Jumpers para Protoboard: Tipos Industrializados e Como Fazer os Seus

Quem começa a montar circuitos em protoboard rapidamente percebe que não basta ter resistores, capacitores, transistores e circuitos integrados.

Precisamos também interligar todos esses componentes.

É aí que entram os jumpers.

Eletrônica Aplicada ao Áudio
Eletrônica Aplicada ao Áudio
Aprenda eletrônica do zero com experiências práticas, circuitos e aplicações em áudio.
CONHEÇA O CURSO →

Existem diferentes tipos: rígidos, flexíveis, pré-cortados, com terminais macho e fêmea e até aqueles que podemos fabricar facilmente na própria bancada.

No vídeo deste artigo mostro alguns desses jumpers e dou dicas para escolher entre uma solução industrializada ou caseira.

Para que servem os jumpers?

A protoboard já possui internamente conjuntos de contatos metálicos conectando determinados furos.

Mas essas conexões existem apenas entre grupos específicos.

Para construir nosso circuito precisamos criar as demais ligações:

ponto A → jumper → ponto B

Por exemplo:

alimentação → circuito

saída do CI → resistor

transistor → LED

Arduino → protoboard

sensor → microcontrolador

Os jumpers funcionam, portanto, como os fios do nosso circuito experimental.

Existem diferentes tipos de jumper

Podemos dividir os mais comuns em alguns grupos:

jumpers rígidos pré-formados

jumpers flexíveis macho-macho

jumpers macho-fêmea

jumpers fêmea-fêmea

jumpers caseiros com fio rígido

Cada tipo possui vantagens em determinadas situações.

Jumper rígido industrializado

Um dos tipos mais interessantes para montar circuitos organizados é o jumper rígido.

Ele normalmente possui formato semelhante a:

│                       │
└───────────────────────┘

As extremidades são dobradas aproximadamente a 90 graus e entram diretamente nos furos da protoboard.

Esses jumpers são comercializados em vários comprimentos. Há kits tradicionais fabricados com fio sólido de 22 AWG, já cortado, desencapado e dobrado para inserção na protoboard.

A grande vantagem é a organização.

O jumper rígido pode ficar rente à protoboard

Imagine uma ligação que precisa percorrer cinco furos.

Podemos utilizar um jumper do comprimento adequado e deixá-lo praticamente encostado à superfície:

┌─────────────┐
● ● ● ● ● ● ●

Isso produz uma montagem bastante limpa.

Além da estética, existe uma vantagem prática:

fica muito mais fácil acompanhar visualmente o circuito.

Em montagens maiores, isso ajuda bastante durante o diagnóstico de problemas.

Jumpers flexíveis macho-macho

Outro tipo extremamente popular é o jumper com terminais rígidos nas duas extremidades:

macho ← cabo flexível → macho

Ele é chamado de:

male-to-male ou macho-macho.

Esse tipo funciona muito bem para:

protoboard ↔ protoboard

ou:

placa com conector fêmea ↔ protoboard

Os cabos industrializados podem utilizar condutor flexível internamente e possuir terminais rígidos apropriados nas pontas, o que facilita a inserção na protoboard.

A vantagem é justamente a flexibilidade.

Quando o jumper flexível é melhor?

Imagine que precisamos fazer uma ligação atravessando toda a montagem.

Com um fio rígido poderíamos ter que fazer várias dobras.

Com um jumper flexível:

● ~~~~~~~~~~~~~~~~ ●

podemos passar facilmente por cima ou ao redor de outros componentes.

Eles são particularmente úteis durante:

testes rápidos

alterações frequentes

ligações temporárias

conexões entre módulos

montagens com Arduino, ESP32 e sensores

Por outro lado, utilizar muitos jumpers longos pode transformar a protoboard em um verdadeiro emaranhado.

Macho-fêmea

Também temos:

macho ← cabo → fêmea

Esse tipo é muito útil quando um dos dispositivos possui pinos macho.

Imagine um módulo eletrônico:

MÓDULO
│ │ │ │
↑ ↑ ↑ ↑
pinos macho

Não conseguimos colocar outro terminal macho diretamente sobre esses pinos.

