Quando pensamos em estudar no exterior com apoio da CAPES, normalmente lembramos de programas de mestrado, doutorado, Doutorado Sanduíche ou Pós-Doutorado.
Mas a internacionalização acadêmica não acontece apenas por meio de cursos que resultam em títulos.
A Portaria CAPES nº 289/2018 também previa uma modalidade chamada Capacitação, destinada ao desenvolvimento de capacidades técnicas, científicas ou pedagógicas para contribuir com a qualificação de recursos humanos e o fortalecimento institucional.
Essa modalidade ajuda a compreender algo importante: uma experiência acadêmica internacional pode ter como objetivo não apenas a formação individual, mas também trazer conhecimentos, práticas e competências que posteriormente sejam aplicados na instituição brasileira.
Está no doutorado e quer desenvolver parte da pesquisa no exterior?
Se você já está matriculado em um doutorado no Brasil, existe uma modalidade de internacionalização diretamente relacionada ao desenvolvimento da sua tese: o Doutorado Sanduíche.
Nesse caso, você permanece vinculado à sua universidade brasileira, mas desenvolve uma etapa da pesquisa em uma instituição estrangeira.
Para chegar até lá, entretanto, existe um caminho que envolve planejamento, escolha da instituição, contato com professores, projeto de pesquisa, documentação e candidatura.
No vídeo abaixo, apresento o curso Doutorado Sanduíche no Exterior – Método Baroni GP2E, desenvolvido para organizar essas etapas.
A modalidade Capacitação possui outro objetivo, mas conhecê-la ajuda a perceber como são diversas as possibilidades de formação internacional.
O que é a modalidade Capacitação no exterior?
A definição apresentada pela Portaria CAPES nº 289/2018 é bastante direta.
A finalidade da modalidade é desenvolver capacidade técnica, científica ou pedagógica por meio da qualificação de recursos humanos, contribuindo para o fortalecimento institucional.
Observe que existe uma diferença importante em relação a uma formação acadêmica tradicional.
O foco não está necessariamente na obtenção de um novo grau.
Está no desenvolvimento de competências.
Isso permite imaginar diferentes tipos de experiências internacionais, dependendo do programa e das necessidades identificadas.
O que significa capacitação internacional?
Uma capacitação internacional pode envolver atividades destinadas a aprender ou aperfeiçoar conhecimentos específicos em uma instituição estrangeira.
Por exemplo, um profissional pode participar de uma experiência voltada para conhecer:
- novas metodologias de ensino;
- tecnologias educacionais;
- práticas de gestão universitária;
- processos administrativos;
- métodos científicos;
- ferramentas técnicas;
- modelos de organização institucional.
O objetivo é que aquilo que foi aprendido não permaneça apenas com a pessoa que participou da experiência.
Existe uma perspectiva de aplicação e disseminação desse conhecimento.
Qual a diferença entre Capacitação e Doutorado Sanduíche?
Essa distinção é importante.
No Doutorado Sanduíche, o participante é um doutorando e a experiência internacional está relacionada ao desenvolvimento de parte da sua pesquisa de doutorado.
Na Capacitação, a finalidade apresentada pela regulamentação está relacionada ao desenvolvimento de capacidades técnicas, científicas ou pedagógicas e ao fortalecimento institucional.
Portanto, são propostas diferentes.
Uma pergunta simples ajuda a separar as duas situações:
Você quer desenvolver parte da sua tese no exterior?
Nesse caso, provavelmente está procurando informações sobre Doutorado Sanduíche.
Você quer desenvolver determinada competência profissional, técnica ou pedagógica por meio de uma experiência internacional?
Então uma oportunidade de capacitação pode estar mais próxima desse objetivo.
Quais são os objetivos da Capacitação no exterior?
O material analisado associa a modalidade a objetivos como fortalecimento institucional, atualização de conhecimentos, desenvolvimento de práticas, melhoria da capacidade de gestão e intercâmbio de experiências entre instituições brasileiras e estrangeiras.
Isso mostra que o benefício esperado vai além do currículo individual.
Imagine, por exemplo, um profissional que conhece no exterior uma nova metodologia de ensino.
Ao retornar, ele pode adaptar essa metodologia à realidade da instituição brasileira.
Outro profissional pode conhecer uma solução tecnológica utilizada por uma universidade estrangeira.
Um gestor pode observar um processo de internacionalização diferente.
Um pesquisador pode aprender uma técnica que posteriormente será utilizada por outras pessoas de seu laboratório.
Esse efeito multiplicador ajuda a explicar a relação entre capacitação e fortalecimento institucional.
Quem pode participar de uma Capacitação no exterior?
Não existe uma resposta única que possa ser aplicada a qualquer oportunidade.
Os critérios precisam ser definidos pelo edital ou instrumento de seleção específico.
O material utilizado como base para este artigo menciona perfis como docentes, técnicos, gestores e outros profissionais ligados às áreas contempladas pelos programas, além da necessidade de observar requisitos de experiência e idioma.
Entretanto, isso não significa que qualquer pessoa pertencente a esses grupos esteja automaticamente elegível.
Para uma oportunidade atual, verifique sempre:
quem pode participar;
qual vínculo institucional é necessário;
qual experiência profissional é exigida;
qual idioma será utilizado;
quais documentos precisam ser apresentados;
qual é o objetivo específico da capacitação.
Quais áreas podem ser contempladas?
As áreas dependem de cada programa.
O material analisado apresenta exemplos relacionados a gestão universitária, planejamento institucional, práticas pedagógicas, formação de professores, tecnologia educacional e processos administrativos acadêmicos.
Mas o conceito de capacitação não deve ser limitado a essa lista.
O ponto central é a existência de uma atividade estruturada de qualificação relacionada aos objetivos definidos pelo programa.
Por isso, antes de procurar uma oportunidade, pense:
Qual competência eu quero desenvolver?
Essa pergunta pode tornar sua busca muito mais objetiva.
Capacitação em práticas pedagógicas
Para professores, uma experiência internacional pode permitir contato com diferentes formas de organizar o processo de ensino e aprendizagem.
Isso pode envolver metodologias ativas, avaliação, uso de tecnologias, organização curricular ou novas formas de interação com os estudantes.
Conhecer uma prática estrangeira não significa simplesmente reproduzi-la no Brasil.
Sistemas educacionais possuem contextos diferentes.
O verdadeiro valor está em compreender a prática, analisar seus resultados e identificar o que poderia ser adaptado à realidade da instituição de origem.
Capacitação em tecnologia educacional
A transformação digital das universidades criou outra área interessante para experiências de capacitação.
Ambientes virtuais de aprendizagem, inteligência artificial, laboratórios digitais, ferramentas colaborativas e sistemas de gestão acadêmica são exemplos de tecnologias que podem modificar práticas educacionais.
Uma capacitação internacional pode proporcionar contato direto com instituições que já utilizam determinadas soluções.
Isso permite observar não apenas a tecnologia, mas principalmente como ela foi incorporada aos processos acadêmicos.
Capacitação em gestão universitária
A internacionalização também pode envolver profissionais que trabalham na administração das instituições.
Universidades possuem processos complexos relacionados a:
- pesquisa;
- ensino;
- extensão;
- internacionalização;
- avaliação;
- inovação;
- transferência de tecnologia;
- gestão de projetos;
- relacionamento com estudantes;
- cooperação institucional.
Conhecer como outra universidade organiza esses processos pode gerar aprendizados importantes.
Mais uma vez, o objetivo não é simplesmente copiar.
É comparar, compreender e adaptar.
Capacitação em pesquisa científica
Pesquisadores também podem se beneficiar de experiências de capacitação.
Uma instituição estrangeira pode dominar determinada metodologia, equipamento, software ou procedimento científico ainda pouco utilizado pelo grupo brasileiro.
Nesse caso, o profissional aprende a técnica no exterior e posteriormente pode ajudar a disseminá-la em sua instituição.
Esse tipo de experiência mostra claramente o efeito multiplicador da capacitação.
A viagem envolve uma pessoa, mas o conhecimento adquirido pode beneficiar muitas outras.
Existe bolsa para Capacitação no exterior?
A regulamentação analisada previa a possibilidade de benefícios relacionados à manutenção no exterior, instalação, seguro-saúde, deslocamento e, quando aplicável, participação nas atividades de capacitação.
Entretanto, é fundamental observar que essas informações pertencem ao contexto daquela regulamentação.
Não utilize valores ou benefícios antigos como referência automática para uma candidatura atual.
Programas, editais e condições podem mudar.
Sempre consulte a oportunidade específica para verificar quais despesas são cobertas.
Quanto tempo dura uma Capacitação no exterior?
A duração depende do programa.
Uma capacitação pode ter objetivos muito específicos e, portanto, não precisa necessariamente possuir a mesma duração de uma experiência de graduação, mestrado ou doutorado.
O tempo precisa ser compatível com aquilo que será aprendido e desenvolvido.
Quando analisar um edital, observe não apenas quantos dias ou meses estão previstos, mas principalmente o plano de atividades.
Pergunte:
O que deverá ser desenvolvido durante esse período?
Essa informação é mais importante do que simplesmente comparar a duração entre diferentes oportunidades.
Preciso falar outro idioma?
Em uma experiência internacional, a capacidade de comunicação pode ser essencial.
O nível exigido dependerá do programa e da atividade.
Uma capacitação que envolve participação em reuniões, cursos e atividades práticas pode exigir capacidade suficiente para compreender explicações, fazer perguntas e interagir com outros profissionais.
Por isso, verifique antecipadamente quais documentos de proficiência são exigidos e qual será o idioma efetivamente utilizado durante as atividades.
O que acontece depois da capacitação?
Essa é uma das partes mais interessantes dessa modalidade.
A experiência não deveria terminar no aeroporto.
Se a finalidade envolve fortalecimento institucional, o conhecimento adquirido precisa ter alguma forma de aplicação depois do retorno.
O material original destaca justamente compromissos relacionados ao retorno, aplicação dos conhecimentos, relatórios e prestação de contas.
Isso pode ocorrer de diferentes maneiras.
O participante pode:
capacitar colegas;
implantar um novo processo;
adaptar uma metodologia;
produzir materiais;
desenvolver um projeto;
incorporar uma nova tecnologia;
criar uma parceria entre instituições.
É nesse momento que a experiência individual pode produzir impacto institucional.
Como encontrar oportunidades de Capacitação no exterior?
O primeiro passo é acompanhar fontes oficiais.
Consulte os programas e editais das agências de financiamento, universidades e instituições relacionadas à sua área.
Também vale acompanhar os setores de relações internacionais da sua própria instituição.
Muitas oportunidades surgem por meio de acordos específicos entre universidades.
Outra estratégia é acompanhar instituições estrangeiras relevantes para sua área profissional.
Nem toda oportunidade internacional utilizará exatamente o termo “Capacitação”.
Você pode encontrar programas com denominações relacionadas a:
training;
professional development;
staff mobility;
academic training;
faculty development;
international training program.
Por isso, ampliar os termos utilizados na pesquisa pode revelar oportunidades interessantes.
Capacitação no exterior vale a pena?
Pode valer muito a pena quando existe uma conexão clara entre a atividade internacional e aquilo que você pretende desenvolver depois.
A pergunta principal não deveria ser:
“Como consigo passar um período no exterior?”
Mas sim:
“Que conhecimento eu preciso adquirir e onde existe uma instituição que possa contribuir para isso?”
Essa mudança transforma a viagem de objetivo em instrumento.
O exterior deixa de ser o fim.
Passa a ser o ambiente no qual determinado conhecimento será desenvolvido.
E se seu objetivo for desenvolver a tese no exterior?
Nesse caso, estamos falando de outra modalidade.
Se você está regularmente matriculado em um doutorado brasileiro e deseja desenvolver uma etapa da sua pesquisa em uma universidade estrangeira, procure informações sobre o Doutorado Sanduíche.
A escolha da universidade deve estar relacionada ao seu projeto.
O professor estrangeiro precisa fazer sentido para sua pesquisa.
O período precisa ser planejado.
E a candidatura envolve uma sequência de etapas acadêmicas e administrativas.
Quer fazer Doutorado Sanduíche no exterior?
Se esse é o seu objetivo, desenvolvi o curso Doutorado Sanduíche no Exterior – Método Baroni GP2E para organizar todo esse caminho.
O curso aborda planejamento, definição dos objetivos, currículo, projeto de pesquisa, contato com professores, documentação, procedimentos de candidatura e preparação para a experiência internacional.
A proposta é permitir que você compreenda antecipadamente as etapas e organize sua candidatura de maneira estruturada.
Conheça o curso Doutorado Sanduíche no Exterior – Método Baroni GP2E.