O nautimodelismo é um hobby fascinante porque reúne diferentes conhecimentos em uma mesma atividade.
Para colocar um barco de controle remoto na água, podemos trabalhar com:
construção do casco;
mecânica;
motores elétricos;
eletrônica;
rádio controle;
baterias;
acabamento e pintura.
Alguns modelistas gostam de construir praticamente tudo desde o início. Outros preferem comprar um barco pronto e fazer modificações. Existem ainda aqueles que transformam brinquedos antigos em verdadeiros modelos de rádio controle.
Independentemente do caminho escolhido, uma das melhores partes do hobby acontece quando os barcos finalmente vão para a água.
E fica ainda mais interessante quando vários nautimodelistas se encontram para navegar juntos.
Foi isso que aconteceu em um encontro de nautimodelismo realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, onde diferentes lanchas e barcos RC puderam navegar nos espelhos d’água do local.
O que é nautimodelismo?
Nautimodelismo é a construção, reprodução e utilização de modelos de embarcações.
Podemos encontrar desde modelos destinados principalmente à exposição até barcos totalmente funcionais e controlados por rádio.
Entre os modelos navegáveis encontramos:
lanchas;
rebocadores;
veleiros;
barcos de resgate;
navios;
embarcações militares;
modelos de competição.
Cada categoria pode proporcionar uma experiência bastante diferente.
Nautimodelismo está longe de ser apenas “brincar com barquinhos”
Quando observamos um modelo pronto navegando, talvez não percebamos todo o trabalho existente por trás dele.
Um barco RC pode exigir conhecimentos sobre:
flutuabilidade;
distribuição de peso;
propulsão;
vedação;
sistema de direção;
alimentação elétrica;
controle remoto.
No artigo original, eu já destacava justamente essa combinação entre técnicas de construção náutica e conhecimentos de eletricidade e eletrônica.
É exatamente essa mistura de áreas que torna o hobby tão interessante.
Existem barcos completamente construídos pelo modelista
Alguns praticantes preferem começar praticamente do zero.
Nesse caso, o projeto pode envolver a construção de:
estrutura interna;
casco;
convés;
cabine;
acabamentos;
leme;
eixo;
sistema de propulsão.
Depois ainda vem toda a parte elétrica e eletrônica.
O resultado pode representar muitas horas de trabalho antes de o barco tocar a água pela primeira vez.
Outros preferem barcos prontos
Também não existe nenhuma obrigação de construir tudo.
Quem deseja simplesmente começar a navegar pode comprar um modelo pronto ou praticamente pronto para utilização.
Depois, conforme aprende, pode realizar modificações.
Podemos trocar:
motor;
ESC;
servo;
receptor;
bateria;
hélice.
Também podemos acrescentar iluminação, buzina, bombas e outros acessórios.
No encontro mostrado no artigo havia justamente essa diversidade de abordagens característica do nautimodelismo.
E podemos transformar brinquedos em modelos RC
Essa é outra possibilidade de que gosto bastante.
Um antigo barco de brinquedo pode servir como ponto de partida para uma adaptação.
Podemos instalar:
receptor 2.4 GHz;
servo para controlar o leme;
ESC;
motor;
bateria apropriada.
Assim, um brinquedo originalmente muito simples pode ganhar controle proporcional e tornar-se um projeto interessante de nautimodelismo.
Como funciona uma lancha RC?
Apesar das diferenças entre modelos, o sistema básico de uma lancha elétrica de controle remoto pode ser relativamente simples.
Temos:
Transmissor
↓
Receptor
A partir do receptor, normalmente aparecem pelo menos dois caminhos.
Para controlar a direção:
Receptor → Servo → Leme
Para controlar a propulsão:
Receptor → ESC → Motor → Hélice
A bateria fornece a energia necessária ao conjunto.
O transmissor envia os comandos
O rádio que seguramos nas mãos é o transmissor.
Quando movimentamos um stick ou volante, ele envia informações para o receptor instalado dentro do barco.
O receptor então disponibiliza o comando no canal correspondente.
Por exemplo:
comando para direita → servo movimenta o leme
ou:
aumentar aceleração → ESC aumenta a potência enviada ao motor.
Tudo acontece praticamente em tempo real.
O servo controla o leme
O servo é responsável por transformar o comando elétrico em movimento mecânico.
Seu braço é conectado ao leme através de uma linkagem.
Quando comandamos:
esquerda
o servo movimenta o leme.
Quando comandamos:
direita
ele movimenta no sentido oposto.
Parece simples, mas a geometria dessa ligação influencia bastante o comportamento do barco.
O curso do leme precisa ser adequado
Um leme movimentando muito pouco pode produzir curvas abertas demais.