Utilizamos então a extremidade fêmea:

módulo → FÊMEA — fio — MACHO → protoboard

É extremamente útil para conectar sensores, módulos e placas de desenvolvimento.

Fêmea-fêmea

Existe ainda:

fêmea ← cabo → fêmea

Nesse caso podemos interligar dois conjuntos de pinos macho.

Por exemplo:

módulo A → FÊMEA — cabo — FÊMEA ← módulo B

Isso pode ser conveniente quando queremos fazer uma experiência rapidamente sem construir uma placa ou utilizar a protoboard para todas as conexões.

Os três tipos são fáceis de lembrar

Podemos resumir assim:

JumperAplicação típica
Macho-machoProtoboard ↔ protoboard
Macho-fêmeaProtoboard ↔ pino de módulo
Fêmea-fêmeaPino ↔ pino
RígidoLigações organizadas na protoboard

Não são regras absolutas, mas ajudam bastante a escolher o cabo.

E podemos fazer nossos próprios jumpers?

Sim.

Na realidade, para determinadas montagens, eu prefiro essa solução.

Precisamos basicamente de:

fio rígido

alicate de corte

desencapador

e um pouco de organização.

A recomendação tradicional para protoboards é utilizar fio sólido de aproximadamente 22 AWG. A Adafruit, por exemplo, recomenda explicitamente 22 AWG solid core para fabricar jumpers caseiros porque ele entra bem nos contatos e mantém a forma depois de dobrado.

Por que utilizar fio rígido?

Compare:

Fio flexível

É formado por vários filamentos:

\\\\\\\\

Ao desencapar, esses filamentos podem se abrir.

Tentar introduzi-los diretamente na protoboard pode ser frustrante e produzir contatos pouco confiáveis.

Fio rígido

Possui um único condutor:

────────

Depois de desencapado, ele pode ser introduzido diretamente no contato da protoboard.

Além disso, podemos dobrá-lo e ele mantém a forma.

Por isso o fio sólido é muito mais conveniente para fabricar jumpers caseiros. Fios multifilares podem se abrir e até provocar curtos acidentais entre pontos próximos.

Como fazer um jumper caseiro

O processo é muito simples.

Primeiro determine a distância necessária entre os dois pontos.

Corte um pedaço de fio um pouco maior.

Depois desencape uma pequena parte em cada extremidade.

A Adafruit sugere algo na faixa de aproximadamente 5 a 10 mm, dependendo da montagem.

Teremos:

metal      isolação             metal
─────████████████████████████─────

Depois podemos dobrar as extremidades:

│                              │
└──────────────────────────────┘

Pronto.

Temos um jumper feito exatamente para aquela ligação.

Essa solução pode deixar o circuito muito mais organizado

Essa é uma grande vantagem dos jumpers caseiros.

Em vez de utilizar:

um jumper industrializado de 20 cm

para conectar dois pontos separados por apenas:

3 cm

podemos fabricar um fio praticamente sob medida.

O resultado é algo parecido com:

Circuito organizado

 ┌────┐   ┌────────┐
 ●    ●   ●        ●
 ● IC ●───● R      ●
 ●    ●   ●        ●
 └────┘   └────────┘

em vez de:

