
o rádio funciona, mas o receptor não responde;
o módulo está corretamente encaixado?
a antena está conectada?
TX e RX são compatíveis?
o receptor está alimentado?
o bind foi realizado?
existe alcance adequado?
Esse tipo de raciocínio é muito mais útil do que simplesmente trocar peças até alguma coisa funcionar.
Quer entender melhor as ligações e a eletrônica dos sistemas de rádio controle?
Rádio, receptor, servo, ESC, BEC, bateria, motor e antena parecem componentes separados, mas todos fazem parte de um mesmo sistema.
Quando entendemos alimentação, sinais, tensão, corrente e a função de cada componente, fica muito mais fácil instalar equipamentos, fazer adaptações e descobrir por que determinado conjunto não está funcionando como deveria.
Essa é justamente a proposta do Método 7H RC: ensinar elétrica e eletrônica aplicadas ao rádio controle de maneira prática, utilizando situações reais do aeromodelismo, automodelismo e nautimodelismo.
Se você quer deixar de apenas conectar componentes seguindo receitas e começar a entender o que está fazendo nos seus próprios projetos RC, conheça o Método 7H RC.
Para continuar explorando o funcionamento dos equipamentos e da comunicação em sistemas RC, veja também Rádio Controle: Transmissores, Receptores e Configuração, que reúne conteúdos sobre transmissores, receptores, canais, alcance, ajustes e integração dos sistemas de rádio controle.