Movimento excessivo pode fazer o barco reagir de maneira brusca.
Em lanchas rápidas, isso merece ainda mais atenção.
Quanto maior a velocidade, mais importante se torna a resposta previsível aos comandos.
Por isso, durante os primeiros testes, vale começar com movimentos moderados e ajustar gradualmente.
O ESC controla o motor
ESC significa Electronic Speed Controller.
Ele fica entre a bateria e o motor e recebe do receptor o comando correspondente ao acelerador.
Podemos representar:
Bateria → ESC → Motor
enquanto:
Receptor → ESC
fornece o comando.
Assim conseguimos variar a velocidade da embarcação remotamente.
O motor transforma energia elétrica em movimento
O motor gira o eixo e, consequentemente, a hélice.
A hélice produz o empuxo que movimenta o barco.
Mas não devemos analisar apenas o motor.
O sistema de propulsão envolve um conjunto:
bateria + ESC + motor + eixo + hélice.
Uma alteração em um desses componentes pode influenciar todos os outros.
A hélice faz muita diferença
Uma hélice inadequada pode aumentar excessivamente a carga sobre o motor.
Com isso, a corrente aumenta.
Consequentemente podemos ter:
aquecimento do motor;
aquecimento do ESC;
maior consumo da bateria;
menor autonomia.
Por isso, colocar simplesmente uma hélice maior não significa necessariamente conseguir uma lancha melhor ou mais rápida.
Lanchas rápidas são particularmente interessantes
Nos encontros de nautimodelismo, modelos rápidos normalmente chamam bastante atenção.
Quando uma pequena lancha acelera sobre a água, percebemos imediatamente a relação entre:
potência;
peso;
formato do casco;
hélice;
distribuição dos componentes.
É praticamente um pequeno laboratório de engenharia navegando diante de nós.
A distribuição de peso altera o comportamento
Dentro do casco encontramos componentes com massas bastante diferentes.
A bateria normalmente é uma das peças mais pesadas.
Se for instalada muito para frente, muito para trás ou deslocada lateralmente, pode alterar a maneira como o barco navega.
Por isso, durante a montagem fazemos testes de posicionamento antes de definir a instalação final.
O barco precisa ficar equilibrado
Antes de navegar, podemos colocar o modelo cuidadosamente na água e observar sua posição.
Ele está:
inclinado para um lado?
com a proa muito baixa?
com a popa excessivamente afundada?
Isso pode indicar que precisamos redistribuir os componentes.
Uma pequena mudança na posição da bateria pode produzir uma diferença perceptível.
Água doce é muito interessante para o nautimodelismo
No encontro da Cidade das Artes, os modelos puderam navegar nos espelhos d’água existentes no local. No artigo original, destaco que muitos modelistas preferem navegar em água doce.
Existe uma boa razão para isso.
A água salgada exige cuidados adicionais com os componentes e materiais.
Água salgada exige mais manutenção
Depois de navegar em água salgada, precisamos ter atenção especial com a limpeza.
Resíduos de sal favorecem problemas de corrosão e podem reduzir a vida útil de componentes metálicos.
Isso não significa que seja impossível praticar nautimodelismo em água salgada.
Eu mesmo mencionava no artigo que já havíamos navegado em águas salgadas no Rio de Janeiro.
A diferença está nos cuidados posteriores.
Depois de navegar, o barco também precisa de manutenção
Mesmo em água doce, é interessante criar uma rotina depois da navegação.
Ao retirar o modelo da água:
verifique se entrou água no casco;
observe o eixo;
confira a hélice;
verifique as conexões;
observe motor e ESC;
retire a bateria quando apropriado.
Uma pequena inspeção pode revelar um problema antes da próxima utilização.
Verifique sempre se entrou água
Mesmo um barco bem construído pode receber pequenas quantidades de água.
Isso pode acontecer através:
do eixo da hélice;
do leme;
de uma tampa;
de uma vedação;
de respingos.
Depois de navegar, abra o casco e verifique.
Se houver água em quantidade inesperada, descubra a origem.
Eletrônica e água precisam permanecer separadas
Dentro do barco temos componentes como:
receptor;
ESC;
servos;
bateria;
conectores.
Alguns equipamentos podem possuir proteção contra água, mas não devemos assumir que todo o sistema é impermeável.
Uma instalação cuidadosa continua sendo fundamental.
O receptor deve ficar protegido
Sempre que possível, vale posicionar o receptor em uma região protegida e elevada dentro do casco.
Também precisamos cuidar da antena.
O sistema de rádio precisa continuar funcionando de maneira confiável enquanto o barco se afasta.
Por isso, a instalação da antena deve respeitar as recomendações do fabricante.
Lancha RC navegando na piscina da Escola Naval RJ – Encontro Nautimodelismo 2016
A Escola Naval fica localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro. É um local muito bonito, com a baía de Guanabara a cercando. Bem ao lado está localizado o aeroporto Santos Dumont, o pai da aviação. Na Escola Naval acontece anualmente um evento que reúne os nautimodelistas do Rio de Janeiro. Lá temos acesso a duas piscinas enormes. Nessas piscinas acontecem torneios entre os praticantes, como a corrida de velocidade entre as lanchas.
Encontros são ótimos para aprender
Uma das grandes vantagens de participar de encontros de nautimodelismo é poder observar soluções construídas por outras pessoas.
Um modelista pode ter desenvolvido uma maneira interessante de:
instalar o motor;
fazer a vedação do eixo;
construir um leme;
organizar a eletrônica;
produzir fumaça;
instalar iluminação.
Conversando com outras pessoas, aprendemos soluções que talvez nunca tivéssemos imaginado sozinhos.
Cada barco acaba sendo diferente
Mesmo dois modelos semelhantes podem possuir soluções internas completamente diferentes.
Um pode utilizar:
motor brushed.
Outro:
motor brushless.
Um utiliza determinado tipo de bateria.
Outro utiliza uma configuração diferente.
Um possui apenas direção e aceleração.
Outro possui:
luzes;
buzina;
bomba;
som;
outros canais auxiliares.
É justamente essa liberdade de construção que torna o hobby tão rico.
Alguns modelistas gostam mais de construir do que de pilotar
Isso acontece muito no modelismo.
Para algumas pessoas, o maior prazer está em navegar.
Para outras, está na bancada.
Elas gostam de:
planejar;
cortar;
colar;
soldar;
pintar;
resolver problemas.
A navegação acaba sendo quase a demonstração final de todo aquele trabalho.
No artigo original, eu destacava justamente que alguns praticantes constroem tudo, desde o madeiramento até a eletrônica, enquanto outros preferem adquirir os barcos prontos.
Não é necessário começar com um modelo sofisticado
Para experimentar o nautimodelismo, podemos começar com um barco relativamente simples.
Precisamos basicamente controlar:
motor
e
direção.
Depois, conforme adquirimos experiência, podemos partir para projetos mais complexos.
Isso permite aprender gradualmente.
Nautimodelismo pode ser mais acessível do que parece
No texto original também chamava atenção para o fato de que o nautimodelismo pode apresentar um custo relativamente baixo, dependendo naturalmente do tipo de modelo escolhido.
Um pequeno barco elétrico não precisa utilizar:
motor extremamente potente;
rádio sofisticado;
bateria enorme;
eletrônica cara.
Também podemos reaproveitar muitos componentes e até construir partes do próprio modelo.
Pilotar um barco RC é relativamente intuitivo
Para um iniciante, colocar um barco simples na água e começar a navegar costuma ser bastante intuitivo.
Temos essencialmente:
acelerar;
reduzir;
virar para esquerda;
virar para direita.
Isso torna o nautimodelismo uma ótima porta de entrada para o rádio controle.
No artigo original eu comparava essa facilidade inicial com o aeromodelismo, no qual os primeiros comandos exigem muito mais preparação antes de colocar um modelo no ar.
Mesmo assim, existem técnicas para aprender
Conforme aumentamos a velocidade e a complexidade do modelo, começamos a perceber que pilotar bem também exige prática.
Precisamos aprender:
como entrar em uma curva;
quando reduzir a velocidade;
como evitar outros barcos;
como lidar com vento;
como interpretar o comportamento do casco.
Em encontros com várias embarcações navegando simultaneamente, essa atenção se torna ainda mais importante.
Navegar em grupo é diferente de navegar sozinho
Quando estamos sozinhos, praticamente todo o espaço disponível é nosso.
Em um encontro existem outros barcos.
Precisamos observar:
trajetória;
velocidade;
distância;
direção dos outros modelos.
Isso reduz o risco de colisões.
E uma colisão entre duas lanchas rápidas pode causar danos consideráveis.
Antes de colocar o barco na água, faça uma verificação
Uma rotina simples pode evitar muitos problemas:
- Confira a carga da bateria.
- Verifique a hélice.
- Confira o eixo.
- Observe o leme.
- Ligue o transmissor.
- Energize o barco conforme o procedimento do equipamento.
- Teste a direção.
- Teste o motor brevemente e com segurança.
- Confira o alcance e funcionamento do rádio.
- Verifique se a tampa está corretamente fechada.
- Somente então coloque o barco na água.
Depois de alguns usos, essa sequência se torna automática.
E sempre pense em como recuperar o modelo
Existe uma pergunta que todo nautimodelista deveria fazer antes de colocar o barco na água:
se ele parar no meio do lago, como vou buscá-lo?
