Quem está se preparando para fazer um Doutorado Sanduíche no exterior com bolsa da CAPES normalmente começa procurando o valor da mensalidade. Mas o planejamento financeiro da viagem envolve muito mais do que o dinheiro recebido todos os meses.
Passagem aérea, primeiros gastos com moradia e seguro-saúde podem representar valores significativos, principalmente no momento da chegada ao país de destino.
Por isso, dependendo das regras da bolsa e do edital vigente, o apoio ao bolsista pode envolver benefícios complementares à mensalidade. O material utilizado como base para este artigo destaca justamente passagem internacional, auxílio-instalação e auxílio relacionado ao seguro-saúde entre esses componentes.
Entender esses benefícios antes de viajar ajuda a evitar um erro comum: assumir despesas contando com um dinheiro que talvez seja concedido ou operacionalizado de maneira diferente daquela que você imaginava.
Está planejando seu Doutorado Sanduíche no exterior?
Antes de chegar à etapa das passagens e da mudança, existe todo o processo de construção da candidatura.
É preciso definir o que você pretende desenvolver no exterior, encontrar uma instituição adequada, identificar um possível supervisor, estabelecer contato, preparar o projeto, organizar a documentação e acompanhar os procedimentos da seleção.
No vídeo abaixo, apresento o curso Doutorado Sanduíche no Exterior – Método Baroni GP2E, criado justamente para organizar esse caminho.
Agora vamos tratar especificamente de três questões práticas importantes para quem está se preparando para embarcar: passagem aérea, instalação no exterior e seguro-saúde.
A CAPES paga a passagem do Doutorado Sanduíche?
O material-base apresenta a passagem aérea internacional de ida e retorno entre os benefícios previstos para bolsas no exterior.
Mas existe um cuidado importante.
Você não deve interpretar essa informação como autorização automática para comprar qualquer passagem e depois solicitar o dinheiro.
A forma de concessão pode depender das regras específicas aplicáveis à sua bolsa.
Por isso, antes de comprar a passagem, verifique:
como o benefício será concedido;
qual período de viagem é permitido;
quais datas precisam ser respeitadas;
se existem procedimentos específicos para aquisição;
quais despesas são efetivamente cobertas.
O material original também alerta que a forma de aquisição pode depender do edital e que alterações ou trechos adicionais podem estar sujeitos a regras específicas.
Posso comprar minha passagem antes da aprovação?
Esse é um risco que não vale a pena assumir sem uma orientação expressa do programa.
Imagine encontrar uma passagem excelente e decidir comprá-la porque acredita que sua candidatura será aprovada.
Você ainda pode enfrentar mudanças relacionadas a:
- resultado da seleção;
- período autorizado;
- implementação da bolsa;
- visto;
- documentação;
- universidade estrangeira;
- data efetiva de início.
Uma tarifa não reembolsável pode transformar uma aparente economia em prejuízo.
O planejamento pode começar cedo.
A compra deve seguir as regras da concessão.
Quando comprar a passagem para o Doutorado Sanduíche?
Depois da aprovação, acompanhe cuidadosamente as orientações para implementação da bolsa.
Não pense apenas na data em que gostaria de viajar.
Existe uma data acadêmica.
Uma data relacionada à bolsa.
Uma data informada na carta de aceite.
Talvez uma data relacionada ao visto.
Essas informações precisam ser compatíveis.
Antes de fechar a viagem, confira se o período da passagem está de acordo com aquilo que foi autorizado.
Posso viajar em classe executiva?
O material fornecido indica classe econômica para o deslocamento internacional previsto nesse contexto.
Portanto, não utilize o benefício como se fosse um orçamento livre para escolher qualquer modalidade de passagem.
Siga as regras da sua concessão.
Se desejar alterar condições da viagem por decisão pessoal, verifique antecipadamente se isso é permitido e quem será responsável por eventuais diferenças de custo.
Posso mudar a data da passagem?
Mudanças podem acontecer.
Um problema com o visto pode alterar a viagem.
A universidade pode solicitar alguma modificação.
Pode ocorrer uma situação pessoal inesperada.