Circuito com fios longos

~~~~~~╲
   ~~~~╲~~~~
~~~~╲      ~~~~~~
    ╲~~~~~~

Quando precisamos encontrar um erro, essa diferença pode ser enorme.

Cores também ajudam no diagnóstico

Outra dica muito útil é utilizar cores de maneira consistente.

Por exemplo:

vermelho → positivo

preto → GND

azul → outro barramento de alimentação

amarelo → sinais

verde → sinais

Essa convenção não é uma obrigação elétrica, mas melhora muito a leitura do circuito.

Guias de prototipagem recomendam justamente estabelecer um código de cores consistente para tornar montagens mais fáceis de compreender e depurar.

O importante é manter o padrão.

Cuidado com a bitola

Não devemos utilizar qualquer fio que encontramos.

Se o condutor for muito fino:

pode não prender adequadamente no contato.

Se for muito grosso:

pode forçar e deformar o contato interno da protoboard.

Fabricantes de breadboards indicam tipicamente uma faixa de condutores sólidos próxima de 22 a 26 AWG, com 22 AWG sendo uma escolha muito comum.

Isso corresponde a aproximadamente:

22 AWG ≈ 0,64 mm de diâmetro do condutor

A especificação de um fio 22 AWG para breadboard da Adafruit indica cerca de 0,62 mm para o condutor.

Não force o jumper

Se o fio não entra facilmente:

não empurre com força.

Primeiro confira:

a bitola

a ponta do fio

se o condutor está torto

se aquele contato da protoboard está danificado

Forçar um fio muito grosso pode deformar os contatos metálicos internos.

Depois disso, componentes de terminais mais finos podem começar a apresentar mau contato.

Um mau jumper pode criar um “defeito fantasma”

Esse é um problema que quem trabalha bastante com protoboard acaba encontrando.

Montamos o circuito.

Não funciona.

Conferimos:

resistores

transistores

alimentação

polaridade

circuito integrado

Tudo parece correto.

Depois descobrimos:

era um jumper com mau contato.

Por isso, diante de um comportamento intermitente, uma das primeiras verificações deve ser:

continuidade das ligações.

O multímetro é nosso amigo também aqui.

Confira também os barramentos da protoboard

Existe outro detalhe que pode causar bastante confusão.

Em muitas protoboards grandes, os barramentos laterais de alimentação podem possuir uma interrupção no meio.

Visualmente temos:

+ + + + + + +     + + + + + + +
- - - - - - -     - - - - - - -
              ↑
         interrupção

Mas podemos olhar para eles e imaginar que todos os furos estão conectados.

Nem sempre estão.

Nesse caso precisamos utilizar jumpers:

+ ───────────── +
- ───────────── -

para unir as duas partes.

A própria Adafruit recomenda verificar essa configuração e utilizar fios sólidos para interligar os barramentos quando necessário.

Antes de confiar no desenho da protoboard:

teste continuidade com o multímetro.

Industrializado ou caseiro?

Minha resposta seria:

os dois.

O jumper industrializado flexível é excelente quando estamos:

experimentando

mudando conexões

ligando módulos

testando rapidamente

Já o jumper rígido, especialmente feito sob medida, é excelente quando queremos:

organização

circuito fácil de acompanhar

ligações curtas

uma montagem que permanecerá algum tempo na bancada.

Não precisamos escolher um único tipo.

Eu utilizaria os dois na mesma montagem

Uma estratégia bastante prática seria:

jumpers rígidos curtos → dentro do circuito

e:

jumpers flexíveis → ligações externas e módulos.

Por exemplo:

           SENSOR
             │
        jumper flexível
             │
             ▼
    ┌───────────────────┐
    │    PROTOBOARD     │
    │                   │
    │ ┌──┐──R──LED      │
    │ │CI│              │
    │ └──┘              │
    │ jumpers rígidos   │
    └───────────────────┘

Assim aproveitamos as vantagens dos dois sistemas.

Veja os diferentes jumpers no vídeo

No vídeo abaixo mostro diferentes tipos de jumpers para utilizar em protoboard, incluindo opções industrializadas e a possibilidade de fabricar os seus próprios cabos.

É um componente extremamente simples.

Mas quem já tentou encontrar um defeito em uma protoboard cheia de fios sabe que existe uma grande diferença entre:

um circuito simplesmente conectado

e:

um circuito bem organizado.

Organização também faz parte da eletrônica

Quando estamos apenas fazendo uma pequena experiência com:

um LED + resistor

a organização dos fios pode parecer irrelevante.

Mas conforme o circuito cresce:

10 jumpers

20 jumpers

30 jumpers

a situação muda.

Uma boa escolha de:

comprimentos

cores

tipos de jumper

e trajetos

pode tornar o circuito muito mais fácil de:

montar

entender

modificar

e principalmente:

consertar.

Por isso, fazer os próprios jumpers não é apenas uma maneira de economizar.

Pode ser uma maneira de transformar a protoboard em uma representação física muito mais clara do esquema eletrônico que estamos tentando construir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *