Tinta condutiva para blindagem de instrumentos musicais: funciona mesmo?

Ruídos, interferências e chiados são problemas comuns em guitarras, baixos e outros instrumentos musicais que utilizam circuitos elétricos e captadores. Uma das técnicas utilizadas para reduzir parte dessas interferências é a blindagem das cavidades do instrumento.

Entre as diferentes maneiras de fazer essa blindagem está a tinta condutiva, aplicada diretamente nas cavidades onde ficam captadores, potenciômetros e outros componentes eletrônicos.

Mas será que a tinta realmente conduz eletricidade? Como fica depois de aplicada? E como podemos verificar se a blindagem está funcionando?

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Neste artigo vamos entender o princípio da tinta condutiva para blindagem, como ela é aplicada e como podemos utilizar um multímetro para verificar o resultado.

Para que serve a blindagem de uma guitarra?

Captadores e circuitos de instrumentos musicais trabalham com sinais elétricos relativamente pequenos. Por isso, interferências eletromagnéticas presentes no ambiente podem acabar aparecendo no sinal de áudio.

Cabos, fios e partes do circuito também podem captar sinais indesejados.

A blindagem procura criar uma região condutiva ao redor das partes sensíveis do circuito. Quando essa blindagem está corretamente conectada ao terra do instrumento, ela ajuda a reduzir interferências elétricas e de radiofrequência.

É importante observar que blindagem não resolve necessariamente todo tipo de ruído. Por exemplo, ela não é uma solução universal para o hum magnético de baixa frequência captado diretamente por determinados captadores.

O que é tinta condutiva?

Uma tinta comum forma uma película que, em geral, funciona como isolante elétrico.

A tinta condutiva, por outro lado, contém materiais capazes de proporcionar condutividade elétrica depois da aplicação e secagem.

Existem formulações que utilizam materiais como carbono/grafite, níquel ou cobre.

Quando aplicada às paredes e ao fundo da cavidade do instrumento, a intenção é produzir uma superfície eletricamente condutiva que possa integrar a blindagem.

Uma vantagem é a facilidade de cobrir cavidades estreitas, curvas e formatos irregulares, onde aplicar folhas ou fitas metálicas pode ser trabalhoso.

Tinta condutiva ou fita de cobre?

As duas soluções são utilizadas para blindagem.

A fita de cobre apresenta excelente condutividade, mas sua aplicação pode ser mais trabalhosa em regiões com formatos complexos. Também precisamos garantir continuidade elétrica entre as diferentes partes da fita.

A tinta condutiva facilita bastante a cobertura dessas regiões e pode produzir um acabamento interno bastante limpo.

Por outro lado, a tinta normalmente apresenta resistência maior do que uma folha metálica. Por isso, cobertura adequada e continuidade elétrica são importantes.

Não existe necessariamente uma escolha única. Em determinados projetos, inclusive, tinta e fita de cobre podem ser utilizadas em conjunto.

Quantas demãos de tinta condutiva são necessárias?

Isso depende do produto utilizado.

Uma única camada visualmente uniforme não significa necessariamente que toda a superfície tenha boa continuidade elétrica.

Por isso, fabricantes e profissionais frequentemente recomendam duas ou três demãos, verificando depois o resultado com um multímetro.

Esse ponto é importante: o objetivo não é simplesmente deixar a cavidade preta ou com aparência uniforme.

Estamos fazendo uma blindagem elétrica.

Consequentemente, precisamos verificar suas propriedades elétricas.

Como testar a tinta condutiva com um multímetro?

Depois que a tinta estiver completamente seca, podemos utilizar o multímetro para verificar se existe continuidade entre diferentes regiões da superfície pintada.

Coloque as pontas de prova em pontos diferentes da cavidade e observe o comportamento do instrumento.

Faça o teste em diversas posições:

fundo ↔ fundo

fundo ↔ lateral

uma lateral ↔ outra lateral

cavidade ↔ ponto destinado ao aterramento

Se existirem regiões eletricamente isoladas, a blindagem não estará formando uma superfície condutiva contínua.

Esse teste é importante justamente porque a aparência da pintura não garante sua condutividade. Há casos em que uma cavidade aparentemente pintada com material de blindagem não apresenta continuidade quando testada.

A tinta precisa ser conectada ao terra?

Sim. Esse é um detalhe fundamental.

Não basta simplesmente pintar a cavidade.

Para que a superfície condutiva desempenhe adequadamente sua função de blindagem, ela precisa fazer parte do sistema de terra do instrumento.

Uma solução possível é utilizar um terminal preso à cavidade e conectá-lo eletricamente ao terra do circuito.

Outra possibilidade, dependendo da construção, é fazer a blindagem da cavidade estabelecer contato com a blindagem do escudo ou da tampa.

O importante é garantir continuidade elétrica entre as partes da blindagem e o terra.

Cuidado com curtos-circuitos

Existe outro ponto importante depois de transformar a cavidade em uma superfície condutiva.

Antes, uma parede de madeira podia ser eletricamente isolante.

Depois da aplicação da tinta condutiva, aquela superfície passa a conduzir eletricidade.

Isso significa que terminais de potenciômetros, fios desencapados e outros pontos do circuito não devem encostar inadvertidamente na superfície condutiva.

Caso contrário, podemos criar um curto ou alterar o funcionamento do circuito.

Portanto, depois da blindagem, confira cuidadosamente a posição dos componentes antes de fechar o instrumento.

Onde aplicar a tinta condutiva?

Dependendo do instrumento, a tinta pode ser utilizada em regiões como:

  • cavidade dos potenciômetros;
  • cavidade da chave seletora;
  • cavidades dos captadores;
  • canais por onde passam fios;
  • outras regiões que contenham circuitos sensíveis.

Não significa que seja necessário simplesmente pintar qualquer região disponível.

A ideia é formar uma blindagem coerente ao redor da eletrônica, garantindo que as partes condutivas estejam eletricamente conectadas. A literatura prática de luteria recomenda verificar a continuidade entre fundo, paredes e cavidades interligadas após a cura da tinta.

A blindagem elimina todo o ruído?

Não.

Essa expectativa pode gerar bastante frustração.

A blindagem é muito eficiente para combater determinados tipos de interferência elétrica e de radiofrequência, mas o ruído de um instrumento pode ter várias origens.

Problemas também podem estar relacionados a:

  • aterramento inadequado;
  • cabos;
  • fontes de alimentação;
  • pedais;
  • amplificadores;
  • instalações elétricas;
  • captadores;
  • conexões;
  • soldas.

Por isso, se o ruído continuar depois da blindagem, isso não significa automaticamente que a tinta não funcionou.

O diagnóstico deve considerar o sistema completo.

Veja o teste da tinta condutiva na prática

No vídeo que acompanha este artigo, mostro testes com tinta condutiva para blindagem de instrumentos musicais e também o aspecto final depois da aplicação.

Esse é um complemento interessante porque permite observar tanto o acabamento quanto os testes realizados no material.

Blindagem também é eletrônica

Esse tipo de experiência mostra algo interessante: trabalhar com eletrônica aplicada ao áudio não significa apenas montar amplificadores e conectar componentes.

Ruído, aterramento, blindagem, interferência eletromagnética e cabeamento também fazem parte do funcionamento de um sistema de áudio.

E o multímetro volta a ser uma ferramenta importante: em vez de simplesmente acreditar que a tinta é condutiva porque o fabricante diz que é, podemos medir e verificar o resultado da aplicação.

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