O que é Big Data? Entenda a Proposta, Correlações e Insights para os Negócios

Todos os dias produzimos uma quantidade enorme de dados.

Compras realizadas com cartão, pesquisas na internet, localização de smartphones, redes sociais, sensores, acessos a sites, equipamentos conectados, registros empresariais e inúmeras outras atividades geram informações continuamente.

Isoladamente, muitos desses dados podem parecer pouco relevantes. Mas quando conseguimos reunir, processar e analisar grandes volumes e diferentes tipos de dados, podemos encontrar padrões, relações e comportamentos que dificilmente seriam percebidos de outra maneira.

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É nesse contexto que aparece o conceito de Big Data.

Neste artigo, vou explicar de maneira simples o que é Big Data, como ele pode ser utilizado nos negócios e por que correlações e insights são tão importantes nesse contexto.

O que é Big Data?

Big Data não significa simplesmente possuir uma planilha muito grande.

O conceito está relacionado a conjuntos de dados cuja dimensão, diversidade e complexidade tornam insuficientes muitas das ferramentas tradicionais de armazenamento e processamento.

Além do enorme volume, esses dados podem chegar rapidamente e possuir formatos completamente diferentes.

Podemos ter, por exemplo:

números + textos + transações + imagens + vídeos + registros de sensores + localização + interações digitais

A análise desses grandes conjuntos permite encontrar padrões, tendências e correlações que podem apoiar decisões empresariais.

Os Vs do Big Data

Uma maneira bastante conhecida de compreender Big Data é por meio dos chamados Vs.

Três deles aparecem tradicionalmente como ponto de partida:

Volume — enorme quantidade de dados.

Velocidade — rapidez com que os dados são produzidos, recebidos e precisam ser processados.

Variedade — diferentes formatos e origens dos dados.

Posteriormente, outros conceitos passaram a ser incorporados, como veracidade e valor.

E esse último é particularmente importante quando pensamos em negócios.

Ter bilhões de registros armazenados não representa necessariamente uma vantagem.

Precisamos conseguir transformar:

dados → informação → conhecimento → decisão

Big Data nos negócios

Imagine uma empresa com milhares ou milhões de clientes.

Ela pode possuir informações sobre:

o que compraram, quando compraram, quanto gastaram, quais produtos pesquisaram, quais páginas visitaram, onde estão e como interagiram com a empresa.

Quando essas informações são analisadas conjuntamente, começam a aparecer possibilidades interessantes.

A empresa pode identificar padrões de consumo, prever demanda, compreender melhor determinados segmentos de clientes, detectar comportamentos incomuns ou descobrir oportunidades que anteriormente estavam escondidas nos dados.

É por isso que Big Data está fortemente relacionado à tomada de decisão orientada por dados. Análises desse tipo podem apoiar decisões sobre clientes, operações, riscos, produtos e oportunidades de mercado.

O que são insights?

A palavra insight aparece constantemente quando falamos sobre dados.

Podemos entendê-la, neste contexto, como uma percepção relevante obtida a partir da análise.

Imagine que uma empresa simplesmente descubra:

“Vendemos 20.000 unidades no mês passado.”

Isso é uma informação.

Mas imagine que, ao cruzar diferentes variáveis, ela perceba que determinado produto apresenta aumento expressivo de vendas em determinadas condições ou entre determinados grupos de consumidores.

Agora começamos a encontrar algo que pode ajudar a empresa a tomar uma decisão.

Esse é um dos objetivos da análise de dados: transformar dados brutos em informações capazes de produzir conhecimento útil para o negócio.

Encontrando relações que não eram evidentes

Uma das possibilidades mais interessantes quando trabalhamos com grandes conjuntos de dados é procurar relações entre variáveis.

Imagine que tenhamos informações sobre:

temperatura, dia da semana, localização, perfil do consumidor e vendas de determinado produto.

Podemos analisar se algumas dessas variáveis apresentam associação com o comportamento das vendas.

Talvez encontremos algo que não havíamos imaginado inicialmente.

É justamente aí que entram as correlações.

O que é correlação?

De maneira simplificada, correlação é uma medida da relação entre variáveis.

Se duas variáveis tendem a aumentar juntas, podemos encontrar uma correlação positiva.

Se uma tende a aumentar enquanto a outra diminui, podemos encontrar uma correlação negativa.

