Como a programação pode ajudar no dia a dia e no trabalho

Programação não é uma atividade exclusiva de profissionais de tecnologia. Cada vez mais, aprender alguns conceitos de lógica de programação e automação pode ajudar pessoas das mais diferentes áreas a resolver problemas, organizar informações e automatizar tarefas repetitivas.

Uma planilha, por exemplo, pode deixar de ser apenas um local para armazenar números e transformar-se em uma verdadeira ferramenta automatizada. Um microcontrolador pode receber informações de sensores e controlar dispositivos. E tarefas que levariam vários minutos para serem executadas manualmente podem ser realizadas automaticamente por um programa.

Mas é preciso ser programador profissional para aproveitar essas possibilidades?

Não necessariamente.

Como a programação pode facilitar tarefas do dia a dia?

Um programa de computador é, de maneira simplificada, um conjunto de instruções criado para realizar determinadas tarefas.

Isso abre possibilidades em praticamente qualquer área profissional.

Imagine atividades como:

  • organizar e tratar grandes quantidades de dados;
  • realizar cálculos repetitivos;
  • gerar relatórios;
  • automatizar tarefas administrativas;
  • analisar resultados de uma pesquisa;
  • manipular arquivos;
  • controlar equipamentos;
  • coletar informações de sensores.

Muitas dessas atividades podem ser automatizadas total ou parcialmente.

É por isso que conhecer pelo menos os fundamentos da programação pode ser útil mesmo para quem não pretende trabalhar profissionalmente como programador.

Programação no Excel com VBA

Um exemplo muito próximo da realidade de muitas pessoas é o Microsoft Excel.

As planilhas já facilitam inúmeras atividades por meio de fórmulas, funções, filtros, gráficos e tabelas. Entretanto, o Excel pode fazer muito mais quando utilizamos programação.

Uma das tecnologias tradicionalmente utilizadas para isso é o VBA — Visual Basic for Applications.

Com VBA é possível criar rotinas que automatizam tarefas dentro da planilha.

Imagine, por exemplo, uma atividade que exige:

abrir dados → aplicar cálculos → organizar resultados → formatar células → gerar relatório.

Se esse processo precisa ser repetido constantemente, existe a possibilidade de automatizar parte dele.

Nesse momento, a planilha começa a comportar-se quase como uma aplicação desenvolvida especificamente para determinada necessidade.

Aprender lógica é mais importante do que decorar uma linguagem

Existem diversas linguagens de programação e cada uma possui características próprias.

Ao longo da história da computação, linguagens como Assembly, C, Visual Basic e muitas outras foram utilizadas para diferentes finalidades. Atualmente, temos ainda uma enorme variedade de alternativas.

Para quem está começando, entretanto, existe uma ideia mais importante do que tentar decorar comandos de uma linguagem específica:

compreender a lógica da programação.

Considere um problema extremamente simples:

Se a temperatura ultrapassar determinado valor, ligue um ventilador.

Podemos representar a ideia da seguinte maneira:

ler temperatura → comparar com limite → tomar decisão → ligar ou não o ventilador

Esse raciocínio independe, em grande medida, da linguagem escolhida.

A sintaxe muda. A lógica permanece.

Da programação no computador para o controle de equipamentos

Existe ainda uma possibilidade particularmente interessante: fazer com que o programa deixe de atuar apenas dentro do computador e passe a interagir com o mundo físico.

É aí que entram os microcontroladores.

Um microcontrolador pode ser programado para receber informações através de suas entradas e, com base no programa armazenado, produzir determinadas ações em suas saídas.

Podemos representar o processo assim:

Sensor / comando → entrada → microcontrolador → processamento → saída → ação

A ação pode ser acender um LED, movimentar um motor, produzir um som, mostrar informações em um display ou controlar algum outro dispositivo.

Essa combinação entre programação e eletrônica abre uma enorme quantidade de possibilidades.

Arduino tornou os microcontroladores mais acessíveis

Trabalhar diretamente com microcontroladores já exigiu um conhecimento consideravelmente maior de eletrônica, programação e das ferramentas necessárias para gravar o programa no componente.

Plataformas como o Arduino ajudaram a tornar esse processo muito mais acessível.

A placa pode ser conectada ao computador pela porta USB e programada utilizando um ambiente de desenvolvimento próprio.

O programa é escrito no computador, verificado e posteriormente transferido para o microcontrolador presente na placa.

Depois disso, as entradas e saídas do Arduino permitem interagir com diversos componentes:

  • LEDs;
  • botões;
  • sensores;
  • displays;
  • motores;
  • servomotores;
  • módulos de áudio;
  • relés;
  • receptores;
  • diversos outros dispositivos eletrônicos.

É justamente nesse ponto que a programação começa a produzir resultados que podemos ver, ouvir e movimentar.

Um exemplo prático: programação em um barco de controle remoto

Já trabalhei anteriormente com outros microcontroladores, mas o Arduino tornou esse tipo de experiência consideravelmente mais simples.

Um exemplo foi um projeto de barco de controle remoto.

Além do controle convencional do modelo, eu queria adicionar recursos sonoros ao barco.

Utilizei o Arduino para trabalhar com sons relacionados ao funcionamento do modelo, incluindo o som de um motor a diesel durante a aceleração e a buzina.

Assim, aquilo que inicialmente era apenas código passou a fazer parte do comportamento físico do barco.

É um ótimo exemplo de como programação, eletrônica e modelismo podem convergir em um mesmo projeto.

Veja o projeto e a explicação em vídeo

No vídeo abaixo mostro essa ideia e apresento a utilização da programação e do Arduino em uma aplicação prática.

Por onde começar a aprender programação?

Você não precisa começar criando um sistema complexo.

Experiências pequenas são uma ótima maneira de compreender os fundamentos.

No artigo sobre como programar usando o Bloco de Notas do Windows, por exemplo, mostro que o código-fonte é essencialmente texto e explico a diferença entre escrever e executar um programa.

Também podemos experimentar linguagens de script, automações em planilhas e, posteriormente, partir para Arduino e outros microcontroladores.

O caminho pode ser gradual:

lógica → pequenos programas → automação → Arduino → sensores e atuadores → projetos próprios

Mais importante do que simplesmente aprender comandos é começar a perceber situações em que a programação pode ser utilizada para resolver um problema real.

Programação como ferramenta para criar soluções

Esse talvez seja o principal ponto.

Aprender programação não significa necessariamente tornar-se desenvolvedor de software.

Um pesquisador pode utilizá-la para tratar dados. Um profissional administrativo pode automatizar uma planilha. Um professor pode criar uma experiência. Um estudante pode desenvolver um projeto. E alguém interessado em eletrônica pode programar um microcontrolador para controlar um equipamento.

Quando programação deixa de ser vista apenas como um conjunto de comandos e passa a ser entendida como uma ferramenta para resolver problemas, as possibilidades aumentam bastante.

E quando combinamos programação com eletrônica, podemos ir ainda mais longe: o resultado do código deixa a tela do computador e passa a atuar sobre o mundo físico.

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