Voar em uma aeronave de pequeno porte proporciona uma experiência bastante diferente daquela encontrada em um grande avião comercial. Estamos mais próximos da operação da aeronave, conseguimos acompanhar melhor os movimentos durante o voo e percebemos com mais facilidade cada uma das etapas realizadas pelo piloto.
Neste vídeo registro um voo a bordo de um Cessna na ACA-RJ, acompanhando desde a decolagem até o pouso, incluindo uma manobra bastante conhecida na aviação: o touch-and-go.
É uma oportunidade interessante para observar, de dentro da aeronave, algumas das fases fundamentais de um voo.
Por que os aviões Cessna são tão conhecidos?
A Cessna possui uma longa história na aviação geral, especialmente com aeronaves monomotoras de asa alta.
Um dos exemplos mais conhecidos é o Cessna 172 Skyhawk. A própria fabricante destaca o Skyhawk como uma aeronave amplamente utilizada para treinamento de pilotos.
É importante, entretanto, não concluir apenas pelo vídeo que a aeronave mostrada seja necessariamente um Cessna 172. Existem diferentes modelos Cessna com configurações visualmente semelhantes.
Por isso, neste artigo vou tratá-la simplesmente como Cessna, conforme o registro original do voo.
A experiência começa ainda no solo
Antes de uma aeronave deixar o chão, existe uma série de procedimentos que fazem parte da preparação para o voo.
Para quem está como passageiro, porém, um dos momentos em que tudo começa a ficar mais evidente é quando a aeronave entra na pista e inicia a corrida de decolagem.
Temos uma sequência facilmente perceptível:
potência → aceleração → velocidade → sustentação → decolagem.
À medida que a velocidade relativa do ar sobre as asas aumenta, aumenta também a possibilidade de produzir a sustentação necessária ao voo.
De forma simplificada, podemos representar a sustentação por:
Isso ajuda a entender por que a velocidade tem tanta importância durante a decolagem.
A decolagem vista de dentro do Cessna
Observar uma decolagem como passageiro em uma aeronave pequena permite perceber coisas que praticamente desaparecem dentro de um grande avião comercial.
A aceleração é mais diretamente percebida, estamos muito mais próximos do piloto e temos uma referência visual clara do terreno.
Depois da corrida:
o avião deixa a pista → inicia a subida → ganha altitude → afasta-se do aeródromo.
Em uma aeronave de asa alta, a própria configuração também favorece uma ampla visão lateral. A fabricante destaca justamente essa característica de visibilidade em modelos como o Skyhawk.
O que é um touch-and-go?
Uma das partes mais interessantes do vídeo é o touch-and-go.
O termo pode ser traduzido aproximadamente como “tocar e seguir”.
A definição da FAA é bastante objetiva: trata-se de uma operação em que a aeronave pousa e volta a decolar da pista sem parar ou sair dela.
Visualmente, temos algo semelhante a:
APROXIMAÇÃO
↓
POUSO
↓
RODAS TOCAM A PISTA
↓
NOVA ACELERAÇÃO
↓
DECOLAGEM
Ou seja, a aeronave efetivamente toca a pista, mas aquele pouso não termina com a saída da pista.
Ela volta a voar.
Para que serve o touch-and-go?
O touch-and-go é muito associado ao treinamento.
Isso faz bastante sentido porque permite praticar, em uma mesma sessão de voo, sucessivas sequências de aproximação, pouso e decolagem.
A própria documentação da FAA menciona o uso desse tipo de operação em situações de treinamento.
Para quem está a bordo, é uma experiência muito interessante.
Você acompanha uma aproximação que aparentemente terminará em um pouso convencional.
As rodas tocam a pista.
E, poucos instantes depois:
a potência aumenta novamente e o avião volta ao ar.
Touch-and-go não é arremetida
Esses conceitos podem ser confundidos.
No touch-and-go, existe contato com a pista seguido de uma nova decolagem.
Já uma arremetida interrompe a aproximação ou o procedimento de pouso para que a aeronave volte a ganhar altitude e realize outra aproximação ou prossiga conforme necessário. A FAA trata a arremetida como uma manobra normal e segura.
Portanto:
TOUCH-AND-GO
pousa → toca a pista → decola novamente
ARREMETIDA
interrompe a aproximação/pouso → volta a subir
Essa diferença é interessante principalmente para quem está começando a conhecer os procedimentos da aviação.
A aproximação também é uma parte fascinante do voo
Depois de observarmos a aeronave no ar, chega outro momento importante: retornar à pista.
Durante a aproximação, o piloto precisa administrar diversos fatores para colocar a aeronave na trajetória adequada.
Para o passageiro, isso pode ser observado principalmente pelas mudanças de:
altitude, velocidade, atitude da aeronave e posição em relação à pista.
Quanto mais nos aproximamos do solo, maiores ficam novamente nossas referências visuais.
A pista deixa de ser apenas uma pequena faixa distante e passa a ocupar progressivamente o campo de visão.
O momento do pouso
No pouso definitivo, a sequência termina de maneira diferente daquela observada no touch-and-go.
Agora temos:
APROXIMAÇÃO
↓
DESCIDA FINAL
↓
ARREDONDAMENTO
↓
TOQUE NA PISTA
↓
DESACELERAÇÃO
↓
TÁXI
O instante em que as rodas entram em contato com a pista é chamado de touchdown. A FAA define touchdown como o ponto em que a aeronave faz seu primeiro contato com a superfície de pouso.
Depois disso, a aeronave reduz a velocidade e conclui efetivamente o pouso.
Veja o voo a bordo do Cessna
No vídeo abaixo você pode acompanhar essa experiência a bordo do Cessna na ACA-RJ, incluindo decolagem, voo, touch-and-go e pouso.
Uma das coisas mais interessantes é observar toda a sequência e não somente um momento isolado.
Temos praticamente um pequeno ciclo de voo registrado:
decolagem → voo → aproximação → touch-and-go → novo voo → aproximação → pouso.
Aviação e aeromodelismo estão muito próximos
Para quem gosta de aeromodelismo, acompanhar um voo real dessa maneira também é uma oportunidade de aprendizado.
Muitos conceitos que aparecem nos nossos modelos estão ali:
ailerons, profundor, leme, sustentação, arrasto, potência, estabilidade, centro de gravidade e comandos de voo.
Naturalmente, pilotar uma aeronave real envolve procedimentos, regulamentação, treinamento e responsabilidades que vão muito além do aeromodelismo.
Mas os princípios físicos básicos que fazem as duas aeronaves voarem são os mesmos.
E isso cria uma ligação muito interessante.
No aeromodelismo observamos o avião:
de fora.
Neste vídeo podemos acompanhar uma aeronave:
de dentro.
Uma experiência diferente com a aviação
Voar em uma aeronave pequena permite perceber a aviação de uma maneira muito mais próxima.
Não estamos apenas sendo transportados de um aeroporto para outro.
Podemos acompanhar visualmente boa parte do que está acontecendo.
A pista aparece à frente.
A aeronave desce.
As rodas tocam o solo.
No touch-and-go, a potência volta.
A velocidade aumenta.
E estamos novamente voando.
Depois, na aproximação seguinte, finalmente pousamos.
É justamente essa sequência que torna este registro interessante tanto para quem gosta de aviação quanto para quem acompanha meus projetos de aeromodelismo e rádio controle.