E podemos também não encontrar uma relação relevante.

Em grandes conjuntos de dados, ferramentas analíticas podem ajudar a descobrir padrões e correlações que seriam difíceis de perceber manualmente.

Mas existe um cuidado fundamental.

Correlação não significa causalidade

Este talvez seja um dos conceitos mais importantes de todo o artigo:

encontrar uma correlação não significa automaticamente descobrir uma relação de causa e efeito.

Suponha que duas variáveis apresentem comportamento semelhante.

Isso não prova que:

A causa B.

Pode existir uma terceira variável influenciando ambas. A relação pode ser indireta ou até mesmo circunstancial.

E ter milhões de observações não elimina automaticamente esse problema. Pesquisas recentes chamam atenção justamente para o risco de interpretar relações correlacionais encontradas em grandes bases observacionais como se fossem relações causais.

Portanto, Big Data pode ajudar a encontrar onde devemos olhar, mas a interpretação continua sendo essencial.

Quanto mais dados, melhor?

Também não necessariamente.

Essa é outra ideia que precisa ser evitada:

“Se eu tiver muitos dados, necessariamente tomarei decisões melhores.”

Não funciona assim.

Dados podem apresentar:

erros, duplicações, vieses, ausência de contexto, problemas de medição ou baixa qualidade.

Por isso, um dos Vs acrescentados ao conceito de Big Data é justamente a veracidade.

Uma enorme quantidade de dados ruins pode simplesmente produzir uma enorme quantidade de análises ruins.

Dados estruturados e não estruturados

Outra característica interessante do Big Data é a possibilidade de trabalhar com diferentes tipos de informação.

Dados estruturados são aqueles que encontramos facilmente organizados em tabelas e bancos de dados.

Por exemplo:

ClienteIdadeCidadeValor da compra
A32São PauloR$ 150
B47Rio de JaneiroR$ 320

Mas empresas também produzem enormes quantidades de dados não estruturados, como textos, imagens, vídeos e outros conteúdos.

Big Data envolve justamente a capacidade de trabalhar com grandes volumes e diferentes formatos de dados, incluindo informações estruturadas, semiestruturadas e não estruturadas.

Big Data, inteligência artificial e Machine Learning

Hoje essa discussão se tornou ainda mais interessante devido ao crescimento da Inteligência Artificial e do Machine Learning.

Algoritmos podem analisar grandes conjuntos de dados procurando padrões e utilizar esses padrões para realizar classificações ou previsões.

Podemos então avançar de uma análise simplesmente descritiva:

O que aconteceu?

para perguntas como:

Por que aconteceu?

O que provavelmente acontecerá?

O que podemos fazer a respeito?

Essas perguntas correspondem, respectivamente, a diferentes níveis de análise: descritiva, diagnóstica, preditiva e prescritiva.

Big Data não substitui o gestor

Essa é uma questão que considero particularmente importante.

Big Data não elimina a necessidade de conhecimento do negócio.

Uma ferramenta pode encontrar uma associação estatística entre duas variáveis. Mas alguém precisa avaliar:

Isso faz sentido?

Existe uma explicação possível?

Os dados são confiáveis?

Estamos confundindo correlação com causalidade?

Essa informação pode realmente ajudar na decisão?

Portanto, tecnologia e estatística são fundamentais, mas precisam trabalhar juntamente com conhecimento, contexto e capacidade de interpretação.

Veja minha explicação sobre Big Data

No vídeo abaixo apresento de maneira simples a proposta do Big Data nos negócios, incluindo a ideia de procurar correlações nos dados e transformá-las em possíveis insights.

Dos dados à decisão

No final, talvez a maneira mais simples de compreender a proposta do Big Data seja esta:

coletar → armazenar → organizar → analisar → encontrar padrões → gerar insights → apoiar decisões

A tecnologia tornou possível armazenar e processar quantidades de informações que seriam impraticáveis algumas décadas atrás.

Mas o verdadeiro valor não está simplesmente em ter muitos dados.

Está em conseguir fazer boas perguntas, utilizar métodos adequados e transformar esses dados em conhecimento que possa melhorar decisões.

É justamente nesse ponto que Big Data deixa de ser apenas tecnologia e passa a fazer parte da estratégia dos negócios.

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