Mas não faça alterações importantes presumindo que qualquer custo adicional será coberto.
O material-base alerta justamente que remarcações e alterações devem observar as condições e autorizações aplicáveis.
Se precisar modificar a viagem, consulte primeiro as orientações oficiais da sua bolsa.
E a passagem de volta ao Brasil?
O deslocamento previsto no material de referência contempla ida e retorno.
Isso é importante porque o Doutorado Sanduíche é uma mobilidade temporária.
Você continua desenvolvendo seu doutorado e, ao término do período internacional, existe o retorno para continuidade e conclusão da formação.
As datas e condições desse retorno devem seguir aquilo que estiver previsto na concessão.
O que é o auxílio-instalação da CAPES?
Chegar ao exterior custa dinheiro.
Mesmo que você tenha calculado perfeitamente suas despesas mensais, o primeiro mês costuma ser diferente.
É nesse contexto que aparece o auxílio-instalação.
O material-base o apresenta como um pagamento destinado às despesas iniciais no país de destino.
Isso é diferente da mensalidade.
A mensalidade está relacionada à manutenção ao longo do período.
A instalação está relacionada à fase inicial da mudança.
Quais despesas aparecem quando chegamos ao exterior?
Imagine os primeiros dias.
Você desembarca com malas e precisa começar uma nova rotina.
Talvez ainda não possua moradia definitiva.
Precisa chegar ao local onde ficará hospedado.
Pode precisar comprar um chip de celular.
Utilizar transporte.
Comprar itens básicos.
E principalmente resolver a moradia.
O material utilizado como referência cita despesas iniciais como hospedagem, caução de aluguel, transporte e itens essenciais entre exemplos relacionados à instalação.
Esses gastos podem se concentrar em poucos dias.
Cuidado com a caução do aluguel
Esse é um ponto que merece atenção especial.
Dependendo do país e do tipo de imóvel, você pode precisar pagar uma caução ou depósito para conseguir entrar na moradia.
Imagine que o aluguel seja €700 e seja exigido também um depósito equivalente a um mês.
Você pode precisar de €1.400 apenas para entrar no imóvel, sem contar alimentação, transporte e outras despesas.
Isso não significa que essa será a regra no seu destino.
Significa que você precisa pesquisar como funciona o mercado de aluguel da cidade para onde irá.
Pesquise moradia antes de viajar
Você não precisa necessariamente fechar um contrato de longo prazo antes de conhecer o lugar.
Mas precisa pesquisar.
Procure:
residências universitárias;
moradias para estudantes;
quartos compartilhados;
apartamentos próximos à universidade;
transporte entre diferentes bairros e o campus.
Também entre em contato com o setor internacional da universidade.
Algumas instituições possuem serviços específicos para ajudar pesquisadores e estudantes estrangeiros.
Pergunte ao seu supervisor sobre moradia
Seu supervisor estrangeiro não é uma agência imobiliária, mas pode ajudar com informações locais.
Uma pergunta simples pode economizar bastante tempo:
“Existe alguma região onde os doutorandos e pesquisadores visitantes normalmente ficam?”
Ele também pode indicar outro estudante do grupo para conversar com você.
Às vezes, informações locais são muito mais úteis do que listas genéricas de “melhores bairros” encontradas na internet.
Quanto é o auxílio-instalação?
Não utilize um valor antigo encontrado em um blog, vídeo ou relato de outro bolsista.
O próprio material fornecido relaciona o valor às normas aplicáveis à modalidade e ao destino.
Valores podem mudar.
Regras podem mudar.
Portanto, se sua candidatura está acontecendo agora, consulte a documentação vigente.
O objetivo deste artigo é ajudá-lo a entender como pensar no benefício, não substituir a informação oficial sobre valores.
O auxílio-instalação é mensal?
Não.
No material-base, ele é apresentado como um benefício pago uma única vez, justamente por estar relacionado aos custos iniciais da experiência internacional.
Esse ponto é importante para seu orçamento.
Não incorpore o auxílio-instalação à sua renda mensal.
Ele serve para uma fase específica.
Depois, sua rotina financeira precisará funcionar com os recursos regulares disponíveis durante o restante da bolsa.
Monte dois orçamentos diferentes
Uma boa maneira de planejar a viagem é separar:
Orçamento de chegada
Inclua:
moradia temporária;
caução;
primeiro aluguel;
transporte do aeroporto;
itens básicos;
alimentação inicial;
documentação local;
outros gastos de instalação.
Orçamento mensal
Inclua:
aluguel;
alimentação;
transporte;
telefone e internet;
despesas pessoais;
reserva para imprevistos.
Essa separação torna o planejamento muito mais realista.
O que é o auxílio seguro-saúde?
Passar vários meses em outro país significa também estar sujeito a imprevistos relacionados à saúde.
Os sistemas públicos e privados funcionam de maneira diferente em cada país.
Um atendimento que seria simples no Brasil pode possuir custo elevado no exterior.
Por isso, o seguro-saúde é um elemento importante da preparação.
O material-base apresenta a contratação de cobertura para o período da bolsa e indica que pode existir auxílio financeiro específico para essa finalidade, conforme as condições aplicáveis.
Quem contrata o seguro-saúde?
Segundo o material utilizado como referência, a contratação é responsabilidade do bolsista, podendo existir auxílio financeiro destinado a essa despesa conforme as regras da bolsa.
Isso significa que receber um auxílio não necessariamente significa que alguém contratará o seguro por você.
Você precisa verificar:
qual cobertura é exigida;
qual período precisa ser coberto;
quais documentos devem ser apresentados;
se existem requisitos específicos do país;
se a universidade possui exigências adicionais.
Não escolha seguro apenas pelo preço
Imagine duas opções.
Uma custa menos, mas possui cobertura bastante limitada.
Outra custa um pouco mais e atende adequadamente às exigências da viagem e da universidade.
Comparar apenas o preço pode ser um erro.
Observe:
cobertura médica;
hospitalização;
limites financeiros;
franquias;
exclusões;
atendimento no país de destino;
procedimentos de emergência.
O material-base também menciona cobertura relacionada a repatriação e retorno sanitário.
Confira exatamente o que será exigido no seu caso.
A universidade pode exigir outro seguro?
Pode haver exigências próprias da instituição anfitriã.
O material fornecido chama atenção justamente para a necessidade de verificar se a universidade estrangeira exige cobertura adicional ou algum seguro local.
Por isso, existem pelo menos três fontes que você deve consultar:
as regras da bolsa;
as exigências do país;
as exigências da universidade.
Não presuma que atender uma delas significa automaticamente atender às outras.
O seguro precisa cobrir todo o Doutorado Sanduíche?
O material-base indica cobertura durante todo o período da bolsa, desde a chegada até o retorno.
Ao contratar, confira cuidadosamente as datas.
Um erro simples seria contratar cobertura que termina alguns dias antes da sua viagem de volta.
Compare as datas da apólice com o período efetivo da mobilidade.
Guarde os documentos do seguro
Tenha acesso fácil a:
apólice;
número do seguro;
telefone de emergência;
instruções para atendimento;
comprovantes necessários.
Não deixe tudo apenas em um e-mail difícil de encontrar.
Mantenha uma cópia digital acessível e, se considerar útil, uma cópia física junto aos seus documentos.
Passagem, instalação e seguro fazem parte do planejamento pré-embarque
Esses três elementos possuem algo em comum.
Eles aparecem justamente na transição entre:
“Consegui a oportunidade”
e
“Agora realmente vou morar alguns meses no exterior.”
É nesse momento que o Doutorado Sanduíche deixa de ser apenas um projeto acadêmico e começa a envolver decisões práticas.
Você precisa organizar pesquisa e vida pessoal ao mesmo tempo.
Não espere a aprovação para pesquisar tudo
Existe uma diferença entre assumir compromissos financeiros e começar a pesquisar.
Comprar uma passagem antes da hora pode ser arriscado.
Pesquisar preços de passagens, não.
Assinar um contrato de aluguel cedo demais pode ser arriscado.
Pesquisar bairros e valores, não.
Contratar um seguro antes de conhecer as datas pode não fazer sentido.
Pesquisar coberturas e exigências, sim.
Portanto, utilize o período da candidatura também para compreender como será sua vida caso seja aprovado.
Faça uma pasta de pré-embarque
Depois da aprovação, crie uma pasta específica para a viagem.
Pode ser digital.
Por exemplo:
01 – Bolsa e documentos
02 – Passagem
03 – Visto
04 – Seguro-saúde
05 – Moradia
06 – Universidade estrangeira
07 – Finanças
08 – Documentos pessoais
09 – Contatos de emergência
Ter tudo organizado reduz bastante o estresse nos últimos dias antes da viagem.
Checklist antes de comprar a passagem
Antes de finalizar a compra ou seguir o procedimento determinado pela bolsa, confirme:
- bolsa aprovada;
- implementação encaminhada;
- período autorizado;
- datas da carta de aceite;
- situação do visto;
- orientações oficiais sobre o deslocamento;
- regras relacionadas à aquisição da passagem;
- data em que precisa estar na universidade;
- condições relacionadas ao retorno.
Não use esse checklist como substituto das regras oficiais.
Use-o para evitar esquecer perguntas importantes.
Checklist para os primeiros dias no exterior
Também vale preparar uma lista para a chegada:
- endereço da primeira hospedagem;
- como sair do aeroporto;
- contato do supervisor;
- contato da universidade;
- seguro-saúde acessível;
- dinheiro ou meio de pagamento disponível;
- documentos pessoais;
- acesso ao celular e internet;
- informações sobre transporte;
- horário e local do primeiro compromisso na universidade.
Pequenas decisões tomadas antes da viagem tornam os primeiros dias muito mais simples.
O que fazer primeiro depois da aprovação?
Evite tentar resolver tudo ao mesmo tempo.
Uma possível sequência é:
1. Ler integralmente as orientações da concessão.
2. Confirmar as datas.
3. Iniciar ou concluir o procedimento do visto.
4. Verificar passagem conforme as regras recebidas.
5. Organizar seguro-saúde.
6. Pesquisar e definir moradia.
7. Planejar financeiramente a chegada.
8. Alinhar com o supervisor os primeiros dias na universidade.
A ordem exata pode variar, mas enxergar essas atividades como um processo ajuda bastante.
Não confunda direito previsto com dinheiro livre
Passagem, auxílio-instalação e seguro-saúde possuem finalidades específicas.
O material-base resume justamente esses três componentes como benefícios associados ao deslocamento, às despesas iniciais e à proteção de saúde durante a experiência internacional.
Portanto, ao receber orientações sobre os benefícios da bolsa, leia cuidadosamente as condições relacionadas a cada um deles.
O planejamento financeiro começa antes do embarque
Uma experiência internacional pode ser academicamente excelente e, ao mesmo tempo, se tornar desnecessariamente estressante quando as questões práticas não foram planejadas.
Você não precisa prever absolutamente tudo.
Isso seria impossível.
Mas pode chegar sabendo:
quanto custa aproximadamente morar naquela cidade;
como pretende encontrar moradia;
quais são os procedimentos da passagem;
qual seguro precisa contratar;
quanto provavelmente gastará na chegada;
quais documentos precisa levar.
Essa preparação permite concentrar sua energia naquilo que realmente importa depois que chegar: sua pesquisa e sua experiência acadêmica internacional.
Quer se preparar para o Doutorado Sanduíche desde a candidatura até o embarque?
Se você está fazendo doutorado no Brasil e pretende desenvolver parte da sua pesquisa em uma instituição estrangeira, criei o curso Doutorado Sanduíche no Exterior – Método Baroni GP2E para ajudar a organizar esse processo.
O curso aborda a construção da candidatura, definição dos objetivos, currículo, projeto de pesquisa, documentação, contato com professores e também a preparação para a experiência depois da aprovação.
Conseguir a bolsa é uma etapa importante.
Saber o que fazer depois que o resultado sair também faz parte do planejamento.
Conheça o curso Doutorado Sanduíche no Exterior – Método Baroni GP2E.