Uma bateria pode acabar.
Um conector pode se soltar.
Uma hélice pode prender alguma coisa.
Um problema eletrônico pode acontecer.
Em locais maiores, é importante ter um plano de recuperação seguro, sem entrar na água de maneira arriscada.
A Cidade das Artes oferece um cenário muito interessante
A Cidade das Artes possui espelhos d’água que serviram como espaço para esse encontro mostrado no artigo. Naquele dia, moradores do Rio de Janeiro puderam observar de perto um pouco do nautimodelismo e dos diferentes modelos navegando.
Esse tipo de atividade também ajuda a apresentar o hobby para quem nunca teve contato com ele.
Muitas vezes alguém passa pelo local, vê os barcos navegando e começa a fazer perguntas.
Como funciona?
Foi você que construiu?
Qual é o alcance?
Que motor utiliza?
E talvez daí surja um novo modelista.
Outros encontros de nautimodelismo no Rio de Janeiro
No próprio artigo também mostrei imagens de outro encontro, realizado na Escola Naval, no Rio de Janeiro. O evento reunia nautimodelistas e utilizava duas grandes piscinas, onde aconteciam inclusive atividades como corridas de velocidade entre lanchas.
Esses encontros mostram que o hobby não precisa ser uma atividade solitária.
Construir na bancada pode ser uma atividade individual.
Mas colocar os modelos juntos na água transforma tudo em uma experiência social.
A competição é apenas uma das possibilidades
Algumas pessoas gostam das lanchas rápidas e das corridas.
Outras preferem navegar tranquilamente com:
rebocadores;
barcos de escala;
navios;
modelos detalhados.
Não existe uma única maneira correta de praticar nautimodelismo.
Podemos buscar:
velocidade;
realismo;
construção;
eletrônica;
diversão.
Ou um pouco de tudo.
O nautimodelismo também é um ótimo laboratório de eletrônica
Dentro de um barco RC encontramos vários assuntos que podemos estudar na prática:
motores elétricos;
ESC;
BEC;
servos;
receptores;
baterias;
LEDs;
relés;
transistores;
Arduino.
Podemos começar apenas com motor e direção e depois adicionar novos sistemas.
Podemos colocar iluminação
Luzes de navegação são um excelente exemplo.
Podemos instalar:
LEDs vermelhos;
LEDs verdes;
luzes brancas;
faróis;
iluminação interna.
Além de deixar o modelo visualmente interessante, o projeto permite aprender sobre:
tensão;
corrente;
resistores;
ligações em série e paralelo.
Podemos acrescentar som
Em modelos de escala, também podemos reproduzir:
som de motor diesel;
buzina;
sirene.
Esses sistemas podem ser acionados remotamente através de canais auxiliares do rádio.
Agora o barco deixa de ser apenas um sistema de propulsão e começa a ganhar funções adicionais.
Podemos colocar bombas de água
Uma pequena bomba pode ser utilizada para criar efeitos.
Em um rebocador ou barco de resgate, por exemplo, podemos produzir jatos de água.
Novamente temos uma oportunidade para trabalhar com:
motores;
transistores;
relés;
alimentação;
controle remoto.
O nautimodelismo acaba se tornando uma plataforma para experimentar eletrônica.
E podemos construir nosso próprio barco
Talvez você veja várias lanchas navegando e pense:
“Eu gostaria de fazer isso, mas não sei construir um barco.”
Não precisa começar por um projeto complexo.
Podemos aprender gradualmente:
casco;
motor;
eixo;
hélice;
leme;
servo;
ESC;
receptor.
Quando entendemos cada parte isoladamente, o conjunto deixa de parecer complicado.
O momento mais interessante é colocar o projeto na água
Depois de horas na bancada, chega o teste.
Colocamos o barco na água.
Afastamos um pouco.
Movimentamos o stick.
O leme responde.
Aceleramos.
A hélice começa a empurrar o modelo.
E aquilo que era apenas madeira, plástico, fios e componentes passa a navegar.
É difícil explicar para quem nunca construiu um modelo a satisfação desse momento.
Quer aprender a montar e modificar seus próprios modelos RC?
Quando começamos a observar um barco de controle remoto por dentro, percebemos que ele reúne praticamente todos os principais fundamentos da elétrica e da eletrônica utilizadas no modelismo:
bateria;
motor;
ESC;
BEC;
receptor;
servo;
LEDs;
conectores;
sistemas auxiliares.
A proposta é fazer com que você não fique limitado a pilotar um modelo pronto, mas consiga compreender como cada componente funciona, como fazer as ligações e como utilizar esse conhecimento para montar, adaptar e criar seus próprios projetos de rádio controle.